domingo, 10 de novembro de 2013

Vítor Serpa sobre o derby da Taça: Deslumbrante espectáculo de futebol


Um derby histórico! Golos, casos, emoção permanente, intensidade eletrizante, entrega total, espetáculo com direito a meia hora de continuado encantamento, paixão febril nas bancadas, lances de maravilhosa fantasia, jogadores exuberantes na arte de jogar futebol, fantásticas explosões de alegria. Este, senhores, ainda mais do que um derby histórico será, certamente, um derby que ficará para a história dos derbies e do futebol português.

São jogos destes - é importante dizê-lo - que alimentam o futebol por muitos e bons anos. São jogos destes que dão ao futebol uma expressão universal. Este Benfica-Sporting foi um espetáculo deslumbrante. Um jogo de compêndio que irá perdurar na memória daqueles que o viram e daqueles que o vão ouvir contar. É um daqueles jogos que devia começar sempre por «Era uma vez...» como nas histórias de contos de fadas ou de cavaleiros andantes, heróis de façanhas improváveis, que se tornam místicos e eternos.

É curioso que, antes do jogo, muita gente falou sobre a questão de tirar dúvidas sobre se o Benfica estaria, mesmo, a subir de qualidade e de capacidade competitiva e se o Sporting confirmava, ou não, o salto súbito e inesperado para o regresso a uma grandeza que ainda se julgava distante.

Tudo comprovadíssimo. O crescimento do Benfica (exceto nessa pequena-grande questão das bolas paradas) e o pleníssimo direito do Sporting se reclamar da mesma dimensão dos maiores do futebol português.
Foi, aliás, por essa prova comprovada que se deu o fantástico esplendor de um jogo memorável.

Venceu o Benfica, por ironia do destino, num lance que o jogo nem sequer mereceu. Mas venceu, acima de tudo, o futebol. Pena, muita pena, mesmo, que este enorme Sporting tenha ficado desde já afastado da Taça. Se há jogos que mereciam ter só vencedores, este, sem dúvida, era um deles. 

-Vítor Serpa, jornal A Bola, 10 de Novembro de 2013

Luís Pedro Sousa: Sporting está neste momento ao nível do Benfica


Mais um dérbi que ficará na história. Pela emoção que invadiu as bancadas durante 120 minutos, pelo magnífico hat trick de Cardozo obtido na primeira parte, pela excelente recuperação do Sporting, pelos erros de arbitragem, quase todos só visíveis nas repetições televisivas e claramente com maior prejuízo dos visitantes, e pela fífia monumental de Rui Patrício no lance que decidiu o jogo. Ninguém esquecerá tão cedo a partida da noite de ontem na Luz.

Noutras épocas, noutras circunstâncias, noutra conjuntura, o Sporting estaria agora a carpir mágoas e o Benfica a saborear a glória. Na temporada em curso, e face a tudo o que aconteceu num passado recente, os sentimentos não estão, por certo, tão radicalizados. Os encarnados podem orgulhar-se do mérito que tiveram pela passagem à fase seguinte da Taça de Portugal e até da resposta que a equipa, a cumprir um calendário muito mais exigente em comparação com o do eterno rival, deu em termos físicos. Mas pouco mais do que isso... Os homens de Alvalade, por seu turno, falharam já um dos objetivos unanimemente aceites por toda a estrutura do clube, confirmando, todavia, o crescimento de uma equipa sujeita a um investimento residual, devido aos graves problemas económico-financeiros vividos na temporada anterior.

O dérbi de ontem à noite permitiu tirar duas conclusões importantes, embora longe de serem definitivas. O Sporting está neste momento ao nível do Benfica e uns furos abaixo do FC Porto, o que significa, obviamente, que os encarnados se encontrem também, como aliás este início de época já demonstrara, aquém do rival com quem repartia o favoritismo na luta pelos principais títulos intramuros.

Mas de novembro a maio ainda muito pode ser alterado, até porque o FCPorto não patenteia a coesão e a dinâmica de outros tempos. O clube de Alvalade subirá, por certo, mais um importante patamar de qualidade se conseguir reforçar o onze com um n.º 10 de reconhecida craveira no mercado de transferências que abre em janeiro. O da Luz será mais forte se tiver a arte de promover a adaptação plena dos reforços sérvios e a partir do momento em que voltar a contar com Salvio, o que só poderá acontecer na fase final da temporada.

Resultado à parte, o Benfica-Sporting deve ter deixado, por outro lado, Jorge Jesus e Leonardo Jardim satisfeitos. Um pelos progressos evidenciados nas últimas semanas.O outro pela melhoria praticamente contínua que pode observar na sua jovem equipa.

-Luís Pedro Sousa, jornal Record

Tribunal O Jogo: Análise à arbitragem de Duarte Gomes no derby Benfica-Sporting




Benfica 4-3 Sporting: Relato Alexandre Afonso e Nuno Matos Antena 1

sábado, 9 de novembro de 2013

Fernando Guerra: Vitórias morais deviam estar mortas e enterradas

 

Hoje é dia de grande derby, o segundo da temporada 2013/2014, depois do empate a um golo registado no primeiro, em Alvalade, no dia 31 de agosto, para a 3.ª jornada da Liga. Neste, também haverá golos, obrigatoriamente, nem que seja no desempate através dos pontapés de grande penalidade, porque só um deles vai seguir em frente na Taça de Portugal. 

É o regulamento da competição que assim determina: tudo ou nada, sem meio termo, o que empresta ao jogo uma dimensão especial, na medida em que o vencedor tem de ser encontrado em 90 minutos, 120 no máximo. O que significa a marcação de pelo menos um golo, essa preciosidade que os clubes portugueses maltrataram nas jornadas da provas da UEFA realizadas esta semana. 

No total de cinco encontros, FC Porto e Benfica na Liga dos Campeões, e Paços de Ferreira, Vitória de Guimarães e Estoril, na Liga Europa, apenas um (!!!) conseguiram marcar: o dragão, na Rússia, com o Zenit, por Lucho González. Nos outros quatro, níveis exibicionais à parte, imenso e desolador deserto, porque, como ontem destacou José Manuel Delgado neste espaço, é notório o desconforto suscitado pelas «vitórias morais» que deviam estar «mortas e enterradas», depois da conquista irreversível do futebol português neste século, consubstanciada nos resultados da Seleção Nacional, com presenças em todas as fases finais de Europeus e Mundiais, e nas conquistas europeias do FC Porto: Taça UEFA, em 2003, Champions, em 2004, e Liga Europa, em 2011.

O futebol português não pode continuar agarrado a tristes memórias do passado, nem a boas intenções do presente. Deve perceber de uma vez por todas que o azar é a desculpa que alivia a dor dos fracos. 

Por isso, logo à noite, na Luz, o verdadeiro derby luso só pode ser de gente forte, com golos! 

- Fernando Guerra, jornal A Bola, 9 de Novembro de 2013

Afonso de Melo critica comportamento da Policia do Porto



1. No tempo do Fascismo reprimia-se (além de muitas outras coisas) o direito à reunião. Temia o velho Estado Novo que os agrupamentos fizessem nascer ideias subversivas pondo em causa o normal funcionamento do bafiento Portugal que, felizmente, já não existe. Diligente, a sinistra PIDE procurava saber com antecedência os locais e os participantes nos conclaves e estes, quando sucediam, eram clandestinos e secretos.

2. O presidente do Sporting, no intervalo de dar uns pontapés na bola com os jogadores e de tentar fazer-se ouvir, decidiu reunir-se com adeptos do seu clube num local do norte (ou seja, a Oeste de Pecos) na véspera do jogo no estádio das Antas. O direito de o fazer é uma das virtudes daquilo a que chamamos, se calhar exageradamente, de Democracia.

3. As autoritárias autoridades decidiram aconselhá-lo vivamente a não levar avante essa subversiva ideia de reunião. Garantir a sua segurança e a daqueles que com ele queriam conviver não terá passado pela cabeça dos responsáveis de tão diligentes corporações. «Proibir» pareceu-lhes, certamente, mais conveniente. A despeito de, como é óbvio, tal decisão atentar contra a ideia de um Estado de Direito no qual pensamos todos viver. Um erro, como se vê.

4. Diligentes, as autoridades, nos arredores das Antas, em vez de cumprirem os serviços básicos de segurança impedindo confrontos entre bandos de marginais disfarçados de adeptos, assistiram a tudo no conforto dos seus coletes fluorescentes e desencaram os incautos que lhes passaram ao alcance dos bastões. Dá vontade de dizer, como nos tempos do inesquecível «Pão Com Manteiga»: Ò sr. Guarda, não se prenda! 

- Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 8 de Novembro de 2013

Octávio Ribeiro defende continuidade na aposta em Ivan Cavaleiro


Que bom jogo se adivinha para esta noite, na Luz. O Sporting deixou no Dragão um sinal muito negativo sobre a capacidade de algumas das suas peças nos momentos mais decisivos. Adrien tem esta época de fixar a sua verdadeira dimensão. Não basta ter estilo e muitas potencialidades, é necessário ganhar bolas divididas, ser determinante no meio campo contrário, inventar espaço para bons remates. Tudo o que não conseguiu frente ao FC Porto.

A sistemática colocação de Wilson Eduardo na direita só pode significar que Leonardo Jardim privilegia os centros para Montero em detrimento dos remates da entrada da área. Compreende-se: os terrenos de crença de Wilson Eduardo são na esquerda, mas, aí, o seu lance predileto acaba com remate e não com assistência para o ponta-de-lança. 

Porém, custa ver um jogador decisivo no flanco esquerdo, arrastar-se pela mera normalidade no flanco oposto. 

No lado do Benfica o caudal de futebol envolvente retomou com o regresso de Matic e Enzo às suas posições da época passada. Jesus deixou de inventar e, desde aí, a equipa começou a carburar. 

O brilho pode acontecer quando a bola gira com facilidade entre jogadores que já se entendem de olhos fechados. Neste contexto, Ivan Cavaleiro começará a sentir alguma dificuldade para caber no onze. Mas Jesus não deveria recuar nesta aposta feita em clima de desespero. 

Ivan Cavaleiro tem um futebol radioso e envolvente, que merece oportunidades crescentes até explodir num grande jogo. O pára-arranca imposto nesta fase da carreira compromete para sempre o crescimento dos diamantes da bola. Cavaleiro tem velocidade, técnica e agressividade, merece o direito ao crescimento linear.

Um ambiente que o Benfica não criou, por exemplo, em torno de Nélson Oliveira.

- Octávio Ribeiro, jornal Record, 9 de Novembro de 2013

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Silvio Cervan: Hulk teve mais carinho pelo FC Porto do que Roberto pelo Benfica

 

Não há vitórias morais num clube como o Benfica, mas a jogar como na Grécia estamos muito mais perto de conseguir vitórias reais. Campeonato e Taça de Portugal são provas para vencer, ter uma boa participação europeia também é exigível, mas são os títulos que nos fazem falta, aquilo que mais desejamos.


Se bem conheço os adeptos do Benfica, o jogo de Atenas devolveu dez mil adeptos ao estádio, ao contrário de algumas vitórias pálidas que não deixaram ninguém eufórico.

Ganhar. Ganhar ao Sporting, porque não há alternativa a quem quer reconquistar a Taça, e depois continuar a ganhar nos jogos do campeonato. Uma boa exibição e uma vitória no sábado contra o rival e estavam afastadas quase todas as nuvens que pairaram sobre a luz.

No Campeonato estamos de novo a três pontos da liderança,o que por um lado nos aproxima do topo, por outra significa o regresso das arbitragens que nos tiraram de lá. Mesmo sem jogar bem, há que repeti-lo, sem erros de arbitragem, liderávamos o Campeonato com vantagem confortável.

Mas isso fica para as 'classificações da verdade' que vários órgãos de comunicação fazem, e nos quais todos são unânimes.

O Benfica só pode tratar da sua parte, de jogar bem, de chamar adeptos ao estádio e de vencer de forma repetida e convincente. Jogamos melhor em Atenas que em Coimbra, mas há quem só comente resultados e por isso nada se possa fazer.

Hulk mostrou mais ternura pelo FC Porto ao falhar o penalty, do que Roberto pelo Benfica com seis excelentes defesas. Razão tinham aqueles que diziam que Roberto era bom guarda-redes. Por oito milhões, hoje há quem pense que foi vendido muito barato.

De regresso às boas exibições... venham as boas vitórias. Amanhã desejo um bom jogo, uma bela vitória contra um grande rival. 

- Sílvio Cervan, jornal A Bola, 8 de Novembro de 2013

Cardozo em ascensão em duelo sul-americano


O futebol é um jogo coletivo, pelo que no final da cada competição o que mais interessa é saber quem a venceu. Contudo, os desempenhos individuais são igualmente valorizados, nomeadamente no que se refere à lista dos marcadores. Ser o goleador-mor em qualquer prova de relevo é uma distinção que todos os avançados (e não só) ambicionam, mesmo tendo noção que esses galardões têm mais valor quando associados às conquistas da equipa.

Em Portugal, a menos que aconteça algo de verdadeiramente inesperado nas próximas semanas/meses, o título de melhor marcador da atual edição da Liga vai ser discutido entre sul-americanos. E se os brasileiros Derley (Marítimo) e Evandro (Estoril) surgem, de momento, bem colocados, poucos serão os que não apostam num despique mais reduzido, envolvendo apenas dois colombianos e um paraguaio ou, dito por outras palavras, as referências ofensivas dos três grandes.

Fredy Montero, dianteiro que o Sporting resgatou à MLS norte-americana, tem sido o grande protagonista do primeiro terço da Liga, aparecendo como melhor marcador, com nove remates certeiros em igual número de partidas. Contudo, o avançado leonino vai numa inédita sequência de dois encontros sem marcar. Não são muitos jogos em branco, bem pelo contrário, mas há quem diga que Montero é mesmo assim: começa sempre bem e depois vai perdendo fulgor. Será?

Também em seca há duas partidas está o compatriota Jackson Martínez, depois de ter começado a Liga em alta ao faturar nos primeiros cinco compromissos. O dianteiro que o FCPorto elegeu para fazer esquecer o também colombiano Radamel Falcão, estreou-se a época passada em Portugal logo como melhor marcador (26 golos) e agora soma sete “tiros”, pelo que totaliza 33 golos em 39 jogos na prova.

Mas em franca inspiração, por agora, está o benfiquista Oscar Cardozo. O paraguaio – que chegou ao nosso país em 2007 – demorou a encontrar os caminhos das balizas esta temporada, mas tal como Jorge Jesus havia prognosticado ainda com o pupilo a zeros... não parou desde que acertou o primeiro remate. Em Coimbra, para além de ter aberto o caminho ao triunfo das águias, Tacuara cumpriu o quinto jogo seguido na Liga a marcar (antes festejara diante de V. Guimarães, Belenenses, Estoril e Nacional). Será que está suficientemente embalado para pôr em causa o seu recorde de sete jogos seguidos a marcar no Campeonato Nacional? Veremos... Para que tal suceda, o avançado que há uns meses esteve com pé e meio fora da Luz necessita de manter a eficácia na receção ao Sp. Braga, na deslocação a Vila do Conde e no encontro caseiro com o Arouca.

Goleador de créditos firmados, apesar de não ser um futebolista muito consensual em Portugal ou no Paraguai, Cardozo já marcou 108 vezes na Liga, em 167 partidas, das quais 111 terminaram com a vitória do Benfica, 36 resultaram em empates e 20 em desaires. Nas seis épocas anteriores, o avançado oscilou entre um mínimo de 12 golos e um máximo de 26 na Liga. Agora, só ainda tem 5, mas faltam disputar... 21 encontros!

-Luís Avelãs, jornal Record

Daniel Oliveira sem medo: Agressões a jornalistas é um clássico em jogos do FC Porto


No final do jogo entre o Belenenses e o Futebol Clube do Porto, João Fonseca, jornalista da Rádio Renascença, terá sido agredido por Rui Cerqueira (na foto), diretor de comunicação do FCP. Vários camaradas seus foram testemunhas desta agressão, entre os quais um jornalista da TSF. Os repórteres procuravam ter reações de Helton e Rui Cerqueira, que é ex-jornalista, decidiu intervir. O próprio garante que terá sido empurrado e agarrado depois de dar ordens para não haver declarações. Uma horda de jornalistas a bater num diretor de comunicação para conseguir declarações de jogadores. Já ouvi histórias mais credíveis, mas no futebol tudo é possível.

A acusação de agressão a jornalistas, seja por seguranças, seja por adeptos, seja por dirigentes, é um clássico em jogos em que o Porto esteja envolvido. Nunca se ouviu da boca de Pinto da Costa uma palavra de condenação. Achou sempre mais interessante fazer piadas. Quando uma vez foi confrontado com o tema, respondeu: “Vou montar um hospital lá nas Antas, porque com tantos feridos isso é capaz de ser um bom negócio”. Muitos risos. Não é grave. O Estado de Direito, já se sabe, fica à porta dos estádios.

Mas apesar de o “guarda Abel” ser um símbolo à memória da arbitrariedade e da impunidade no futebol, seria injusto ficar-me pela relação obviamente difícil que o Porto mantém com a liberdade de imprensa. Esse mal é bem mais abrangente. Não se mede apenas por situações mais radicais, como insultos e agressões. Vê-se nos blackouts, nas interdições seletivas de entrada de jornalistas em estádios e em intimidações várias. Por eles são responsáveis os dirigentes dos clubes e uma justiça permissiva. Mas também uma classe de jornalistas incapaz de mostrar laços de solidariedade, demasiado temerosa da popularidade dos dirigentes desportivos e, em alguns casos, promíscua na sua relação com os clubes. Não é preciso imaginar o escândalo que seria se um qualquer jornalista fosse agredido por um dirigente partidário. O movimento de solidariedade entre jornalistas que tal provocaria... Pois está na altura de os jornalistas desportivos se verem como merecedores do mesmo respeito. Boicotando coletivamente, se preciso for, qualquer clube que ponha em causa a sua segurança.


-Daniel Oliveira, jornal Record

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

FC Porto revoltado com edificação de estátua de Cosme Damião


O FC Porto reagiu esta quinta-feira à decisão de edificação de uma estátua de Cosme Damião, em Lisboa, proposta levada a cabo pelo vereador lisboeta José Sá Fernandes. Os dragões defendem que se trata de um "luxo", inserido no hábito de "continuar a gastar tão mal o dinheiro de todos nós".

Lembre-se que o monumento em honra do fundador do Benfica foi um dos projetos com mais votos, e consequentemente aprovado em orçamento participativo da Câmara Municipal de Lisboa, numa obra que está orçada até 1500 euros. A concurso estiveram um total de 208 projetos.

Leia o comunicado na íntegra:

A Câmara Municipal de Lisboa aprovou, por proposta do vereador Sá Fernandes, a comparticipação na construção de uma estátua do fundador do Benfica. E desta forma continuamos, todos nós, os que gostam de futebol e os que não gostam, os que são do Benfica e os que não são, a pagar os devaneios da classe política.

Numa altura em que o país atravessa a mais grave crise das últimas décadas, em que se cortam salários e reformas baixíssimas, com o argumento que todos têm de contribuir para o esforço de recuperação das contas públicas, a Câmara Municipal de Lisboa decide fazer-nos a todos, ainda que indirectamente, pagar uma estátua do fundador de um clube.

Em causa não está tratar-se deste ou daquele clube, em causa não está uma qualquer associação entre uma câmara, ou outra entidade pública, num projecto que crie emprego, crie valor, mas sim o luxo de se continuar a gastar tão mal o dinheiro de todos nós.

E porque nestas coisas do futebol os políticos gostam sempre de sol na eira e chuva no nabal, certamente que Lisboa receberá em breve outros monumentos de homenagem aos fundadores de outros clubes, pagos pelos portugueses de Monção a Vila Real de Santo António.

-Noticia retirada do site do jornal Record

Vítor Serpa: Seria o maior milagre do mundo e arredores ver Benfica ou Porto na final da Champions

 

Sejamos pragmáticos. Benfica e FC Porto ficaram mais longe da Champions e mais perto da Liga Europa. Não será, isso, um drama. Aquelas que se apresentam como sendo as duas melhores e mais fortes equipas portuguesas não parecem ter condições para alimentar grandes sonhos na prova mais importante e cada vez mais competitiva da UEFA.

Uma coisa é olhar a história e puxar dos galões das duas equipas portuguesas; outra é analisar o que têm sido as suas limitadas exibições nesta fase de grupos e pretender, como se fosse natural, que elas cheguem à final de Lisboa. O futebol é dado a milagres, mas ter este Benfica ou este FC Porto na final da Liga dos Campeões seria, mesmo, o maior milagre do mundo... e arredores.

Vejamos a questão objetiva: o Benfica tem apenas uma vitória e um empate em quatro jogos, está a seis pontos do PSG e a três (com desvantagem no resultado entre ambos) do Olympiakos. Se formos menos emotivos e mais racionais deveremos dizer que a sua nova prioridade será a de lutar pelo lugar de acesso à Liga Europa, que ainda não está adquirido.

Não é exatamente igual o caso do FC Porto, embora, tal como o Benfica, não tenha feito melhor que uma vitória e um empate. Continua, porém, a um ponto do Zenit (também em desvantagem no confronto entre ambos). 

A chave, apesar de tudo, pode estar no Atlético de Madrid que muito cedo se qualificou para os oitavos de final e pode ser menos intenso, especialmente no último jogo, em Madrid. Mas temos de admitir que a maior probabilidade é que Benfica e FC Porto descem o grande degrau de diferença nas competições e sejam despromovidos à Liga Europa onde, aí, sim, podem aspirar a chegar mais longe. 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 7 de Novembro de 2013

Bagão Félix: Liga Europa será desportivamente mais uma boa oportunidade

 

O Benfica fez, no Pireu, o melhor jogo até agora. Mas perdeu. É assim o futebol com a magia da (in)justiça e com a (i)lógica da imprevisibilidade.

O jogo foi um cacharolete de paradoxos. A melhor exibição e o pior resultado (ou o mais difícil de reverter). Pela primeira vez, o Benfica libertou-se dos fantasmas de Maio passado para, no fim, sair agrilhoado pela ditadura do resultado. 

O que se esperava exibicionalmente da equipa no Estádio da Luz aconteceu na deprimida Grécia, ao invés da equipa grega que fez na Luz o que foi incapaz de repetir perante os seus frenéticos adeptos. Cá o Benfica empata quando merece perder e lá, mesmo que tivesse empatado, seria ainda assim uma derrota perante o que fez. E, por fim, a suprema ironia de Roberto ter salvado a sua equipa de uma goleada à moda antiga. 

Tal como, a seguir ao jogo, um amigo me escreveu num sms: «É sina nossa perder por causa do Roberto.» Pois é, ele garante sempre pontos. O problema é que são algébricos. Pontos positivos (pelas notáveis defesas ou frangos) ou negativos (pelos fantásticos frangos e defesas). Ou vice-versa.

Não sei se tudo isto é apenas azar recorrente ou se traduz algo mais. Na alta-roda do futebol não pode haver distracções fulminantes ou desperdícios em overdose.

Agora há que tirar proveito do lado positivo. O Benfica parece ter sido resgatado da penumbra exibicional e da letargia anímica e a Liga Europa (ainda não assegurada) será desportivamente mais uma boa oportunidade. Sem Roberto e robertos.

P.S. Um esloveno apitou como deve ser. Sem as mariquices que por cá se vêem ao menor encosto ou batota consentida. 

- Bagão Félix, jornal A Bola, 7 de Novembro de 2013

Pereira Cristóvão quis contratar para o Sporting administrador da SAD Benfiquista


O "Diário de Notícias" teve acesso a algumas passagens do polémico livro de Paulo Pereira Cristóvão que vai ser lançado amanhã e, numa delas, surge a surpreendente revelação de que o antigo vice-presidente verde-e-branco pretendeu assegurar o concurso do administrador financeiro do Benfica. 

"Sugeri contratar Domingos Soares de Oliveira da SAD do outro clube da 2ª Circular. Chamaram-me louco, porque era caríssimo", poderá ler-se no livro

Na obra a que o "DN" teve acesso, também se explicam as peripécias de uma medida polémica, que teve a ver com as imagens do balneário visitante e nos corredores de acesso ao relvado. Paulo Pereira Cristóvão contou que, como não havia imagens disponíveis no jornal "Sporting", pediu "à Juve Leo que fosse uma tarde ao estádio" para cantar e pular como se de um jogo se tratasse para uma sessão fotográfica. O problema, contudo, surgiu depois: "As mesmas [imagens] foram caracterizadas de xenófobas, nazis e incitadoras à violência", terá escrito, acrescentando que as substituiu posteriormente por imagens de girassóis para não prejudicar o clube.

Nega espionagem ao clube

Acusado de fazer espionagem ao plantel principal do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão defendeu-se na sua obra: "Ter uma rede de informação não era perseguir e/ou espiar quem quer que fosse", poderá ler-se.

A sua saída de Alvalade, lembre-se, surgiu após o rebentar do "caso Cardinal", denunciado pelo "DN", mas apesar de estar acusado de sete crimes, o ex-dirigente leonino defendeu-se no seu livro, chamando de "amigo da onça" a Rui Martins e garantindo que nada sabia. "Em meados de Dezembro de 2011 disse-me que teria de ir à Madeira e que seria o seu baptismo de voo e que não estava familiarizado com as reservas, disse para falar com a Liliana, a minha secretária", terá atirado, admitindo que depois foi apanhado de surpresa pelas notícias.

No prefácio da obra, de acordo com o "DN", também existe um pequeno parágrafo em jeito de crítica a Bruno de Carvalho: "Alguém que entrou no clube como presidente e que os primeiros tempos foram passados numa autêntica caça aos gambozinos, à procura de 'escutas' em Alvalade, desmontando sala após sala, e a gastar dinheiro do clube em 'salas seguras' não me parece que siga o melhor e o mais sereno dos caminhos", terá escrito.

-Noticia retirada do site Noticias do Futebol

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

António Varela: Futuro do Benfica é a Liga Europa ou outro destino ainda pior



Ontem nas redes sociais brincava-se com o "engate" do guarda-redes Roberto Jiménez, que permitiu ao Olympiacos conservar uma vitória preciosa na Liga dos Campeões: "Foi depois de ver a cassete com uma exibição destas que o Benfica decidiu contratá-lo". É provável. Não deixa de ser irónico que a equipa de Jorge Jesus não tenha conseguido trazer pontos da Grécia, frustradas que foram todas as tentativas de marcar por um guarda-redes que há duas semanas lhe oferecera o empate na Luz. A verdade é que o Benfica não poderia depender nunca de um guarda-redes com este perfil, que tanto dá um "frango" por jogo como a seguir faz a exibição da sua vida.

Roberto já não era um problema do Benfica desde 2011, mas a falta de eficácia dos seus futebolistas em situações de finalização é. Sim, é verdade, o guarda-redes espanhol foi muito bom, mas num jogo como o de ontem, decisivo como todos o são, nas palavras de Jorge Jesus, torna-se incompreensível que se disponham de seis, sete ou oito oportunidades e nenhuma seja concretizada - incluindo aquela em que Matic tenta marcar de calcanhar como se estivesse a brincar na praia. Em Atenas, era a Champions; no início de dezembro é crível que seja a Liga Europa ou outro destino ainda pior. Como o treinador do Benfica gosta de sublinhar, nada está decidido, mas o caminho ficou muito mais estreito, sendo certo que o anfitrião da final está dependente de terceiros e tem um calendário mais adverso do que os gregos, que jogam em casa com o Anderlecht e não têm de se deslocar a Bruxelas.

Mas nem tudo são más notícias para o Benfica. Apesar de a equipa ter ficado em falta frente à baliza, é notória a retoma de um futebol mais adequado aos padrões de quem quer ganhar competições e se apresta para decidir a sua continuidade na Taça de Portugal frente ao Sporting, rival de sempre.
 
- António Varela, jornal Record, 6 de Novembro de 2013

Bagão Félix deixa rasgados elogios ao Hóquei e ao Museu


O Benfica venceu a única prova que, nas últimas épocas de hóquei em patins, ainda não havia conquistado. A seguir a um Campeonato (que interrompeu a longa série de vitórias do FCP), Taça de Portugal, Supertaça, Taça CERS e Liga dos Campeões, é agora detentor brilhante da Taça Continental que é como quem diz Supertaça Europeia (é a segunda, mas a primeira foi uma vitória administrativa por desistência do opositor espanhol). 

Valha o Benfica para substituir a enorme desilusão da nossa selecção na última década.

Mais uma Taça (por sinal, elegante) para o novel Museu do Benfica. Um projecto inovador, didáctico, rigoroso e de uma intensidade interactiva notável com pleno aproveitamento das novas tecnologias. Além disso, importa registar que: 

a) não se trata de um museu com um qualquer efeito retroactivo, seja na sua data do seu berçário, seja no dealbar do clube; 

b) se trata de um museu não revisionista, onde não se reescreve qualquer estória da sua história por mais insignificante que seja; 

c) se trata de um museu onde o acervo desportivo é rigorosamente e apenas isso mesmo: desportivo.

Curiosa é a génese etimológica da palavra museu. De origem helénica, mouseion que significava o "templo das musas" e cujo acervo era constituído por oferendas, mais ou menos exóticas, de valor real ou simbólico. 

Nos tempos de Alexandria e da Grécia Clássica ainda não havia nem o conservador, nem o curador do museu. Hoje, há até conservadores que não conservam e curadores que viram curandeiros. E em certos acervos museológicos, há figuras reais que passam a virtuais e virtuais que surgem como reais. Como nos museus de Madame Tussauds... 

- Bagão Félix, jornal A Bola, 6 de Novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vítor Serpa: O fraco dragão, a águia contente e o leão feliz


Campeonato relançado, depois do surprendente empate do FC Porto no Restelo. Curiosamente, mais pela exibição apagada, sem chama, inusitadamente pobre do campeão nacional, do que propriamente pelo empate e pelos consequentes dois pontos perdidos. Daí também se estranhar o aparente conformismo e até irrealismo de Paulo Fonseca, que parece achar que tudo vai bem.

A verdade é que houve muito pouco Porto em Belém. Foi como se o Dragão tivesse começado a jogar o jogo decisivo de S. Petersburgo antes, mesmo, de viajar para Lisboa. Fosse como fosse, há muito, muito tempo que não via o FC Porto tão pouco agressivo, tão desinteressado na vitória, tão adormecido no jogo. Talvez o peso do confronto com o Zenit tenha tido mesmo influência no que se passou, mas o que se viu foi preocupante, até porque um FC Porto como o de ontem não terá possibilidades de continuar na Liga dos Campeões. 

Não acredito, porém, que aquela apagada e vil tristeza se repita na próxima quarta-feira.

Claro que para o campeonato estar, de novo, relançado não bastou o tropeção portista. No dia anterior já o Benfica tinha feito pela vida, ganhando um jogo que, a meu ver, pode tornar-se enganador.

A vitória foi mais folgada nos números do que na superioridade demonstrada em campo e não correspondeu, na expressão do resultado, ao nível da exibição, mesmo admitindo-se que a equipa começa a dar sinais de melhoria em relação a um passado recente que fora simplesmente abominável.

Relançado está, também, o Sporting. Uma vitória difícil, frente a um dos melhores Marítimos da época. Uma vitória da determinação, da crença, do entusiasmo de uma equipa saudável e que demonstrou não estar afetada pelo resultado no Porto. 

Este leão tem uma imensa alegria de viver e por isso os seus jogos são sempre tão entusiasmantes e espetaculares. 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 3 de Novembro de 2013

António Varela sobre os 10 anos de Vieira: Está ainda muito por fazer!



1 - Não terá sido exatamente a comemoração com que sonhou para os seus dez anos de presidência do Benfica, mas a vitória mais folgada da equipa de futebol esta época foi o contrapeso ideal que Luís Filipe Vieira teve para oferecer aos adeptos, quando apresentou um resultado negativo de 10,4 milhões nas contas da SAD. Tratou-se de um risco assumido (e controlado), a não venda de jogadores na última janela de mercado que agora coloca os números ainda mais no vermelho, mas o risco mantém-se até ao próximo verão, quando, com ou sem resultados desportivos, o Benfica vai ter de vender.

2 - O presidente recebeu uma prenda simbólica da equipa, materializado no 3-0 de Coimbra, apoiada ainda na declaração do treinador, a assumir finalmente que quer ganhar tudo, mas se em maio não existirem resultados para apresentar colocar-se-á um problema de legitimidade. O que Vieira quererá evitar.

3 - Quando a equipa retoma um caminho que pode conjugar melhor futebol com resultados, o presidente do Benfica tem novos desafios colocados por antigos poderes do futebol português, agora que a liga volta a ser declarada acontecimento de interesse público e a Benfica TV terá de ceder o sinal de três jogos. Não faltarão temas à agenda de um presidente que prometeu ganhar a hegemonia para o clube, mas tem muito por fazer. Demasiado, até.

4 - Foi de todo incompreensível a intranquilidade que se apoderou do Sporting por ter perdido o clássico com o FCPorto. Declarações de impaciência, mudanças anunciadas, tudo à fugir ao registo racional que Leonardo Jardim tem procurado impor em Alvalade. São defeitos da juventude de um projeto onde se respira demasiado depressa. Ontem, a coisa compôs-se.

5 - O FC Porto tinha cinco pontos de vantagem, que depressa passaram a três, depois de jogar no Restelo num registo que não faz justiça à máquina que tudo controla, mas afinal não domina a vontade dos jogadores. O campeão continua em crise de crescimento; o treinador ainda não passou a prova de afirmação pessoal.

6 - A liderança de Mário Figueiredo, na Liga, sofreu mais um ataque fortíssimo, a atestar que os interesses ocultos do sistema são mais consistentes do que a bondade da sua proposta de centralização dos direitos televisivos. Na prática, há sempre quem tenha mais para oferecer do que um um civil bem-intencionado.

-António Varela, jornal Record

João Querido Manha: A união Benfica-Sporting


O voluntarismo programático do presidente da Liga de promover um levantamento contra o poder de Joaquim Oliveira e suas empresas conduz o futebol nacional para uma crise perigosa. Talvez a mais importante e profunda das últimas décadas, mas, seguramente, uma grande oportunidade para mudar toda a filosofia da organização.

Ninguém pode dizer que este extremar de posições seja surpreendente, depois de tantos meses com Mário Figueiredo a provocar e a prevaricar em territórios tidos como sagrados. Eleito, sufragado e escrutinado em sucessivas assembleias, o presidente da Liga foi conseguindo manter o seu rumo em busca de soluções meio utópicas, com realce para a centralização de direitos de televisão - ou seja, retirar os direitos à central de Oliveira. 

Ao longo de mais de dois anos, enquanto se afastava ideologicamente de uma maioria de clubes dependentes do dinheiro adiantado pelo empresário, o presidente da Liga não conseguiu finalizar os seus propósitos, mas nunca deixou de lutar. Neste momento, sabemos quem são os opositores declarados, sempre com o FC Porto à cabeça, numa assunção comovente da defesa dos interesses de Joaquim Oliveira, pois os amigos são para as ocasiões. 

Sabemos de que lado está o FC Porto, mas ainda se aguarda que Benfica e Sporting saiam da sua posição envergonhada. Os grandes foram derrotados na eleição de Figueiredo, mas agora preferem ficar longe das polémicas e do desgaste que o tema sensível vai provocar nos próximos tempos. E os leões, depois de terem renegado uma coexistência pacífica de décadas com o FC Porto, também se colocaram numa posição incómoda, de equilíbrio impossível, dada a sua dependência económica de Oliveira.

A união Benfica-Sporting, ainda virtual, mal assumida e mal percebida pelos adeptos respetivos, é toda uma nova perspetiva para os próximos tempos. Como no conceito proverbial de Voltaire, mais uma vez os bons espíritos encontram-se na esquina da vida e estão condenados a entenderem-se. 

Involuntariamente, Mário Figueiredo contribui para separar águas entre os clubes de Lisboa e do Porto, os renovadores e os conservadores. 

Os interesses são antagónicos no negócio da televisão, mas têm o denominador comum da oposição direta ao FC Porto e ao seu sistema de controlo obsessivo da indústria nacional do futebol. Mais importante do que o futuro de Mário Figueiredo é saber se Benfica e Sporting conseguirão unir esforços em prol do objetivo comum de instalar uma nova ordem pelo primado da verdade desportiva. 

- João Querido Manha, jornal Record, 4 de Novembro de 2013