terça-feira, 19 de novembro de 2013

Video: Jornalista espanhol louco com exibição de Cristiano Ronaldo

Video: Sub-21 vencem em Israel com golos dos Benfiquistas Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva e André Gomes

Video: Rui Gomes da Silva oferece foto do Benfica Campeão Europeu em Hóquei em Patins no Dragão Caixa a Guilherme Aguiar


domingo, 17 de novembro de 2013

Bernardo Ribeiro: No FC Porto Cardozo não teria ficado


Cardozo é um jogador com um peso enorme no plantel do Benfica. Não só por estar a realizar a sétima temporada de águia ao peito, o que por si só já levaria a ser visto de forma diferente, mas pelos golos que marca e que muito têm contribuído para a felicidade dos adeptos encarnados. 

É curioso verificar como um ponta-de-lança com os números que o paraguaio exibe não recolhe, ainda assim, a unanimidade da tribo encarnada. Nem nas bancadas na Luz nem sequer aqui na redação. Os motivos poderão ser muitos desde o feitio por vezes pouco simpático à forma de jogar, que dá a ideia de quem tem pouca vontade de se esforçar quando a bola não lhe vai parar ao pé. A verdade é que os que não gostam recolhem trunfos na seleção paraguaia, pois apesar do que faz no Benfica, aí Tacuara não tem presença garantida.

Cardozo é hoje um jogador vital para Jorge Jesus. Foi o regresso do goleador que deu nova vida a uma equipa que parecia caminhar para a sua desintegração. Foram os seus 9 golos em 12 jogos que ajudaram o Benfica a sair da crise e a manter-se vivo em todas as frentes. Valeu então a pena a manutenção do avançado, apesar das tristes cenas protagonizadas no Jamor a temporada passada?

Todos os que olharem para o fenómeno futebolístico apenas como um momento dirão logo que sim. E mesmo outros que percam mais algum tempo a pensar na coisa. Porque não há verdades imutáveis nisto das opiniões, por muito que nos tentem vender que sim. Neste momento todas as leituras são possíveis. Mas poderá dizer-se que um treinador com outra personalidade nunca teria aceite ficar com Cardozo. Mourinho, por exemplo, teria corrido com ele. Por muito menos Balotelli foi a andar, mas acabou perdoado mil e uma vezes por Mancini. Bento seria outro que nunca aturaria a permanência do paraguaio. Há quem lhe chame teimoso, mas onde andam hoje Vukcevic, Stojkovic ou mesmo Carlos Martins? Pois.

O problema não está na permanência de Cardozo. Nenhum jogador é obrigado a sair de um clube por ter problemas disciplinares. Grave é a forma como todo o processo se passou, desde a conduta presidencial às palavras do treinador. Jesus fez saber mais do que uma vez que esperava a resolução do problema. 

Ela não apareceu, não porque Vieira ou o técnico não tenham tentado vendê-lo, mas porque à Luz não chegou nenhuma proposta que justificasse. E o técnico engoliu o que não terá sido fácil de engolir. Tudo está bem quando acaba bem: Resta saber se acaba bem. Por agora vai andando. 

No FC Porto teria ficado? Penso que não. 

- Bernardo Ribeiro, jornal Record, 17 de Novembro de 2013

Imperdível: Hat-trick de Cardozo ao Sporting visto da claque leonina


sábado, 16 de novembro de 2013

Portugal 1-0 Suécia: Golo com relato Nuno Matos Antena 1

Afonso de Melo e a profissionalização dos árbitros: Tudo feito em cima do joelho por gente incompetente


1. O Madaleno, ou a Rainha de Inglaterra, como um dia lhe chamou o presidente do Benfica, é figura influente como poucas no xadrez do Futebol. Talvez por isso não se estranhe que surja nas ocasiões de estadão geralmente ladeado por um bispo e por um eneral (aqui a fazer as funções do cavalo). A idade consome-os aos três de forma dura e duradoura, como é próprio da sua crueldade. E assim os recordaremos, inauguração atrás de inauguração, celebração de centenário inventado atrás de visitas papais: os três juntos, como num galheteiro.

2. Recordar é o termo certo. Não merece a pena acreditar nas fotografias. O que revelam num dia pode ser apagado no outro. O que vale é que, como dizia Iva Delgado, «a memória nunca prescreve».

3. Profissionalizam-se os árbitros à vontade do dono, tal e qual como se albardam os asnos. A partir de agora, qual será o clube que deseja ser arbitrado por um amador se tem à mão um verdadeiro profissional? E os observadores, passarão a profissionais (esta do passarão vem mais a propósito do que pensei a princípio) ou limitar-se-ão a ser amadores que classificam profissionais? E os piores classificados dos profissionais passarão por sua vez a amadores? E os melhores dos amadores? E o presidente dos árbitros vai ser profissional ou já o é? Como tudo o que é feito em cima do joelho por gente incompetente ficam perguntas demais sem resposta. 

Para já, ao que parece, profissionalizam-se meia-dúzia. E que meia-dúzia!!! Um oferece a camisola a um adepto do FC Porto; outro festeja títulos martelados com os jogadores e treinadores do FC Porto... E assim corre o futuro da arbitragem. Com o Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto à frente do galheteiro! Afinal é ele quem manda. 

-Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 15 de Novembro de 2013

Luís Filipe Vieira insultado por adeptos sportinguistas à saída da casa de João Malheiro


Foi no último domingo. Na véspera, o Benfica havia batido o Sporting, na Luz, eliminando, num jogo carregado de emoção, o seu arquirrival da Taça. Nesse dia, minutos antes, em Loures, aonde resido, outro triunfo vermelho, frente ao Sporting, na modalidade de Futsal. Ao cabo de uma parte da tarde de convívio, em minha casa, com o Benfica como pano de fundo, quando Luís Filipe Vieira abandonou as minhas instalações, um grupo organizado de jovens adeptos leoninos, dirigiram-lhe, de forma altissonante, alguns impropérios, demonstrando uma deplorável falta de respeito desportivo, para já não falar do devido esguardo institucional.

Morador em Loures, cidade com inúmeros adeptos benfiquistas, registei o acontecimento com particular lamúria. Da mesma forma, sublinho a postura exemplar de Luís Filipe Vieira, incapaz de responder às provocações, assumindo uma postura dignificante para o líder de uma instituição com a grandeza e o caráter do Sport Lisboa e Benfica.

No dia seguinte, o acontecimento foi notícia. No mesmo dia e nos subsequentes, recebi inúmeras manifestações de solidariedade, repúdio pelos acontecimentos, inclusive de vários aficionados e até sócios de longa filiação na agremiação de Alvalade.

O sucedido vale o que vale. Mas vale, sobretudo, pela serenidade, mais classe de Luís Filipe Vieira. E vale pela selvajaria verbal de simpatizantes do Sporting, clube que tantas vezes apregoa superioridade moral, quando muitos dos seus apoiantes comentam arruaças de absoluta torpeza. 

-João Malheiro, jornal 'O Benfica', 15 de Novembro de 2013

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Pedro Santos Guerreiro: UEFA atribuiu à FPF o prémio de marketing do ano

 

A enchente garantida para esta sexta-feira no Estádio da Luz é muito mais do que um sinal de devoção coletiva pela Seleção Nacional. É o resultado de uma gestão profissional na Federação, que, quanto à lotação, neste jogo fez tudo bem.

Agora é ganhá-lo.

É um dos jogos do ano. Portugal contra Suécia. Ronaldo contra Ibrahimovic. Primeira mão de apuramento contra exclusão do Mundial de futebol. O frenesim à volta do jogo é tão grande que, já ontem, a Federação decidiu emitir mais 800 bilhetes para lugares com visibilidade reduzida: voaram num instante.

Só se pode vender o que é bom: a perspetiva de jogo e a qualidade das equipas asseguram-no. Mas depois há o resto. Há o marketing, a publicidade, os canais de distribuição, o preço, as promoções. Ora, a Federação investiu em publicidade e ativou duas parcerias de envergadura, uma com o Continente, para vender os bilhetes, outra com a Santa Casa da Misericórdia, com a qual fará o espetáculo da maior bandeira de Portugal num estádio. Haverá bandas e festança.

O resultado é um pouco mais de 60 mil pessoas no estádio, que pagaram bilhetes a partir de dez euros, sendo a maior parte deles a 20 euros. Faça as contas, é um balúrdio. Nem há uma semana, o superjogo no mesmo estádio entre o Benfica e o Sporting teve um pouco mais de 40 mil pessoas, com os bilhetes em média mais baratos.

Isto acontece em primeiro lugar porque o público de Seleção Nacional é diferente do público dos jogos de clubes. Há mais famílias. Haverá milhares. de crianças a ver no estádio este Portugal-Suécia. Mas também acontece porque, através das parceiras e promoções nos supermercados, a Federação conseguiu impulsionar a compra por impulso.

Isto não é só futebol, é economia. É gestão - a gestão profissional de Fernando Gomes, que tem cumprido as expectativas com que entrou na FPF. Não é por acaso que estas campanhas são um caso de estudo na UEFA, que atribuiu à Federação portuguesa o prémio de marketing do ano.

O estádio vai encher-se com grandes esperanças. Esperemos que se esvazie de gente radiante. 

- Pedro Guerreiro, jornal Record, 14 de Novembro de 2013

Leonor Pinhão: Elejo Cardozo como o adepto do ano


Com a liberdade e a autoridade que me são conferidas nesta página, atribuo ao cidadão paraguaio Óscar Cardozo o título de adepto do ano do SLB.
Do ano civil, entenda-se. Aquele que começou a 1 de Janeiro último e que terminará no próximo dia 31 de Dezembro.

Podem-me contestar a decisão por ser extemporânea, precipitada. Ainda falta um mês e meio até que 2013 acabe e quem sabe se, até lá, não aparecerá outro adepto, ou mesmo sócio, capaz de uma proeza qualquer que a todos encante.

No entanto, duvido de que, quem quer que seja o candidato, se consiga bater com Óscar Cardozo pelo título de adepto do ano, distinção que, a meu ver, se vai ganhando durante 365 dias à porfia e não por uma noite de brilharete avulso seja em que mês for.

É evidente que a prestação do paraguaio na noite de sábado contribuiu para o peso desta nomeação. Mas só contribuiu em 50 por cento. E não foi por ter marcado três golos ao velho rival, coisa que já tinha feito, na época passada, em Alvalade. Isto, segundo os critérios da Liga com os quais não concordo porque um dos golos atribuídos a Óscar Cardozo foi, inequivocamente, um auto-golo de Rojo.

Neste último jogo com o Sporting, o que pôs fim à discussão sobre o nome do adepto do ano não foi a veia goleadora do paraguaio. Cardozo, por norma, marca muitos golos ao Sporting, daí não veio grossa novidade. No sábado só foi diferente porque não se tratou de Cardozo mas sim de meio-Cardozo, visto que se magoara seriamente no jogo anterior e a sua utilização esteve em dúvida até à hora de entrar em campo.

Provavelmente, se a Liga portuguesa fosse organizada pela ONU, Cardozo não tinha jogado. Já ouvi protestos assanhados pela sua utilização no sábado contrariando todas as disposições médicas e humanitárias em vigor.
No entanto, o meio-Cardozo magoado que se apresentou a jogo deu uma grande lição aos magoados adeptos do Benfica, aos que ainda não recuperaram a alma perdida naquelas duas semanas fatídicas do último Maio.

E sabe-se que adepto sem alma é meio-adepto. Ponham, portanto, os meios-adeptos os olhos no meio-Cardozo, também ele magoado, mas mais do que capaz de fazer o que se lhe pedia nesta última ocasião. E sem hesitações. Só por isto já merecia a distinção de adepto do ano. Mas houve mais.
Os outros 50 por cento que contribuíram para a atribuição do título de adepto do ano a Cardozo surgiram naqueles instantes depois do último descalabro da temporada, no Jamor, quando um inconformado Óscar Cardozo se dirigiu ao seu treinador em termos desabridos, pedindo-lhe explicações, apontando-lhe o dedo.

Foi feio? Foi pois. Mas quantos adeptos do Benfica não teriam feito exactamente a mesma coisa se para tal tivessem tudo oportunidade? Oh, falsos moralistas!

No melhor e no pior, em 2013, existiu uma simbiose perfeita entre o paraguaio e os adeptos do Benfica. Houve vezes em que um e os outros pareciam a mesma coisa.

Por isso, Óscar Cardozo inteiro e meio-Óscar Cardozo, elejo-te o adepto do ano.

Tenho dito.

-Leonor Pinhão, jornal A Bola, 14 de Novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

José António Saraiva: Sporting deixou de ser grande ou Leonardo Jardim decidiu ser hipócrita?

 

Há meia dúzia de semanas, Leonardo Jardim considerava uma hipocrisia um dos três grandes queixar-se das arbitragens. No sábado passado, porém, lá apareceu a justificar a derrota com "dois erros do árbitro". Será o Sporting que deixou de ser grande ou Jardim que decidiu ser hipócrita?

Devo dizer que sempre me indignaram mais os penáltis mal assinalados do que aqueles que o árbitro não marca, sobretudo quando as jogadas não têm perigo nenhum.

Mas, com erros ou não, o dérbi lisboeta foi um importante jogo de futebol, sobretudo por duas razões:

1 - Confirmou a ressurreição do Sporting, depois do coma da época passada. É hoje uma equipa alegre, intensa, objetiva, rapidíssima, funcionando sempre em coletivo, capaz de trocar a bola em pequenos espaços, onde cada jogador está a superar-se. Leonardo Jardim, com o apoio do presidente, tem feito um trabalho tremendo;

2 - Confirmou o crescendo do Benfica, depois de um desgraçado início de época. A equipa apática de há semanas parece transfigurada: corre, luta, voltou a produzir um futebol vistoso e espetacular, com todos os jogadores a subirem de produção.

Sendo um jogo com grandes jogadas e grandes golos, o dérbi acabou por ser decidido por um lance cómico, que no entanto pôs justiça no resultado, considerando que:

A - Numa altura crucial do jogo, o Benfica perdeu uma pedra que estava a ser preciosa (Ruben Amorim), caindo a pique e permitindo a reação do Sporting;

B - O Benfica voltou a sofrer um golo depois do minuto 90, o que é sempre traumatizante, mas foi cruel depois do esforço enorme de Atenas e quando os jogadores já julgavam a eliminatória resolvida;

C - Mesmo assim, a equipa cerrou os dentes, fez das tripas coração, encostou o Sporting às cordas e teve ânimo para chegar à vitória.

Portanto: parabéns ao Benfica, parabéns ao Sporting e uma recomendação a Jardim: nunca volte a dizer "desta água não beberei". Nenhum latino (mesmo ilhéu) pode afirmar que nunca se queixará do árbitro. 
Não temos a fleuma britânica, temos o sangue quente - e sobretudo, como aceitamos com dificuldade as derrotas, somos sempre tentados a justificá-las com erros alheios. 

- José António Saraiva, jornal Record, 13 de Novembro de 2013

Carlos Daniel: Subida de rendimento da equipa deve-se ao novo sistema de 3 médios

 

Que me desculpem aqueles que não querem ver que houve jogo além dos erros do árbitro ou do frango de Rui Patrício. É que houve mesmo, e deixou que contar:

1. O Benfica joga muito melhor no sistema de três médios pelo qual Jesus optou nas duas últimas partidas, ainda que negue a si próprio ter-se rendido ao 4x3x3, que considerou um dia como o "sistema mais fácil de anular";

2. Foi com a inclusão do terceiro médio que se libertaram (de algumas tarefas defensivas) os dois jogadores mais determinantes do processo de criação encarnado - Enzo e Gaitán. À subida de rendimento de ambos, muito mais que à eficácia de Cardozo, se deve a subida de rendimento da equipa;

3. O grande teste vem a seguir, a propósito da lesão de Ruben Amorim. Vai Jesus manter-se no rumo que valeu subida de rendimento imediata (promovendo André Gomes ou deslocando Gaitán para zona central) ou não resiste à enésima tentativa de provar que é possível ganhar com o sistema de quatro avançados?

4. A opção errada por Ivan Cavaleiro durante o jogo da Taça indicia que o técnico encarnado pode seguir a segunda via, que é a errada. No sábado, foi nessa substituição que entregou o domínio ao Sporting e quase perdeu uma eliminatória que estava ganha. Já Lima entrou tarde mas bem;

5. O Sporting não tem qualidade individual para competir com os grandes rivais, e essa discrepância de talento faz muita diferença em jogos como o de sábado. Comparar qualquer dos setores (defesa, meio campo, ataque) das duas equipas prova-o à exaustão, mais ainda quando o próprio Rui Patrício falha (que teoricamente o Sporting só leva vantagem no guarda-redes);

6. Há por isso grande mérito de Leonardo Jardim na forma como tem feito crescer o misto de jovens e estrangeiros (mais ou menos) desconhecidos com que criou o novo Sporting. Pelo coletivo bem trabalhado disfarça as limitações de orçamento;

7. Também nas substituições Leonardo Jardim esteve bem, sobretudo quando lançou Slimani para criar novos problemas à defesa do Benfica. E o argelino podia ter feito um hat-trick;

8. O futuro do Sporting depende da serenidade de um grupo de trabalho que deve - e merece - cumprir tranquilamente o seu processo de crescimento. As declarações desbragadas do presidente Bruno de Carvalho arrastam os adeptos para a ideia de que o Sporting só não ganha já a tua a gente porque forças ocultas o impedem. Além de fazer mal à equipa, não é verdade.

-Carlos Daniel, Diário de Noticias

Bagão Félix: 8 notas sobre o derby


1. Diga-se o que se disser, os jogos entre o Benfica e o Sporting continuam a ser o mais genuíno dérbi/clássico nacional. Com a radical rivalidade de quem quer vencer saborosamente o opositor (no campo), com o eterno fascínio da imprevisibilidade do desfecho, independentemente de quem está melhor ou pior, mas sem a obsessão doentia e a guerrilha figadal (fora do campo e às vezes dentro dele) de outros clássicos.

2. O jogo foi um hino à emoção imanente ao futebol. Esplendoroso e empolgante. Como, aliás, nos anteriores confrontos para a Taça. Agora 4-3, antes 5-3 e 3-3. Ao todo 21 golos, uma média de 7 por jogo! À inglesa.

3. No sábado, outra boa notícia: dos 28 jogadores, 11 eram portugueses. No Benfica, cinco (hélas, há quanto tempo!) e no Sporting, seis.

4. Escrevi aqui em Setembro de 2010: Cardozo, além de Óscar, é alcunhado de Tacuara. Por isso, os benfiquistas lhe exigem que seja como o que esta palavra significa em tupi-guarani: cana de bambu que chega a doze metros e é usada para fazer eixos de lança. Como os que, sob a forma de golo, marcou ao Sporting!

5. Em Atenas 7 oportunidades e 0 golos para o SLB, com Roberto a brilhar. Na Luz 7 oportunidades, 4 golos e duas bolas nos ferros, com o excelente Rui Patrício a falhar. Da ineficácia para a eficácia (ou vice-versa) em alguns dias.

6. Voltou o fantasma do minuto 92. Não haverá relógios que passem directamente do minuto 91 para o 93?...

7. E o espectro dos cantos e livres defendidos à zona. Este ano já vão 6, sem esquecer Chelsea e Estoril no terrível fim de época. O vírus da zona?

8. Que regresse depressa Ruben Amorim. 

- Bagão Félix, jornal A Bola, 13 de Novembro de 2013

Carlos Daniel continua a criticar Cardozo: Não marca assim tantos golos quanto isso



Pedro Barbosa analisa o derby: Cardozo entrou para a história!


1. Que grande jogo! Eu já tive a felicidade de participar em jogos destes e por isso sei o que é viver aquele ambiente com a intensidade e entusiasmo de todos. Houve de tudo no derby. Espectáculo, emoção, paixão dos adeptos, erros e a incerteza no resultado. Mas infelizmente os erros de arbitragem continuam, algumas declarações no final e as situações com Jesus também. Já chega e o treinador do Benfica ainda não percebeu isso.

2. Jesus voltou a usar o desenho táctico de Atenas. Sentiu-se confortável? Foi para equilibrar a luta no meio campo? Não sei se o recuo inicial do Benfica foi estratégico ou se foi o Sporting que obrigou a isso, mas o Benfica sentiu-se cómodo. A verdade é que com Ruben Amorim este novo desenho ganha consistência, capacidade de pressão e intensidade e até ao momento um acréscimo de qualidade. Os golos deram-lhe tranquilidade e o controlo do jogo, mas a boa reacção do Sporting criou problemas.

3. O Sporting apresentou-se com identidade e foi fiel aos princípios que defende. A boa entrada em jogo, pressionante e a jogar no meio campo ofensivo prova isso mesmo. Mas o que retiro desta equipa foi a capacidade para reagir. Após o intervalo e uma desvantagem de dois golos, voltou ao jogo e sempre como equipa. Soube aproveitar as que são nesta altura as fragilidades do Benfica e durou até ao fim. Apesar da derrota, a equipa cresce e são este tipo de jogos que dão experiência e maturidade para outros confrontos.

4. Cardozo foi o homem do jogo. Hat-trick num derby coloca-o nesse patamar. Muito se fala de Cardozo, na relação que tem com os adeptos, mas ele faz golos. É um finalizador e voltou a decidir neste jogo. Não se movimenta muito, pouco entra no processo ofensivo da equipa, mas quando a bola aparece na área normalmente marca. Neste jogo tocou poucas as vezes na bola e foi tremendamente eficaz. De bola parada, de primeira numa boa jogada colectiva e na pequena área a cabecear com classe. Três momentos que lançam Cardozo para a história dos derbies.

5. Foram onze os portugueses que estiveram no derby. Muito bom olhando para o passado recente. Destaque para a vontade, alegria e dinâmica de Ivan Cavaleiro a mostrar a Jesus que tem de contar com ele. Os 30 minutos de André Gomes foram curtos. Tem qualidade para mais e é bom ver a personalidade e confiança que possui. Do lado do Sporting a juventude impera e tem sido normal. Adrien mais presente e activo e o Sporting melhorou. Gostei da irreverência de Carlos Mané. Sem medo, com velocidade e coragem a merecer outras oportunidades.

6. Rui Patrício errou. Com este lance já ninguém se lembra das boas defesas que fez. Nem da forma como fez a leitura certa do jogo que está a decorrer à sua frente. Seja através de uma saída fora da área ou a um cruzamento. Patrício fez tudo isso mas na sua posição não há ninguém para colmatar o erro. Para a história fica o golo que sofreu e não o bom comportamento geral. É a vida solitária do guarda-redes e o Rui sabe disso. É forte e tem capacidade para ultrapassar este momento.

7. William Carvalho continua a trajectória segura. Sereno, com personalidade marca o ritmo da equipa. Teremos surpresa no jogo com a Suécia?

8. Montero não marcou mas é um jogador de qualidade. Inteligente, sabe o que faz e os terrenos que pisa. A entrada de Slimani fê-lo baixar no terreno. Pode ser uma opção não só para o decorrer do jogo. O jogo da equipa passa a ser diferente mas ganha qualidade e mais presença na área.

9. O jogo também se fez nos bancos. E aí gostei dos treinadores. Diferentes, é certo, mas cada um com boa postura nas substituições. De certeza que Jardim mexeu com os jogadores no intervalo e foi colocando as fichas à medida do jogo. Foram acertadas e tiveram efeito prático. Foi ao limite e o erro deitou tudo a perder. Jesus, por outro lado, teve desde cedo o resultado do seu lado e foi gerindo o tempo e a equipa. Ter Lima para entrar no prolongamento fê-lo voltar ao figurino habitual de dois avançados e acabou por resultar.

10. As bolas paradas, por muito que Jesus não o admita, estão a ser um problema. A equipa tem revelado pouca concentração, posicionamento deficiente e passividade no momento de atacar a bola e os resultados estão à vista. É urgente reconhecer e atacar o problema porque a sensação que existe é que qualquer bola na área é um momento de aflição.

-Pedro Barbosa, Site Mais Futebol

José Marinho: Caiu o verniz em Alvalade, quando perdem a culpa é do árbitro


NOTAS DE UM DERBY MEMORÁVEL 

Grande jogo de futebol e um vencedor justo;

- Ressurgimento de Cardozo como melhor avançado do futebol português, de momento;

- Estranha apatia defensiva do Benfica nas bolas paradas que permitiu uma reacção do Sporting nos esquemas tácticos, o que nunca aconteceu em futebol corrido;

- Desta vez, parece que não há dúvidas de que Cardozo obteve mesmo um "hattrick";

- Caiu o verniz em Alvalade e pelas mesmas razões históricas. Quando perdem a culpa é do árbitro;

-Afinal Leonardo Jardim também fala da arbitragem. Curiosamente das duas vezes que o fez, foi para se referir a jogos com o Benfica. Antes do jogo do campeonato - convém recordar que o Benfica foi prejudicado de forma decisiva - e depois do jogo da Taça;

- Gaitán podia ser um dos melhores jogadores do futebol europeu? Podia, mas se calhar não era a mesma coisa.

- Rui Patrício é e será sempre um dos melhores.

- Gosto do estilo de Bruno Carvalho. Entre o presidente e o chefe de claque. A verdade é que está a resultar num clube com aquela estranha mania de superioridade moral e social. O que, como se sabe, não existe. Nem no futebol, nem na vida real.

-José Marinho, Facebook

Nélson Oliveira desvaloriza Cardozo: Não é o género de avançado que eu aprecio


Pouco preocupado em saber porque não ficou no Benfica, o dianteiro brilha no Rennes como consequência da confiança que lhe é dada pelo seu treinador.

Nélson Oliveira voltou a ser cedido pelo Benfica, agora ao Rennes, porque na Luz há Cardozo - um goleador que não lhe enche as medidas, preferindo... Ibrahimovic -, mas também Lima e Rodrigo. 

Emigrou e está em alta, a marcar golos e a realizar exibições de elevado quilate, porque, como refere em entrevista a O JOGO, sente que o seu treinador, Philippe Montanier, confia plenamente nas suas qualidades. Quanto a Jorge Jesus, que "tem a sua maneira de trabalhar", diz apenas que a confiança manifestada por um treinador é "meio caminho andado" para um jogador explodir. E, isso, o jogador de 22 anos está a conseguir longe da Luz.

Um dos seus concorrentes diretos na Luz, Cardozo, fez um hat trick no dérbi com o Sporting. O que achou da exibição do jogador paraguaio?

Não tive oportunidade de assistir ao dérbi. Cardozo é um excelente avançado, mas não é o género de avançado que eu aprecio.

-Noticia retirada do site do jornal O Jogo

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Miguel Sousa Tavares peremptório sobre o derby: Benfica ganhou bem e Duarte Gomes fez uma excelente arbitragem

 

Em minha opinião, o Benfica ganhou bem o derby de Lisboa: jogou mais, teve melhores ocasiões e esteve sempre por cima no resultado. Para além disso, teve um super-Cardozo - que, de há muito, eu considero, não o melhor jogador da equipa (esse é Gaitán), mas o mais valioso. 

Sorri ironicamente quando, no começo da época, se escreveram inúmeros textos a anunciar a sua iminente saída por desrespeito público ao treinador e aqui mesmo grandes benfiquistas explicaram veementemente que, com a sua continuação, estava em causa a dignidade da «instituição». E sorri, porque, infelizmente, nunca acreditei nesse hara-kiri, por parte da direcção. 

Como seria de esperar, Cardozo ficou e começou a marcar, como sabe: todos meteram a viola no saco e a Jorge Jesus até só faltou agora reivindicar a autoria dos três golos de Cardozo ao Sporting. Diz que foi o seu «instinto» que foi determinante para meter o Cardozo a jogar - como se todos nós, a começar por Leonardo Jardim, não soubéssemos que a alternativa não passou de um bluff pífio, pois que o «insubordinado» Óscar Cardozo é o ganha-pão de Jorge Jesus e de toda a equipa.

Quanto ao Sporting, jogou tudo o que tinha e indiscutivelmente melhor do que desde há muito. Mas, como já sucedera no Dragão, o que tinha não chegou e não foi capaz, mais uma vez, de tirar partido do cansaço europeu dos seus rivais. Como seria de esperar também, mandaram as culpas da derrota para cima do árbitro, porque a cultura de Calimero não desaparece facilmente (e, no dia em que desaparecer, o Sporting começa a ganhar). 

Eu achei a arbitragem de Duarte Gomes excelente, não tenho dúvidas de que o primeiro penalty reclamado não existe (o Montero vem por trás, interpor-se entre o pontapé de Luisão e a bola, só podendo ser atingido), e, quanto ao segundo, é daqueles que umas vezes são marcados, outras não. Os meus leitores habituais sabem que eu abomino estes penalties, em que praticamente se exige aos defesas que joguem sem braços, como se fossem decepados, e, sobretudo, acho que é próprio das equipas fracas reclamarem penalties destes, que, a serem marcados, caem quase sempre do céu, sem qualquer correspondência com as jogadas e com o mérito dos ataques. 

Mas já se sabe que o clube que anunciou ao mundo em comunicado que é dotado de uma «nobreza de carácter» de saber ganhar e saber perder, que não está ao alcance dos outros, terá sempre de encontrar um bode expiatório para os seus desaires. 

Desta vez, pelo menos, não foi a falta de cadeiras na cabina dos treinadores nem as bolas enviadas para a bancada que não foram devolvidas pelo público... 

- Miguel Sousa Tavares, jornal A Bola, 12 de Novembro de 2013

Fernando Guerra dizima Jorge Jesus: É o pior treinador da história do Benfica!



Toda a gente sabe que a coerência é um dos traços que mais vincadamente caracterizam a personalidade de Jorge Jesus. Palavra dita é amadurecida e opinião expendida é fruto de prévia e profunda reflexão. Outra situação, diametralmente oposta, é o que não diz e as pessoas teimam em garantir que disse ou pensou, não devendo faltar muito por isso, para, em reposição da verdade, vir a terreiro desancar quem ousou insinuar que ele sugeriu a dispensa de Cardozo ou admitiu haver falta de espaço para os dois coabitarem na estrutura do futebol profissional. 

A pré-temporada foi enriquecida pelo folhetim e não consta que, até determinada altura, coincidente com a realização do primeiro derby da época, na 3.ª jornada da Liga, em Alvalade, até esse dia, repete-se, não consta que alguma vez Jesus tivesse rejeitado o que fora noticiado sobre o assunto.

Pode concluir-se hoje, com as devidas reservas, que o empurrão em pleno relvado no Jamor, na derrota da final da Taça de Portugal diante do Vitória de Guimarães, não terá ultrapassado em gravidade as reaçôes a quente que serão normais entre atores do futebol. 

Tanto assim que, após o palpitante derby, Jesus entendeu esclarecer o País que Cardozo é «um finalizador, um goleador!». Deve reconhecer-se que é mesmo o máximo como treinador, pois teve feeling e, levado pela sua inatingível perspicácia, tomou a decisão «em boa hora»: a de utilizar o avançado paraguaio, o qual, pormenor que Jesus parecia ignorar quando definiu a equipa, representa 37,5 por cento do total de golos apontados pelo Benfica em 2013/14 e assinou 169 desde que foi contratado em 2007, dos quais doze (!) ao Sporting.

Pelos vistos, Jesus só descobriu isso no sábado passado... em que me parece ter atrapalhado de mais e orientado de menos. Com a qualidade do plantel que o presidente colocou à sua disposição, com Óscar, como lhe chama, em noite inspirada, três golos até ao intervalo, e com confortável vantagem no recomeço, deixar-se levar para prolongamento e precisar da cumplicidade de Rui Patrício para escapar ao sortilégio das grandes penalidades julgo ser mais de atrapalhador do que de treinador. 

É essa a sensação com que fiquei do jogo de Atenas, com o Olympiakos, e do da Luz, com o Sporting: os jogadores sabem fazer bem e sentem que podem chegar longe, mas há um pequeno problema chamado Jesus, o qual continua a valorizar a primeira pessoa do singular e a menosprezar o desempenho dos seus profissionais.

Objectivamente, feeling teve-o Luís Filipe Vieira ao arrastar a polémica de verão. Este plantel governava-se sem Jesus mas perdia-se sem Cardozo, o que conduz a uma evidência: se Jesus quisesse sair seria um respirar de alívio; se Cardozo mudasse de emblema seria uma enorme preocupação.

Regressemos, porém, à inabalável coerência de Jesus. Em meados de outubro, considerou prioritários o campeonato e a Taça de Portugal. Quinze dias depois, em Coimbra, em nova demonstração de estruturada linha de pensamento, não só proclamou justificadas pretensões na Champions, como, qual milagre, reivindicou a legitimidade de sonhar com a presença na final, em maio de 2014, marcada para o Estádio da Luz.

Mais fantástico ainda, como o trapezista no circo, em que a cada exercício se propõe arriscar a vida para fixar o interesse do público, o mesmo treinador que abominava o 4x3x3, vendo nele o sistema mais fácil de desmontar, apesar de André Villas Boas e mais tarde Vítor Pereira lhe terem provado o contrário, mudou de ideias, sabe-se lá por que circunstâncias, e, de repente, o modelo no qual não se cansou de bater é promovido a primeira escolha. Nenhum drama na mudança, refira-se. 

Grave, sim, é o Benfica ter tolerado a teimosia num conceito sem jeito. Por isso, na relação tempo/títulos, Jesus é o pior da história do Benfica. 

Por isso, quando se lhe exigia que somasse seis pontos nos confrontos com o Olympiakos, através de duas vitórias, averbou um e abriu a porta da Liga Europa, como lhe é habitual. Por isso, depois de se apanhar com a situação controlada com o Sporting, entrou em regime de contenção, permitiu a recuperação leonina e acabou imensamente agradecido ao seu anjo da guarda... 

Não sei se este plantel encarnado é o melhor dos últimos 30 anos, como alvitrou Vieira, mas é francamente muito bom. Tão bom que é capaz de obrigar Jesus a conquistar algum título... importante. 

- Fernando Guerra, jornal A Bola, 12 de Novembro de 2013