sábado, 24 de agosto de 2013

Presidente do Comité Olímpico de Portugal arrasa Luís Filipe Vieira


"Um bom treinador será sempre penalizado num clube com deficiências e carências organizativas. Mas um mau treinador não vence por melhor que seja a organização. 

O problema do futebol do Benfica é de ambos os domínios. Vive de memórias. 

E chegou tarde ao comboio dos tempos atuais e das exigências que a organização desportiva requer. Não procurou a qualidade, o conhecimento e a organização. Pensou que bastaria ter instalações, história, glórias, museu, massa associativa, uma águia amestrada, kits para sócios, construção civil, merchandising e o Eusébio. 

E começou a sobrar em discurso, em pose, o que faltava em êxitos desportivos. Perante as dificuldades optou sempre por um arrogante populismo. E num cenário de crise de resultados pelo anúncio de uma nova contratação. O resto - a ambição, a organização, a capacidade e competência de dirigentes e de treinadores – faria parte do seu código genético. Não era preciso selecionar, nem investir na escolha dos melhores. O resultado está à vista. E era previsível."

-José Manuel Constantino, Presidente do Comité Olímpico de Portugal, Facebook

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Silvio Cervan deixa aviso: "Não tenho vocação para adepto do Arsenal"

O Benfica jogou mal na Madeira e foi ajudado a perder. O FC Porto jogou mal em Setúbal e foi ajudado a ganhar. Assim posto, e sem nenhuma novidade, o Benfica sabia que para vencer na Madeira teria que jogar muito melhor e correr muito mais. Sabia, desde a nomeação de Jorge Sousa, que só um jogo perfeito daria três pontos. Assim sendo, o jogo pobre e sem chama fica muito mais inexplicável. 

Jorge Jesus é o alvo mais fácil, mas com a sua experiência ele sabe que tem que dar a volta por dentro e por fora. Veremos quem sai e quem entra até ao fim do mês, mas fica claro que Salvio e Markovic fizeram falta. Os adeptos estão sem tempo, com pouca paciência e não têm vontade de esperar mais por vitórias. O pior não são os 20 ou 30 que mostram lenços brancos, o mais grave são os 20 ou 30 mil que perderam vontade de ir ao estádio. 

Desta vez tem que ser a equipa a ajudar a dar a volta ao clube, e ao seu estado anímico. Precisamos de serenidade mas também de não nos afundarmos num mar de justificações. Nesta fase, só vitórias, muitas e seguidas podem fazer renascer a fé numa época como aspiramos. 

Ganhar ao Gil Vicente de forma clara,com uma exibição clara e categórica é o primeiro passo dos 29 que faltam. Vamos tratar deste primeiro passo. Eu que nunca assobiei o Benfica, que nunca mostrei lenços brancos, nem quero trocar de treinador todas as semanas, gostava de bater palmas de pé no fim do jogo de domingo e dizer «assim sim». Até para ouvir o sorteio da Liga dos Campeões, na próxima semana, é preciso o ânimo da vitória contra o Gil Vicente.

Ao fim de muitos anos voltamos ao pote 1, cabeças de série da Liga milionária. No ranking atualizado, somos a sexta equipa da Europa mas queremos mais, queremos ganhar títulos. 

Não tenho vocação para adepto do Arsenal, é sempre o que joga melhor e mais bonito, faz bons negócios, mas não ganha títulos. 

- Sílvio Cervan, jornal A Bola, 23 de Agosto de 2013

António Magalhães: Há problemas de gestão no Benfica que nem as belas palavras de Vieira resolverão

 

Ao fim do primeiro jogo, Luís Filipe Vieira “desceu” ao balneário. O alerta de perigo lançado pela derrota no Funchal obrigou o presidente do Benfica a dar um abanão. À equipa e ao treinador, porque não foi apenas uma questão de atitude que falhou no jogo com o Marítimo.

Não vale a pena insistir na ideia de que este cenário era previsível depois de tudo aquilo que aconteceu entre as finais perdidas pelo Benfica na última época e o passado domingo. As hesitações, as indefinições, os caprichos e os resultados registados na pré-época elevaram o risco da equipa, de Jesus e de Vieira. Um fracasso no arranque do campeonato, faria acionar o alarme. Assim aconteceu.

Agora que chegámos a esse momento, só há uma forma de evitar que o fogo alastre, sob pena de até aqueles que se julgavam a salvo das chamas poderem também sair queimados: ganhar os jogos e ganhá-los bem. Antes disso, porém, Vieira irá tomar uma posição pública. Obviamente, espera-se que a entrevista traduza a mensagem de exigência a que o Benfica está obrigado a corresponder, ao mesmo tempo que resultará num voto de confiança em Jesus. Não pode ser de outra maneira.

Sobram, porém, problemas de gestão, os quais as belas palavras e provavelmente nem sequer as vitórias conseguirão resolver assim com tanta facilidade. Há vários dossiês que continuam em aberto e que já deveriam ter sido fechados há muito tempo. Nalguns casos, a “ditadura” do mercado define timings que não estão em sintonia com os desejos dos clubes, mas a verdade é que o Benfica não pode andar todos os anos à espera que a lotaria lhe saia no último dia, ficando depois sujeito aos recursos disponíveis e à criatividade do seu treinador.

Peguemos no caso de Matic e nos efeitos que a sua saída pode ter, muito para além de aspetos técnicos e financeiros. Com um bloco sérvio tão numeroso, a intervenção de Matic, por aquilo que ele representa como ponto de equilíbrio e ponte de relações, seria fundamental. Com a sua partida não haverá até o risco de o plantel benfiquista balcanizar-se? Ora aqui está mais um desafio à capacidade de gestão de Jesus e do seu grupo.


-António Magalhães, jornal Record

João Querido Manha desmascara aproximação de Pinto da Costa a Mário Figueiredo


O clássico circuito de relações do futebol português nunca nos surpreende. Menos de seis meses depois de ter abjurado, tripudiado e deixado ameaças veladas à Liga por causa de uma questão meramente disciplinar que pôs em causa a continuidade da equipa na Taça da Liga, o presidente do FCPorto deixou-se fotografar numa tribuna presidencial com o outrora “candidato do Marítimo”. Aconteceu na mesma tribuna e poucos dias depois de ter deixado o presidente da Federação de mão estendida. Não podia ser mais explícito.

As relações de poder nesta divertida família gerem-se pela velha máxima da política de que é preciso fazer mudanças para que tudo fique na mesma.

Depois de ter provocado um cisma interno e o caos entre os aliados ao apoiar a candidatura de Mário Figueiredo, por razões difíceis de entender, o Benfica tirou-lhe o tapete ao tornar impossível de viabilizar a principal promessa eleitoral daquele, a da centralização dos direitos de televisão. Estavam unidos no objetivo de combater Joaquim Oliveira, mas os processos não podiam ser mais antagónicos.

Mas a concretização e aparente sucesso do projeto encarnado tornou-se assustadora para os principais adversários, ao reduzir o campo de manobra do controlo das imagens e da informação, que durante tantos anos esteve sob alçada do mesmo sistema. A única forma de combater esta força é recuperar o protagonismo entre os clubes. E a melhor forma de o conseguir poderia ser o dar a mão a um presidente de Liga à beira do precipício, depois de perder consecutivamente todas as ideias de reforma que foi lançando, desde os direitos de TV aos quadros competitivos, sem esquecer a falência da Taça da Liga, que já quis extinguir depois de a ter vendido a uma televisão por valores abaixo do futebol feminino ou do futsal.

Tratando-se de um “homem do passado”, como o presidente do FC Porto chamou a Mário Figueiredo no momento da eleição, fica por entender o que tem a oferecer, para lá de uma nova frente contra o Benfica, pois colide com os interesses de Joaquim Oliveira, acionista de referência dos clubes principais. Na verdade, parece mais uma boleia caridosa antes da estocada final, como uma última vontade de um condenado. O presidente da Liga está isolado, preparando-se para deixar a instituição sem concerto e sem futuro, no final do mandato.

A menos que do horizonte sombrio lhe tenha saído ao caminho um anjo salvador, um amigo para a ocasião.


-João Querido Manha, jornal Record

O "farol" que o treinador deve ser está tão apagado como naquele fatídico Domingo no Jamor


Desde a derrota de Domingo que o universo benfiquista não acalma. É difícil, para não dizer impossível. Ao consultar as declarações múltiplas que se foram produzindo, oriundas das várias "trincheiras", dá para perceber que o ambiente está perto do irrespirável. E pode complicar. É que o problema, antes de ser desportivo, é político.

Convém lembrar que Jesus continua no Benfica porque Luis Filipe Vieira assim o quis. O (triplo) desastre da temporada anterior, os joelhos assentes no relvado do estádio do rival, a contestação (muito) visível ao treinador no Jamor, a opinião de grande parte dos seus parceiros de direção, enfim, nada demoveu o presidente. Não sei se o "fantasma do Dragão" tem algo a ver - diretamente - com a renovação do técnico (e, se tiver, Vieira nunca o admitirá), mas a verdade é que Jesus assinou por mais dois anos um novo contrato de luxo e, além disto, ficou com uma capacidade de intervenção acrescida.

Vieira sabia que a aposta era de elevado risco e que esta opção jamais poderia ser desligada dele próprio. Parecia evidente que o ciclo tinha terminado e que só circunstâncias extremamente favoráveis poderiam operar uma viragem na nova época. Acontece que, entre uma temporada e outra, as condições tornaram-se quase surreais.

O exemplo do caso-Cardozo - que já era caso no fecho e que continua caso no início, com cerca de três meses de novela pelo meio - é a demonstração mais gritante de como se pode aumentar a confusão sem necessidade alguma. E o sai-não-sai de vários jogadores (que lá continuam) é outra forma elucidativa de como ficar dependente dos últimos dias de mercado pode ser um factor de instabilidade.

Assim, o que se passou na Madeira é uma consequência natural. Uma consequência, não a causa. A equipa encarnada esteve tão desconexa com o Marítimo como tinha estado com o V.Guimarães. Até parece que um jogo se seguiu ao outro, sem tempo para acertos ou mudanças de estado de alma. Quer dizer : o "farol", que o treinador deve ser, está tão apagado agora como esteve naquele fatídico domingo no Estádio Nacional.

Portanto, que fazer? Vieira está refém da promessa de não repetir o que fez a Fernando Santos. Sim, não despediu Jesus à primeira jornada, mas nada garante que não o faça mais adiante. Só que, se chegar a este ponto, é porque a situação ainda está pior do que nesta altura. Por outro lado, sair-lhe-à incomparavelmente mais caro do que quando abdicou do atual selecionador da Grécia. Além disto, tem a relação Jesus/Cardozo para gerir, sabendo que, mesmo com desculpas televisivas e multas pesadas, ter os dois no balneário jamais voltará a ser o mesmo.

Tudo indica - os sinais para tal apontam - que o presidente encarnado nada fará até ao final do mês. Porque o mercado só fecha nessa altura e porque, coincidência feliz para Vieira, também só no fim de agosto estarão esgotadas as três jornadas cruciais para uma decisão (Marítimo, Gil Vicente e...Sporting). Pode ser que o líder da Luz acredite no melhor dos cenários, o que passaria por triunfos de Jesus nas duas rondas imediatas e por uma proposta "aceitável" por Cardozo. Seria uma saída do beco em beleza.

O pior é se a tendência se mantém. Já se percebeu que, se Vieira não tiver a felicidade de tudo lhe correr na perfeição, em qualquer outro cenário, acabará por lidar com um tormento o resto da época. Com ele próprio sob escrutínio.

-Mário Fernando, Blog Jogo Jogado

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Bagão Félix outra vez ao ataque: Equipa do Benfica é um série inesgotável de equívocos


A construção da equipa do Benfica tem sido uma série inesgotável de equívocos. Entre os jogadores que eram para vir mas não vieram, os que apenas passaram pelo notário (Pizzi, Fariña) e os que não viriam mas já cá estão, a historieta Cardozo está nos antípodas do que se deveria ter feito. 

Sai sem perdão, pede perdão (talvez), (talvez) perdoado, (talvez) fique, (talvez) saia, treina à parte, não está inscrito, será inscrito (talvez), vem Funes Mori {talvez, o Cardozo dos remediados)...

Todos os dias se fala de um guarda-redes para competir com Artur (imagino o que este pensará) e Oblak desaparece em combate. Houve jogadores que, nos Barreiros, pareciam jogar com a cabeça numa próxima transferência, como dizendo «isto já não é comigo». 

Sobre a eterna saga dos laterais, cada vez mais me convenço que Cortez não serve para o Benfica (é assim tão difícil arranjar um lateral?). Melgarejo (um ano de adaptação a lateral) sai, volta a entrar, volta a ficar de fora. Jardel vai ser emprestado, depois fica na equipa B, afinal vai para o banco em vez de Lisandro ou Steven Vitória. Etc, etc. Até na pura diplomacia se ignorou, na saída sem glória, um senhor como Almar.

Escrevo com o pavor de Matic e Salvio poderem ainda vir a sair. São os melhores e... sem substitutos à altura.

Para além do mais, a época precisava de uma planeamento que pudesse casar entusiasticamente com os promissores passos de um projecto inovador e arriscado como é a transmissão de jogos na Benflca TV.

Embora há quem diga que Murphy era optimista (!), oxalá Murphy e sobretudo eu estejamos errados. O que, para mim, seria uma grande alegria. 

- Bagão Félix, jornal A Bola, 22 de Agosto de 2013

Vitor Serpa diz que falta à estrutura Benfiquista um elemento como Paulinho Santos

 

Luís Filipe Vieira parece ter tomado a opção de procurar a solução do grave problema que afeta o futebol do Benfica apostando na continuidade de Jorge Jesus. Isto é: o presidente decidiu que Jorge Jesus fará parte da solução, retirando-o ao problema. 

É uma decisão previsível para um gestor que não pode deixar de reconhecer que a decisão de afastar imediatamente o técnico teria consequências graves nas instáveis contas do clube.

Mas Vieira saberá que não basta uma visita ao Seixal e duas ou três conversas com os protagonistas exigindo-lhes que sejam responsáveis e profissionais. Mais do que nunca o futebol do Benfica precisa de alguém que seja uma ponte efetiva entre o treinador e os jogadores que têm, manifestamente, uma relação muito desgastada.

Se pensarmos na solução que o FC Porto encontrou quando percebeu a fragilidade de Vítor Pereira, logo chegamos ao nome de Paulinho Santos. No entanto, há duas questões decisivas. O FC Porto foi buscar Paulinho Santos como elemento de autoridade interna, mas o Benfica dificilmente encontrará alguém, relacionado com o clube, com perfil semelhante; depois, o regresso do Paulinho Santos aos dragões deu-se num enquadramento de uma organização profissional que o Benfica não tem, nem parece entender dever ter no seu futebol.

A decisão de Vieira em oferecer ao mundo uma demonstração de confiança em Jorge Jesus será sensata, mas insuficiente. O Benfica continua a pensar em demasiados jogadores e a pensar de menos na estrutura de organização do seu futebol profissional. Os seus rivais, em especial o FC Porto, agradecem. 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 22 de Agosto de 2013

Bagão Félix arrasador: Equipa desgastada psicologicamente, sonolenta, triste, desunida, sem confiança e sem rumo


É certo que os adeptos já estão habituados a não vencer na 1.ª jornada, desde a vitória de Trapattoni em 2004. Desta vez, porém, estava escrito nos livros. A lei de Murphy parece ter caído em cheio na Luz: se alguma coisa puder correr mal, correrá mal...

O Benfica começou desgraçadamente o campeonato, após uma pré-época que revelou, independentemente dos melhores ou piores resultados, uma descuidada instabilidade e um estranho amadorismo para todos os (des)gostos.

Curiosamente, o Benfica perdeu o jogo no Funchal onde, na época passada, o Benfica ganhando começou a perder o campeonato.
A equipa iniciou a Liga como se fosse a jornada seguinte à última da época passada. Desgastada psicologicamente, sonolenta, triste, desunida, sem confiança e sem rumo.

E tudo começou com o arrastamento corrosivo da decisão sobre o treinador, entre notícias de fortes divisões no seio da administração da SAD. Acabou por ser uma decisão de cariz muito centralizado, com os riscos que isso envolve. Jorge Jesus - que aqui sempre tenho apoiado - partiu para a nova época em estado de capitis diminutio e regime de tolerância zero, sujeito à mais ligeira contingência de cada minuto jogado. Aliás, bastou olhar para Jesus e verificar que não é o mesmo de antes. Ou para os jogadores e constatar que a empatia já não é a mesma. Acresce a ausência de alguém competente no balneário que não obrigue o treinador a estar sozinho na turbulência (dele e dos outros).

P.S. Algures, este meu desabafo e o de amanhã vão ser vistos como crítica destrutiva. Mas não o são. Constituem, apenas, o estado anímico a que, como benfiquista inconsolado, tenho direito... construtivo. 

- Bagão Félix, jornal A Bola, 21 de Agosto de 2013

Erros e mais erros: Renovação de Jesus, caso Cardozo e politica de contratações


Estar já nesta altura a questionar a continuidade do treinador do Benfica só não é sinónimo de ensandecimento porque o processo de renovação de Jorge Jesus foi mal conduzido e levou, juntamente com os resultados do final da temporada passada, a uma erosão que não parecia possível. Ainda assim, basta pensar um pouco para entender que os problemas não se centram apenas na manutenção do técnico e que há muito que tem de mudar se os encarnados querem um dia vir a ter uma estrutura que rivalize com a do FC Porto.

Vieira não podia ter renovado com Jesus após a mais trágica de todas as épocas. Não que o treinador não o merecesse, mas porque devia tê-lo feito antes, quando à decisão ficavam amarrados também os companheiros de direção e os adeptos, que na vertigem de vencerem tudo dariam também eles o sim de bom grado. Foi o primeiro grande erro. Os custos são altos e estão à vista.

Depois o caso Cardozo. Dinamitou a imagem de Jesus, a do clube e do próprio jogador. Não foi bom para ninguém, a não ser para o emblema que eventualmente ainda o consiga resgatar por meia dúzia de patacos antes de o mercado fechar. Aconteça o que acontecer, todos saem mais fracos. Era obrigatório tê-lo multado no dia seguinte aos incidentes do Jamor e sentá-lo na sala de imprensa a pedir desculpa a treinador, clube e adeptos pelo comportamento indecoroso. Depois, amigos como dantes, que no futebol são precisos os melhores e os melhores são muitas vezes os que marcam golos.

O mercado é outro paradigma de que há muito a melhorar. O Benfica voltou a gastar cerca de 30 milhões de euros em reforços e mesmo assim na primeira jornada, por equívocos de Jesus ou falta de equilíbrio na constituição do plantel, houve muitas opções que ficaram por entender. E se o Benfica tarda em encontrar alguém para dar luta a Artur – parece estar agora prestes a chegar Júlio César, escolha que tem muito que se lhe diga –, pior ainda, volta a fazer contratações incompreensíveis. Há negócios que têm de ter outras intenções que não as do simples reforço da equipa. Só assim poderemos tentar perceber negócios como Pizzi ou Fariña, que justificavam explicações aos adeptos, que não entendem a aposta em jovens logo recambiados para o mercado de onde vieram, ou pior, para o Dubai (?).

De momento o Benfica precisa de ganhar ao Gil Vicente e serenar. E Jesus rezar para que a SAD não lhe venda de repente Matic, Salvio ou Garay. Uma equipa não se constrói assim. Aprenda-se com os erros do passado.


-Bernardo Ribeiro, jornal Record

Jorge Jesus: Um gladiador que continua de joelhos na arena


Meu caro Jorge,

Da última vez que te escrevi disse-te que acreditava que a desgraça que te aconteceu na final da Liga Europa não devia – não podia – marcar o fim dos teus sonhos. Disse-te também que acreditava que um homem que suportou o que tu suportaste – os pelados inacreditáveis em que durante demasiados anos jogaste e treinaste antes de chegares ao Benfica; as descidas dolorosas de divisão; as subidas épicas de escalão com equipas menores – tinha de ter mais histórias para contar depois de uma época em que chegou a cheirar os calcanhares do paraíso e acabou ajoelhado num relvado a tentar perceber como escapar das chamas da inevitável paródia triste que sabia que se seguiria.

Sei que foi duro. Mas os duros, como tu dizes ser, normalmente levantam-se. E tu continuas de joelhos. Ainda não te ergueste, Jorge. Vi-te no último domingo, na conferência de imprensa depois do jogo com o Marítimo. Lembraste-me a figura de um gladiador romano acabado de ser humilhado na arena. Sabes o que acontecia aos gladiadores derrotados na Roma Antiga? Eram forçados a olhar para o camarote do presidente dos jogos e este, depois de ouvir a reacção do público presente, fazia uma de duas coisas: ou levantava o polegar e salvava o lutador, ou fechava a mão e, bom, sabes o que acontecia.

Neste momento, o público não está propriamente do teu lado, Jorge. Estás estendido na arena, desgastado por derrotas sucessivas. Luís Filipe Vieira tem sido clemente; indiferente ao clamor das massas. Mas, a continuares assim, prostrado, de joelhos, chegará o dia em que o polegar deixará de subir, colocando um ponto final numa história que não merecia acabar assim.

-Fernando Esteves, jornal Record

Pedro Santos Guerreiro: Vieira tem prometido muito mais do que aquilo que dá aos Benfiquistas


Uma jornada não é nada e, no entanto, pode ser tanto. O primeiro fim de semana desta época já deu para pôr a cabeça de Jorge Jesus no cepo, lançar suspeitas para cima da arbitragem do FC Porto e pasmar com o Sporting. O verão passou num instante.

A grande notícia é o arranque do Sporting. Podemos encontrar mil razões para desvalorizar o feito, da fragilidade do Arouca à sorte em alguns lances, mas é como dizer que o crescimento do PIB no dobro do que se esperava não foi uma coisa boa. Claro que foi. E claro que este Sporting mostra o que não mostrava há anos: garra. Falta-lhe consistência, ritmo, banco, essas coisas todas, mas Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim começam bem e merecem aplauso. Assim seja: que haja alegria e Sporting a sério neste campeonato em vez da tristeza listada de verde dos últimos anos.

O FC Porto beneficiou com a arbitragem mas mereceu ganhar. Não há muito mais a dizer: a equipa parece certa como um relógio suíço, eficaz como uma máquina alemã e endiabrada como uma festa sul-americana.

A má notícia é a do Benfica. A tolerância era muito baixa, depois dos três desaires finais (num final inexplicável) da última temporada. Luís Filipe Vieira já deve ter mandado lavar o chicote e Jorge Jesus já deve ter as costas frias, porque a derrota na Madeira destapou de imediato todos as feridas que, como é agora evidente, as férias não curaram. O Benfica não jogou mal: joga mal; a equipa não estava num dia mau, estava como está sempre, deslaçada; e o problema Cardozo é, provavelmente, o problema balneário. Jesus não está ainda arrumado, mas é bom que perceba que está a ser arrumado. E da mesma maneira que a vitória da equipa de Leonardo Jardim é a vitória de Bruno de Carvalho, a derrota de Jorge Jesus torna-se na derrota de Luís Filipe Vieira.

Os adeptos gostam tanto de ganhar e amam tanto os seus clubes que perdoam tudo da sua memória quando as coisas voltam a correr bem. Veja-se a euforia dos sportinguistas, que têm sido torturados nos últimos anos. E veja-se a exigência dos benfiquistas, que têm dado tanto ao clube que, na verdade, vai prometendo muito mais do que dá.

-Pedro Santos Guerreiro, jornal Record

Isaías ataca Artur Jorge: "Chegou para destruir o Benfica"

António Tadeia responde aos insultos que recebeu por causa de opinião polémica sobre a Benfica TV



Tenho de fazer isto umas duas, três vezes por ano. Já foi por causa das arbitragens, agora é por causa de uma opinião acerca da novidade desta época, que é o Benfica, através da Benfica TV, ser detentor dos direitos televisivos - e do tratamento que lhes é dado - dos seus jogos em casa. Os mesmos que noutras ocasiões acharam que eu tinha razão baixam-se agora ao ponto de me insultarem. Os que noutros dias me insultaram agora acham que eu tenho razão. Eu digo o mesmo de sempre: não aceito encomendas de NINGUÉM. 


O que defendo é muito simples: numa Liga em que as imagens televisivas podem servir de prova em processos disciplinares, um clube (não é a televisão de um empresário amigo do presidente de um clube: é o clube, mesmo) poder decidir que imagens passam e que imagens são guardadas prefigura um caso evidente de concorrência desleal. Alegam os que agora me insultam, e que são os mesmos que já encontrei nos dois lados da barricada conforme os árbitros erram para um lado ou para o outro, que só o escrevi para defender os interesses da Controlinveste e de Joaquim Oliveira, acionista maioritário da empresa que detém o Diário de Notícias, onde o texto foi publicado. 

A esses, digo uma coisa. 

No mesmo texto defendi, por exemplo, a centralização dos direitos televisivos nas mãos da Liga, como se faz na Premier League, na Bundesliga, na Champions League, e uma distribuição da receita mais equilibrada e em função do mérito, como também se faz naquelas Ligas de sucesso comercial bem conhecido... Não há nada que Joaquim Oliveira menos queira para o seu negócio do que isso. Defendi-o porque sempre o defendi, porque já o tinha defendido no Record, em tempos, e porque se algum dia mudar de opinião não será por me insultarem mas sim por me provarem que a situação presente é melhor.

A situação atual, de disseminação dos direitos e negociação caso a caso, é melhor para Joaquim Oliveira, é melhor para os clubes grandes, mas é dramática para os pequenos e os médios clubes, que não recebem quase nada de direitos televisivos. 

O Benfica é um clube incomensuravelmente maior que qualquer equipa da Liga espanhola à exceção de Real Madrid e Barcelona e recebe menos de TV que a generalidade das equipas que lá jogam. Isso é injusto? Claro que é. Mas o Benfica está inserido num mercado incomensuravelmente menor que o espanhol. Para poder comparar-se a esses clubes em termos de direitos televisivos teria de jogar uma Liga ibérica - e ganharia com isso, da mesma forma que o Celtic ou o Glasgow Rangers ganhariam em jogar a Premier League. 

O que me preocupa é a sobrevivência dos clubes pequenos e médios, que cada vez têm menos forma de se financiarem. Que há anos se financiavam vendendo jogadores aos grandes, mas que agora já nem isso fazem, porque os grandes compram no estrangeiro - e a inexistência de mercado interno era outro aspeto do mesmo trabalho que ninguém se deu ao trabalho de comentar.

Aos que quiserem um debate sério sobre estas questões, digo que estou ao vosso dispor, aqui. Os que preferirem entrar na via do insulto, estejam à vontade: esta é uma página aberta, onde toda a gente pode escrever o que quer e de onde nunca bani ninguém. Mas fiquem desde já sabendo que, na generalidade dos casos, os vossos insultos são medalhas.

-António Tadeia, Facebook

Jesus está sentado num autêntico "caldeirão"

 
 
Jorge Jesus já foi um nome consensual entre os sócios e adeptos benfiquistas. Mas deixou de ser. As sucessivas derrotas na parte final da última temporada - com destaque para a da Taça de Portugal, onde a tese da falta de sorte não teve a mínima aplicação - levaram a que muitos deixassem de ver o treinador como o homem ideal para comandar os destinos da equipa que, segundo a promessa de Luís Filipe Vieira, tem de ganhar o campeonato que agora começou. 

Mas se o ambiente já não era famoso para o técnico desde o inesperado desaire com o V. Guimarães no Jamor, tudo se complicou com uma pré-temporada aos soluços e, pior que isso, com a derrota na Madeira, a abrir a Liga.

As águias jogaram pouco diante do Marítimo. Os reforços não acrescentaram nada, as figuras dos anos anteriores deram a ideia de estar cansadas ou desmotivadas e o futebol incisivo de outras jornadas foi substituído por algo aos repelões, sem chama, sem a intensidade exigida a quem precisava, mais do que nunca, de entrara ganhar. 

Jesus ficou numa situação bastante delicada depois deste (novo) arranque em falso. E por extensão Vieira também. Foi o presidente quem manteve a aposta num homem que, feitas as contas, avançou para a quinta época à frente da equipa tendo apenas conquistado um Campeonato e três Taças da Liga. 

Um pecúlio escasso para quem aufere tanto, para quem considera - salvo raras exceções - que a sua equipa domina todos os adversários e para quem nunca afirma ser surpreendido pela forma de jogar dos opositores. Em traços gerais, Jesus dá a ideia de ter tudo devidamente previsto na sua cabeça. 

Escapam só alguns resultados e, claro, muitos títulos.

E perante o autêntico "caldeirão" em que está sentado, o treinador continua a ignorar Cardozo. O paraguaio pisou o risco e merece ser punido pelo ato louco do Jamor, mas deixá-lo à margem - quando ninguém está disposto a pagar o que o presidente quer e quando as alternativas no plantel são inexistentes ou escassas - só prejudica o próprio clube. 

Jesus e Vieira (ou Vieira e Jesus) deviam saber isso. Mas se ainda têm dúvidas, certamente deixarão de as ter no domingo. Por cada minuto que o Benfica passar sem marcar ao Gil, na Luz serão mais a gritar por Cardozo. 

E a voz do povo é forte... 

- Luís Avelãs, Jornal Record, 21 de Agosto de 2013

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Carlos Daniel manda recado a Vieira: Lavar as mãos já não é possível


O título desta crónica remete para a cena bíblica em que a multidão delirante, juntando servos e juízes, pedia a crucificação de Jesus.

Este outro Jesus, Jorge, é o alvo de uma esmagadora maioria que ainda há três meses reclamava uma renovação forever que dele fizesse o Ferguson da Luz. E sem que surja uma voz da estrutura benfiquista que o defenda.

Já agora, teria de ser (de ter sido já) o presidente Luís Filipe Vieira, por ter sido quem insistiu na continuidade do técnico português e por, aparentemente, não haver mais ninguém na estrutura, que António Carraça desapareceu sem rasto depois de Rui Costa ter desaparecido com algum rasto.

Jorge Jesus cometeu erros, vários, por teimosia sobretudo, foi mesmo o principal responsável pelas derrotas finais da época anterior, mas há uma culpa que não tem de certeza: a de lhe terem renovado o contrato. Era evidente a sensação de fim de ciclo que a triste cena de Oscar Cardozo no Jamor ilustrou. (A propósito, o Benfica tinha acabado de falhar três objetivos em quatro jogos decisivos - Estoril, Dragão, Amsterdão e final da Taça de Portugal - no ano em que contratou a peso de ouro um "motivador". Pode ter méritos o cidadão, mas a motivação valeu, na prática, zero).

A gestão do dossiê Oscar Cardozo foi desastrosamente lenta (ainda não resolvida!), com notícias de jornal que são um nítido jogo de passa-culpas para o treinador. Se corresse mal, iam crucificá-lo. Já falta pouco.

Foi, no entanto e apenas, o caso emblemático de uma pré--época feita de negócios de ocasião (Fariña e Pizzi, dois bons jogadores, só visitaram a Portela de Sacavém) e falta de critério (defesas-centrais e médios ofensivos a mais, sem mais um grande médio-centro que permitisse rotação com Enzo Pérez e Matic e eventual substituição deste, em caso de venda).

Os que só veem a árvore carregam sobre Cortez e consideram--no mais fraco que Melgarejo ou... Emerson. Perdoa-lhes Cortez, que não sabem o que dizem. O problema é que quando o coletivo não dá vitórias, o óbvio é encontrar o réu mais à mão: Roberto, Emerson, Artur, Carlos Martins, agora Cortez. E crucificá-lo. Segue-se Jesus, ele próprio.

O presidente do Benfica está num dilema: sabe que não faz sentido dispensar já o homem a quem renovou o contrato, mas também sabe que mais um resultado negativo o obriga a atuar. Delegar para cima ou para baixo? A escolha é só essa. Lavar as mãos já não é possível.

-Carlos Daniel, Diário de Noticias

Vieira é o único responsável pela desmoralização da equipa e dos adeptos


Luís Filipe Vieira criou o problema e está a tentar resolvê-lo. Atacou de forma célere a crise, logo que esta começou a custar pontos, mas não deixa de ser o autor moral e, no fundo, o responsável único pela desmoralização da equipa e dos adeptos do clube.

Ao promover a continuidade de Jorge Jesus, contrariando toda e qualquer lógica, o presidente do Benfica colocou-se no papel de incendiário, para assumir agora, na hora de se contabilizarem as primeiras consequências, o de bombeiro voluntário, desejoso que o rescaldo não tome as proporções que quase todos vaticinaram. Com a arriscada decisão de manter o treinador, tomada a frio, como na altura fez questão de esclarecer, Vieira ateou o fogo e colocou-se a jeito para assumir os prejuízos, arrastando com ele, no entanto, todo o futebol do clube.

Consumada a perda de 3 pontos para o rival FC Porto – num campeonato em que os mais fortes poucas vezes vão tropeçar, dado o teórico desequilíbrio de forças entre as equipas que disputam a Liga –, ao presidente do Benfica poucas alternativas restavam que não promover um prematuro toque a reunir. Foi o que fez ontem e bem. Afinal, é preciso dar confiança e simultaneamente exigir responsabilidades. Os encarnados atuam sobre brasas na próxima jornada, em pleno Estádio da Luz, diante do Gil Vicente, e pior vão ainda ficar se não vencerem na ronda seguinte em Alvalade, onde defrontarão um Sporting a resistir ao desinvestimento.

Nesta conjuntura complicadíssima, torna-se assim fundamental para o Benfica somar 6 pontos nos próximos dois jogos, sob pena de o FC Porto se tornar inalcançável e de acontecer a Jorge Jesus e a Luís Filipe Vieira algo semelhante ao que Manuel José e Manuel Damásio viveram em 1997. Quem toma decisões pouco consensuais arrisca-se a que o caos tome conta da estrutura às primeiras contrariedades e, pelo tempo que tem como presidente, Vieira já devia saber que a estabilidade se constrói com vitórias e não a partir da continuidade de treinadores derrotados e que há muito deixaram de ser idolatrados na bancada.

-Luís Pedro Sousa, jornal Record

Jesus: Já todos percebemos por onde é que a corda vai partir


Primeira questão: o que está a acontecer ao Benfica para ter jogado mal e ter sido derrotado com naturalidade pelo Marítimo, precisamente quando se lhe exigia uma vitória categórica, quanto mais não fosse para deitar para trás das costas os fantasmas do Dragão? 

Segunda questão: há soluções para cortar o mal pela raiz e a equipa seguir o seu caminho sem novos incidentes, ou trata-se de um caso perdido? 

Que a equipa anda com problemas, é notório; que parece viver pela metade e jogar a meio gás, parece. Há, por isso, naturalmente, motivos de sobra para preocupação, mas julgamos que também não é caso para se pôr tudo em causa como se fosse uma tragédia; e muito menos ainda para apontar o dedo a Jorge Jesus que, de repente, passou a ser o pior treinador do Mundo quando ainda há três meses era o mestre da tática.

É incontestável que Jorge Jesus tem culpas no cartório. Por exemplo, não se percebe como é possível que Artur Moraes continue com as costas quentes, sem que outro guarda-redes questione a sua imaculada titularidade e sem que ninguém o obrigue a trabalhar mais e a falhar menos, a estar mais atento e menos relaxado, alguém que lhe faça ver, enfim, que ao menor deslize, erro ou fífia tem o seu lugar comprometido. 

Mas há mais: custa a perceber também como é que o treinador do Benfica não apoiou com a devida atenção o posto mais frágil da equipa, o do lateral-esquerdo, e do alto da sua competência trouxe Cortez, um achado que não lembra ao diabo; o que se viu foi o que não era expectável, ou seja, o reforço da equipa em sectores em que tal se não justificava, chegando de uma assentada um contingente de sérvios que, apesar de serem bons jogadores, não são melhores do que alguns que aguardam pela sua vez.

Como é bom de ver, boa parte do problema deve-se ao treinador, que, apesar de tudo, já demonstrou, noutras ocasiões, ter capacidade para dar a volta por cima, se bem que haja alturas em que isso é mais difícil, sobretudo quando existem outras razões bem mais profundas e de responsabilidade da Benfica SAD, que só a breves espaços tem saído em sua defesa, como ontem aconteceu, como lhe tem criado alguns problemas – o caso Cardozo é apenas um deles –, sem esquecer os apelos ao mercado de Filipe Vieira que, por força das circunstâncias, tem os seus melhores jogadores na montra. 

Pois, já todos percebemos por onde é que a corda vai partir, se partir, claro.

-Jorge Barbosa, jornal Record

Manuel Queiróz: Jesus, o princípio do fim?


O Benfica começou com derrota e com protestos contra o árbitro Jorge Sousa, mas um penálti no último minuto daria um empate, quando muito, o que também não agradaria muito aos adeptos. Não teria o peso de uma derrota, mas teria sempre a desilusão da perda de dois pontos à primeira jornada. E, já agora, não houve mão de Lima no primeiro golo, quando inicia o lance? É uma dúvida.

A imagem deixada, em qualquer caso, não foi boa. Jorge Jesus pareceu querer ser menos Jorge Jesus jogando com um meio-campo reforçado e dando a indicação que, pelo menos ano e meio depois, estava resolvido o problema pessoal com Rúben Amorim. Mas perante um Marítimo tão de tração atrás era mesmo preciso um pinheiro - tipo Cardozo - para fazer avançar a bola em vez de intermináveis lateralizações. E, claro, sem Salvio (e haverá Salvio?) e sem Markovic faltou ali peso e capacidade. E, já agora, Melgarejo é melhor defesa-esquerdo do que Cortez ou pelo menos sabe melhor o que tem que fazer. E é grave que se deite fora o trabalho feito sem se arranjar melhor. No fim do dia, ficou bastante claro que alguns dos jogadores ou ainda não perceberam o treinador, ou não estão com ele.

Dito isto, o silêncio da SAD é ensurdecedor. Os casos de Cardozo, de Fariña (alguém percebeu para que se empresta um jogador para o Dubai?), mesmo de Melgarejo, que estava para sair e afinal fica, mais Lisandro López que afinal não agrada ao treinador são demasiados casos. E por isso fica-se sem perceber se a SAD ainda acredita no seu treinador - e uma das boas regras do dirigismo é que o nosso treinador é sempre o melhor do mundo até ao dia em que lá está.

-Manuel Queiróz, Diário de Noticias

José Marinho indignado com SAD Benfiquista: O presidente e os seus lacaios escondem-se atrás do treinador


Chega! Os comentários boçais de Berardo, a língua comprida de Gaspar Ramos, a primeira página do jornal A Bola - tentei controlar o vómito - e a notícia do jornal O JOGO sobre a tensão alta no balneário do Benfica no Funchal. 

Isto tudo faz parte de uma estratégia que infelizmente já é conhecida, quando as coisas correm mal. O presidente e os seus lacaios escondem-se atrás do treinador, atiram-no às feras - os sócios e adeptos do Benfica - e esperam pelo melhor momento de anunciar um novo e pletórico ciclo. Tudo isto em pleno mandato desportivo. 

Durante meses a fio aguentei estoicamente e calei a minha eterna desconfiança de que, no actual Benfica, se as coisas mudam, normalmente mudam para pior. É o que acontecerá quando Jesus for destituído. 

No fundo, resta apenas uma consolação...é que, desta vez, a estratégia do senhor presidente vai sair-lhe cara...oito milhões de euros. É bom que se lembrem os benfiquistas que a essa responsabilidade o presidente do Benfica não pode e não vai conseguir escapar. Foi ele que renovou contrato com Jesus quando já tinha tudo tratado com outro treinador ainda antes da final da Taça de Portugal.

PS - Abutres, I'm back.

-José Marinho, Facebook