Noticias, Fotos, Videos, Resumos de Jogos e Artigos de Opinião acerca do Benfica e de tudo aquilo que o rodeia
terça-feira, 18 de junho de 2013
Bernardo Ribeiro: Para o Benfica bater o Porto é fundamental segurar Matic e Perez
Jorge Jesus há muito fez saber a Vieira que Matic e Enzo Pérez são dois jogadores vitais no plantel do Benfica e considerados imprescindíveis pelo técnico no que toca às ambições desportivas. Para bater o FC Porto internamente e sonhar com a quase utopia da presença caseira na final da Champions, seria determinante manter a dupla que jogou e fez jogar a equipa encarnada. O problema é que o presidente encarnado já percebeu que o sérvio é a melhor aposta para encaixar muitos milhões este defeso e poderá não ser capaz de fazer a vontade a JJ.
No futebol português querer não é poder. Nem em termos de contratações, nem na construção dos plantéis, sempre à mercê de clubes mais poderosos financeiramente, por muito que lhes falte história ou adeptos para rivalizarem com potências como Benfica ou FC Porto. É a vida. Mas tem custos, vender craques como Matic ou mesmo João Moutinho.
Vendas de 70 milhões como foi a de James e Moutinho ou a eventual cedência de Matic por números perto da cláusula são, obviamente, grandes negócios e que equilibram as debilitadas contas das SAD's, mas desportivamente obrigam a reestruturações que nem sempre são bem-sucedidas. Quando perdeu Javi, Jesus tinha no plantel Matic e encontrou uma nova forma de arrumar o miolo, até porque Enzo é um jogador completíssimo. Esta época não é assim. E é preciso estar já preparado para uma saída tão impactante. Ou a perda desportiva poderá ser enorme.
Entretanto, o Sporting continua a viver novos capítulos na renovação de Bruma. Os dirigentes leoninos têm de defender o clube de empresários que abusem da confiança, mas ao mesmo tempo ter cuidado no uso de um discurso bélico contra agentes que hoje são importantíssimos no fenómeno futebol. O clube de Alvalade tem mais de uma dezena de jogadores para colocar e quem terá de o fazer são os mesmos empresários que hoje são criticados. E o tempo vai passando. A saúde financeira do Sporting precisa de muita ação e não de guerras para a bancada.»
- Bernardo Ribeiro, jornal Record, 18 de Junho de 2013
Coentrão de regresso? Real Madrid ainda deve 16 milhões relativos a Coentrão e Di Maria
Jornal "As" afirma que o Benfica e Fábio Coentrão estão a discutir as eventuais condições salariais que o internacional português teria caso regressasse à Luz.
O desejo assumido por Fábio Coentrão em "regressar ao Benfica antes dos 30 anos" poderá ocorrer mais rapidamente do que seria previsto. Segundo avança o jornal "As" nesta segunda-feira, o internacional português já está em negociações para regressar à Luz.
O maior entrave, refere a publicação, passa pelo salário de Coentrão, que aufere 2,5 milhões de euros "limpos" por época. Clube e jogador, porém, já estão em conversações para encontrar uma fórmula de entendimento, refere o "As". Situação que a saída de Pablo Aimar, que ocupava uma das maiores "fatias" na folha salarial da Luz (2,1 milhões de euros/época), poderá ajudar a solucionar.
Há, porém, outro problema: o Real Madrid investiu 30 milhões de euros na contratação do lateral-esquerdo e pretende receber, pelo menos 20 milhões, sendo que o Mónaco é um dos clubes dispostos a pagar essa quantia. Coentrão, porém, já comunicou a Jorge Mendes que o seu desejo é regressar ao Benfica, completa o "As".
Segundo o último relatório e contas comunicado pela SAD encarnada à CMVM, o Real Madrid ainda devia, no final do 3.º trimestre de 2012/13, mais de 16 milhões de euros ao Benfica pelas aquisições de Di Maria e Fábio Coentrão.
-Noticia retirada do site do Diário de Noticias
Benfica em missão de espionagem na Argentina
Ainda assim, trata-se de Miguel Quaresma (na foto tira apontamentos), que ao lado tinha Jorge Gomes (à esquerda de Quaresma), um dos olheiros do emblema da Luz na América do Sul. De resto, os encarnados mantêm-se atentos ao campeonato daquele país, cujo primeiro escalão prossegue neste domingo com a realização de cinco jogos.
Os encarnados estarão em pelo menos quatro estádios argentinos, neste domingo.
Nos últimos dias, tem-se falado no interesse do Benfica em Lisandro Lopez, central do Arsenal Sarandi que neste domingo joga na Bombonera, com o Boca Juniors. Curiosamente, foi um dos poucos nomes que o clube da Luz não negou.
Pouco depois, o River Plate, que conta com o benfiquista Rodrigo Mora, recebe o Lanús.
-Noticia retirada do site do Mais Futebol
Luís Sénica deixa mensagem de despedida
"A vida é como um Cometa! É lindo, passa rápido e não se sabe o impacto que tem...só com o tempo...
Fiz ontem o meu último jogo ao serviço do SL Benfica e na próxima terça-feira farei o último treino.
Foram quatro intensos anos, em que ri, chorei, gritei, exultei, sofri e que tudo dei de mim, mas quis Deus que no fim pudesse dizer que sinto que venci, mas não venci sozinho, venci com um Grupo de Jogadores que tornaram esta equipa um Bloco e foram os grandes dínamos destes êxitos, venci com o apoio incondicional de um Grupo de Sócios/adeptos, pequeno no início, mas forte na sua determinação e crença que arrastaram muitos outros e foram determinantes.
Para memória futura deixo um pequeno registo desta passagem, fiz 188 jogos ao serviço do Benfica, obtive 145 vitórias, 19 empates e 23 derrotas, estes números resultaram em 7 Títulos.
Obrigado!
Porque não falei nos outros… não vale a pena mas tenho memória e valores."
-Luís Sénica, Facebook
segunda-feira, 17 de junho de 2013
João Malheiro deixa recado: "Antes de mim não havia director de comunicação em Portugal"
Há quem o chame até "o papagaio do Benfica"...
É uma expressão depreciativa, eu sei. Mas não valorizo. Costumo dizer, e não querendo melindrar ninguém, que antes de mim não havia director de comunicação no futebol em Portugal. Aliás, a figura foi inventada por mim e pelo Manuel Vilarinho, em 2000. Chegou-se a discutir a questão de ser director técnico, depois director de comunicação, que não existia. Depois de mim, também não há directores de comunicação. Ou melhor, só há no aspecto formal, mas não comunicam. Não estou a criticar, estou a constatar, atenção, mas no meu tempo falava quase todos os dias em nome do Benfica. Entre 2000 e 2003, tempo do meu consulado, deixei uma marca muito viva no país. As pessoas não estavam habituadas a que aparecesse um quadro do clube a falar, um assalariado. Vou às comunidades de emigrantes no estrangeiro e sou logo identificado.
Sente saudades dessa fase?
Ser director de comunicação foi o período mais entusiasmante da minha vida. O grande amor da minha vida é o Benfica. Costumo dizer que na minha vida, salvo raras excepções, só fui fiel ao Benfica e ao SG Filtro. São as minhas fidelidades. Não consigo pôr os palitos ao tabaco e fumar outra marca, o mesmo com o Benfica. Agora, já lá vai. Hoje a minha vontade de voltar é nenhuma. A vida é feita de ciclos. Mas mantenho uma ligação estreita, colaboro com Benfica TV, escrevo no jornal do clube.
-Extracto da entrevista de João Malheiro ao jornal i
Vítor Serpa e a perigosa balcanização do Benfica
Manifestamente, o Benfica entusiasmou-se com o mercado sérvio. São bons jogadores, por vezes, um tanto difíceis de personalidade, mas isso, pelos vistos, não assusta os responsáveis do clube nem o treinador Jorge Jesus.
Também é verdade que o exemplo de Matic pode ser, sempre, uma boa referência. Excelente profissional, fez-se excelente jogador no Benfica e, nesse, como em outros casos, ninguém duvidará do especial mérito do treinador. A questão legítima será a de sabermos se seis ou sete sérvios num só clube não serão sérvios a mais. Mesmo que todos eles bons de bola. Mesmo que todos eles bons profissionais.
Os mais críticos dirão que se está a assistir a uma perigosa balcanização do Benfica. Pode ser exagero. Nem todos jogarão, alguns terão lugar mais que provável na equipa B. Mesmo assim é natural que formem um grupo coeso e unido. Estão fora do seu país, numa Europa de cultura diferente e de língua diferente, mas que não é, por hábito e por personalidade do povo português, um lugar intolerante e impositivo.
Haverá sempre a tendência de ajudar um compatriota em tempo de crise e o Benfica tem de entender que não poderá deixar esse seu plantel tão internacionalista em roda livre, sem se ocupar de o acompanhar com a maior atenção.
Poderão dizer que este é um pensamento preconceituoso e até xenófobo. Basta conhecerem-me minimamente para saberem que não é disso que se trata. Num universo fechado como é o de um clube de futebol é fácil criarem-se grupos por países.
Os exemplos são tantos que até o Benfica os conhece.»
- Vítor Serpa, jornal A Bola, 16 de Junho de 2013
Fernando Seara: Não esqueço Pablo Aimar
No futebol contemporâneo não há pausas. Acabam as competições de clubes e arrancam as competições de seleções. Mas este é o tempo da intermediação da indústria. Da intermediação e, até, de notícias respeitantes a novos e desconhecidos investidores que vão entrar no capital de algumas recentes sociedades desportivas portuguesas.
Criadas em necessidade da lei. E para permitir a manutenção de alguns clubes nas competições desportivas profissionais de futebol. Mas, nesta sede, importava que, quer a Federação, quer a Liga, se recordassem de um dos princípios fundamentais que norteava a educação ateniense e que ontem, como hoje, se chama prudência. É que alguns sinais que nos chegam apenas sugerem a entrada de 'alguns euros'. Mas, o momento é, de verdade, o da 'circulação de milhões'. De jogadores e, já, de treinadores. É o que estamos a assistir. Os 'milhões' até nos assustam. São verdadeiros 'euromilhões'!!! Chegam jogadores de todos os lados. Aos diferentes territórios do futebol. Aos ricos e aos remediados. E, mesmo, àqueles que se julgavam em crise e que, num ápice, parecem viver na 'abundância'! Todos os jogadores que se anunciam serão 'brilhantes' ou serão, a curto prazo, 'extraordinários'. O que vale é a paciência. Que se casa, por vezes, com o esquecimento. Ou, então, com uma falta cirúrgica de memória.
Os vídeos que nos mostram evidenciam o instante da 'glória'. Da jogada brilhante. Mesmo que tenha 'sido caso raro'. Do golo fantástico que se marca. Mesmo que tenha sido o 'único'! E, assim, vamos assistindo, em todo este período de pausa competitiva de clubes, a contratações anunciadas, desejadas, concretizadas. Mas, ao mesmo tempo, temos jogadores que partem. Uns sem nos deixarem particular saudade. Outros que nos deixam uma saudade imensa. Pelo seu 'perfume de jogo'. Pela sua excelência e pelo seu exemplar profissionalismo. Pela entrega e dedicação. Pelo seu 'amor à camisola e pela sua entrega ao clube.
Seja nos relvados, seja no 'banco'.
Pablo Aimar deixa o Benfica e já temos imensas saudades. Do primeiro adversário (Rio Ave) ao primeiro golo (Vitória de Guimarães, numa vitória do Benfica por duas bolas a uma) e até à despedida temos múltiplas recordações.
Foram largas dezenas os jogos. Poucos os golos. Mas foi, acima de tudo, 'um perfume único'. Momentos de 'tango com fado'. Momentos em que o futebol se exaltava e em que nós, nas bancadas, ficávamos com 'vontade para vermos mais'.
E, depois, em casa, na televisão, revíamos a jogada, o passe, a abertura, 'o toca e passa', o momento genial.
Não esqueço o Pablo Aimar. E tenho a certeza que o Benfica não o esquecerá.
E lhe prestará, no momento adequado, a devida e merecida homenagem.
Ao homem, ao cidadão e ao jogador.»
-Fernando Seara, jornal A Bola, 16 de Junho de 2013
Lúís Pedro Sousa e o novo Benfica (2013/14)
Não há falta de médios-ofensivos no novo plantel do Benfica. Para jogar atrás do(s) ponta(s)-de-lança existem soluções para todos os gostos. São tantas as alternativas que se adivinham dispensas e empréstimos logo no início da época, mas também futebolistas de reconhecido mérito e ego suscetível a amuar bem cedo por não figurarem com regularidade nas escolhas de Jorge Jesus.
Este vem sendo, aliás, um problema recorrente nos últimos defesos da águia. O investimento é canalizado na sua quase totalidade para a contratação de jogadores de características ofensivas e descura-se o restante, como se um plantel fosse constituído apenas por avançados. O mercado estará ainda aberto até final de agosto, é um facto, mas não deixa de ser igualmente um dado importante a inexistência até à data de pelo menos uma frente aberta para o reforço de outros sectores da equipa. Até pelos exemplos de um passado recente, que estiveram na base da perda de três troféus só na última época, o Benfica tem grande urgência em encontrar um guarda-redes, um ou dois laterais e um médio-defensivo.
Importa, nalguns casos, dar descanso aos titulares, perdendo o menos possível de competitividade. Noutros, os encarnados precisam mesmo de resolver questões fulcrais que teimam em arrastar-se com o passar dos anos. Artur, por exemplo, não é guarda-redes para um clube com as aspirações do Benfica. Não dá as inacreditáveis e flagrantes fífias do antecessor, Roberto, mas teima em falhar também nos momentos mais importantes. Melgarejo, por seu turno, foi mais um a não se assumir como o substituto que o clube tanto procura para o lugar de Fábio Coentrão.
Por último, se no flanco direito da defesa o aparecimento do médio André Almeida ainda deu para mascarar a falta de uma opção para Maxi Pereira, já Matic parece condenado à erosão de um calendário quase infinito. E no final da época surgem invariavelmente as desilusões. Como se a construção de plantéis desequilibrados não tivesse consequências fatais. »
- Luis Pedro Sousa, jornal Record, 16 de Junho de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
Video Futsal: Desempate por penaltis dá vitória ao Benfica (2-3)
Final Campeonato 2012/13: Jogo 2
Sporting 3-3 Benfica (2-3 nos penaltis)
João Querido Manha: O fim da aliança
Pela primeira vez em 55 anos, ouvi esta semana um dirigente português a quem alguns reconhecem capacidade para ironizar com fineza referir-se ao Sporting Clube de Portugal como Sporting de Lisboa. Noutros tempos, isto seria entendido como uma ofensa e capaz de desassossegar o espírito de João Rocha, que travou lutas inflexíveis para explicar por esse Mundo fora que o clube era do país e não da capital.
Ninguém da nova nomenclatura leonina reagiu à provocação, o que é bom por um lado, mas deixa ao veterano guerrilheiro portista uma boa margem para carregar um pouco mais na tecla. Não deve ser preciso esperar muito tempo.
Os sinais são estes: as relações entre Porto e Sporting estão no limite do aceitável, salvaguardadas por um corte institucional que deixa espaço para o desprezo, mas que só carece de um pequeno passo em falso para se precipitar numa espiral sem fim. Já foi assim no passado, porque há gente que não sabe viver de outra forma. Ou impõe as regras ou torna-se intolerante e insuportável. E o Porto imperial de hoje julga-se muito acima, numa relação básica do forte sobre o fraco, em que a humilhação e a falta de respeito estão sempre à espreita.
Os sinais são estes: as relações entre Porto e Sporting estão no limite do aceitável, salvaguardadas por um corte institucional que deixa espaço para o desprezo, mas que só carece de um pequeno passo em falso para se precipitar numa espiral sem fim. Já foi assim no passado, porque há gente que não sabe viver de outra forma. Ou impõe as regras ou torna-se intolerante e insuportável. E o Porto imperial de hoje julga-se muito acima, numa relação básica do forte sobre o fraco, em que a humilhação e a falta de respeito estão sempre à espreita.
Em 30 anos, este senhor da guerra conseguiu dividir para reinar, impondo uma lógica de que havendo três clubes mais fortes, dois teriam de ser aliados contra o outro. Começou por abusar de Fernando Martins para se bater com João Rocha e depois lançou a escada aos sucessivos amadores que foram dando cabo do Sporting para combater o Benfica.
Ora, o que finalmente parece ter sido entendido em Alvalade é que não precisa da boleia de nenhum parceiro para afirmar a sua grandeza e prestigiar a tradição. O Sporting é rival do Benfica e rival do Porto e pode e deve bater-se com ambos em simultâneo.
No ponto a que esta correlação de forças chegou, é já ao universo prospetivo de adeptos dos portistas que terá de reconquistar simpatias, barrando-lhe a expansão fora da bacia do Douro.
Tratando de recomeçar a ganhar-lhe no campo de jogo, que é onde se aferem os valores reais e se realizam ambições. Está no bom caminho.»
- João Querido Manha, jornal Record, 16 de Junho de 2013
Televisões Sérvias querem jogos do Benfica
A aposta do Benfica em jogadores sérvios está a abrir uma oportunidade de negócio. Os canais televisivos deste país, que só transmitiam jogos da Premier League, La Liga e Serie A – além da liga sérvia –, estão interessados em apostar nos jogos das águias, para poderem acompanhar os seus compatriotas, especialmente Matic e Lazar Markovic.
Recorde-se que os jogos do Benfica em casa em 2013/14 vão passar no canal do clube em exclusivo, e os responsáveis encarnados estão livres de negociarem os direitos de transmissão com qualquer operador, pois o contrato com Olivedesportos vai terminar. Vieira, note-se, já fez saber que não haverá um novo vínculo, por considerar insuficiente as verbas oferecidas pelo empresário Joaquim Oliveira. Desta forma, o presidente do Benfica tem total independência de negociar contratos mais vantajosos.
Resta acrescentar que as águias, a curto prazo, vão anunciar as condições de subscrição da Benfica TV, canal que transmitirá os jogos da equipa benfiquista na Luz e a Premier League em 2013/14.
-Noticia retirada do site do jornal Record
sábado, 15 de junho de 2013
Rui Santos: FC Porto e Benfica... que estruturas?
A "Marca" recuperou esta semana o tema do valor atribuído à "estrutura FC Porto" e projecta a ideia que está na base do sucesso dos dragões, na qual se encaixa aliás a contratação de Paulo Fonseca: os treinadores e os jogadores vão mudando, mas a estrutura fica. Com o "pormaior" de uma liderança forte, assente na "visão ampla" de Pinto da Costa - o maior explorador das fragilidades do país e das suas instituições -, o FC Porto encontra-se agora em velocidade de cruzeiro, do ponto de vista da construção do seu modelo organizativo, em contraponto com o Benfica, que se acha ainda na fase de discutir o treinador em vez de cuidar da estrutura.
É uma diferença essencial e explica a razão pela qual houve tanto ruído em redor de Jorge Jesus e uma quase indiferença em relação ao substituto de Vítor Pereira. Que poderia ter sido Leonardo, Marco, Malaquias, Jeremias ou José e acabou por ser Paulo. Poderia ter sido, na verdade, Malaquias ou Jeremias porque o FC Porto nunca se mostrou muito preocupado e muito menos obcecado com a opinião dos seus (candidatos a) treinadores, embora os valorize bastante como é bom de ver em relação aos casos (relativamente) recentes de José Mourinho e André Villas-Boas.
Quer dizer: o FC Porto estima e cuida dos seus treinadores enquanto eles forem úteis à estrutura; quando deixam de o ser, ou quando se metem uns grãos na engrenagem, passam à frente, quase sempre de forma diplomática, ou com salamaleques na hora da despedida (ex: Jesualdo Ferreira) ou com operações de charme reinventadas (ex: Villas-Boas) ou com uma gota de vinagre em cima do mel, nos casos em que a coluna vertebral dos "expatriados" não faz uma curvatura tão pronunciada (ex: Vítor Pereira).
Pinto da Costa é generoso para os seus administradores e em troca apenas lhes exige fidelidade e lealdade. O guião está há muito pré-definido. Mesmo em falência técnica, a SAD do FC Porto continua a fazer negócios de muitos milhões (James e Moutinho por 70) e, por isso, na senda de uma dinâmica repetida, fica a parte visível de comprar barato e vender caro - o suficiente para a recolha de elogios cá no burgo e além-fronteiras independentemente da mesuração dos custos, o que é válido também na avaliação da situação financeira de outros emblemas...
O FC Porto faz o contrário em relação aos outros clubes: investe no presidente, o presidente investe nos seus colaboradores e tudo o resto se enquadra numa estratégia presidencial e directiva.
No Benfica, o método tende a inverter-se e a colocar-se (com Luís Filipe Vieira) na senda do que acontece há muitos anos no FC Porto, mas a aposta continua mais centrada no treinador e menos na estrutura, que ainda oscila bastante, como se tem visto perante as migrações de Rui Costa e António Carraça, já para não falar do caso de autonomia extrapresidencial protagonizada por José Veiga.
E é assim no Benfica porque, antes da chegada de Jesus, a estrutura não tinha evoluído o suficiente e porque, com Jesus, tem sido possível disfarçar, por exemplo, muitas imperfeições e omissões no momento (chave) da construção dos plantéis... »
- Rui Santos, jornal Record, 15 de Junho de 2013
Fernando Guerra: Um problema chamado Cardozo
Na sequência daquele desabafo, dedo apontado na direção de Jorge Jesus, 'o culpado és tu', misturado com um empurrão em pleno relvado do Estádio Nacional, que se considerou que o despedimento de Cardozo seria a medida certa para ultrapassar definitivamente o mal-estar provocado pela destrambelhada situação, sem enxergar causas nem medir consequências.
Espécie de analgésico de conveniência: elimina-se a dor e... esconde-se a doença. Ou seja, reprovou-se o que o jogador fez, e muito bem, mas omitiu-se a razão (ou razões) porque o fez, e se calhar muito mal.
Nesta aparente dificuldade em fazer coabitar personalidades que já conheceram dias de convivência mais fácil percebe-se a prudência que terá de ajudar Filipe Vieira a descobrir a melhor solução para o Benfica.
De aí explicar-se o desencontro nas notícias. Antes, fez-se pensar que o destino provável de Cardozo seria a Turquia, com verbas e tudo, agora é o empresário a dizer que ele deve ficar e é o Benfica a comunicar a inexistêncla de conversações com qualquer clube sobre eventual transferência do avançado paraguaio, birrento e antipático, mas que valeu 22 golos em 2008, 17 em 2009, 38 em 2010, 23 em 2011, 28 em 2012, e 32 em 2013.
Jorge Jesus, o ofendido, está no direito de não o querer, desde que, no quadro de profissionais de que dispõe, garanta uma alternativa que ofereça, pelo menos, idêntica eficácia. Se Óscar é um problema para o treinador do Benfica, imagine-se o que seria se lhe colocassem à frente Balotelli, Ibrahimovic, Ribéry, Robinho, Tévez, Rooney, Benzema, Casillas e a namorada, mais uma enorme constelação de estrelas de ilimitada vaidade.
Ferguson irritou-se com Beckham e atirou-lhe uma bota. Beckham saiu e Ferguson ficou. Pudera, mas Ferguson era Ferguson...»
- Fernando Guerra, jornal A Bola, 15 de Junho de 2013
Silvio Cervan: Paulo Fonseca é a escolha acertada
Definida que foi a renovação com Jorge Jesus sabemos aquilo que podemos esperar. Temos como certo que vamos jogar bem (jogámos quase sempre bem no consulado Jorge Jesus), temos por adquirido que o nosso futebol será bonito, mas ficamos com esperança de ganhar ainda mais vezes.
O Benfica precisa de títulos. O Benfica quer mais títulos. Quais? Todos, de preferência. Jorge Jesus é dos primeiros a ter esta consciência e vontade.
Esta semana foi pontuada com várias contratações, a Sérvia parece ser a proveniência de eleição, nada contra, os sérvios são genericamente desportistas com garra, habilidade e muito competitivos (em todos os desportos). Há até um simpatizante do Benflca a liderar o ranking ATP do ténis mundial, e é sérvio. O melhor jogador encarnado na presente época foi um sérvio, mas quanto aos que chegaram só quando os vir jogar, não é o dia da apresentação o que mais me motiva.
As contratações são sempre incertas. Nas saídas há uma despedida obrigatória. Ver Pablo Aimar jogar foi um gosto, ver Pablo Aimar jogar com a camisola do Benfica foi um orgulho. Dos míticos jogadores que vestiram a nossa, Aimar estará para sempre nos escassos números dos mágicos, dos que inebriam, dos que já mais nos esqueceremos.
Um dia gostaria de poder dizer aos meus netos: «Mas eu vi Pablo Aimar jogar no Benfica.» Aimar foi um exemplo como jogador, exemplar desde o dia em que chegou até ao dia em que partiu. Deixa saudades, deixa um legado e deixa um exemplo.
Não sei se o FC Porto queria Jorge Jesus, não sei se é verdade que o Sporting se antecipou na contratação de Leonardo Jardim, não sei quais os detalhes que faltaram para Mano Menezes ser o treinador azul e branco, mas sei que a escolha de Paulo Fonseca é muito acertada.
O futebol que defende, a forma como jogam as suas equipas dá gosto ver. Apostaria que para os seus adeptos será melhor que Vítor Pereira. Uma boa escolha.»
- Sílvio Cervan, jornal A Bola, 14 de Junho de 2013
João Malheiro: Porto fez tudo para contratar Jesus e perdeu
Jorge Jesus renovou com o Benfica, a despeito de uma temporada que fica marcada pela negativa na sua fase terminal, de resto a mais dolorosa de que há memória no historial centenário do Benfica. Às vezes, no Futebol, ganha-se milagrosamente; outras vezes, perde-se... milagrosamente. Foi o que aconteceu no Campeonato, dado por sumido, de forma irremediável, pelo nosso principal antagonista.
Vítor Pereira, técnico bicampeão do FC Porto, sem surpresa, recebeu guia de marcha, já substituído pelo treinador que guindou, de forma competente e não menos imprevista, o Paços de Ferreira à 'Champions', justamente o mesmo adversário que o FC Porto defrontou na derradeira e decisiva jornada da competição. Mera coincidência...
Só que Paulo Fonseca entra no Dragão como segunda escolha. A primeira era Jorge Jesus. Ainda a temporada decorria, ainda as contas não estavam saldadas, já cantos de sereia foram dirigidos ao responsável técnico do Benfica, oriundos da capital nortenha.
O FC Porto queria Jesus, fez tudo para recrutá-lo, acenou-lhe com um contrato fabuloso. O fito, mais uma vez, era embaraçar o Benfica e desferir um golpe na autoestima vermelha. Jesus não foi, Jesus ficou.
Mesmo com a contestação de alguns adeptos, sobretudo após a perda da Taça de Portugal, o treinador manteve-se fiel ao que supostamente terá apalavrado com o presidente do Clube.
Conclusão? O FC Porto perdeu. Só falta mesmo que o Benfica, na próxima temporada, saboreie a vitória. Mas no campo, não nos sombrios, nos infaustos corredores da peguilha, da confusão, da promiscuidade.»
- João Malheiro, jornal 'O Benfica', 14 de Junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Bagão Félix e os milhões do mercado de transferências
Terminados os jogos, aí está de volta o esplendor do defeso. Milhões para cá, milhões para lá, tudo num frenesim onde se misturam compras e vendas, comissões, remissões e demissões, familiares dos intermediários e intermediários dos familiares, dirigentes e dirigíveis, novos-ricos e velhos pobres, plutocracia e meritocracia. Ah, já me ia esquecendo: e... jogadores.
Quantos milhões ficam algures entre o alfa e o ómega das 'compras e vendas'? Quantas ilusões são oferecidas no mercado das expectativas? Quantos paraísos fiscais beneficiando efeito multiplicador proporcionalmente inverso ao rigor, exactidão e transparência?
Tudo numa Europa a braços com uma recessão que anda pelos 1,1%. Onde o 'Banco Central Europeu' futebolístico é dominado por uns ilustres e branqueadores desconhecidos que fazem renascer das cinzas clubes adormecidos. Com o beneplácito da UEFA e seus derivados, sempre a recordar os 'fair play' dos jogos e das finanças!
Por esta Europa fora, encaram-se com a maior das normalidades os milhões de transacções e de salários de craques, ao mesmo tempo que minguam os rendimentos das famílias e se critica asperamente o que pessoas com funções públicas ganham por ano e que não chega ao que alguns jogadores ganham em menos de uma semana.
Mesmo assim, entre os países importadores há uns mais iguais do que outros. A remediada Turquia virou paraíso de jogadores em pré-reforma. Na Espanha parece que não há desemprego. Na Inglaterra, se for preciso muda-se o câmbio da libra esterlina. Em França, é à grande e à russa! Só na Alemanha a racionalidade não se perdeu completamente... De Portugal falarei noutra altura...»
- Bagão Félix, jornal A Bola, 13 de Junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Nuno Farinha: Rui Costa descobriu um 10
É verdade que Djuricic tem apenas 21 anos e que tudo o que mostrou até agora foi ao serviço do modesto Heerenveen, num campeonato (Holanda) que nem é propriamente um modelo de competitividade. Nada que preocupasse Rui Costa, diretor dos encarnados que - saído da sombra - viu neste talento sérvio qualidade suficiente para herdar a camisola 10 do Benfica, com tudo o que isso representa. O negócio fez-se por 6 milhões de euros, mas neste tema nem é o dinheiro que mais importa. É a sucessão de Aimar que está em causa e, mais do que o peso simbólico que a questão comporta, o que se trata é de saber se o Benfica voltará ou não a ter um 10 em estado puro. A questão não é assim tão simples.
Rui Costa entregou em 2008 a sua camisola a Aimar, que foi - sem direito a discussão - um dos mais extraordinários jogadores que passaram por Portugal. Infelizmente para o Benfica e para quem gosta de Aimar, a magia viu-se pouco. Na época em que foi mais utilizado (2009/10) o Benfica foi campeão.
E também foi aí que a equipa de Jorge Jesus jogou melhor do que nunca. Essa foi também a época em que Rui Costa esteve mais próximo da equipa de futebol. Daí para cá, o antigo Maestro passou mais tempo no gabinete da Luz e menos na relva do Seixal.
Três épocas com Rui Costa longe da equipa, três épocas com o Benfica a terminar em 2.° lugar. Coincidências. Ora, com Aimar aconteceu a mesma coisa - foi-se apagando aos poucos. Por culpa de tudo: de lesões, de opções, da idade e da concorrência. Mas, como se provou, sem Aimar as coisas não funcionam da mesma forma. Há mais músculo, mais correria, mais meia distância e melhor recuperação defensiva. Mas falta a visão raios X, a descoberta de linhas de passe que não vêm nos livros, a qualidade de pensamento e a capacidade de prolongar a posse de bola através da boa decisão.
Aimar é isso tudo. Como era Rui Costa. Como, provavelmente, também Djuricic será um dia. Só falta saber se Jesus quer mesmo jogar com um 10 ou se vai disfarçá-lo de 8 ou 9.»
- Nuno Farinha, jornal Record, 13 de Junho de 2013
Zoran Filipovic: "Sulejmani faz-me lembrar Chalana"
Zoran Filipovic falou sobre esta aposta recente do Benfica em jogadores sérvios, e analisou os três internacionais agora contratados. A análise mais curiosa é a de Miralem Sulejmani, o último reforço anunciado.
«Promete muito, tem um grande talento. Não acabou bem a experiência no Ajax, mas promete muito. Faz-me lembrar Chalana», disse Filipovic.
Confrontado depois com algumas críticas feitas a Sulejmani em Amesterdão, por alegada falta de empenho nos treinos e alguns quilos a mais, o técnico disse que o avançado «precisa ser bem trabalhado».
Markovic é descrito como um jogador «cuja principal arma é a velocidade». «Pode ser segundo avançado ou jogar aberto nos flancos. Vai no um contra um em velocidade, e cria várias oportunidades. Por vezes falha, mas ainda é muito jovem, pode melhorar isso», acrescentou.
Quanto a Filip Djuricic, por fim, é visto como um jogador «tecnicamente muito bom». «Tem grande qualidade no último passe e também entra bem de trás para a frente, sabe marcar golos», explicou.
Questionado sobre outras promessas do futebol sérvio a seguir com atenção, Filipovic preferiu não avançar com nomes, mas deixou uma garantia: «Existem outros talentos.»
-Noticia retirada do site do Mais Futebol
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