quarta-feira, 20 de março de 2013

Freitas Lobo destaca grande momento de forma de Nico Gáitan


Um estilo de jogo eficaz é, essencialmente, uma boa ideia interpretada por jogadores capazes de dar personalidade forte a uma equipa. 

Benfica e FC Porto separaram-se na classificação no momento em que também se separaram nesses termos dentro do relvado. A lesão/ausência de Moutinho foi um tiro no coração tático do FC Porto. Ao mesmo tempo, Gaitán crescia (e fazia crescer a equipa) dentro da máquina tática do Benfica. 

O meio-campo construtivo é o habitat destes seres superiores de futebol pensado e base de aplicação das melhores ideias. A cultura de posse do FC Porto perde visão sem o seu operário mais construtivo. A vocação criativa oscila com a inspiração e limitação física do James pós-lesão. 

Noutro prisma, uma questão que condiciona o salto do futebol português para a dimensão internacional: o brutal aumento de intensidade de jogo. 

O FC Porto sentiu isso na pele (e coração) em Málaga. A intensidade não é um conceito abstrato. Tem a ver com permanente nível de jogo mais alto e maiores exigências fisicas de concentração e antecipação (a chamada agressividade tática). 

Preparar uma equipa para este choque não é fácil quando passa quase todo o resto da época noutro contexto, de baixa intensidade, taticamente adocicada.

A posse necessita desse upgrade de intensidade tática/física. Foi por aí (com Moutinho e James condicionados) que a equipa se perdeu, numa realidade que (com a nuvem cinzenta criada em cima da cabeça equipa) teve transfer emocional para o plano nacional sentido desde Alvalade, o primeiro jogo sem Moutinho). 

Neste campo, as opções do treinador ultrapassam a mera questão tática e entram num processo global de construção da equipa (cabeça e chuteiras). 

Na Luz, no plano da influência e transformação do sistema, existem duas equipas: um Benfica sem Gaitán e existe um Benfica com Gaitán. 

É um jogador que mexe com o equillbrio e dinâmica de todo o onze na relação entre meio-campo e ataque. Nesse plano, a fórmula-Gaitán é muito melhor (mais rica taticamente mantendo a versatilidade técnica).

Ocupar espaços significa, ao mesmo tempo, a capacidade de... abrir espaços. Melhorando o jogo interior quase como terceiro médio, Gaitán arrasta marcações e, simultaneamente, abre espaço nes flancos. 

É um caso de auto-adaptação em pleno decorrer do jogo, tal a forma como pode jogar como ala puro (posição de origem) como pode ser quase segundo-avançado e, sobretudo, como pode ser mais médio, um interior armador (pegando na bola e pensando o jogo e passe, abrindo o flanco à subida do lateral ou às movimentações inteligentes de Lima). 

Não se trata de um polivalente. Trata-se de um jogador multifunções no sentido das várias soluções que dá à equipa em campo. 

A criatividade, muitas vezes, resume-se em saber resolver o mesmo problema de formas diferentes. 

Gaitán (viu-se em Guimarães, Braga, etc.) tem essas diferentes chaves para dar à equipa durante os jogos.» 

- Luis Freitas Lobo, jornal A Bola, 20 de Março de 2013

Jorge Jesus não entra nas contas de Pinto da Costa


Leonardo Jardim e Mano Menezes são os preferidos de Pinto da Costa para suceder a Vítor Pereira no cargo de treinador do FC Porto. 

O ex-treinador do Olympiacos há muito que é apreciado no Dragão e os portistas têm um direito de preferência durante três anos desde que o técnico saiu do Beira-Mar. 

Depois das passagens por Sporting de Braga e Grécia, Jardim entra agora no último destes três anos. 

O ex-selecionador brasileiro é a outra hipótese e as boas relações dos portistas com o empresário Teodoro Fonseca (o mesmo de Hulk) poderão ser determinantes. 

Mano Menezes esteve em Portugal recentemente.

Ao contrário do que tem sido veiculado nas últimas semanas,Jorge Jesus não é, neste momento,um objetivo de Pinto da Costa, ao contrário do que sucedeu em 2010. 

Fora de hipótese estão também nomes como Domingos e Pedro Emanuel.

-João Rui Rodrigues, jornal A Bola, 19 Março 2013

Video: Vandalismo dos Super Dragões em Málaga em destaque no programa "Andalucia Directo"

terça-feira, 19 de março de 2013

Dragão em polvorosa: Vítor Pereira completamente arrasado por Miguel Sousa Tavares


O Princípio de Peter estabelece uma regra cristalina: todos nós temos o nosso patamar de competência, acima do qual as coisas ainda podem correr bem durante uns tempos, mas fatalmente hão-de correr mal na hora da verdade.

Em Málaga, Vitor Pereira deu uma eloquente demonstração práctica da actualidade do Princípio de Peter, mostrando que não é impunemente que se salta do banco do Santa Clara, da 2.ª liga, para o de um clube que é crónico candidato ao título e passageiro habitual da Liga dos Campeões. 

Como escrevi quando ele foi escolhido, compreendi a escolha à luz da deserção de Villas Boas e da urgência em encontrar treinador, já com a equipa a iniciar o estágio de pré-época, no Verão de 2011. Mas não compreendi a extensão do vínculo para o ano em curso. 

Durante estas duas épocas, Vitor Pereira deu a quem quis ver variadíssimas demonstrações da sua insuficiente competência técnica para estar à frente de uma equipa de luxo, como é a do FC Porto. Repito que, pessoalmente, não tenho dúvidas de que se trata de uma pessoa séria, trabalhadora e bem intencionada - mas isso não chega, como não chegou ao Papa Francisco para treinar o San Lorenzo de Almagro. 

Nestes dois anos, vi Vitor Pereira andar à toa, primeiro limitando-se a deixar que fosse a equipa e a categoria dos seus jogadores a carregá-lo às costas - para o que contou muito a superior capacidade de Hulk de resolver jogos sozinho e o famigerado espírito do balneário portista. Foram eles que lhe deram o título do ano passado, mas não podiam dar-lhe o que ele não tem, por si mesmo: uma competência técnica que seja capaz de retirar o melhor de cada um e o melhor da equipa. 

Como não me canso de escrever, duvido que perceba alguma coisa de futebol um treinador que deve ser o único apreciador do jogo em todo o planeta que não entende que James Rodriguez e Cristian Atsu são infinitamente melhores do que Silvestre Varela. Mas isso é apenas um exemplo, embora extremo e elucidativo. 

Nestes dois anos, Vitor Pereira também se revelou incapaz de potenciar quase todos os novos jogadores que despontaram no clube, desprezando-os ou abrindo mão deles: Atsu, Iturbe, Sérgio Oliveira, Djalma, Souza, Delatorre. Agarrou-se a um núcleo duro de jogadores, que explorou até à exaustão, porque são os que lhe garantem o tal jogo de «posse de bola», triste imitação de um Barcelona, sem escola nem Messi, e que ele, à falta de melhor, resolveu apresentar como resultado do seu ano de aprendizagem. 

Ele acha que, enquanto tiver a bola, a equipa não corre riscos e, por isso, detesta jogadores que arriscam, que rompem com aquele colete de forças inócuo, e prefere outros que lhe dão uma falsa sensação de segurança e controlo do jogo: Defour, Fernando, Varela, Castro, ou um Lucho rebentado ou em fim de ciclo. 

Toda a gente saudou a refundação táctica que Vítor Pereira tinha engendrado para um FC Porto sem Hulk. Mas todos fingiram não ver que o esquema dependia de três nomes e não existia sem eles: Moutinho, como pivot de tudo; James (que ele não entende), como criador de desequilíbrios; e Jackson Martinez, como finalizador. 

Em Málaga, como qualquer aprendiz de futebol sabe, a melhor, a única forma, de defender a vantagem de 1-0 era garantir pelo menos a marcação de um golo - tarefa não muito complicada, face a uma defesa sabidamente frágil. 

Na véspera do jogo, aliás, Vítor Pereira não se dispensou de dizer que a equipa não se iria descaracterizar nem mudar de processo de jogo. Mas, na hora da verdade, o que fez foi exactamente o contrário: borrou-se de medo e montou uma estratégia e uma equipa para defender o 1-0. 

Já vi este filme inúmeras vezes, posto em exibição por treinadores portugueses sem estaleca para os grandes jogos europeus. Pensam, pensam, dormem a sonhar com tácticas que surpreendam o adversário e, no momento da decisão, mudam a equipa e a sua estratégia de jogo. 

Invariavelmente, mudam-na para defender e, invariavelmente também, o resultado dessa mudança traduz-se num desastre. Foi o que fez Vitor Pereira em Málaga, com o resultado de ter perdido não apenas uma eliminatória totalmente ao alcance do FC Porto, de ter desperdiçado uma oportunidade caída do céu e do sorteio para seguir para os quartos da Champions, mas também caindo com tamanho estrondo e falta de classe que deixou a equipa destroçada, física, emocional e psiquicamente, como se viu este domingo no Funchal. Ao ponto de, mais do que provavelmente, ter também entregue o título nacional ao Benfica. 

Quando optou por entrar em campo em Málaga com um ataque reduzido a Jackson Martinez (visto que Defour nunca foi, nem sabe ser, extremo, e Varela não conta), Vítor Pereira fez o três em um: - transmitiu aos seus jogadores uma mensagem clara de que estava com medo do adversário e era preciso defender desde o primeiro minuto; - reduziu as hipóteses de marcar um golo a factores de pura sorte do jogo; - rebentou com Jackson Martinez (com consequências que pagaria mais tarde), ao forçá-lo a passar metade do jogo a correr, sem apoio algum, a impossíveis passes de 30 e 40 metros - única estratégia de ataque engendrada. 

É certo que depois contou com as traições de Defour e do departamento médico do FC Porto - que, tal como já sucedera com James, demorou muito mais tempo do que o razoável a recuperar João Moutinho e afinal, entregou-lho sem estar em condições. 

Mas a traição de Defour é uma história diferente e que um treinador avisado teria evitado. Para começar, é a própria inclusão de Defour que está em causa: trata-se de um jogador absolutamente banal, de equipa do fim da tabela. Tem a seu favor ser esforçado e generoso, mas é tecnicamente limitado, nada esclarecido e precipitado em todas as acções, seja a rematar à baliza ou a entrar ao desarme. 

A conjugação destas características torna-o um jogador perigoso num jogo daquela importância, para mais se já levou um amarelo e continua de cabeça quente. 

Sem desculpar minimamente a indesculpável atitude de Defour (três meses sem ordenado seria o mínimo que ele devia pagar ao clube pelos danos causados), é indesculpável também que Vítor Pereira não tenha tido o cuidado elementar de o retirar após o primeiro amarelo. Tanto mais que, já no ano passado contra o Apoel e também na Champions, o FC Porto vivera episódio semelhante com Fucile, que terminou com a sua expulsão, derrota no jogo e eliminação da competição. 

Ora, um treinador está no banco para aprender com os erros cometidos, para conhecer o temperamento dos seus jogadores e defender a equipa dos seus excessos previsíveis. Não para estar a tirar apontamentos enquanto o jogo decorre ou ficar de mãos nos bolsos, estático e silencioso, a assistir a tudo como se, bom ou mau, nada houvesse a fazer contra o destino. 

Espanta-me que Pinto da Costa que percebe muito mais de futebol a dormir que Vítor Pereira acordado - não lhe tivesse pedido antes do jogo a equipa que ele ia fazer alinhar em Málaga. 

E que, se o fez, não lhe tenha logo dito: «esse onze e essa estratégia de medo estão condenados ao desastre. Acredite em mim que já vi isso acontecer antes».

-Miguel Sousa Tavares, jornal A Bola, 19 de Março de 2013

Rui Tovar: No penalty esteve a diferença


FC Porto falhou, Benfica não, e assim se pode decidir um Campeonato.

Claro que falta muito para o final da prova, mas o Benfica acaba de dar um passo importante com vista ao título, ao triunfar com clareza (4-0) em Guimarães, tirando partido do empate (1-1) do FC Porto no Funchal e, assim, aumentar para quatro o número de pontos de avanço. Para uma luta que vinha a caracterizar-se pelo equilíbrio pontual (e até de golos), esta repentina diferença não deixa de ser significativa, mas ainda não é decisiva. Têm a palavra as próximas rondas.

Com 72 horas e meia (e meia!) de diferença entre o berço do néctar francês e o berço do condado henriquino, o Benfica apresentou-se neste claramente disposto a alcançar o triunfo. O seu 4.1.3.2 não deixava dúvidas, Cardozo e Lima eram as apostas atacantes, bem acolitados por um miolo ofensivo (Gaitán, Perez e Salvio), com Matic mais recuado para as habituais operações de limpeza que o jogo suscitasse.

Mas o Vitória também trazia propósitos bem definidos e não se pode dizer - antes pelo contrário - que a equipa tenha soçobrado na luta do meio-campo, onde André e Tiago Rodrigues foram oponentes de respeito. Um equilíbrio que dava pretexto às mais variadas conjecturas e que só ruiu já no declinar do 1º tempo, numa meritória abertura de Gaitán a isolar Lima. El Adoua incorreu em "penalty" que Cardozo converteu no 0-1. Estava resolvido meio problema.

A solução completa surgiu na outra página, a 2ª parte, e bem cedo (61'), com a expulsão de Kanu e o 2º golo, por Garay, tudo de uma assentada. Assim destroçado o Vitória, teve então o Benfica meia hora para descontrair, período que lhe rendeu mais dois golos (Salvio e Rodrigo), possibilitando-lhe um triunfo robusto, perante um adversário, nessa altura (e só aí...) sem capacidade de resposta, muito embora Rui Vitória, com tanta gente no banco para eventuais mudanças de cenário, se tenha ficado por uma única substituição.

Moral da história: triunfo indiscutível mas exagerado do Benfica, por 4-0.

Já no Funchal, o FC Porto não passou no teste com o Marítimo. A equipa não está no seu melhor, algumas unidades estão abaixo do rendimento habitual e, por isso, pouco influentes, casos de James e Fernando, e outras nem sequer estão disponíveis (Moutinho), já para não falar na lesão de Atsu, ao cabo de 10' de jogo. São muitos inconvenientes juntos. Mesmo assim, o FC Porto poderia ter ganho se Jackson, ao contrário de Cardozo, não tivesse desaproveitado uma grande penalidade, numa altura crucial do jogo.

É verdade que a equipa sentiu sempre grandes dificuldades, perante a manobra dos insulares, muito bem no seu meio-campo e na exploração do contra-ataque, contando para isso com o perigoso Heldon, sobretudo ele, mas o FC Porto também não deixou de subscrever as suas oportunidades, obrigando, de resto, o guardião Salin a assumir-se como um dos grandes protagonistas da partida.

Não se pensava, por isso, que os golos de James e Suk, ambos ainda no 1º tempo, acabassem por ser os únicos da contenda, pois aguardava-se uma categórica reacção dos azuis e brancos após o intervalo. Contudo, o tom descoordenado do FC Porto, se bem que dominador (a maior posse de bola é disso prova) e a argúcia táctica do Marítimo determinaram a divisão de pontos. Para o que contribuiram também (e não pouco) o tal "penalty" falhado e as confusões de Vítor Pereira na hora das mudanças.

-Rui Tovar, sapo.pt

O que diz Jorge Jesus aos jogadores que saem do Benfica?

Luís Sobral diz que Benfica teve a sorte do jogo em Guimarães



Em Guimarães o Benfica rematou oito vezes em direção à baliza, fez quatro golos. Também não é proibido, apenas pouco comum. De resto, aquilo a que convencionou chamar-se sorte do jogo, a existir, esteve toda do lado encarnado: o golo de grande penalidade no melhor período do Vitória, a expulsão muito forçada, aquela defesa de Artur sentado na linha de baliza, o terceiro golo entre as pernas do defesa. Tudo o que podia ter saído bem ao Benfica, saiu. No final, festejou exatamente o mesmo resultado que o F.C. Porto ali tinha conseguido: 4-0.

A verdade é que o Benfica aparece nesta fase da temporada com muita confiança, jogadores mais crescidos e diversas soluções. O que pode de facto ajudar a ter sucesso em três competições, nos dois meses mais importantes da época.

O ponto mais forte parece ser o facto de o Benfica funcionar como equipa. Curiosamente, nenhum jogador aparece em extraordinário momento de forma, antes existe ali um equilíbrio. Maxi recuperou algum fôlego, Garay e Jardel têm aguentado as ausências de Luisão, Melgarejo já não suscita dúvidas.

No meio-campo Matic é hoje referência e Enzo Pérez um parceiro adaptado. Nas alas Ola John não permite sossego a Gaitan e na frente é um luxo ter Rodrigo no banco. Para resto de conversa ainda existem Carlos Martins e Aimar, agora disponíveis para os momentos certos.

Jorge Jesus superou o desafio inicial (que fazer sem Javi Garcia e Witsel, com Luisão castigado?), soube construir alternativas e foi eficaz a gerir o esforço dos jogadores nas diferentes competições. Tudo mérito dele.

Enfrenta agora o último desafio. Não me atrevo a dizer que será capaz de o vencer, mas sei que o Benfica é hoje um adversário temível, nada fácil de enfrentar. E o F.C. Porto também sabe.

NOTA: Estes quatro pontos traçam uma fronteira. Se for capaz de os aproveitar, Jesus terá à sua espera o contrato com a duração que quiser, no Benfica. Se terminar derrotado deixará de ter espaço na Luz.


-Luís Sobral, Mais Futebol

segunda-feira, 18 de março de 2013

Portistas até já pedem demissão de Antero Henrique


Posto isto, caro Antero, obrigado por tudo mas está na altura de seguirmos caminhos diferentes, e de preferência o mais rápido possível, de modo que o seu sucessor possa já começar a preparar a próxima época, e para que o clube possa poupar o dinheiro do prémio de desempenho - aquele que "chove" sempre, desde que o Porto acabe o campeonato nos 3 primeiros lugares; qualquer coisa serve; 2º, 3º, 1º: é tudo igual - que já não irá portanto receber. 

Devo lembrar que é nas horas difíceis que se vê a qualidade de um líder; e um líder assume sempre a trampa que faz (ou que permite que ocorra pela sua inação; e não se esconde atrás de um treinador). 

- Texto retirado do blog: www.reflexaoportista.pt

António Magalhães sobre o Benfica:" Se não é um Ferrari, parece"


Jorge Jesus não foi na conversa de Rui Vitória e não quis comparar o Benfica, a um Ferrari. A verdade é que o bólide encarnado deu uma valente aceleradela ao aproveitar o despiste da máquina azul na Madeira. O Benfica tem agora 4 pontos de avanço sobre o FC Porto, vantagem que o emblema da Luz pretenderá preservar até à penúltima jonada da Liga, precisamente aquela em que os dois rivais se defrontam.

E óbvio que ainda há muita corrida até a esse jogo no Dragão, inclusivamente uma passagem das águias pelos Barreiros. Mas esta pequena almofada dá um conforto que pode ser determinante para o resto do campeonato. Além disso, a forma como a equipa de Jesus resolveu o problema em Guimarães não deixa dúvidas quanto ao seu poderio. 

A águia mostrou, desde o primeiro minuto, que queria ganhar, pelo que às oportunidades sucederam-se, com naturalidade, os golos. Foram 4 os que fez ao Vitória e que levaram o Benfica a atingir a marca dos 60 na Liga. 

Nos últimos 4 marcou 14 e não sofreu nenhum. Se não é um Ferrari, parece.

O FC Porto pode voltar a queixar-se de si próprio. Os 2 pontos que deixou na Madeira estiveram ao alcance de um penálti que Jackson desperdiçou. Não é o primeiro, só que desta vez teve um prejuízo direto: deixou os dragões a depender de terceiros na corrida pelo título. A máquina portista está em clara dificuldade em regressar ao andamento que a projetou para a pole-position. Só que neste mês de março acusou problemas no motor (João Moutinho), e assim, de repente, deixou fugir o Benfica e ficou fora da Champions.

- António Magalhães, jornal Record, 18 de Março de 2013

Rui Rangel analisa situação de Jesus e Vítor Pereira e diz que Jesus é melhor treinador


A situação profissional de Jorge Jesus e Vítor Pereira tem traços comuns, ambos estão "presos" aos resultados desportivos da época em curso.


Estão os dois agarrados à mesma bóia de salvação, a vitória no campeonato. A bóia de salvação, devido ao naufrágio de que um dos dois vai ser vítima, não tem capacidade para salvar ambos. Um vai afogar-se nos meandros da não renovação do contrato.

E não é a Liga Europa nem a Champions que não os deixa ir ao fundo. A vitória na Liga é o único caminho que lhes permite dobrar o Cabo da Boa Esperança. E como não podem perder os dois face à distância significativa do Sp. Braga, um vai "morrer" afogado. 

Daí perceber-se toda a estratégia montada em torno do campeonato.

Nenhum se importa de perder as competições internacionais até prematuramente. Dão estas em troca pelo campeonato. 

Se a sorte tocar a Jesus tem a renovação garantida, o mesmo vai acontecer com Vítor Pereira. 

São tantos os traços comuns que arrepia até a vontade de ganhar ou perder outras competições. E o mesmo se passa na vontade indómita dos dois presidentes. 

Dão tudo aos dois se lhes oferecerem bandeja de ouro o campeonato. 

O ódio e a vingança que lhes estão nas veias e na alma justifica a renovação. Mas que me desculpe Vítor Pereira, Jesus é melhor treinador. 

É um treinador de verdade e não adaptado. 

Daí que apesar dos traços comuns, repousa sobre os ombros de Vítor Pereira uma pequena e significativa diferença. É que mesmo que ganhe o campeonato, Jesus poderá bater à porta do Dragão e "vomitar" fogo, queimando-o em lume brando. 

E se Jesus vai para o FC Porto, perdendo a prova rainha, fica Vítor Pereira sem o lugar e lança uma grave perturbação e inquietação para os lados da Luz. 

O presidente do Benfica tem que pensar duas vezes, com vendas e saídas de jogadores que destabilizaram a harmonia do plantel e tornaram-no menos equilibrado e com menos qualidade, ninguém duvida que Jesus tem sido a sua bóia de salvação. 

É ironia da vida. A probabilidade de Jesus ir para o FC Porto é muito maior do que Vítor Pereira vir treinar o Benfica. Os astros assim o dizem! Dois treinadores para um só lugar!

A tômbola vai ditar a sorte destes dois senhores da bola. A derrocada poderá já acontecer nesta jornada. Dois jogos de acrescida dificuldade. 

Os próximos protagonistas deste filme de ficção, com uma realidade negativa para Vítor Pereira é que os deuses do futebol protejam Jesus. 

Esta é a história da luta e daquilo que vai restar passada a tempestade, quando as certezas se desmoronarem. 

O que se lamenta é que os presidentes dos dois Clubes nada façam para devolver paz, tranquilidade e estabilidade e ofereçam a prova de confiança antes do naufrágio! E depois do Naufrágio?»

 - Rui Rangel, jornal Record, 16 de Março de 2013

Fernando Guerra diz que Benfica pode vencer Campeonato e Liga Europa


Um sorteio é como os melões, nunca se sabe o que escondem. 


Quando o Málaga surgiu no caminho do dragão com certeza que se sentiu um discreto suspiro. Barcelona, Bayern, Manchester United e Juventus tinham passado ao lado e, no entanto, o FC Porto foi eliminado. 

Da mesma maneira, suscitou justificado conforto entre a família benfiquista o acasalamento com o Newcastle nos quartos de final da Liga Europa. 

O adversário é inglês, forte e feio, sim, mas viaja pela segunda metade de classificação da liga, integrando o grupo do Marítino e, em rigor, pouco entusiasmou. Assim sendo, é melhor do que ter de medir forças com Chelsea, Tottenham ou Lazio, se bem que, assegura-mo a minha costela de treinador, este Benfica possua gente com talento e ambição para lutar com qualquer um e assumir a candidatura à vitória na competição. 

Nesta altura, o Benfica é o único resistente na UEFA, o que já não se verificava desde a temporada de 2009/2010, quando foi afastado pelo Liverpool, nos quartos de final. 

Em 2011, foi o ano da final portuguesa ganha pelo FC Porto ao Sporting de Braga, e na época transata coube ao Sporting destacar-se, tendo baqueado apenas nas meias-finais frente ao Athletic Bilbao, o que traduz a evidente dificuldade de Vítor Pereira em movimentar-se nos circuitos europeus. 

Voltou a cair logo na primeira série de jogos a eliminar há um ano com o Manchester City, depois de ter sido excluído da Champions, e, agora, com o Málaga. 

Um rombo financeiro e uma afronta ao orgulho portista. O presidente apareceu no treino de ontem, não se sabendo se isso significa uma reprinenda pública aos futebolistas ou se o entreabrir da porta de saída ao treinador. 

A verdade é que o Benfica ficou só na Europa, cabendo-lhe defender o prestígio do futebol português. 

Finalmente, pode ser que Jesus se convença que, com esta equipa, com estes jogadores, como diria Mário Wilson, arrisca-se a ser campeão e a ganhar alguma coisa mais...» 

- Fernando Guerra, jornal A Bola, 16 de Março de 2013

Luz pode ser interdita por 3 jogos


No final do jogo da Taça da Liga em Braga, adeptos do Benfica agrediram assistentes de recinto desportivo. Imagens divulgas pela SIC servem de prova para abertura de inquérito.

A Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga vai abrir um processo disciplinar ao Benfica devido aos incidentes verificados no estádio de Braga no passado dia 27 de Fevereiro entre adeptos do clube da Luz e assistentes de recinto desportivo (stewards).

De acordo com o Correio da Manhã, o Benfica arrisca realizar jogos à porta fechada na Luz devido às imagens de violência entre adeptos encarnados e stewards do estádio AXA, difundidos pela SIC, no passado sábado, através das imagens de videovigilância.

Segundo os regulamentos, o estádio da Luz pode ser interdito ao público por três jogos caso se prove que os assistentes de recinto desportivo de Braga sofreram lesões de especial gravidade. Caso a investigação venha a concluir que os incidentes se verificaram fora do perímetro das bancadas (zona de circulação do público e parqueamento automóvel - complexo desportivo) o regulamento prevê uma multa que pode chegar aos 50 mil euros.


-Noticia retirada do site Sapo Desporto

Apanha Bolas do Guimarães leva raspanete por pedir camisola a Carlos Martins

Ismael Gonçalves marca na Escócia e dedica golo a Fábio Faria


O jogador Ismael Gonçalves, jogador do St. Mirren, marcou o 1º golo da sua equipa, na vitória por 3-2 sobre o Hearts, e dedicou ao jogador do Benfica Fábio Faria.

O futebol, mostra, deste modo, o seu lado mais humano. 

Ao Fábio, apenas resta seguir o conselho do seu amigo: ter força, muita força, porque a vida ainda lhe vai sorrir muito!


Guimarães 0-4 Benfica: Relato Fernando "Afónico" Eurico Antena 1

domingo, 17 de março de 2013

Luís Pedro Sousa diz que Benfica deve investir cegamente na Liga Europa


Correu de feição ao Benfica o sorteio de ontem, em Nyon. 

O Newcastle era, do ponto de vista teórico, um dos adversários mais acessíveis que os encarnados podiam enfrentar nos quartos-de-final.

Excetuando talvez o Basileia, dificilmente a equipa de Jorge Jesus encontraria melhor opositor. Podemos mesmo dizer que o Newcastle, embora superior ao Bordéus, é claramente inferior ao Bayer Leverkusen, se quisermos estabelecer um termo de comparação com os emblemas recentemente eliminados pelos homens da Luz. 

Os novos dados que a manhã de ontem proporcionou servem para alimentar ainda mais a tese de que a Liga Europa é uma prova a investir cegamente, por estar em causa um troféu europeu que o Benfica não conquista há mais de 50 anos. 

Não há que abdicar da liga interna, como é óbvio, mas talvez fosse essa a competição eleita para jogadores como André Almeida ou Rodrigo confirmarem credenciais. 

O sorteio só não foi perfeito para os encarnados porque os restantes favoritos à conquista da Liga Europa não vão anular-se nesta fase da prova, embora o Chelsea tenha o acesso às meias-finais dificultado. 

A "chata" (não encontro termo melhor) equipa do Rubin Kazan vai dar, por certo, muito trabalho a David Luiz, Lampard, Mata e companhia.

- Luis Pedro Sousa, jornal Record, 16 de Março de 2013

Vítor Paneira. “Saí com aplausos e o Artur Jorge foi despedido”


Vítor Paneira, o treinador. Subiu de divisão nos distritais, III Divisão e II Divisão sempre com equipas diferentes (Famalicão, Ribeirão e Tondela, onde está actualmente na II Liga). 


Vítor Paneira, o jogador. Três vezes campeão pelo Benfica, perdeu uma final europeia para o Milan e fez parte do melhor Vitória de Guimarães europeu. 

Em campo, com a bola, havia quem dissesse que tinha um estilo inconfundível, mesmo quando era Veloso com a bola. 

O erro no relato imortalizou-se e mesmo quem não se lembra de o ver em campo, já ouviu falar nesse momento. O "i" foi directo ao assunto.

Afinal qual é o seu estilo inconfundível?

[Risos] Penso que não havia nenhum. Era muito particular, pela forma como eu corria, como eu driblava, fazia-me ter um estilo diferente.

E a finta era a mesma. Como nasceu?

Foi com o tempo. Normalmente, eu pendia o corpo para o lado esquerdo e fugia sempre para o lado da linha. Tinha essa tendência e passava quase sempre os adversários. Era difícil de anular.

Havia bocas dos adversários?

Não. O Laureta, por exemplo, era um jogador muito agressivo e, picando-o um bocadinho, ele ficava destabilizado e partia logo para a porrada. Nós usávamos um bocadinho essa estratégia.

Além do Laureta, há outro lateral que tenha dado mais dores de cabeça?

Eram muitos. O Maldini foi um dos piores laterais de enfrentar. Joguei umas quatro ou cinco vezes contra ele e era muito difícil. Mas cá em Portugal também havia muitos: o Branco era bastante agressivo e subia bem no terreno.

Quando é que começou a jogar futebol e o que o levou a escolher isso?

Foi o gosto. Comecei a jogar muito tarde, com 16 anos, nos juvenis do Riopele. Depois fiz uma época nos juniores do Famalicão e subi a sénior. Mas não tive formação, não tive escola. Fui por brincadeira treinar, gostaram de mim, levei aquilo a sério e as coisas correram bem.

Nessa altura, quem é que via na televisão e tentava imitar?

O Chalana foi sempre um dos meus ídolos. E o Carlos Manuel. Eram jogadores de quem eu gostava.

Depois encontra Chalana no Benfica.

É, a minha ida para o Benfica coincide com o regresso do Chalana do futebol francês. E os dois jogámos juntos e foi sempre um prazer, independentemente de ele estar já numa fase difícil, em que vinha de lesões gravíssimas. Mas, ainda assim, tinha talento que chegasse.

Era chato ter o Chalana no lado contrário? Não havia preferências de lado?

Não. Tínhamos dinâmicas diferentes. Eu era jovem, ele tinha muita experiência e repartíamos o jogo. No fundo, todos tínhamos importância.

Como é que chega ao Benfica?

Começa numa captação da selecção para o torneio de Toulon, feita no Norte, em que cada equipa indicava dois jogadores. Fiquei no banco, lesionou-se um jogador e, na altura, o António Oliveira perguntou quem é que jogava no meio-campo. As coisas começaram a correr bem, estava lá gente do Benfica a ver, e passado um tempo, fui chamado para o torneio. Entretanto, o Benfica já tinha avançado.

Pensou duas vezes?

Nada. Nem dez segundos, quanto mais pensar duas vezes. Foi logo.

A primeira vez no Estádio da Luz é sempre inesquecível?

Sim. O Benfica foi disputar a Taça dos Campeões com o PSV e foi na semana a seguir que fui fazer uns treinos para me começar a ambientar e conhecer alguns colegas. Quando o Benfica regressa, faço três dias de treinos e depois vou para a apresentação, que é uma coisa fantástica. Na altura, eram milhares de pessoas: jogadores, jornalistas, médicos, adeptos, toda uma estrutura que mexe.

E o primeiro jogo na Luz?

Houve alguma protecção por parte do Toni. Num jogo em atraso da primeira jornada, quem ia jogar era o Abel Campos. Mas ele fica com gripe nessa quarta--feira. E o Toni perguntou-me se eu estava preparado para jogar com 70 ou 80 mil pessoas. E eu disse que estava. Fiz uma boa estreia e fiquei na equipa.

As pernas tremem mesmo ou é só algo bonito para se dizer?

Tremem! Treme, mas treme tudo antes de começar. Eu estava tranquilo porque tinha ido jogar a Montpellier para a Taça UEFA e tinha entrado nos últimos 20 minutos. Depois, em Portimão, pensava que ia para o banco, mas sou titular. Para mim foi tudo vivido a 500 à hora.

Ainda por cima é campeão.

Sim, as coisas correm muito bem. Passado três meses começo a ir à selecção, as coisas também correm bem, e foram sete anos até à chegada de Artur Jorge.

Ainda em 1989 marca um golo a Preud’Homme num Portugal-Bélgica.

No Estádio da Luz empatámos 1-1.

Ouvi dizer que lhe fazia a vida negra quando jogaram juntos no Benfica.

Ele dizia que sim. Devemos ter brincado uma vez ou outra. Era de apuramento para o Mundial, eu fiz um jogo brilhante, mas fiz uma entorse já no final.

O 6-3 ao Sporting em 1994 é o momento mais memorável?

Não, tivemos muito jogos. O 3-1 ao Arsenal, o 4-4 em Leverkusen, o 2-0 e o 1-0 nas Antas. Houve muitos momentos muito bons. Esse está marcado por ser contra o grande rival do Benfica e por ter sido um jogo que quase garantiu o título.

A derrota em Parma foi difícil?

Tínhamos feito um grande jogo na Luz: ganhámos 2-1, mas podíamos ter goleado por cinco ou seis. Foi um vendaval de futebol ofensivo e oportunidades perdidas. Depois, lá, o Mozer é expulso muito cedo, foi uma lição muito bem estudada do árbitro [Mario Van der Ende, holandês]. E acabámos por sofrer um golo a sete ou oito minutos do fim num canto para o qual estávamos preparados.

Não tem Paneira no nome. É de onde?

Vem do pai do meu pai, que tinha umas padarias e chamavam-lhe o Augusto Paneira, porque tem a ver com um objecto qualquer ligado à padaria. O meu pai ficou Augusto Paneira e eu herdei “o filho do Paneira” e acabei por ficar Vítor Paneira.

Artur Jorge destruiu a mística?

Depois da passagem dele, o Benfica passou por um deserto, quer de ideias, quer da qualidade dos jogadores, quer de títulos. E claramente que ele foi responsável. Mas quem deixou fazer é tão culpado como aquele que faz. Destruiu uma equipa campeã, mandou embora jogadores campeões com uma tradição no clube.

Mas o Paneira esteve perto de nem sequer ser treinado por ele. Esteve para sair para a Juventus?

Sim, houve uma possibilidade. O Toni e o Jesualdo Ferreira chamaram-me ao bar do Hotel Continental para dizer que estava tudo preparado e que era eu que ia avançar, a dar os parabéns. Mas depois, como não tinha empresário, fiquei por terra e acabou por ir o Paulo Sousa.

Em 1995 sai para o V. Guimarães. Foi a única hipótese que apareceu?

Não, felizmente não. Tive várias hipóteses, quer para o estrangeiro, quer para Portugal, de clubes de grande dimensão, mas fiz a melhor opção para mim em termos desportivos.

Enquanto estava no Benfica, chegou a ser capa de um desportivo, num 1 de Abril, equipado à FC Porto. Isso incomodou-o?

Houve uma vez à FC Porto e outra vez à Juventus. Mas não incomoda, entendemos logo que é uma brincadeira.

Carlos Manuel era um dos seus ídolos no Benfica. Ele tentou levá-lo para o Sporting em 1998?

Quando lá fui jogar, falava-se muito disso nos corredores. Falava-se que precisava de alguém com peso no balneário e que desse alguma mística e dizia-se que eu era o jogador que ele tinha indicado para ir para o Sporting.

Em Guimarães apanhou uma equipa de sonho. Zahovic, Meira, Capucho…
Apanhei uma equipa a jogar um futebol de que qualquer treinador, adepto e jogador gosta, um futebol desinibido, de grande qualidade e que nos dava um prazer imenso em tudo aquilo que fazíamos dentro de campo. Desportivamente foi muito bom porque adorei jogar em Guimarães, adorei desfrutar aqueles quatro anos.

O terceiro jogo que faz é no Estádio…

Da Luz! E despedi o Artur Jorge.

Como foi esse regresso?

As pessoas começavam a ter muitas reticências em relação ao Artur Jorge. Numa primeira fase houve algumas bocas, criaram um ambiente de intranquilidade e agressividade. Empatámos o jogo. Eu saí em aplausos, o Artur Jorge foi assobiado e depois acabou por ser despedido.

Esperava ter jogado no Euro-1996?

Esperava. Fiz uma época fantástica, estava num momento extraordinário e havia jogadores que estavam em baixo. Esperava ter, pelo menos, uma oportunidade.

Depois reencontra o Parma na Taça UEFA. Houve sentimento de desforra?

Foi uma mistura de sensações e de emoções. Para já, tinha-nos tirado uma final da Taça das Taças em que tínhamos sido injustamente eliminados. Senti que com o Guimarães, se fôssemos capazes de fazer o que fazíamos no campeonato, teríamos uma possibilidade de eliminar uma equipa fortíssima.

Como correu?

Acabámos por perder 2-1 lá, num jogo que coincide com o nascimento da minha filha. E depois ganhámos 2-0 em casa e eu faço o primeiro golo. Eliminámos o Parma com toda a justiça.

Esse golo é marcado a um guarda-redes chamado Buffon, que tinha 18 anos.
Sim. E mais uma curiosidade: fui eu que lhe marquei o primeiro golo em competições europeias.

É um “pequeno troféu” que guarda? Costuma falar disso?

Não, é só um registo. Foi a primeira vez dele nas competições europeias, previa-se já um futuro extraordinário e eu só tive a felicidade de ser o primeiro a marcar-lhe um golo. Mas nada mais do que isso.

Sempre pensou ser treinador?

Achava que tinha algum jeito para isso. Fui sendo capitão nas equipas por onde passei, havia sempre um sentido de liderança. Tenho tido uma caminhada difícil, de degrau em degrau. Não tenho empresário e as coisas vão sendo sempre sustentadas com o que vou fazendo ano a ano. Mas estou a dar os meus passos e a fazer aquilo que eu quero.

Quem foram os treinadores que mais o influenciaram na forma de ver o jogo?

O Toni, o Eriksson, o Vítor Oliveira, o próprio Quinito, que eu admiro muito. E até com os treinadores que nos marcam de forma negativa aprendemos.

O Paneira já subiu nos distritais, na III e na II. Para quando na II Liga?

Espero que o mais rapidamente possível, desde que tenha uma equipa competitiva e com essa capacidade. Estou muito contente com a equipa que tenho. Aquilo que projectámos no início da época está a ser conseguido, mas agora temos de melhorar mais, para ter uma equipa que possa ambicionar uma subida de divisão.

Recentemente estava numa posição que poderia almejar um lugar de subida. Falou-se disso no balneário?

No balneário não, mas falou-se disso. A onda de euforia que se gerou nas pessoas depois de estarmos a fazer um início de época muito bom, poucos meses após a subida, foi natural. Estávamos a dois pontos desse lugar. Mas estivemos sempre conscientes de quanto é difícil este campeonato. Nesta altura, as coisas estão num ciclo negativo, mas a equipa tem o mesmo talento, o mesmo valor, e vai dar a volta por cima.

O que falta vai ser tranquilo?

Sim, aquilo que nos propusemos foi a manutenção e essa está praticamente garantida. Agora queremos sempre mais e queremos subir degrau a degrau. Vamos fazer tudo para isso, para subir posições.

Preferia chegar à I Liga subindo ou recebendo uma proposta de um clube que já lá está?

Gostava de chegar a subir, logicamente. É algo que nos dá outra projecção. Mas se chegar por convite é igualmente bom ou importante. Se for através de um trabalho feito, que transporte um ciclo de vitórias de uma época para a outra, é sempre bom.

-Entrevista de Vítor Paneira ao jornal I

sábado, 16 de março de 2013

Nuno Farinha sobre Jesus: "Números impressionam e renovação está a tardar"



O "feiticeiro" Bella Guttmann foi o único treinador na história do Benfica a vencer, na mesma época, campeonato nacional e competição europeia (em 1961). 


Outros andaram lá perto, mas só o húngaro conseguiu. 

Na época em que foi campeão na Luz (2009/10), Jorge Jesus levou a equipa até aos quartos-de-final da Liga Europa. 

Agora, a dois meses do final da temporada, o cenário volta a ser muito favorável a JJ: segue isolado em 1.° lugar na Liga e vai defrontar o Newcastle para tentar alcançar as "meias" na prova da UEFA. 

Se os números que acumula na Luz já impressionam (200 jogos, 140 vitórias), só a hipótese de igualar a proeza de Bella Guttmann eleva a qualidade do trabalho de Jesus a um nível quase estratosférico. 

A renovação, essa, é que vai tardando...» 

- Nuno Farinha, jornal Record, 16 de Março de 2013

Escândalo: Nuno Gomes quer derrota do Benfica em Guimarães












-Prognósticos da Liga ZZ do site Zero Zero:

http://www.zerozero.pt/ttb.php

Nota: Já depois da publicação deste post, o site zero zero alterou o prognóstico de Nuno Gomes, passando de "1" para "2".