segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vítor Serpa: O fraco dragão, a águia contente e o leão feliz


Campeonato relançado, depois do surprendente empate do FC Porto no Restelo. Curiosamente, mais pela exibição apagada, sem chama, inusitadamente pobre do campeão nacional, do que propriamente pelo empate e pelos consequentes dois pontos perdidos. Daí também se estranhar o aparente conformismo e até irrealismo de Paulo Fonseca, que parece achar que tudo vai bem.

A verdade é que houve muito pouco Porto em Belém. Foi como se o Dragão tivesse começado a jogar o jogo decisivo de S. Petersburgo antes, mesmo, de viajar para Lisboa. Fosse como fosse, há muito, muito tempo que não via o FC Porto tão pouco agressivo, tão desinteressado na vitória, tão adormecido no jogo. Talvez o peso do confronto com o Zenit tenha tido mesmo influência no que se passou, mas o que se viu foi preocupante, até porque um FC Porto como o de ontem não terá possibilidades de continuar na Liga dos Campeões. 

Não acredito, porém, que aquela apagada e vil tristeza se repita na próxima quarta-feira.

Claro que para o campeonato estar, de novo, relançado não bastou o tropeção portista. No dia anterior já o Benfica tinha feito pela vida, ganhando um jogo que, a meu ver, pode tornar-se enganador.

A vitória foi mais folgada nos números do que na superioridade demonstrada em campo e não correspondeu, na expressão do resultado, ao nível da exibição, mesmo admitindo-se que a equipa começa a dar sinais de melhoria em relação a um passado recente que fora simplesmente abominável.

Relançado está, também, o Sporting. Uma vitória difícil, frente a um dos melhores Marítimos da época. Uma vitória da determinação, da crença, do entusiasmo de uma equipa saudável e que demonstrou não estar afetada pelo resultado no Porto. 

Este leão tem uma imensa alegria de viver e por isso os seus jogos são sempre tão entusiasmantes e espetaculares. 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 3 de Novembro de 2013

António Varela sobre os 10 anos de Vieira: Está ainda muito por fazer!



1 - Não terá sido exatamente a comemoração com que sonhou para os seus dez anos de presidência do Benfica, mas a vitória mais folgada da equipa de futebol esta época foi o contrapeso ideal que Luís Filipe Vieira teve para oferecer aos adeptos, quando apresentou um resultado negativo de 10,4 milhões nas contas da SAD. Tratou-se de um risco assumido (e controlado), a não venda de jogadores na última janela de mercado que agora coloca os números ainda mais no vermelho, mas o risco mantém-se até ao próximo verão, quando, com ou sem resultados desportivos, o Benfica vai ter de vender.

2 - O presidente recebeu uma prenda simbólica da equipa, materializado no 3-0 de Coimbra, apoiada ainda na declaração do treinador, a assumir finalmente que quer ganhar tudo, mas se em maio não existirem resultados para apresentar colocar-se-á um problema de legitimidade. O que Vieira quererá evitar.

3 - Quando a equipa retoma um caminho que pode conjugar melhor futebol com resultados, o presidente do Benfica tem novos desafios colocados por antigos poderes do futebol português, agora que a liga volta a ser declarada acontecimento de interesse público e a Benfica TV terá de ceder o sinal de três jogos. Não faltarão temas à agenda de um presidente que prometeu ganhar a hegemonia para o clube, mas tem muito por fazer. Demasiado, até.

4 - Foi de todo incompreensível a intranquilidade que se apoderou do Sporting por ter perdido o clássico com o FCPorto. Declarações de impaciência, mudanças anunciadas, tudo à fugir ao registo racional que Leonardo Jardim tem procurado impor em Alvalade. São defeitos da juventude de um projeto onde se respira demasiado depressa. Ontem, a coisa compôs-se.

5 - O FC Porto tinha cinco pontos de vantagem, que depressa passaram a três, depois de jogar no Restelo num registo que não faz justiça à máquina que tudo controla, mas afinal não domina a vontade dos jogadores. O campeão continua em crise de crescimento; o treinador ainda não passou a prova de afirmação pessoal.

6 - A liderança de Mário Figueiredo, na Liga, sofreu mais um ataque fortíssimo, a atestar que os interesses ocultos do sistema são mais consistentes do que a bondade da sua proposta de centralização dos direitos televisivos. Na prática, há sempre quem tenha mais para oferecer do que um um civil bem-intencionado.

-António Varela, jornal Record

João Querido Manha: A união Benfica-Sporting


O voluntarismo programático do presidente da Liga de promover um levantamento contra o poder de Joaquim Oliveira e suas empresas conduz o futebol nacional para uma crise perigosa. Talvez a mais importante e profunda das últimas décadas, mas, seguramente, uma grande oportunidade para mudar toda a filosofia da organização.

Ninguém pode dizer que este extremar de posições seja surpreendente, depois de tantos meses com Mário Figueiredo a provocar e a prevaricar em territórios tidos como sagrados. Eleito, sufragado e escrutinado em sucessivas assembleias, o presidente da Liga foi conseguindo manter o seu rumo em busca de soluções meio utópicas, com realce para a centralização de direitos de televisão - ou seja, retirar os direitos à central de Oliveira. 

Ao longo de mais de dois anos, enquanto se afastava ideologicamente de uma maioria de clubes dependentes do dinheiro adiantado pelo empresário, o presidente da Liga não conseguiu finalizar os seus propósitos, mas nunca deixou de lutar. Neste momento, sabemos quem são os opositores declarados, sempre com o FC Porto à cabeça, numa assunção comovente da defesa dos interesses de Joaquim Oliveira, pois os amigos são para as ocasiões. 

Sabemos de que lado está o FC Porto, mas ainda se aguarda que Benfica e Sporting saiam da sua posição envergonhada. Os grandes foram derrotados na eleição de Figueiredo, mas agora preferem ficar longe das polémicas e do desgaste que o tema sensível vai provocar nos próximos tempos. E os leões, depois de terem renegado uma coexistência pacífica de décadas com o FC Porto, também se colocaram numa posição incómoda, de equilíbrio impossível, dada a sua dependência económica de Oliveira.

A união Benfica-Sporting, ainda virtual, mal assumida e mal percebida pelos adeptos respetivos, é toda uma nova perspetiva para os próximos tempos. Como no conceito proverbial de Voltaire, mais uma vez os bons espíritos encontram-se na esquina da vida e estão condenados a entenderem-se. 

Involuntariamente, Mário Figueiredo contribui para separar águas entre os clubes de Lisboa e do Porto, os renovadores e os conservadores. 

Os interesses são antagónicos no negócio da televisão, mas têm o denominador comum da oposição direta ao FC Porto e ao seu sistema de controlo obsessivo da indústria nacional do futebol. Mais importante do que o futuro de Mário Figueiredo é saber se Benfica e Sporting conseguirão unir esforços em prol do objetivo comum de instalar uma nova ordem pelo primado da verdade desportiva. 

- João Querido Manha, jornal Record, 4 de Novembro de 2013

Pedro Ferreira: Texto brilhante sobre a violência no desporto



Grupos organizados promovem violência gratuita, planeada e anunciada. Utilizam o Futebol para dar azo a violência extremada e actos criminosos perpetrados em público com direito a visibilidade mediática. 


A recorrência destes crimes é cada vez maior. Uns publicam livros a vangloriarem-se dos crimes, dão entrevistas e transforma-se em personagens periféricas ao Desporto com influência directa nos resultados desportivos. 

Outros são conhecidos nos "bas-fond" como elementos ligados directamente à criminalidade organizada e em larga escala. Alguns servem de guarda pretoriana a dirigentes desportivos que fazem da corrupção uma bandeira. 

Comum a todos é sensação de completa impunidade de que gozam. Comum a todos é o aproveitamento que fazem da desculpabilização pública que se segue à violência. Tudo é desculpado na relativização da violência. 

Relativiza-se a morte de um adepto num estádio; relativiza-se o apedrejamento selvático do autocarro de um Clube à entrada de um estádio; relativiza-se a tentativa de homicídio de um presidente de um Clube com o apedrejamento do carro em plena auto-estrada; relativiza-se o fogo posto na bancada de um Estádio; relativiza-se o arremesso de bolas de golfe aos autocarros dos clubes e aos futebolistas no relvado; relativizam-se as agressões públicas a jornalistas que retiram as queixas por falta de proteção... 

Tudo isto se relativiza desde que se relativizou a violência encomendada de um tristemente famoso Abel em tempos idos. Tudo isto se relativiza com o mesmo à vontade com que se relativiza a corrupção desportiva e as provas escutadas da mesma. 

Tudo isto se relativiza ao ponto de hoje em dia conceitos como "estado de direito", "democracia" e "valores civilizacionais" serem umas coisitas relativas e pouco significantes perante o valor absoluto e inquestionável do regabofe assumido com fina ironia no Futebol português. 

- Pedro Ferreira, jornal 'O Benfica', 1 de Novembro de 2013

Fernando Guerra sempre ao ataque: Treinadores de Benfica e Porto têm falta de visão na Europa



Há justificadas razões para se perspetivar com reduzido entusiasmo o futuro de Porto e Benfica na Liga dos Campeões: no virar de página da fase de grupos, ambos ocupam os terceiros lugares, o dragão com 3 pontos (vitória com Áustria e derrotas com Atlético Madrid e Zenit) e águia com 4 (vitória com Anderlecht, empate com Olympiakos e derrota com Paris Saint-Germain). 


Do ponto de vista das classificações o quadro é nebuloso, mas mais grave do que isso é a pouca ambição revelada pelos treinadores dos dois representantes portugueses na competição.

Luís Filipe Vieira admitiu a possibilidade de o Benfica marcar presença na final de 2014, no Estádio da Luz. Admitiu, simplesmente, não exigiu, mas foi o suficiente para Jorge Jesus tremer de medo e erguer a voz da contestação para dizer duas coisas: que o atual plantel benfiquista não é mais forte do que o do ano anterior e que em termos de prioridades coloca a Champions na última posição, a seguir ao Campeonato e à Taça de Portugal.

Ontem, na projeção do jogo com o Belenenses, Paulo Fonseca, por iniciativa própria ou sugestionado por alguém, também veio falar de prioridades, para comunicar que o Campeonato está em primeiro lugar.

Tratando-se de dois emblemas que integram a lista de vencedores da mais importante prova da UEFA, é desolador que os treinadores dos dois principais candidatos ao título português revelem tão preocupante falta de visão na Europa.

Aceita-se que sejam pequenos nos horizontes, mas por respeito ao passado dos clubes que representam deviam abster-se de trazer para a praça pública essa pequenez. 

- Fernando Guerra, jornal A Bola, 1 de Novembro de 2013

Vitor Serpa: Ou Vieira consegue um milagre desportivo, ou a sua liderança tornar-se-á muito problemática



O Benfica (se contarmos com o Sport Lisboa) já teve trinta e quatro presidentes. Nenhum esteve no cargo tanto tempo como Luís Filipe Vieira. O atual presidente é o mais recente e o mais resistente. Dez anos de presidência é um recorde absoluto para o clube, ultrapassando Bento Mântua (1917-1926) e todos os históricos, de Bogalho a Fernando Martins, dos irmãos Vieira de Brito (Maurício e Adolfo) a Jorge de Brito, de Ferreira Queimado a Borges Coutinho. De todos estes, Duarte Borges Coutinho (1969-1976) foi o que presidiu por mais anos: sete! Segue-se, na lista da longevidade, Fernando Martins (seis anos), João Santos (cinco), Joaquim Bogalho e Maurício Vieira de Brito (quatro anos).


A longa lista parece provar que Vieira tem contrariado a história e a natural pergunta será porque razão Vieira é o presidente que mais perdura no cargo se está longe de ser o presidente com mais títulos alcançados?

A resposta não é fácil, mas não pode deixar de ser justificada pelo facto dos benfiquistas continuarem a confiar no seu líder.

Não é, porém, natural que um homem que preside ao Benfica durante dez anos, apenas tenha ganho dois campeonatos nacionais. Pior ainda quando se sabe que nesse mesmo período de tempo, o FC Porto, o seu maior rival contemporâneo, ganhou oito campeonatos e todos, também, com o mesmo presidente, Pinto da Costa.

Procurando a maior objetividade possível na análise dessa realidade estranha e até surpreendente, não encontramos outra razão que não seja a empatia de Vieira com os sócios e, muito provavelmente, o profundo sentido de gratidão dos benfiquistas, que não esquecem o que o seu presidente fez para mudar o Benfica, depois de um período curto de transição de Manuel Vilarinho, na sequência do período mais negro da história do Benfica no consulado de Vale e Azevedo.

Julgo que os benfiquistas admitem, com sinceridade, que devem a Vilarinho e, especialmente, a Vieira a reconquista da credibilidade e da velha alma benfiquista. Depois, há que contar com a capacidade empreendedora do presidente. O novo estádio, o museu, o centro de estágio no Seixal, a Fundação e, não menos importante, a Benfica TV. Tudo isto, aliado ao facto incontornável do Benfica continuar a ser o maior clube português em número de sócios e de adeptos.

É tudo isto - o que manifestamente não será pouco - que leva os benfiquistas a pagar com estima pessoal e apoio institucional estes dez anos de presidência de Vieira no Benfica.

A verdade é que, após dez anos, o preço começa a ser razoavelmente justo. Os adeptos já provaram ser gratos e reconhecidos. Em breve, porém, começará um novo tempo histórico no Benfica e nesse tempo Vieira terá, mesmo, de acrescentar sucesso desportivo ao sucesso empreendedor.
O que assustará os benfiquistas mais preocupados é que Vieira já investiu muito nesta época. Terá mesmo apostado todas as fichas (ou os euros) , pelo menos, na vitória no campeonato. Ainda a procissão saiu há pouco do adro e já está a cinco pontos do FC Porto. Se não ganhar, como será que os benfiquistas irão reagir?

Há quem pense que Vieira não despediu Jesus porque, assim, mantém um escudo que pode ser decisivo no momento de apontar culpados. Mas não serão poucos aqueles que no momento das contas finais lembrarão que a continuidade de Jesus é da exclusiva responsabilidade do presidente.

Penso que estamos, enfim, num momento crucial. Ou Vieira consegue um milagre desportivo (com ou sem Jesus), ou a sua liderança tornar-se-á muito problemática. Vieira tem a consciência disso. 

-Vítor Serpa, jornal A Bola, 2 de Novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Video Hóquei: Benfica vence Taça Continental ao golear o Vendrell por 5-0

Alexandre Pais e os 10 anos de Vieira: Problema da dívida é que deve preocupar os adeptos


Dez anos após Luís Filipe Vieira ter chegado à liderança do Benfica, os seus críticos acham que a grande marca do atual presidente é a perda de oito campeonatos para o FC Porto. Feitas as contas aos êxitos desportivos - do futebol profissional porque houve outros - essa é uma realidade.

E verdade que a gestão de LF Vieira, no que ao futebol respeita, cometeu erros que contribuíram para a escassez de títulos e nunca conseguiu - por opção própria e igualmente pela personalidade marcante de Jorge Jesus - dotar o departamento profissional da estrutura autónoma que um emblema com a relevância do Benfica impõe. Para o bem e para o mal, responsáveis por vitórias ou derrotas só há dois: o técnico e o presidente. E hoje já não se trabalha assim.

Mas não é menos verdade que os investimentos feitos, excessivos ou não, deram ao clube da Luz uma capacidade competitiva que lhe permite ter ambições reais, como a fase final da última temporada demonstrou, apesar da falta de sorte que matou todos os sonhos. Prosseguir nessa linha é uma "condenação" e a única saída para recuperar o que se perdeu. A questão que se põe é se poderá o Benfica continuar a endividar-se até ao dia em que os resultados desportivos apareçam.

Ninguém devia esquecer-se da situação de pré-insolvência a que chegou o Benfica nos tempos de completa loucura que antecederam a chegada de Manuel Vilarinho. Ainda se recordam, agora que existe um excelente museu na Luz, de um mamarracho de cimento junto à Segunda Circular? Parece que, decorridos 13 anos, a memória de muitos apagou os anos negros da águia e ignorou o trabalho feito para os ultrapassar. Mas como se viu com a crise financeira que atravessamos em Portugal, os fantasmas regressam se os pés voltarem a afastar-se do chão.

Por isso, é o problema da dívida encarnada que deve preocupar os adeptos. Porque se é um facto que o Benfica será sempre um "produto" com clientes por muito que quebre o consumo, ou seja, uma "fábrica" de faturação, também não se julga possível que o balão da despesa possa encher mais. 


Luís Filipe Vieira tem sobre os ombros tarefa para um gigante. 

- Alexandre Pais, jornal Record, 2 de Novembro de 2013

Octávio Ribeiro arrasa Rui Pedro Soares: É como um cágado que chega do nada, sem qualquer currículo relevante


Se Rui Pedro Soares, atual homem-forte do Belenenses, antigo menino de ouro de José Sócrates na PT, fosse eleito presidente da Liga de Clubes, teríamos todas as condições para se desencadear uma tempestade perfeita. 


Na mesma pessoa cruzam-se fortes laços ao "Apito Dourado" e à "Face Oculta", dois processos que deixam corado de vergonha qualquer sentido de justiça que ainda exista em Portugal.

Se a Liga de Clubes não está de boa saúde com um desmedido presidente, sempre em luta contra moinhos de vento ou televisões por cabo, pior ainda ficaria com um regresso à ética do major Valentim Loureiro, mas servida por muito menos habilidade e nenhum sentido de medida.

De autor desconhecido, aqui fica uma imagem bem apropriada para o que escrevo: "Se por acaso vir um cágado em cima de uma árvore, não pense que foi ele que subiu - alguém o lá pôs". Rui Pedro Soares é um destes cágados que chega do nada e, sem qualquer currículo relevante, aparece no cimo das árvores pela mão de alguém. Assim foi durante o pesadelo do socratismo. Assim parece voltar a ser neste mundo do futebol indígena que sempre parece negar um futuro melhor.

Rui Pedro Soares sempre foi próximo de Joaquim Oliveira. Quem visse a sua postura face à figura de Joaquim Oliveira, facilmente o passaria por um seu empregado devoto.

Se Rui Pedro Soares chegasse a presidente da Liga, seria o longo braço de Oliveira regressado ao centro das decisões do futebol profissional. Fortaleceria o poder de Oliveira contra o Benfica ou contra qualquer clube que se pretenda libertar do atual abraço de jiboia que estrangula as finanças dos clubes por via de uma péssima redistribuição das receitas televisivas.

Rui Pedro Soares não é um homem de projetos ou convicções. O menino de ouro de Sócrates limita-se a ter ambições. E a escolher a mão certa para chegar ao cimo da árvore. De qualquer árvore. Das patacas.

Que nos líderes dos clubes, mesmo os mais próximos do FC Porto, ainda haja uma ponta de bom senso e que os homens de bem, que os há no futebol, encontrem uma solução que não empurre a Liga para uma terrífica era de "Apito Oculto". 

- Octávio Ribeiro, jornal Record, 2 de Novembro de 2013

Afonso de Melo: A arbitragem e o subsídio de refeição



1. Confesso que o que mais espécie me faz nesta pantominice da profissionalização dos árbitros que lhes serão atribuídos subsídios de refeição.


A questão pode ser de somenos, mas não é. Se pensarmos que na sua grande maioria os árbitros portugueses (e não só,) têm direito a refeições pagas nas marisqueiras de Matosinhos, e cafézinho oferecido numa tal casa da Madalena sempre em frente, há que dizer que não se justifica de forma alguma a atribuição de tal subsídio.

Sob o risco de mais uma vez a classe da arbitragem ser considerada uma classe de privilégio.

2. Certa vez, Paulo Bento disse que profissionalizar estes árbitros que temos era profissionalizar a incompetência. Estaria quase de acordo, mas tenho dificuldade em qualificar malfeitorias de incompetência. Ou melhor: estes árbitros demonstram em determinados jogos uma notável competência, beneficiando sempre o clube do Sistema (ou do regime corrupto) e nunca cometendo erros que possam prejudicar o clube do Sistema. 

Sabendo todos nós que o clube do Sistema é o Porto, parece-me de elementar justiça que seja o Madaleno a pagar do seu bolso os futuros profissionais. Afinal, eles já trabalham para ele. 

- Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 1 de Novembro de 2013

João Malheiro: Ivan é o "Cavaleiro da Esperança"



"Cavaleiro da Esperança'. É o título de um livro. Um livro de Jorge Amado. Verdade que o grande escritor brasileiro o escreveu com o fito de homenagear um conhecido e reputado ativista político. Verdade também que "Cavaleiro da Esperança' diz na perfeição (e na lícita presunção) do jovem benfiquista Ivan Cavaleiro, que acaba de fazer o primeiro jogo na principal turma vermelha. 


Ivan Cavaleiro não é só esperança. Até tem nome de Campeão. Enquanto Ivan remete para a ideia de combatente, Cavaleiro sugere ascensão galopante. Será assim, não será? Os indícios são promissores, são promitentes. A exigente plateia da Luz acolheu o menino com a pendência do aperto extremoso.

O atual plantel está recheado de grandes executantes, muitos dos quais experimentados nas mais rigorosas andanças. E que tal este recente toque juvenil de entusiasmo? Uma equipa que ainda não atingiu, reconheça-se, o melhor plano exibicional, só tem a ganhar com o empréstimo dessa graciosidade moça dum jogador com as características de Ivan Cavaleiro.

O Benfica ganha a dobrar. Confirma um valor seguro e com ampla margem de crescimento, acrescenta matéria substantiva à sua faculdade na área da Formação. A plena afirmativa de Ivan Cavaleiro é um desafio que vai ser acompanhado por sensibilidade apurada. Mais Benfica, melhor Benfica, Benfica rejuvenescido, Benfica de maior portugalidade passa muito, no imediato, por Ivan Cavaleiro. 

O jogador, sem deslumbramento traiçoeiro, com apoio genuíno, pode virar coqueluche, até porque tem a pinta inconfundível de craque. 

- João Malheiro, jornal 'O Benfica', 1 de Novembro de 2013

Fernando Guerra: Cardozo outra vez determinante



Ao vencer a Académica, em Coimbra, na abertura da jornada 9 do campeonato da Liga, o Benfica colocou mais pressão no FC Porto, obrigado a ganhar na visita ao Restelo se quiser manter a simpática vantagem de cinco pontos, e também no Sporting, a ter de confirmar o favoritismo que lhe é atribuído no jogo com o Marítimo para continuar a dividir o segundo lugar com o vizinho da Segunda Circular.


Cardozo, mais uma vez, voltou a ser determinante no êxito do emblema da águia: inaugurou o marcador com golo de bela execução e teve intervenção ativa nos lances que originaram o segundo e o terceiro. Se lhe acrescentarmos o golo que desenhou o sucesso benfiquista em Guimarães (1-0) e o que permitiu empatar com o Belenenses, só nestes dois exemplos, sem margem para dúvidas, o desempenho do avançado paraguaio vale três pontos: além dos golos que assinou nas vitórias frente ao Estoril e Nacional. 

Objetivamente, representa 25 por cento da capacidade concretizadora da equipa, marca ainda mais relevante se recordarmos que só começou a ser utilizado com regularidade a partir do minuto 50 da 3.ª jornada, em Alvalade.

O que de alguma maneira colide com as teorias que viram a sua permanência no Benfica como prenúncio de catástrofes imensas depois do incidente registado na final da Taça de Portugal. Feio, sim, mas sem a carga dramática que tanta gente pretendeu atribuir-lhe, em contraponto, por exemplo, a opiniões tolerantes expressas por Gamarra e Paulo Futre: dois internacionais de referência que retiraram o empurrão e o dedo acusador apontado ao treinador da lista de pecados sem remissão. 

Aliás, está por avaliar se terá sido mais grave o gesto destemperado de Cardozo ou a atitude repetida e continuada de Jesus no relacionamento com o espanhol Capdevilla, por acaso campeão do Mundo e da Europa, e que ele tratou como se fosse um empecilho. 

Quem se quer dar ao respeito, tem de fazer por merecê-lo... 

-Fernando Guerra, jornal A Bola, 2 de Novembro de 2013

sábado, 2 de novembro de 2013

Pedro Henriques: Ficou penalty por marcar contra a Académica por falta sobre Cavaleiro


Académica 0-3 Benfica: Golos com relato Antena 1

Incêndio do Estádio da Luz: Ministério Público não consegue identificar autores e arquiva processo


O Ministério Público não conseguiu identificar os autores do incêndio que deflagrou a 26 de Novembro de 2011 nas bancadas do Estádio da Luz, no final de um Benfica-Sporting, e determinou, por isso, o arquivamento do inquérito, informa uma nota publicada nesta sexta-feira na página de Internet da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

O fogo, que rapidamente alastrou numa das bancadas do topo norte e danificou parte da estrutura do estádio, teve origem numa zona onde estavam as claques “leoninas”.

“O incêndio atingiu proporções graves, pondo em risco pessoas e bens e a investigação recolheu toda a prova existente sobre os factos e eventuais autores”, mas o inquérito acabou arquivado “por insuficiência da prova indiciária para a identificação dos autores do crime”, explica a PGDL.

Durante a investigação foram ouvidas “todas as testemunhas dos factos, designadamente bombeiros, spotters da PSP, agentes da PSP, adeptos, responsáveis dos clubes e das áreas de segurança”. Foram também visualizadas “todas as imagens” captadas pela PSP e câmaras de vigilância do estádio e verificados os registos dos membros das claques do Sporting, explica a mesma nota.

Na sequência dos incidentes, o Sporting foi condenado pelo conselho de disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a indemnizar o Benfica em 359.338 euros pelos prejuízos provocados no Estádio da Luz. Uma decisão da qual o Sporting discordou, anunciando que iria recorrer.

Dias depois do sucedido, foram efectuadas várias vistorias ao estádio, nomeadamente pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Segundo um relatório preliminar deste laboratório, o incêndio “provocou danos na cobertura e na bancada de betão armado”.

O pedido de avaliação ao LNEC foi realizado pelo Benfica em 29 de Novembro, três dias depois do incêndio ocorrido após o jogo nas bancadas do topo norte onde se encontravam os adeptos dos “leões”. As “águias” venceram o Sporting (1-0).

O laboratório fez uma primeira visita ao estádio a 30 de Novembro, sob a coordenação do seu director de Departamento de Materiais, Arlindo Gonçalves, e posteriormente já com elementos especializados em áreas de diferentes materiais (orgânicas, betão, materiais metálicos, estruturas).


-Noticia retirada do site do jornal Público

Silvio Cervan: Cavaleiro vive num clima de exagero que o prejudica



O Benfica venceu com naturalidade o Nacional da Madeira num jogo que sem ser brilhante, foi de facto suficiente para cumprir os objectivos essenciais.


Sempre à volta do Benfica, ou há euforia ou há depressão. Agora a nova razão da euforia é Ivan Cavaleiro. O miúdo tem talento, mas vive num clima de exagero que o prejudica. Mesmo quando faz uma asneira tem o público a bater palmas, estão reunidos os ingredientes para mais exemplo de fogo de artifício pouco duradouro. Havia que deixar crescer com calma, esperar que ganhe a maturidade, e depois teremos um jogador de primeira na equipa do Benfica. Jorge Jesus saberá dar-lhe as oportunidades, na conta e razão certas, em vez de querermos fazer um astro à pressa. Os mesmos adeptos que lhe batem palmas hoje, estarão para o insultar amanhã.

Elogio para aquele que tem sido um dos nossos melhores jogadores do Benfica, muito esquecido pela crítica, André Almeida. Melhor em campo com o Olympiakos, e excelente na hora que jogou contra o Nacional. Brilhante à direita e muito bom na esquerda.

Hoje em Coimbra teremos mais uma etapa da nossa terapia antidepressiva. 

Vou repetir argumentos, o jogo de Coimbra é mais importante que o de Atenas. Temos que ganhar em Coimbra. O segundo lugar que ocupamos é péssimo. A tabela c1assificativa, para o Benfica, só tem um lugar que não é péssimo.

Este episódio Blatter/Ronaldo mostra muito de quem e como se dirige o futebol. O protagonista tonto e senil não tem noção do ridículo, das proporções e dos modos. Cristiano Ronaldo respondeu com um hat trick nos 7-3 ao Sevilha.

Gostei duma resposta com bom futebol, à ébria dança do dirigente exótico que escolhe países/desertos com mais de 40º de temperatura para realizar Campeonatos do Mundo. 

Messi não merecia isto, porque é um jogador fantástico. 

- Sílvio Cervan, jornal A Bola, 1 de Novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Manuel Damásio rendido ao trabalho de Vieira: Falta o mais simples, que é ganhar campeonatos


Manuel Damásio comandou durante três temporadas os destinos do Benfica, entre 1994 e 1997. Seguiram-se-lhe João Vale e Azevedo e Manuel Vilarinho, entrando depois para a liderança do clube aquele que cumpre hoje uma década como presidente, Luís Filipe Vieira. Em entrevista ao zerozero.pt o antigo dirigente faz um balanço positivo do trabalho de LFV e considera que com as infraestruturas já criadas o mais fácil, agora, é ganhar campeonatos.

«O balanço é altamente positivo. Quem já foi dirigente do Benfica e quem obviamente para um pouco para pensar sabe que o Benfica tinha as suas infraestruturas quase todas por fazer. O novo estádio, a Academia, a credibilidade para voltar a ter, enfim, era um caos absoluto», afirma, à conversa com ozerozero.pt, o antigo presidente do clube, assumindo o «prazer» que é sempre poder falar do seu clube do coração.

A sua experiência, bom-senso e obviamente idade - Damásio cumpriu 73 anos no passado mês de julho – dão-lhe capacidade, no entanto, para perceber e assumir que «alguns benfiquistas nesta altura podem estar descontentes porque os resultados desportivos não têm sido na quantidade desejada».

Contudo, o antigo dirigente considera que «era quase impossível fazer essas duas coisas ao mesmo tempo, criar as infraestruturas que foram criadas e que estão a dar resultado e ao mesmo tempo ter vitórias».

Por isso, em tom descontraído, Manuel Damásio diz que «estes dez anos têm sido positivos» e até os usa para brincar com os rivais:

«Eu até costumo dizer para os meus amigos, em brincadeira - ´Ah, vocês agora não discutem que nós nem campo de treinos para os juniores temos, já discutem que fomos a três finais e perdemos todas`... Aí, como já estamos à frente de todos, já não falam», brincou, sublinhando a importância da formação, que «daqui por alguns anos» será muito importante para a sustentabilidade do clube.

Depois de sublinhar a importância do museu, do canal de televisão, da academia, Damásio chega facilmente a uma conclusão: «Tem sido feita tanta coisa, tanta coisa, que agora falta o mais simples, que é ganhar campeonatos».

Insistimos, no entanto, na falta de títulos, que é, naturalmente, o que alimenta a massa adepta e a paixão quase inexplicável que se sente por um clube de futebol.

«Podemos obviamente ter tido poucos títulos nestes dez anos para aquilo que é o normal no Benfica. Costumo dizer que nós estávamos bem habituados, não mal habituados, e agora, obviamente que os sócios ficam descontentes quando isso não se verifica, ou se passa mais que um ano que não ganhamos. Mas ainda no ano passado estivemos em três frentes, três finais e chegarmos lá é sinal de que se está a fazer algo importante mesmo na parte desportiva», considerando que tudo o que tem sido feito «tem que dar os seus frutos».

Os dois pontos altos destes dez anos

Analisando esta década sob a batuta de Vieira, e sendo certo que o nosso entrevistado dá nota positiva ao trabalho do presidente, há dois momentos, um ao nível do universo do clube e outro na parte desportiva, que destaca.

«Do clube o ponto alto nestes dez anos foi a inauguração do estádio. É um marco do qual todos os benfiquistas se orgulham, mesmo o mais insensível dos sócios do Benfica nesse dia com certeza que teve lágrimas nos olhos. É um ponto alto no clube, o maior, o mais importante para mim», destaca, voltando-se para o plano desportivo e salientando «o campeonato ganho pelo Jorge Jesus».

«Foi um ponto importante porque eu pensava que no campeonato a seguir podíamos voltar a ganhar. Os benfiquistas estavam desejosos, festejaram-no de uma forma fantástica e estavam abertas as portas para nós podermos dar um empurrão. Nós só conseguimos tirar o FC Porto da posição que tem quando o Benfica ganhar dois ou três campeonatos seguidos, aí começa a tremer toda a estrutura do FC Porto e as pessoas todas já começam a contestar o Pinto da Costa, como já aconteceu algumas vezes. Nós temos que ter este objetivo para fazer com que o nosso adversário mais direto tenha a sua estrutura abalada e aí o Benfica, que já tem as infraestruturas criadas, ganhando dois ou três campeonatos seguidos estabiliza», projetou.

«Vieira fez bem em ter renovado com Jesus»

Intimamente ligada à tal falta de títulos está Jorge Jesus, e a sua permanência no comando da equipa, com a qual uns concordam mas, de uma forma geral, a maioria discorda. O treinador tem sido bastante criticado, tal como foi Luís Filipe Vieira aquando da sua renovação. Manuel Damásio considera que essa foi uma decisão acertada do presidente.

«Acho que o presidente Luís Filipe Vieira fez bem em ter renovado o contrato com o Jorge Jesus este ano porque no ano passado fez a época que fez. Obviamente que não agrada a toda a gente, nem o seu feitio nem a sua forma de estar, mas na balança, se pusermos vários fatores, pesam a favor dele. Valorizou jogadores? Sim. Já deu um campeonato? Já. Já fomos a três finais? Já. A equipa jogou bom futebol? Jogou. O Luís Filipe Vieira decidiu bem», conclui.

«O Benfica ainda vai fazer um belíssimo campeonato»

Não são os cinco pontos de distância para o FC Porto que afastam o Benfica da luta pelo título. Manuel Damásio até usa a própria experiência das águias, que no ano passado também teve essa mesma vantagem e acabou por perder o título para os dragões, para assumir que as coisas podem terminar com o desfecho que os benfiquistas pretendem.

«O Benfica está a acertar algumas agulhas mas ainda vai fazer um belíssimo campeonato e a nível europeu, mesmo que as coisas na Liga dos Campeões não sucedam o melhor possível, continuamos à mesma na Liga Europa. Temos muitos jogos pela frente, temos ainda muita coisa para fazer, e só no fim da época é que se pode fazer um balanço mais concreto do trabalho do Jorge Jesus. Temos mais que condições para podermos recuperar os cinco pontos. Basta que o Benfica ganhe os dois jogos ao FC Porto e já passamos para a frente. Claro que tem que ganhar os outros todos, mas também o FC Porto tem que o fazer. No ano passado o Benfica também tinha mais cinco pontos e acabou por acontecer o que aconteceu. O FC Porto ainda vai perder alguns pontos. De 30 jogos estão oito realizados, há tanto jogo para fazer, o sr. Inverno também vai ditar alguma lei, há tanto factor. Estou convencido que o Benfica ainda está muito a tempo de poder conquistar o campeonato nacional e está nas frentes todas», lembrou, confiante.

A sucessão

Apesar de o Benfica possuir no seu universo «muitos valores habituados para poderem liderar um clube destes», Damásio não vê ninguém que, no momento, se perfile como substituto de Vieira. Seja como for, considera o antigo presidente, quando o atual líder sair «vai deixar obviamente um trabalho já todo feito e quem vier a seguir pode ter a sua vida um pouco mais facilitada».

Apesar dos dez anos volvidos Manuel Damásio não deseja o dobro ao atual dirigente.

«Não posso desejar que esteja mais dez anos à frente do clube porque está a dar cabo da saúde dele. Sinto que o próprio Luís Filipe Vieira, quando acabar este mandato é capaz de pensar seriamente se deve continuar ou não. Ser presidente do Benfica absorve-nos completamente, destrói-nos a vida familiar, profissional e a saúde. O que desejo é que quando ele sentir que está sem capacidade de poder ser o mesmo homem que tem sido até aqui, tenho a certeza que o fará, que diga -´Venha outro porque eu já deixo um trabalho feito e é fácil continuar».

-Noticia retirada do site zerozero.pt

Taffarel nem hesita: Renovava já com Artur, de olhos fechados!


Cláudio Taffarel, para muitos o último grande guarda-redes da seleção brasileira, endereçou palavras bastante elogiosas a Artur Moraes, dono e senhor da baliza do Benfica há três temporadas, desde que foi contratado ao Sp. Braga. Segundo Taffarel, os encarnados não deverão pensar duas vezes para renovar o contrato de 'Rei Artur'.

«Se eu mandasse no clube renovava já contrato com ele! Era já de olhos fechados», referiu Cláudio Taffarel, citado pelo jornal O Jogo, acerca do guarda-redes que terminará a sua ligação ao Benfica em 2015.

Apesar de todos estes elogios, Taffarel não considera assim tão injusto, face à concorrência, que Artur Moraes nunca tenha somado qualquer internacionalização pelo Brasil.

«Parece-me improvável que seja chamado pelo 'Felipão'. Ele já escolheu o guarda-redes mais experiente (Júlio César) e não haverá espaço para mais nenhum. No Mundial-2014, por exemplo, vai estar o Júlio César. 
Por outro lado, acho que o Artur Moraes também não vai ficar a chorar por não ter tido a oportunidade de jogar pela seleção. Injustiça? Parece-me excessivo», concluiu.

-Noticia retirada do site Futebol 365

Bruno César faz surpreendentes revelações em entrevista ao jornal A Bola


Não tivesse o brasileiro sido vendido ao Al Ahli, por €5,5 milhões, e hoje a carreira dele poderia ter mudado, segundo o próprio. Em entrevista a A BOLA, revela que foi Luís Filipe Vieira a forçar a saída, contrariando a opinião de Jorge Jesus, treinador que tem muitas semelhanças com... Vítor Pereira. «Seguem a mesma linha», diz.

Como está a correr experiência no Al Ahli, na Arábia Saudita, quase um ano depois de ter saído do Benfica? 
- Já me adaptei completamente, ainda para mais com a chegada de Vítor Pereira. É um grande treinador que todos em Portugal já conhecem. É um vencedor, onde passou no FC Porto.

O que teve de mudar no seu estilo de vida? 
- Temos de respeitar os horários deles, têm as cinco rezas, os treinos são à noite, é muito difícil fazermos dois treinos diários porque durante o dia não dá, devido ao calor. Não dá para treinar tanto como em Portugal ou no Brasil. Temos de nos adaptar mas já me acostumei ao estilo de jogo também. O clima é muito seco, temos de beber muita água, o desgaste é grande, mas nada que faça a diferença.

Quase um ano depois da saída do Benfica, acha que foi a melhor decisão? 
- Acho que sim. Para mim naquela altura não estava a jogar, estava a ser bastante contestado. Fiz uma primeira época muito boa mas sem saber porquê não jogava, não tinha oportunidades. Para mim foi a melhor decisão e para o Benfica também. O presidente queria que eu saísse.

O treinador também? 
- Não. Era diferente. Alguns queriam que eu saísse, mas Jorge Jesus queria que eu ficasse. Acho que pesou mais a decisão da presidência. Havia muitos interesses por detrás que queriam que eu fosse embora mas isso agora já é passado, já foi, agora é viver o presente.

Se ficasse teria sido transformado em lateral-esquerdo? 
- Pelo que estava a treinar quando saí, estaria a jogar, sim. Estive a treinar naquela posição durante dois meses. Aprendi muito a marcar como lateral, Jesus ensinou-me muita coisa e podia aprender, não seria problema algum. Não me faz diferença jogar a lateral, ala ou 10.

É uma posição com uma tradição especial no Benfica, nomeadamente as adaptações. Se não tivesse saído, poderia ter transformado a sua carreira? 
- Acho que sim. Se tivesse continuado, hoje poderia ser o lateral-esquerdo do Benfica. Mas não foi possível e a vida segue.

Como é ser treinado por Vítor Pereira, o técnico que ajudou a roubar os títulos ao Benfica? 
- Normal. Nunca falámos disso. Ele é muito profissional nessas questões e nunca falámos sobre isso porque eu também já não estava no Benfica há cinco meses quando ele veio para o Al Ahli. Mas quando há um FC Porto-Benfica surge sempre uma brincadeira, mas nada de especial. 

Foi uma boa surpresa? 
- Foi, sim. Já trabalhei com Jorge Jesus e Vítor Pereira segue a mesma linha do Jesus, eles são bastante parecidos. Os treinadores portugueses são bastante parecidos na forma de treinar.

-Entrevista de Bruno César ao jornal A Bola