quinta-feira, 24 de outubro de 2013

José Manuel Delgado elogia atitude dos adeptos no jogo com o Olympiakos

 

Os campeões fazem-se com resultados e quem disser que prefere uma derrota jogando bem a uma vitória jogando mal ou é hipócrita ou é um tonto rematado. 

Mas a psicologia do adepto tem outra vertente que transcende vitórias e derrotas e que é a da identificação com a equipa. Nesse aspeto o jogo de ontem foi muitíssimo curioso. Os benfiquistas não andam satisfeitos com a vida, a amargura do final da época passada não foi ultrapassada e na presente temporada não houve exibições que fizessem esquecer o Dragão, Amesterdão e o Jamor. 

Neste contexto difícil, com o Benfica em desvantagem e a jogar mal (primeira parte pobrezinha...), a verdade é que o Terceiro Anel percebeu a vontade dos jogadores e identificou-se com ela, vestiu a camisola e apoiou a equipa como ainda não o tinha feito em 2013/14. 

Quer isto dizer que há outras dimensões para além do ganhar e do perder, do jogar bem e do jogar mal. Não sei se os jogadores, técnicos e restantes responsáveis do Benfica se aperceberam do que aconteceu ontem: quando podiam ter voltado as costas, a equipa pediu e os adeptos deram-lhe a mão... 

- José Manuel Delgado, jornal A Bola, 24 de Outubro de 2013

Leonor Pinhão: Estamos mais talhados para a Liga Europa


1-1 como Olympiakos e muitos assobios no fim do jogo para a equipa do Benfica que, ontem, só começou a correr quando Cardozo, sempre ele, aproveitou uma má saída de Roberto, sempre ele, para empatar. 

Resumindo, foi um jogo sem qualquer espécie de novidade. O paraguaio marcou um golo e o espanhol ofereceu outro golo. Onde é que já vimos isto? 

Cardozo viria à flash interview dizer que o resultado foi positivo atendendo às circunstâncias. Concordo inteiramente. Com o empate de ontem o Benfica pode ter ficado mais longe da Liga dos Campeões mas ficou mais perto da Liga Europa, prova para a qual, atendendo às circunstancias, estamos mais talhados. E sem drama. 

- Leonor Pinhão, jornal A Bola, 24 de Outubro de 2013

Vítor Serpa: Benfica está muito doente



Não há máscara que consiga disfarçar aquela triste primeira parte do Benfica. E se for verdade o que o presidente do clube anunciou, que o Benfica terá o melhor plantel dos últimos trinta anos, então também será verdade que, com esse plantel, o Benfica apresenta uma das piores equipas desses mesmos trinta anos.

O Benfica tem de aceitar que a sua equipa de futebol profissional está doente. Muito doente, mesmo. Pode ser discutível a causa, mas não pode ser discutível o facto. Enquanto o Benfica não encarar com frontalidade e sentido de realismo essa evidência, a equipa continuará a arrastar pelo mundo um futebol indigente, sem chama, sem classe e sem força.

Durante toda a primeira parte, afinal o tempo em que ainda foi possível jogar futebol, quando toda aquela chuva ainda não tinha desabado sobre a Luz, o Benfica viu o seu adversário jogar, falhar oportunidades e marcar um golo. Foi o tempo em que o Benfica jogou só com os olhos, parado quando atacava e parado quando defendia. 

Uma equipa, assim, sem dinãmica e sem determinação, é uma equipa sem a mais pequena hipótese de ter expressão competitiva, muito menos quando pisa o palco da maior prova de clubes da Europa.

Sinceramente, não sei se o problema está em Jorge Jesus, se os jogadores estão psicologicamente cansados ou fisicamente inaptos para o jogo. Sei que entre a derrota de terça-feira do FC Porto e o empate de quarta do Benfica há um abismo de atitude, de coragem e de ambição a favor do campeão nacional.

O que quer dizer que nem sempre os resultados dizem tudo sobre a realidade do futebol. 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 24 de Outubro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Bagão Félix irónico com a produção salivar de Josué


Josué foi suspenso um jogo por uma alegada cuspidela num adversário. Um castigo (em função da volumetria salivar?), tal qual o que resulta de um 2.º cartão amarelo por se festejar um golo sem camisola. 

Josué - recorde-se - tem dois clubes, o Porto e o anti-Benfica, e duas certezas na carreira: a primeira é a de que um dia iria voltar ao FC Porto e outra é de que nunca jogaria no Benfica, «Sou do FC Porto e toda a gente que é deste clube não gosta do Benfica.»

Brilhante foi a coincidência de ter sido pela primeira vez titular na Selecção Nacional na semana do castigo! O que evidencia a plenitude ética do nosso futebol. E quem sabe a diferença epistemológica entre cuspidela e salivação.

Tudo se explica por uma razão mais ou menos científica: é que 99,42% da saliva é água, pura e cristalina. O resto do fluido é formado por proteínas e sais minerais, certamente saudáveis. Além disso, a produção diária varia entre 1 e 1,5 litros pelo que há necessidade de, por vezes, a escoar mais depressa.

Também é sabido que as glândulas salivares recebem ordem do cérebro, o que para alguns faz crescer a água na boca em certas situações. Neste caso, só gostaria de saber se o cérebro actuou por excesso de zelo portista ou antibenfiquista. Como diz a adivinha: sem ser comida ou bebida, entro na digestão, sem ser dada nem pedida, cumpro a minha obrigação. E como bem diz o adágio sul-americano é tudo uma questão de tempo: el que escupe para arriba, le cae la saliva en la cara.

Afinal em que ficamos: é o futebol um jogo impróprio para cardíacos ou será mais próprio para jogadores salivosos e escolhas salivantes? 

- Bagão Félix, jornal A Bola, 23 de Outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ainda bem que não temos a espinha dorsal da Selecção Nacional

 

As promessas eleitorais queimam. No futebol, como na política, o que se promete em campanha e depois não é cumprido é cobrado com juros. Com as expectativas não se brinca e de frustração em frustração, as lideranças vão caminhando para um lento declínio. Quando se dá por ela já não há nada a fazer.

Recordei-me disto a propósito de uma promessa que tem sido feita por vários candidatos a presidente do Benfica e que fica invariavelmente por concretizar: "O Benfica será a espinha dorsal da Seleção", terá prometido Luís Filipe Vieira há uns anos, repetindo uma promessa antes feita por esse personagem de farsa que dá pelo nome de Vale e Azevedo.

Sabem que mais? Ora aqui está o caso de uma promessa que podemos agradecer nunca ter sido cumprida e, aliás, a crer em declarações recentes do presidente já não faz parte dos objetivos estratégicos - "o Benfica não irá ser uma equipa de portugueses no futuro, porque o futebol é global". Se, por absurdo, o Benfica tivesse hoje a espinha dorsal da Seleção Nacional, teríamos uma equipa pouco competitiva e incapaz de gerar mais-valias financeiras.

Ao contrário do que tem sido dito, a classificação e as exibições de Portugal na qualificação para o Mundial não surpreendem. O que foi surpreendente foi a campanha no último Europeu. 

A Seleção é hoje composta por um jogador de eleição (Ronaldo) acompanhado por dois de classe mundial (Moutinho e Pepe) e dois acima da média (Coentrão e Patrício); depois sobra uma mão-cheia de jogadores entre o mediano e o sofrível. Fazer diferente seria surpreendente.

Agora imagine-se uma equipa do Benfica à imagem da Seleção. Tendo em conta que Ronaldo, Moutinho e Pepe nunca estariam, nesta fase da carreira, ao alcance financeiro de um clube português, por esta altura, estaríamos condenados a jogar com João Pereira, Meireles, Miguel, Micael e no ataque divididos entre Hélder Postiga e Hugo Almeida. Penso que estamos conversados quanto à espinha dorsal. 

- Pedro Adão e Silva, jornal Record, 22 de Outubro de 2013

Fernando Guerra lança violento ataque a Jorge Jesus


Com a jactância que lhe está enraizada, Jorge Jesus promoveu a vitória tangencial sobre os amadores do Cinfães a acontecimento de amplidão nacional, por ter sido alcançada num quadro de muitos riscos por ele próprio criados, convém que se diga, em nome de objetivos que convidam a diversas interpretações. Sinceramente, não sou capaz de alcançar se a irresponsabilidade que rodeou a abordagem deste jogo resultou de um plano convictamente desenhado ou se se tratou de simples birra de alguém que, há meia dúzia de meses, em intervenção na Faculdade de Motricidade Humana, se autoconsiderou treinador/cientista, sem medir a extensão da bizarrice. 

É evidente que não há problema em tê-lo dito; preocupante, porém, é estar convencido disso...
Como se sente em patamar superior em relação a quantos o rodeiam, vira as costas ao contraditório, aceita mal opiniões que divirjam das suas e foge da troca de ideias, como forma antiquada de se resguardar, principalmente ao nível dos principais emblemas, num período em que para se ter sucesso no futebol é preciso dominar saberes à margem das táticas tal como eram interpretadas e aplicadas até há dez/quinze anos.

Jesus foi irresponsável porque apresentou uma equipa com valor suficiente para vencer, como se verificou, mas sem proteção para reagir a qualquer eventualidade, uma lesão, ou duas, o que não seria inédito esta época, uma expulsão, um golo adversário. 

Quem se sentou no banco? Bernardo Silva (jogou 10 minutos), mais Bruno Varela, Mitrovic, João Cancelo, Rúben Pinto, Hélder Costa e Harramiz: que estranha e ousada aposta nos jovens futebolistas da águia! Devido a imperativos de gestão do plantel? Em Outubro? A ser verdade das duas uma: ou Jesus tomou consciência do erro que cometeu ao desvalorizar a participação na Liga dos Campeões a seguir ao colapso de Paris e ficou atrapalhado com o Olympiakos, na Luz, amanhã, por causa das imprevisíveis consequências que outro resultado negativo poderá suscitar, pondo todos os titulares em regime de repouso obrigatório e prolongado, ou, incomodado pela pressão que lhe é dirigida no sentido de olhar com outros olhos para os miúdos, optou por intolerável extravagância, partindo do princípio que, com mais ou menos dificuldade, ganharia. 

Se desse para o torto e... perdesse, então não mais o aborreceriam com minudências como essa da formação. É claro que a entidade patronal sairia fortemente penalizada, mas no outro prato da balança o seu ego ficaria imensamente reforçado. Porque é assim que ele se revê, sempre na primeira pessoa do singular: aos outros apenas atribui relevância quando precisa de justificar as derrotas...

Confesso a minha surpresa por se ter recordado de Luís Filipe Vieira, declarando que o investimento em gente jovem e com potencial se trata de um projeto do presidente e que ele, Jesus, mais não é do que peça da estrutura. Imagina-se quanto lhe terá custado aceitar publicamente que ainda há alguém a quem deve obediência, mas mais vale tarde do que nunca. Se a prorrogação de contrato foi de difícil digestão, face à ausência de resultados que o justificassem e por números que ferem a benevolência do mais tolerante dos adeptos, era o que faltava que fosse permitido ao treinador, ao fim de quase cinco anos, continuar a pavonear uma soberba que colide com a história e grandeza do Benfica.

Filipe Vieira talvez entenda mais de futebol do que aquilo que pretende fazer crer. Não sobre estratégias, linhas baixas ou altas, corredores, diagonais, transições, todas essas coisas, mas numa perspetiva mais abrangente do fenómeno. Sabe como é importante a qualidade da formação e a valorização que dela deve ser feita. 

Ao contrário, Jesus não lhe dispensa especial atenção. É por isso que este exemplo de Cinfães, além de ato isolado, teve tudo para trazer água no bico. Desconheço por que motivo o presidente, que vê muito mais longe do que o treinador, enveredou por uma solução que tinha tudo para dar errado, mas por ser um admirador da obra erguida, espero que conclua a sua fantástica empreitada, que engloba a construção de uma Casa do Jogador, e não se deixe entorpecer pela megalomania de Jesus. 

- Fernando Guerra, jornal A Bola, 22 de Outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Vítor Serpa: Jesus não foi muito exigente em Cinfães


Para já, não houve tomba-gigantes nesta jornada da Taça. Mas houve festa do futebol, houve clima especial, houve pequenos que tiveram até ao fim a esperança de serem grandes.

Aquele que, para já, mais se destacou foi o Cinfães. Recebeu o Benfica e perdeu apenas por um muito escasso golo. Mas não foi apenas a questão do magro resultado, foi a determinação, a personalidade, a generosidade de uma equipa que sabendo o mesmo que todos nós sabemos sobre a colossal diferença de meios para lutar de igual para igual com o Benfica, fê-lo com coragem e com intensidade de jogo, valorizando - e muito - o espetáculo.

Apesar de ter ganho, apenas, por tão magro um a zero, Jorge Jesus ficou contente. Ao que explicou no final do jogo, porque já sabia que se as coisas não corressem bem as pessoas iam falar. Disso, de facto, Jorge Jesus não pode ter qualquer dúvida. Se as coisas não tivessem corrido bem, o que, no caso, se pode significar se o Benfica não tivesse ganho ao Cinfães, seria mais do que expectável que as pessoas viessem falar no assunto. Mais do que falar seria quase impossível que não criticassem duramente o Benfica e o seu treinador.

Diz Jesus que arriscou muito, ao apostar numa equipa de jovens. A questão que se levanta é esta: se Jorge Jesus não arriscasse uma equipa de jovens (aliás, nem todos) com o Cinfães, com quem haveria de arriscar?

Diga-se, em abono da verdade, que o treinador do Benfica não foi muito exigente. A vitória chegou-lhe para tirar, de cima dos ombros, peso na consciência. Pessoalmente, penso que não devia chegar. O Benfica foi de menos, sobretudo se admitirmos que até teve jovens promessas a confirmarem-se, como foi o caso de Ivan Cavaleiro (e não foi o caso de Funes Mori). Mas concordo que essa foi a única mais-valia que o Benfica pode ter encontrado no jogo. Cavaleiro vai chegar longe! 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 20 de Outubro de 2013

Video: Concorrente da Casa dos Segredos insulta Benfica

Cinfães 0-1 Benfica: Relato Antena 1 do golo de Ola John

Video Hóquei: Benfica vence 1ª mão da Supertaça Europeia por 3-5 frente ao Vendrell

Video: Miguel Vitor em grande destaque na vitória do PAOK com 2 golos de cabeça

sábado, 19 de outubro de 2013

Paulo Gonçalves confirma ter sido ameaçado por Antero Henrique


Paulo Gonçalves e João Gabriel, respetivamente assessor jurídico e diretor de comunicação da SAD do Benfica, foram ouvidos ontem nos Juízos Criminais do Porto no âmbito de um processo por crime de difamação agravada movido por Antero Henrique, diretor-geral da SAD do FC Porto, contra Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados.

Na base da queixa estão declarações proferidas pelo dirigente benfiquista numa entrevista à RTP1, emitida a 17 de julho de 2008, na qual, comentando desenvolvimentos do processo Apito Dourado, equiparou o clima que se vivia no futebol «a um estado siciliano» na sequência de uma alegada ameaça de Antero Henrique a Paulo Gonçalves no final de uma assembleia geral da Liga, em maio de 2008, e terá associado o nome do dirigente dos dragões a dois assaltos realizados à sua residência.

Na sexta-feira, Paulo Gonçalves confirmou perante a juíza a ameaça feita por Antero Henrique.

«Na assembleia geral estava a falar sobre uma questão dos regulamentos da arbitragem e ele, sem permissão, usou da palavra para dizer que esse assunto não era para ser ali tratado, ao que respondi, como provocação, reconheço, que ali era exatamente o local para o fazer e não no Calor da Noite [n.d.r.: casa de alterne no Porto]...», explicou, revelando ao pormenor o que se seguiu: «Estava com o António Oliveira [Estrela da Amadora], Miguel Carvalho [Trofense], Marco Couto [Aves] e no final o Antero Henrique veio na minha direção e pensei que me ia cumprimentar, mas apertou-me a mão, puxou-me e sussurrou-me ao ouvido: ‘Se voltas a falar no Calor da Noite, espero por ti lá fora e levas um estalo. Respondi-lhe, de forma grosseira, ‘Estás maluco Antero? Vai-te mas é f...’ Depois, para evitar problemas, mantive-me mais algum tempo dentro da Liga. Mas quando saí o Antero Henrique estava no seu jipe preto acompanhado de uma pessoa e arrancou ao mesmo tempo que eu. Depois passei no semáforo amarelo e ele ficou no vermelho. Pode ter sido coincidência...»

Este episódio, lembra, foi imediatamente relatado a Luís Filipe Vieira, que deu indicações expressas para que «sempre que me deslocasse ao Porto fosse acompanhado de segurança», garantindo que foi alvo de ameaças através de SMS, cartas anónimas enviadas para a sua residência e inclusive num faxe enviado para o Benfica.

Já João Gabriel negou que na preparação para a entrevista concedida por Luís Filipe Vieira o assunto da ameaça de Antero Henrique tivesse sido aflorado: «O presidente é uma pessoa espontânea e descreveu, perante a insistência da jornalista, o seu estado de alma.»

O julgamento prossegue na próxima sexta-feira, às 14 horas, nos Juízos Criminais do Porto, dia para o qual está previsto o depoimento de Luís Filipe Vieira, presencial ou através de vídeoconferência. Para o dia 8 de novembro, também às 14 horas, serão ouvidas mais três testemunhas arroladas pela defesa do presidente do Benfica. 

-Noticia retirada do site do jornal A Bola

Rui Santos demolidor com profissionalização dos árbitros: Sistema faliu e é falso como Judas

 

A profissionalização da arbitragem não vai resolver nenhum dos seus problemas: a opacidade e a falta de lógica no processo de nomeações e os erros grosseiros protagonizados pelos árbitros. O sistema faliu e querem atirar-nos poeira para os olhos.

O futebol, pela dimensão que a respectiva indústria alcançou, em vez de se livrar das suas imparidades e de expulsar os batoteiros, continua a arranjar esquemas para albergar gente sem escrúpulos, que se desdobra em expedientes para çondicionar a verdade desportiva. É preciso combater a proliferação dos resultados combinados que já é mais do que uma ameaça. Não são apenas os mecanismos que tornam os árbitros mais ou menos favoritos deste ou daquele presidente ou dirigente; deste ou daquele clube. Eram os árbitros, depois passaram a ser os "fiscais de linha" (hoje denominados árbitros assistentes), e a certa altura já se viam jogadores a entrar no carrossel.

Quer dizer: é através do controlo do sector da arbitragem que se chega muitas vezes à vitória quando, em campo, as equipas não são capazes de se superiorizar através de argumentos técnicos, tácticos e físicos, mas hoje em dia a "sofisticação da batota" alcança outros mecanismos a partir dos quais é possível retirar importantes benefícios. Na realidade, há já um caudal de notícias que nos alertam para o que pode estar por detrás dos fundos de jogadores. A não identificação dos nomes relacionada com a titularidade desses fundos e a suspeita de envolvimento de paraísos fiscais em todo o processo, com a cada vez maior certeza de que há gente nos clubes a servir os interesses dos fundos (com benefícios directos e indirectos), torna tudo mais nebuloso e os futebolistas não são mais do que marionetas, convencidos de que os seus créditos também são grandes e compensatórios. Se juntarmos a tudo isto o impacto das apostas online e dos seus "circuitos paralelos", perceberemos que está cada vez mais difícil acreditar no que vemos acontecer dentro das quatro linhas: "Se as pessoas perceberem que os jogos são combinados, vão preferir ver novelas", sentenciou esta semana Maradona.

O controlo da arbitragem foi sempre a maior das preocupações de alguns dirigentes do futebol português, porque era a maneira mais fácil de obter um penálti, uma expulsão, uma falta à entrada da área, um fora-de-jogo numa situação não muito fácil de descortinar ou validar um golo conseguido de forma irregular.

A preocupação continua válida, porque a natureza de certas decisões, sobretudo em lances de dúvida, pode valer muitos pontos (no começo dos campeonatos, ganhar vantagem é muito importante...), mas a industrialização do futebol e as largas somas de dinheiro que movimenta apurou outros mecanismos que colocam em causa a verdade desportiva.

A discussão que, neste momento, domina a actualidade do futebol nacional- a profissionalização da arbitragem - corresponde a uma perda de tempo. São toneladas de areia atiradas para os olhos dos portugueses.

Não é que a profissionalização não encerre algumas coisas positivas, mas o actual regime paraprofissional já oferece às equipas de arbitragem condições muito razoáveis. Condições financeiras, administrativas, logísticas e, também, de treino.

O aumento do número de jogos e, para os internacionais o maior número de jogos no exterior torna mais difícil a dispensa nos respectivos locais de trabalho. A profissionalização apenas agiliza a vida dos árbitros. Quando deveria estar em causa a melhoria do sector, isto é, gerar condições para que o erro de arbitragem não tivesse tanta influência nas finanças dos clubes. Um golo mal (in)validado ou uma decisão errada pode corresponder, em certas situações, a prejuízos de milhões de euros. E é isto que ninguém parece querer discutir...

Quantas toneladas mais vão ter de nos atirar para os olhos para evitar que se compreenda que o rei vai nu e que esta é mais uma forma de perpetuar um sistema que está anquilosado e é falso como Judas?...

O futebol é um jogo maravilhoso. Só não pode ser compaginável com a batotice. Para isso, o input tecnológico é crucial e decisivo. É a partir dele que se pode travar esta sensação de perda. Porque o futebol só conservará a sua dimensão de desporto universal se conseguir expulsar aqueles que colocam em causa a sua credibilidade e integridade. 

- Rui Santos, jornal Record, 19 de Outubro de 2013

Octávio Ribeiro arrasador com Jorge Jesus: Quando o FC Porto se agiganta, Jesus agacha-se


Se dúvidas houvesse sobre o facto de Jesus não saber jogar para ganhar frente ao FC Porto, todas se desvaneceriam quando Jorge Jesus respondeu ao ataque de Pinto da Costa. O presidente do rival do norte ironiza com a data em que sairá o castigo de Jesus - "lá para o verão" - e Jesus o melhor que consegue é responder que isso só o valoriza, pois assim se vê a sua relevância no banco do Benfica.

Que resposta tão pífia. É só olhar para o passado recente de contas por prestar na justiça, desportiva e mesmo penal, para descortinar várias respostas bem mais úteis aos interesses do Benfica. Mas Jesus sempre tem sido assim. Quando o FC Porto se agiganta, Jesus agacha-se. 

Isto quando não cai mesmo de joelhos. Não se percebe esta atitude continuada de um técnico que enverga o emblema do Benfica há tantos anos e a quem o clube já terá garantido proventos que permitem mais do que uma reforma descansada.

Não está sequer provado se não será mesmo um desejo de Pinto da Costa aquilo que todos tomámos por mais uma ironia do grande declamador de José Régio. Pensemos um pouco: que cenário melhor pode desejar Pinto da Costa no banco do Benfica do que o de Jorge Jesus a inventar táticas mirabolantes sempre que joga contra o FC Porto? 

Quem passe em revista os últimos embates decisivos entre Benfica e FC Porto, se deseja um prolongar se vitórias portistas, só pode rezar para que Jesus se mantenha hirto no banco do Benfica por muito tempo. E que o Benfica continue com este o técnico de discurso dócil sempre que se trata de dar troco ao grande patrão do Dragão. Tão estranha é esta subserviência. Ou não?

PS - A Seleção voltou a jogar mal, sem brilho, frente a mais um adversário da cauda da Europa. Algo está mal no ambiente entre os comandados de Paulo Bento. Está chegado o momento de forçar uma conversa com alguns dos craques, olhos nos olhos. Ronaldo e Nani não precisam de privar como amigos, mas têm de ser irmãos de objetivo comum dentro do campo. A incapacidade empática entre estes dois jovens criativos é tão gritante que, ou Paulo Bento concilia água e azeite, ou o melhor será prescindir de Nani para o playoff. 

- Octávio Ribeiro, jornal Record, 19 de Outubro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Afonso de Melo: Pinto da Costa não mete medo a ninguém



1. Há as encomendas - de entrevistas, de faixas de Campeão, de árbitros amigalhaços para fazerem os fretes do costume, e há as comendas das ditas encomendas. O presidente da Major República de Gondomar aplicou ao presidente do Porto uma comenda de bem comer ou uma bebenda de bem beber, para o caso pouco importa. Foi bonito. Primeiro porque os personagens se merecem amplamente um ao outro; depois porque foi na comarca de Gondomar que o presidente do Porto se tornou no «Campeão Nacional dos arguidos do Futebol português». O único título, ao que sei, que recusa generosamente e pelo qual, também generosamente, resolveu chamar-me a tribunal.

2. E é através dos tribunais, geralmente situados a Oeste de Pecos, que me vou apercebendo da refinadíssima sensibilidade do presidente do Porto. Aborrecido, amachucado, angustiado (segundo testemunhas suas) por uma frase vaga de um artigo meu, que referia haver gente que continua a meter medo nas redacções dos jornais, seguro de que era o alvo único de tão arrasadora pilhéria, avançou de novo para o colo dos juízos à procura de conforto. Acho que ainda vou ter de afirmar na barra que, na verdade, ele não mete é medo a ninguém.

3. Fico a saber - sim, porque não faço tenções de lá pôr os pés - que o museu do Porto, que já foi inaugurado mas estranhamente ainda não abriu, tem um carro pendurado num dos tectos. A imagem trouxe-me à lembrança uma velha viagem de finalistas a Torremolinos. Havia uma discoteca, chamada Piper's, que tinha uma moto pendurada sobre a pista de dança. Para a canalha com pouco mais de 16 anos era um sucesso. Depois crescemos e a ideia que fica é que é simplesmente parolo. Muito parolo! 

- Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 18 de Outubro de 2013

António Varela ataca Paulo Fonseca: Perdeu vontade própria e tem falta de fair play


Ninguém percebeu exatamente qual o nível de detalhe que Paulo Fonseca exige para poder observar a cuspidela de Josué em Luís Dias do Arouca, mas tornou-se óbvio que, depois das declarações feitas ontem, nem o microscópio mais potente lhe permitiria alcançar a precisão do jato salivar. Simplesmente, o treinador do FC Porto recusa ver aquilo que os órgãos disciplinares entenderam punir com um jogo de castigo e 383 euros de multa.

A penalização de Josué foi curta, mas o alcance das palavras de Paulo Fonseca é longo. Na verdade, há fenómenos que jamais mudarão, tal o nível de aculturação dos profissionais contratados pelo FC Porto, por muito encartados que sejam. Perdem vontade própria, deixam até de ver aquilo que não lhes convém: faltas inexistentes a punir o V. Guimarães; comportamentos reprováveis dos seus jogadores. Mas não deixam de ampliar o que lhes fere a alma: penáltis inventados no Estoril; golos em fora-de-jogo do Atlético Madrid. A isto chama-se falta de fair play, desrespeito pelo adversário e pelo público.

Nesta errância não entrou Leonardo Jardim, ao declarar cruamente que os treinadores dos três grandes não devem queixar-se das arbitragens, por serem normalmente os mais beneficiados. E não poupou nas palavras: "Seria uma hipocrisia". Tal franqueza valeu-lhe elogios de norte a sul; mas também algumas censuras internas no Sporting mais radical, que não tolera um treinador anjinho na chefia do futebol e clama por justiça no prejuízo, assobiando para o lado no benefício.

Depois do trajeto brilhante no P. Ferreira, pontuado por uma liderança certeira, sem espaventos, e pela competência que o FC Porto entendeu não deixar escapar, Paulo Fonseca deixou-se apagar por uma máquina uniformizadora que castra a iniciativa dos seus, e transformou-se na última grande deceção do futebol português, tal e qual um "paineleiro" das televisões, capaz de ver apenas consoante a cor dos óculos que leva postos. Mais do mesmo.

Jorge Jesus afirmou ontem ter consciência da sua atuação no relvado de Guimarães, pedindo para que os órgãos disciplinares não o transformem em caso exemplar. Já vai tarde. O treinador do Benfica nunca deve perder o sentido da responsabilidade que é liderar a equipa de futebol do clube onde os adeptos são muitos milhões. Mal ou bem, Jesus já sentirá o efeito de sopro de um sistema que busca incessantemente a regeneração. Castigado Josué num "timing" decente, dificilmente haverá contemplações para um treinador-judoca em defesa de adeptos invasores do relvado. 

-António Varela, jornal Record, 18 de Outubro de 2013

Video: Grande entrevista de Maxi Pereira à Benfica TV

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Leonor Pinhão: Peço desculpa a Nuno Marçal


Não me importa se a sopa estava a ferver, ou morna, ou fria. Não me importa se o basquetebolista Marçal do Maia Basket é o mesmo basquetebolista Marçal do FC Porto que tanto se enervou quando o Benfica foi ganhar o campeonato da modalidade na casa do Dragão. Já passou, já lá vai.

O que se passou no restaurante Terceiro Anel, para além do pecado do desperdício, foi mau. Mau para o Benfica que, alheio ao incidente como ninguém duvida, vê o seu bom nome envolvido numa cena a todos os títulos lamentável.

Pela parte que me toca, e eu não estava lá, peço desculpa ao basquetebolista Marçal. Faço-o com toda a franqueza. Não sou nem mais nem menos benfiquista do que os discóbolos da sopa. Sou apenas pelo Benfica e pela civilização. As duas coisas ao mesmo tempo, de preferência. 

- Leonor Pinhão, jornal A Bola, 17 de Outubro de 2013

Pedro Santos Guerreiro: Toni é que sabe


Toni afirmou há dias, num debate na Benfica TV, que Portugal está cheio de treinadores de bancada, gente que tem mania que sabe de futebol e não se coíbe de opinar sobre os jogos, as equipas e as cores das botas. E para ilustrar esta afirmação, Toni deu um exemplo concreto: eu. Fez muito bem.
Fez mesmo bem, não estou a ironizar, não há melindre. Toni disse que até eu, um jornalista económico, falo de futebol. E brincou dizendo que ele próprio também gostaria de comentar a economia. 

Toni tem razão: não dei conta que algum jornal tenha convidado um treinador de futebol para comentar a proposta de Orçamento do Estado que há dois dias a ministra das Finanças apresentou à Assembleia da República.

No meu caso, a humildade é prévia: nesta coluna escrevo quase sempre sobre aspetos da economia do futebol. Felizmente (às vezes infelizmente) nunca, me falta assunto. Os adeptos não têm hoje como não estar atentos a aspetos essenciais ao equilíbrio financeiro dos clubes, aos salários dos jogadores, às suas dívidas, receitas e custos. Só muito raramente escrevo sobre jogos e normalmente só para celebrar um feito da Seleção Nacional ou uma conquista europeia de um clube. Mas se me perguntarem o que acho de extremo-esquerdo qualquer, respondo na ponta da unha, com mais certezas do que Copérnico tinha sobre a centralidade do universo.

O futebol é assim, vive de paixões e de envolvimento. É natural que isso seja irritante para quem tenha estudado, para quem faça disso profissão, para quem tenha triliões de horas de jogos com braçadeira de treinador. Mas é também isso que enche estádios, que faz abrir as goelas, palpitar o coração ou gelar o sangue. 

Os jogadores fazem rolar a bola, os treinadores fazem mover as equipas e os adeptos fazem girar os clubes. E não falta quem, já agora, avalie os árbitros. Começando pelos... treinadores.

Já agora: na economia não é assim tão diferente. Não há cão nem gato que não dê opinião sobre impostos, desemprego ou PIB. E neste caso, mesmo que se digam muito erros, ainda bem. Porque é importante que sintamos o que nos rodeia como nosso. 

- Pedro Guerreiro, jornal Record, 17 de Outubro de 2013