quarta-feira, 16 de outubro de 2013

José António Saraiva arrasa Selecção: O lote em que Paulo Bento apostou já deu o que tinha a dar



A Seleção portuguesa, às vezes tida como das melhores do Mundo, tem-se mostrado banal.

A espinha dorsal é constituída por Rui Patrício, Pepe, Moutinho e Ronaldo. 

Ora, Patrício tem cometido monumentais erros, e são raras as grandes prestações de Ronaldo na Seleção. Fica às vezes a ideia de que a equipa joga melhor sem ele do que com ele, como ainda se viu ontem em vários momentos. É preciso aproveitar melhor o nosso craque.

Pepe e Moutinho são casos diferentes: o primeiro já fez jogos em cheio (mas começa a estar velho) e o segundo é um pêndulo - um jogador em que se pode sempre confiar, uma formiga, alguém que, não fazendo coisas do outro mundo, tira em qualquer equipa o lugar a outros teoricamente mais brilhantes.

Quanto aos restantes, são jogadores medianos. São úteis aos clubes onde jogam, mas nunca entrariam numa seleção de topo. André Almeida, Antunes, Micael, Hugo Almeida, Ricardo Costa, Veloso, Varela, Josué, Postiga são apenas jogadores "jeitosos". Nani é um superdotado, mas demasiado intermitente.

Nos últimos dias vi várias seleções a jogar, e a nossa foi das mais pobres. A russa é claramente superior, a alemã nem se fala, a espanhola idem, mesmo a belga, para não falar das sul-americanas como a argentina ou a brasileira. Quando vemos a seleção argentina percebemos o abismo que nos separa dela, individual e coletivamente. Messi, Higuaín (que não alinharam no jogo que vi), Di María, Lavezzi, Kun Agüero, Palacio dão show em qualquer estádio. Atente-se ainda na Colômbia, que tem Jackson Martínez no banco (quando nós temos Hugo Almeida ou Postiga a titulares). Isso dá bem a medida das nossas limitações.

À nossa Seleção falta quase tudo: qualidade, velocidade, intensidade, capacidade de concretização e solidez defensiva. Assim, está na hora de fazer uma "revolução da juventude", como aquela que o Sporting fez com tão bons resultados. Lancem-se jovens que estão a dar boas indicações - como Bruma, William Carvalho, Adrien, André Martins -, juntem-se-lhes alguns esquecidos como Danny ou Vieirinha, e refaça-se a equipa.

O lote em que Paulo Bento apostou durante muito tempo já deu o que tinha a dar, como foi claro no jogo contra Israel. 

- José António Saraiva, jornal Record, 16 de Outubro de 2013

Rui Dias: Siqueira já matou fantasmas e é o melhor desde Coentrão


Apesar de ainda não ter prestado todos os esclarecimentos, bastou-lhe ser competente e dominar a função para ser muito melhor do que todos os seus antecessores desde Fábio Coentrão

1. O campo de futebol é como um palco: tem espaços e papéis reservados aos grandes artistas, outros a figuras secundárias em busca de reconhecimento e outros ainda onde (a quem) se exige apenas eficácia. É o caso das faixas laterais recuadas, onde a obrigação de cumprir regras específicas é mais importante que o desejo de brilhar; onde cada um precisa de disponibilidade mental para entender que, só por acaso, os holofotes iluminarão terrenos condenados, à partida, a viver na sombra das mais sublimes interpretações. Sendo certo que as grandes peças dependem menos dos atores secundários e muito mais dos grandes protagonistas, há casos extremos em que o mau desempenho em zonas periféricas à ação principal dita o insucesso final da obra. No Benfica, a esquerda defensiva foi um problema de difícil resolução até à chegada de Siqueira.

2. Naquele corredor maldito, que as circunstâncias transformaram num trilho de fatalidade para quem o percorria, o brasileiro recusou ser engolido pelas areias movediças que foram fazendo vítimas sucessivas entre as águias. Jogador de fama fugidia, Siqueira está a impor-se pela solidez do saber, pelo brilho da prudência e pelos privilégios de homem quase invisível no desempenho de uma função na qual os antecessores deram nas vistas por maus motivos. Em pouco tempo já matou os fantasmas domésticos que atormentaram jogadores mais ou menos experientes, com mais ou menos talento, mais ou menos adaptados, lote do qual fazem parte Shaffer, Carole, Capdevila, Emerson, Melgarejo, Luisinho e Cortez, entre outros.

3. Siqueira é um lateral que domina os princípios básicos da tarefa, assente em virtudes medicinais que acalmam os espíritos mais agitados: sabe viver atrás e à frente; tem aventura para ir e responsabilidade para voltar; joga bem com a bola e conhece as regras que o orientam quando está longe dela; articula os movimentos com o lateral do lado oposto, pelo que tanto se revela em ação ofensiva como em apoio aos centrais. Orientado por energia convincente mas ao mesmo tempo por uma atitude serena; frenético em ação mas emocionalmente equilibrado; empreendedor mas inteligente nas decisões que toma, domina a cartilha dos laterais, adaptando qualidades técnicas e táticas às necessidades de quem está obrigado a sobrepor discrição à exuberância.

4. O brasileiro trouxe a solução discreta e eficaz para os problemas que outros criaram por falta de qualidade ou desenquadramento. Não é um jogador extraordinário, está ainda por confirmar se será um lateral-esquerdo de topo europeu e, aos 27 anos, também já não será alvo de negócio milionário, condição muitas vezes exigida pelos clubes portugueses na hora de investimentos avultados. Apesar de ainda não ter prestado todos os esclarecimentos para uma avaliação definitiva, bastou-lhe ser competente e dominar a função para ser muito melhor do que todos os antecessores desde Fábio Coentrão. Sobre os quais, antes mesmo de dar o primeiro pontapé na bola com a águia ao peito, já tinha vantagem que o punha a salvo de quase todas as dúvidas: o interesse do Real Madrid que quase o desviou da Luz para o Bernabéu. 

- Rui Dias, jornal Record, 16 de Outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Top 10 Desportistas mais bem pagos do Mundo; Cristiano Ronaldo em 9º lugar



João Querido Manha critica declarações de Pinto da Costa contra Paulo Bento



Há portugueses muito exigentes, capazes de catalogar sem piedade o trabalho de outros, sem se darem ao cuidado de analisar premissas nem condicionalismos. É uma desonestidade intelectual considerar ridículo gue Portugal fique fora do próximo Mundial, ainda mais incompreensível vinda de um presidente de clube com sérias responsabilidades na falência da formação durante a última década. Basta contar os jogadores formados pelo FC Porto que conseguiram chegar à Seleção principal nos últimos dez anos para encontrar um número realmente ridículo: Bruno Alves, Paulo Machado, Hélder Barbosa e, agora, Josué.

Há montes de razões para os resultados mais recentes da Seleção serem o que são, e temos obrigação de, juntamente com a Federação, baixar as expectativas para o ciclo atual que envolve riscos muito elevados de falhar a presença na fase final do Mundial do Brasil. Se os dois últimos mata-mata foram relativamente desafogados, o próximo encerra perigos muito grandes: adversários melhores e, sobretudo, uma Seleção portuguesa cada vez menos competitiva.

Habituados a grandes equipas e a gerações de ouro sucessivas, os adeptos portugueses entendem mal que, de repente, os níveis de exibição e os resultados da Seleção sejam inferiores e desatam a criticar a "atitude" dos jogadores. Parece que jogam mal, porque querem, ou porque são mal dirigidos, ou porque não estão para se maçar. É tão curioso que nunca se discuta abertamente a qualidade real dos jogadores à disposição de Paulo Bento como a capacidade de perdoar os erros sucessivos, não apenas de Rui Patrício, que descambaram no empate com Israel: tivesse sido erro do árbitro e, pelo contrário, a incapacidade para perdoar seria total.

Atentemos apenas num pormenor curricular que distingue os jogadores escolhidos pelo selecionador para esta partida decisiva: quatro (incluindo os estreantes André Almeida e Josué) disputam a Liga dos Campeões e outro pode vir a disputá-la, três estão na Liga Europa e os restantes seis, pura e simplesmente, estão fora das competições europeias. Arrisco-me a adiantar que nenhuma seleção apurada diretamente ou para o playoff apresenta, nesta altura, tão reduzida experiência internacional. Cristiano Ronaldo chamou-lhe falta de maturidade.

A maioria dos jogadores selecionáveis atua em clubes de segunda ou de terceira linha, e é tempo de se deixar de olhar para a Seleção pela dimensão de Cristiano Ronaldo. Sem ele, já não teríamos ido ao último Mundial. 

- João Querido Manha, jornal Record, 14 de Outubro de 2013

Sócios do Benfica rendem 14 milhões de euros/ano


Os sócios do Benfica contribuem todos os anos com 14 milhões de euros para o orçamento do clube. A revelação foi feita pelo diretor comercial e de marketing dos encarnados, Miguel Bento, numa entrevista ao jornal brasileiro Estado de São Paulo.

Miguel Bento sublinhou que a verba proveniente das quotas aumentou a partir de 2005. "Nesse ano lançámos um novo conceito, o de que ser sócio do Benfica não significava apenas pagar mais barato o ingresso e poder votar no presidente. Fizemos um trabalho de fidelização", explicou.

O Benfica tem atualmente cerca de 233 mil associados.

-Noticia retirada do site Relvado

António Magalhães: Plantel do Benfica prefere o salário à qualidade do futebol


No Benfica, quando Jesus está no epicentro do sismo, o presidente também vai sentindo as réplicas subsequentes. Nada mais conveniente do que ter o capitão de equipa a dizer que os jogadores correram por ele no Estoril. 

Com clareza, percebeu-se quais são as preocupações do plantel: a garantia do salário à frente da qualidade do futebol. Que artistas!

-António Magalhães, jornal Record

Nuno Marçal agredido no estádio da Luz


O jogador do Maia Basket jantava num restaurante do Estádio da Luz, com a restante comitiva da equipa nortenha que participou no Troféu António Pratas.

Jogadores do Maia Basket, que se encontravam na Luz a disputar o Troféu António Pratas, foram insultados quando se preparavam para jantar. Nuno Marçal terá mesmo sido agredido.

Depois de ter perdido a meia-final do Troféu António Pratas para a Ovarense (72-64), a saída do Maia Basket do complexo da Luz, palco desta fase final, não foi pacífica.

Tudo se passou na noite de sábado, quando os maiatos estavam a iniciar o jantar no restaurante indicado pela Federação Portuguesa de Basquetebol, situado no Estádio da Luz, e um grupo de adeptos do Benfica se aproximou, insultando a equipa, em particular o jogador Nuno Marçal.

O jogador de 37 anos, que passou grande parte da carreira ao serviço do FC Porto, terá mesmo sido agredido, obrigando a equipa a abandonar o restaurante e a precisar de escolta policial até à A1.

O clube, este ano estreante na Liga Portuguesa, vai agora fazer uma exposição à Federação, à Associação de Basquetebol do Porto e ao Benfica.

-Noticia retirada do site do jornal O Jogo

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

João Malheiro: Benfica desunido conduz fatalmente à tragédia

 

Horas antes do Estoril-Benfica, tertúlia vermelha, na minha zona de residência. Muito, mas muito ceticismo. Ripostei com firmeza. "Vamos ganhar". Ouvi críticas, demasiadas críticas. Percebi o desalento, depois do empate com o Belenenses, da derrota em Paris. Continuei a objetar. Fui convincente? Não sei, não sei mesmo.

Sei que o Benfica, pouco depois, bateu o seu oponente, num jogo sem casos, disputado num dos recintos mais complicados da nossa atualidade futebolística. Foi uma exibição deslumbrante? Não foi. Foi um triunfo inequívoco? Foi mesmo. Na mesma roda de comparsas, fizemos a retrospetiva do embate. Voltei a ouvir censuras, muitas censuras. Insisti na réplica. Socorri-me de vários exemplos do nosso historial. Fui convincente? Não sei, não sei mesmo.

Sei que o Benfica é um universo numeroso, disso tenho orgulho incontido. Sei que o Benfica tem adeptos com opinião, muitas vezes desencontrada, disso tenho consciência irreplicável. Mas também sei que um Benfica desunido conduz, fatalmente, à tragédia. Disse-o em tom altissonante. Fui convincente? Sei, sei mesmo que fui.

Um benfiquista, por mais desassossegado que esteja, não pode, não deve, utilizar argumentos de um portista ou de um sportinguista. Tem direito a opinar? Tem, com certeza. Mas, mais do que tudo, tem o dever de procurar fazer a defesa do seu superior património emocional. 

Os melhores benfiquistas reconhecem-se nos piores momentos. Como? Não descrendo. Antes, querendo. Antes ainda, crendo. Sempre. Sempre mesmo. 

- João Malheiro, jornal 'O Benfica', 11 de Outubro de 2013

Afonso de Melo apelida presidente do Sporting de "rapazito excitado"


Um rapazito excitado e meio histérico que se rebola de gozo por dar um chutos na bola com profissionais que não têm outro remédio senão aturá-lo embora seja, pelas costas, motivo de chacota, disse do alto da sua inexistência: «Rui Costa? Não conheço.» 

Cópia barata do Madaleno, não surpreende pela ignorância. Também não sabe quem é o Manuel Femandes. 

- Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 11 de Outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Carlos Barbosa da Cruz: Ivan Cavaleiro em Inglaterra já estaria na ribalta

 
 
Confesso que, mesmo antes de fazer primeira página no Record, já me tinha apercebido das qualidades do Ivan Cavaleiro. Tive oportunidade de seguir as suas exibições na Seleção Sub-21, onde tem lugar cativo e se destacou pela capacidade de explosão e de finalização. E convenhamos que nessa Seleção, a mais promissora da última década, é dificil sobressair, porque a qualidade é alta. 

Ao ver o Benfica a jogar, no passado domingo, no Estoril, dei comigo a pensar por que motivo o Ivan não era chamado à primeira equipa,· porque seguramente faria melhor e mais empenhadamente do que muitos que a integraram. 

Ivan Cavaleiro já é uma estrela, mas joga na segunda equipa do Benfica; se fosse em Inglaterra, estava na ribalta. Faz alguma confusão a aposta do Benfica em jogadores, de valia não evidente - isto para ser benévolo na sua qualifícação - em detrimento da sua formação. Acho que o Benfica, fruto da sua política de contratações, é refém daquilo que eu chamo o "síndroma da amortização", traduzido no seguinte silogismo, se o jogador é caro, logo é bom, se é bom, logo tenho de o pôr a jogar.

Esta postura leva a resultados paradoxais, como sejam o Benfica praticamente não ter jogadores na Seleção, mas há jogadores do Benfica na Seleção. Com efeito, o Nélson Oliveira e o Pizzi são recorrentemente convocados, mas por misteriosos desígnios, não jogam no Benfica; no Benfica jogam o Sulejmani, o Ola John, o Rodrigo, o Djuricic ou o Funes Mori, numa espécie de Benetton futebolístico, seguramente ao gosto de empresários e fundos de investimento, mas que tenho dúvidas que aproveite ao clube. 

Explico porquê; fruto das contingências financeiras, onde antes havia sobretudo qualidade, hoje há sobretudo quantidade e, sendo assim, torna-se mais difícil montar uma equipa, para mais com o impedimento dos jogadores mais talentosos como o Salvio e o Markovic.

Sei, como sportinguista, a frustração que sentia em ver o Wilson Eduardo, o Adrien e o Cédric, jogadores feitos, a assinar grandes exibições nas equipas em que estavam emprestados, e o Sporting a arrastar-se com as suas contratações a granel da época Duque/Freitas. Depois, interrogo-me como um clube que fez a sua glória sob o lema de ser a equipa mais portuguesa de Portugal, hoje assume ser o paradigma do seu contrário. O Benfica há de perceber, como o Sporting o fez dolorosamente, que é preferível a todos os títulos, promover os jovens talentos a tapar os seus lugares com contratações de segunda categoria. A última grande estrela da formação do Benfica dá pelo nome de Rui Costa e isso faz pensar. 

- Carlos Barbosa da Cruz, jornal Record, 10 de Outubro de 2013

Leonor Pinhão contente por Lima ter falhado penalty na Amoreira


A vitória no Estoril foi suada e justa. O jogador de que mais gostei foi do Lima. Como, se até falhou um penalti? - perguntam-me os senhores.
Ora, precisamente, por ter falhado um penalti é que eu gostei do Lima. Era crucial falhar aquele pontapé. Como terão tido a oportunidade de ver, o lance que deu origem ao castigo foi mais do que duvidoso à luz da interpretação atual desse tipo de situações de bola na mão ou de mão na bola na área.
Que foi bola na mão, foi. Mão na bola que não foi, embora a bola se tenha desviado da sua trajetória natural depois de ter embatido na mão de um jogador do Estoril.

Uma coisa é certa: tivesse o lance ocorrido no meio do campo e o árbitro, qualquer árbitro, teria marcado falta. Tendo acontecido na área, aí entram logo as novas teorias que, conforme dá ou não dá jeito, ou se aprovam ou se reprovam.

Pode ser que, um dia destes, Pedro Proença vá até ao Seixal dar uma lição sobre este tema candente aos jogadores do Benfica. Quanto ao Lima, está dispensado da aula. Ele sabe da matéria. Está atualizado. Viu, como muitos vimos, que não houve pecado na área do Estoril e quando foi marcar o castigo decidiu, e bem, que daquilo não podia nascer nenhum golo sob pena de sermos mais tramados no futuro próximo, para compensar o benefício na Amoreira.

Explico-me melhor: com 5 pontos de atraso em relação ao líder e depois de sofrer espoliamentos múltiplos nas primeiras jornadas da Liga, só faltava ao Benfica, para piorar as coisas, marcar um golo beneficiando de uma má decisão do árbitro para, depois, ter de passar o resto do campeonato a suportar remoques por causa de um tal penaltizinho no Estoril.

Fizeste bem, Lima. Bola para um lado, guarda-redes para o mesmo lado. O Lima tem consciência política, qualidade sem a qual não se faz nada de jeito.

-Leonor Pinhão, jornal A Bola, 10 de Outubro 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Luís Freitas Lobo: Problema são os egos no balneário e um treinador que aceitou viver no meio deles


O poder de um treinador pode ter diferentes origens mas só pode ter um (duplo) suporte: a sua personalidade e um clube que o respeite. Por isso se fala tanto de como simples treinadores ganham num lado e outros, ditos grandes treinadores, perdem noutro.

A personalidade desse treinador nunca deve oscilar em função das circunstâncias. Entre a imagem de Jesus no banco nas suas primeiras épocas no Benfica, aguerrido e motivado, e a atual, introspetivo e parado, existe um abismo emocional. Um abismo que espelha a sua transformação interior fruto do exterior que o rodeia. Ficar num balneário feito um campo de minas com Cardozo no meio é diferente do balneário original onde entrou para impor autoridade, uma palavra que hoje se perde por entre um entorno (atmosfera que o rodeia) que se antes o respeitava e temia, agora ataca-o e desconfia dele.

Jesus aceitou ficar nestas condições e agora paga um preço alto por isso. O futebol do Benfica e seu pretenso (muitas vezes real) mau momento pode, assim, ser analisado em dois prismas: o meramente tático (futebol puro) e o político-emocional (mais complexo). Nesta visão bífida da realidade, o pior que pode acontecer a um clube é perceber que os problemas extra-relvado são mais difíceis de resolver do que aqueles que sucedem dentro do campo taticamente.

No plano tático, o maior equilibrio defensivo que Fejsa podia dar jogando a pivô esbarrou no bloqueio de movimentação que Matic sentiu e revelou ao passar a posicionar-se mais à frente. Estranho para um jogador que, no fundo, estava a regressar às suas origens. 

Jesus corrigiu essa sua opção mas a equipa choca agora com outro problema para soltar o futebol ofensivo que sempre gostou: faltam extremos. A lesão de Salvio foi um tiro no coração da dinâmica atacante do onze. Ola John é uma aposta cada vez mais ténue, parece que regrediu esta época e Markovic não é, claramente, um avançado de faixa. 

Neste contexto, o melhor jogador, capaz, ao mesmo tempo, de estabilizar o jogo posicional da equipa em posse nos últimos 30 metros como, logo depois, surgir a desequilibrar pela faixa, é Gaitán.

O mais perturbante, porém, é sentir que, ao falar-se (ou, neste caso, escrever) sobre a equipa e suas questões táticas, se está, no fundo, a distanciar a análise do verdadeiro problema que afeta (e condiciona) hoje a equipa. Os egos do balneário a baterem com a cabeça no teto e um treinador que depois de empurrado pelo goleador aceitou viver encurralado no meio deles.

Uma liderança fragilizada é coisa que não existe. Ou se é líder (se se tem condições para o ser) ou não. Se as condições para Jesus continuarem a esgotar-se, a responsabilidade será tanto dele como de quem tinha a obrigação de quando apostou tanto nele ter-lhe criado essas condições externas em face da fragilidade em que ele estava. 

Um presente futebolisticamente envenenado envolto em milhões de euros. É possível? 

- Luís Freitas Lobo, jornal A Bola, 9 de Outubro de 2013

Luís Pedro Sousa critica qualidade dos sérvios do Benfica

 

Qualquer leigo na matéria interroga-se ao consultar a classificação do Grupo A da fase de qualificação para o Mundial'2014. A curiosidade inicial motivada pelo facto de metade do onze da Sérvia ser constituído por jogadores do Benfica, é rapidamente substituída por um sentimento de estranheza, pelo menos para quem ainda não reparou que grande parte dos reforços dos encarnados tiveram, até agora, desempenhos muito aquém das expectativas.

A Sérvia está definitivamente arredada da prova organizado pelo Brasil. Soma 11 pontos em 9 jogos, contra os 17 da Croácia e os 22 da Bélgica, que ainda só disputaram 8 partidas. Sabendo-se que Sinisa Mihajlovic conta com várias estrelas do futebol europeu na sua equipa, como Ivanovic, Nastasic, Vidic (quando não está lesionado...) e Kolarov, o exercício descrito no início do texto só pode levar à conclusão de que há alguém do meio-campo para a frente que não preenche os requisitos mínimos de qualidade, independentemente das vicissitudes com que a equipa sérvia se tenha deparado nesta campanha.

Este é, de qualquer,forma, só um dado, que, juntando a tantos outros já mais do que dissecados, ajuda a compreender o frouxo início de época do Benfica. É óbvio que muitos deles são jovens em período de adaptação, mas também não é menos verdade que os indícios não são nada animadores. Aliás, o facto de os encarnados terminarem o jogo com o Estoril sem qualquer reforço sérvio em campo não é obra do acaso nem das puras coincidências que o futebol se encarrega de menorizar.

Se analisarmos os reforços sérvios caso a caso, sem desperdiçarmos o mesmo tempo e o mesmo espaço que o Benfica gastou com os familiares de Matic e Markovic, deparamo-nos com o primeiro grande flop: Mitrovic, que mostra ser inferior aos suplentes Steven Vitória e Jardel, encontrando-se assim a anos-luz de discutir um lugar com Luisão ou Garay.

Mas mesmo aqueles que chegaram com credenciais estão a desiludir. Sulejmani tem lesões sucessivas, Djuricic não mostrou qualidade suficiente para obrigar Jorge Jesus a encontrar um sistema tático que o absorva e Fejsa, apesar dos inegáveis atributos, acaba por secar um Matic bem mais útil e confiável. Por último, surge o caso insólito de Markovic, um jovem craque que parece feito de cristal, tal o historial de lesões musculares que o persegue. 

Compete agora aos responsáveis do Benfica mostrarem os seus conhecimentos no que diz respeito à preparação e recuperação física de atletas. A equipa precisa do talento deste sérvio. 

- Luís Pedro Sousa , jornal Record, 9 de Outubro de 2013

José António Saraiva: Problema do Benfica é o fraquíssimo rendimento dos corredores laterais


É notório que o Benfica perdeu a alegria de jogar. Antes era uma equipa que fazia constantes cavalgadas, marcava um golo e ia à procura do 2.°, do 3.°, do 4.°... Mas os comentadores começaram a dizer que a equipa devia ser mais calculista e Jesus terá ido um pouco na conversa.

Além disso, nesta época, julgo que Jesus se desorientou com tantas opções. Veio uma mão-cheia de sérvios que ele quis pôr a jogar e, como não saiu ninguém, Jesus lançou-os à pressão. E os sérvios, em vez de servirem para melhorar o rendimento da equipa, funcionaram como grãos de areia numa máquina que carburava bem.

Mas o problema principal é outro - e está nos corredores laterais. A dinâmica do futebol de Jesus assentava nas combinações constantes entre os defesas e os extremos do mesmo lado. O Benfica já teve grandes pares nas alas, como Fábio Coentrão/Di Maria ou Maxi Pereira (em melhor forma)/Salvio, mas agora não tem.

A verdade nua e crua é que, apesar de tantas compras, o Benfica não conseguiu resolver o problema dos corredores, que ainda por cima se agravou muito com a lesão de Salvio. A equipa não tem laterais nem extremos para jogar como Jesus quer.

Vejam-se os defesas: Maxi está exausto, André Almeida e Siqueira são bons a defender mas fracos a atacar, Cortez é mau a defender, Sílvio lesionou-se cedo; quanto aos extremos, Salvio está no estaleiro, Ola John é para esquecer, Sulejmani não parece grande coisa, Urreta não se impôs, Gaitán não é um extremo típico, Enzo Pérez rende pouco junto à linha, Markovic na ala é um zero, Nolito saiu...

No fraquíssimo rendimento dos corredores laterais está o grande calcanhar deste Benfica. Por aí é que a equipa canalizava o seu jogo, abria as defesas adversárias e criava oportunidades que depois Cardozo, sobretudo, concretizava. 

Ainda hoje, sempre que as alas funcionam - vejam-se as jogadas dos dois golos no Estoril -, o Benfica parece outro.

O conjunto só se reencontrará se, à direita e à esquerda, surgirem pares de jogadores que combinem bem e sejam capazes de arrastar a equipa para a frente. Doutro modo, continuaremos a assistir ao mesmo futebol triste e pastoso. 

- José António Saraiva, jornal Record, 9 de Outubro de 2013

José Marinho e os elogios de Luisão a Vieira: É Vieirismo puro e duro


O Benfica está nisto! Depois de uma vitória suada frente ao Estoril, o capitão não encontra nada melhor do que dedicar a vitória ao presidente. Isto é vieirismo, puro e duro e não tem nada a ver com o Benfica e com a defesa dos seus interesses desportivos. 

Mas, como se não bastasse isso, para uma pessoa se desmoralizar facilmente, entramos no facebook e é todo um novo benfiquismo no seu máximo esplendor.

Desde benfiquistas que desejam a derrota do seu clube porque já não aturam mais o penteado de Jesus até aos benfiquistas desesperados porque o Benfica...ganhou. E, portanto, batem em tudo o que mexe. 

É claro que o Benfica jogou mal, por vezes, muito mal. Mas convinha, por decoro clubístico, que esta gente não esquecesse que é o Benfica que está ali representado por aqueles jogadores. Apetece citar Bill Clinton e lembrar a alguns que "É o Benfica, estúpido". 

Entre o vieirismo bacoco e este novo benfiquismo, venha o Diabo e escolha. E como estão as coisas até é melhor que nem seja um Diabo Vermelho.

-José Marinho, Facebook

Mozer lança criticas à estrutura do Benfica na Bola TV

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Redes Sociais: Benfica lidera no Facebook; FC Porto no Twitter


Nuno Santos deixa criticas a Bruno Carvalho por dizer que não conhece Rui Costa

 

Quando Bruno de Carvalho foi eleito presidente do Sporting, há pouco mais de meio ano, as dúvidas eram muitas. A maior parte eram legítimas, mas o o novo líder dos leões enfrentou também o preconceito de uma certa casta que tinha dominado o Sporting durante largo tempo e que, por outras razões, continuava - e continua - a ter uma forte influência em importantes meios de comunicação social.

Bruno de Carvalho já cometeu erros e injustiças - conheço com detalhe alguns casos - mas qualquer pessoa de boa-fé, seja de que clube for terá hoje de fazer um balanço altamente positivo do seu trabalho. Embora sem o brilhantismo que certa imprensa (mais papista que Papa...) relata, Bruno de Carvalho arrumou bem a casa, organizou as contas refazendo a inevitável ligação com a banca, meteu um certo baronato na ordem e fez uma aposta clara e consistente na formação para dar corpo ao futebol do Sporting. Não sei, neste último caso, onde começa a convicção e termina a necessidade, mas o facto é que o futebol do clube tem hoje uma identidade e, mais importante, ganha jogos correndo em pista própria para o título. Pelo menos é o que estes primeiros tempos parecem dizer.

Mesmo sendo externas à formação, as duas principais figuras da equipa - o treinador, Leonardo Jardim, e o goleador, Montero - encaixaram na perfeição neste modelo e materializam, cada um na sua área, um clube novo e muito diferente da tristeza, e por vezes vergonha, do passado recente.

Não sei qual é o passado profissional ou a experiência de vida de Bruno de Carvalho - e posso ser eu a estar mal informado - mas, com crédito indiscutível do seu lado, daqui sugiro ao presidente do Sporting que seja mais cauteloso nalgumas questões porque, na maioria das vezes, quanto maior é a subida... maior é a queda. Há muitos casos - no futebol mas não só - que estão aí para o confirmar. Ele, que tinha feito uma boa gestão do conflito com o FC Porto, foi agora simplesmente desastroso quando se referiu a Rui Costa. Por muito que ache que isso venha a dar-lhe ainda mais popularidade junto dos adeptos, Bruno de Carvalho não deve ser insultuoso com Rui Costa - uma figura de primeira linha do futebol em Portugal e que, em geral, é respeitado pelos adeptos de todos os clubes, precisamente por ter uma atitude correta. Foi sempre assim durante a sua carreira de futebolista. Aliás, brilhante carreira.

O dirigente do Benfica disse o que tinha a dizer - e bem, julgo eu - mas o presidente do Sporting não tem de estar de acordo com ele. Fica-lhe é mal dizer que não sabe quem é Rui Costa. Com trabalho feito em muitas áreas, Bruno Carvalho, até pela sua idade, pode protagonizar uma mudança de ciclo no tipo de dirigente desportivo que temos há décadas em Portugal. Será capaz? Eu aposto que não, mas estou disponível para dar a mão à palmatória. 

- Nuno Santos, jornal Record, 8 de Outubro de 2013

Luisão, em vez de correr pelo presidente, deve é correr pelos adeptos

 

Terminado o jogo com o Estoril, Jorge Jesus, em tom compreensivelmente aliviado, apressou-se a dizer que o "mais importante era a vitória", para logo acrescentar que o Benfica tinha "vencido um jogo difícil", num terreno onde os "adversários diretos perderam pontos". Em circunstâncias normais; a declaração faria todo o sentido e, verdade seja dita, o treinador do Benfica não podia dizer algo de diferente no rescaldo da partida. Esse é precisamente o drama.

O problema do Benfica hoje não é apenas a perda de pontos face a adversários mais fracos, é também uma questão anímica. De tal forma que, tudo somado, os resultados até têm sido melhores do que as exibições - como acabou por ser o caso na Amoreira ou em Guimarães com o Vitória.
Há, até ver, uma grande diferença entre esta temporada e as anteriores com Jesus ao leme. 

Nas últimas quatro épocas, o Benfica, quando não teve bons resultados, ainda assim apresentou um futebol exuberante e uma enorme capacidade de criar oportunidades de golo. O cinzentismo que acompanha as exibições do melhor plantel dos últimos 30 anos contrasta com o futebol dinâmico dos anos anteriores. Estamos perante um problema que não se resolve apenas com resultados. O Benfica precisa de ganhar, mas precisa também de jogar futebol. Coisa que, manifestamente, não tem feito. 

A sensação com que se fica é que equipa e treinador ficaram presos ao fatídico mês de maio. Resta saber se, depois das derrotas na praia e do caso Cardozo, Jorge Jesus será capaz de se libertar do espetro do mês de maio. Até agora, não foi.

P.S. Eu gostava que os jogadores, começando pelo capitão de equipa, em lugar de correrem pelo presidente, corressem pelos adeptos. Até porque jogadores e dirigentes, mesmo que venham a fazer parte da memória do clube, passam, enquanto o Benfica e os benfiquistas ficam. O Benfica somos "nós", sócios e adeptos, e não um capitão circunstancial, por mais empenhado que seja (e é), ou um presidente, por muito mérito que tenha (e tem). 

- Pedro Adão e Silva, jornal Record, 8 de Outubro de 2013