domingo, 10 de março de 2013

O adepto da moda: O bispo da Trofa


Chamam-lhe o bispo da Trofa. Mas autodefine-se como «Bispo do Benfica». 

Miguel Costa, 40 anos, tornou-se, nos últimos meses, num dos adeptos mais conhecidos dos encarnados. Pela excentricidade traduzida numa batina e pela forma como interpreta o personagem, com discurso e linguagem gestual de um ator em potência. 

O bispo não falta a nenhum jogo, seja no Estádio da Luz ou fora de casa, à exceção dos desafios no estrangeiro e na Madeira. «Para isso ainda não dá», diz este bombeiro voluntário e empregado de uma salsicharia na Trofa, que tem vindo a acumular quilómetros nos últimos meses, algo só possível graças aos «patrocinadores»: um café, uma cervejaria e umas galerias na Trofa, que lhe pagam o bilhete do jogo ou o bilhete do autocarro, quando não consegue um lugar gratuito no veículo da casa do Benfica de Famalicão. 

«Por enquanto os nomes ainda não aparecem na batina, mas qualquer dia têm de aparecer, para terem retorno, embora eles me apoiem pelo prazer de me ver fazer isto», disse a A BOLA, sorrindo, hora e meia antes do jogo frente ao Bordéus, para a Liga Europa. 

Miguel passou a ter uma vida dupla. A adesão ao episcopado foi há um ano. «Pedi esta batina a um amigo meu, pelo Carnaval. Até ia atirar isto fora, mas calhou vir ao Estádio da Luz assim vestido e foi uma loucura: toda a gente a pedir-me autógrafos, fotografias... Nunca mais a larguei. E tenho outra, mais fina, para o tempo quente», garante. 

Na mão esquerda a Bíblia do Benfica, de Luís Miguel Pereira, no interior muitas fotografias e autógrafos de gente ilustre. À medida que falava à nossa reportagem, adeptos vinham ter com ele. Pediam para tirar uma fotografia, que rapidamente ia parar ao Facebook. 

A mesma rede social onde o bispo prega, tendo criado recentemente uma página, já com quase 600 gostos. Além dos patrocínios, uma família e um empregador compreensivos permitem-lhe manter a folia. «Combino as férias com o meu patrão. Porque tenho de ganhar dias, especialmente quando há jogos a meio da semana. 

Ele nem gosta muito disso, acima de tudo porque é portista», arranca uma gargalhada. 

Com quem lhe é mais próximo, as concessões são fáceis: «Tenho um filho de três anos, que já é adepto. E a minha mulher também é ferrenha. Hoje ligou-me cinco vezes para me lembrar o pedido: quer uma camisola do Lima, é o ídolo dela. 

Eu bem berro nos jogos, mas ele não me ouve. É normal, afinal há muita gente a pedir coisas aos jogadores.» 

O bispo teve mais uma vez azar: no final da partida frente aos gauleses, os jogadores saíram a correr para o balneário, irritados pelo coro de assobios do Terceiro Anel. 

A crítica também faz parte da forma de estar de Miguel Costa, que não gosta da forma como Jorge Jesus faz a gestão do planteI. «Ele às vezes tem aquelas coisas que chateiam, não podemos deixar provas para trás, como aconteceu na Taça da Liga, frente ao SC Braga. Este clube é muito grande!», exclama. 

A quente, após a eliminação, já deixara o recado na homilia, via Facebook: «O Jesus é um anjinho, assim nem com as rezas do bispo conseguimos ganhar.»

Mas também Miguel, o adepto, admite prioridades. «Que seja o Campeonato», assume. 

Antes, no entanto, o bispo espera uma prenda: «O meu sonho é beijar o relvado do Estádio da Luz. Não quero mais nada. 

Luís Filipe Vieira prometeu-me isso na campanha para as últimas eleições, na casa de Famalicão.» O céu ali tão perto.» 

-Jornal A Bola, 9 de Março de 2013

1 comentário:

  1. O Benfica também é feito disto, de pessoas que se dão de corpo e alma, de pessoas que são únicas, de pessoas que fazem da entrega ao clube a sua vida.
    Que venham mais "bispos" que venham mais Barbas, que venham mais "Diabos", que venham mais únicos, pois todos eles têm uma coisa em comum connosco... somos benfiquistas!

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