Li com atenção a entrevista que Pedro Proença deu na BOLA em 30 de Dezembro.
Aqui manifestei, várias vezes, a minha crítica sobre actuações desastradas deste árbitro, em terras domésticas, e mormente em jogos decisivos, quase sempre beneficiando (ou prejudicando) os mesmos.
Mas também já o elogiei pela sua notável carreira internacional coroada em 2012.
Lida a entrevista, tenho de felicitar o jornal e o seu director, bem como o entrevistado. Um diálogo expressivo, fluente que se diferencia completamente das estafadas entrevistas defensivas, ocas e feitas de banalidades que, por aí, abundam.
Pedro Proença surge-nos cristalinamente na sua tripla condição de pessoa, de árbitro e de observador. Parece ser sincero ao admitir os erros e ao falar da aprendizagem constante através dos mesmos.
Fala desassombradamente da batota do círculo dos protegidos, das avaliações e observações, da escolha de quem escolhe quem, dos conflitos de interesses, da corrupção latente, dos lobbies que tudo moldam, das (não) consequências do apito dourado.
Dá-nos a conhecer a solidão dos árbitros diante das suas falhas e perante o abandono dos órgãos federativos. Não se coíbe de dizer que «as linhas de orientação disciplinares e técnicas são diferentes em Portugal e lá fora»!
Denuncia a diferença entre o dia do futebol (da bola redonda) e o intragável dia seguinte ao dia do futebol (da régua e esquadro). Gostei de o ler.
Continuo a não lhe perdoar erros grosseiros que lhe vi cometer. Mas fiquei agora com uma visão mais completa do homem que também é árbitro.
PS. Se arbitrar domingo, na Luz, que ninguém dê por isso...»
- Bagão Félix, jornal A Bola, 10 de Janeiro de 2013









