quarta-feira, 24 de abril de 2013

António Simões discorda de Jesualdo: Sporting não foi melhor do que o Benfica


Meu caro prof. Jesualdo Ferreira: Sim, eu sei que da sua boca não ouvi explicitamente o que ouvi de outros sportinguistas: que João Capela perdoou quatro (ou se calhar três ou se calhar dois...) penalties ao Benfica, mas ouvi, sibilina, a insinuação: «Tirou ao Sporting a possibilidade de ganhar!» 


Porém, não é disso que lhe venho falar, é de outra parte da sua intervenção. Quando afirmou: «O Sporting foi melhor do que o Benfica». (Sublinhando que não tinha dúvida alguma.) Percebo, mas discordo. (No futebol a discussão sobre o que é jogar melhor é uma questão metafísica ou uma bizantinice em torno do sexo dos anjos - pelo que eu, pragmático, acho que, normalmente, joga melhor, seja lá o que isso for, quem ganha.) 

Eu explico: nos primeiros 30 minutos (pelo menos) o Sporting foi mais insinuante do que o Benfica, atrevidote. Só que tal não significa jogar melhor porque, para mim, não joga melhor quem tem a bola e não sabe o que fazer com ela - joga melhor quem tem a argúcia e o ser que, de um momento para o outro, o tira das trevas, lhe transforma o génio em lance desconcertante, em golos. Ou quem, quando parece que a equipa está encerrada em prisão de alta segurança ou a cair no abismo, arranja, subversiva, a forma de escapar de uma coisa ou de outra. Foi o que o Benfica teve. 

Aliás, tem tido toda esta época: se não é Gaitán ou Salvio é Lima ou Cardozo, se não é Matic ou Ola John, é Enzo ou Melgarejo (ou... ou...) - razão porque acabará por ser o que me parece seu destino: campeão. 

E, sendo-o, sê-lo-á com justiça. Como o FC Porto no ano passado. Que apesar de haver quem, depois, entrasse, fariseu, em jogo fazendo crer que o fora porque Ricardo Santos não vira off-side de Maicon (que só o vídeo mostrou) - o foi porque (no sentido que isso tem para mim) foi melhor que o Benfíca. 

E se, então, eu achei que não era justa para FC Porto essa mácula, agora acho o mesmo: que é injusto que a história venha a ligar o (putativo) título do Benfica não à obra da sua arte (que é...) - mas a obra de outra arte: retorcida e à Capela (que pode ser...)» 

- António Simões, jornal a Bola, 23 de Abril de 2013

Fernando Guerra sobre o derby: "Vitória do Benfica é inatacável"


Em conclusão, esgrime o Sporting motivos suficientes para reclamar o seu prejuízo mas não o suficiente para alterar o essencial da coisa; ou seja, a vitória benfiquista é inatacável, porque, à parte os erros capelianos quantas oportunidades de golo o Sporting criou? Assim mesmo, oportunidade para marcar? Nenhuma. 


Neste ponto, e só neste, foi «limpinho», como apregoou Jesus, o que não chega para desvalorizar o desempenho da equipa leonina que foi enorme em face das suas muitas limitações. Defendo até que, em matéria de preparação e organização, Jesualdo Ferreira encostou Jorge Jesus às cordas, mas faltou-lhe poder de soco para o derrubar, por dispor unicamente de meninos empenhados e promissores. 

Julgo que é esta imagem que merece ser valorizada, o projeto de futuro que do nada Jesualdo começou a desenhar, o exemplo do Bayern a seguir ou o Benfica ter vencido sem dominar como foi focado em conferência de Imprensa.

Sinais de recuperação que não devem diluir-se em minudências, nem em confluências de interesses de significado duvidoso: não tendo estado Bruno de Carvalho à altura do cargo na hora de verberar o trabalho do árbitro, limitando-se a frases de circunstâncias, críticas, sim, mas elegantes, sentiu-se, por isso, o presidente portista entusiasmado a exercitar a sua veia irónica e intrometer-se em assunto que não lhe diz respeito, provavelmente embevecido por ver o colega leonino seguir-lhe as pisadas, trocando a tribuna pelo banco de suplentes, em medida populista e inadequada a um clube de dimensão nacional. 

Foi esse «provincianismo», aliás, tão grato à estratégia de controlo de PC, que jamais permitiu ao FC Porto libertar-se do rótulo de «grande clube regional».

-Fernando Guerra, jornal A Bola, 23 Abril 2013

João Capela era defendido por Pinto de Sousa na época do Apito Dourado


João Capela, o árbitro envolvido em polémica após ter apitado o jogo Benfica--Sporting (2-0) do último domingo, era um dos protegidos de Pinto de Sousa na altura do Apito Dourado.

As escutas ontem reveladas em exclusivo pela CMTV mostram uma conversa entre Pinto de Sousa, então presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, e Luís Nunes, membro do mesmo organismo. O primeiro pergunta ao segundo por que não foi ver o jogo Tirsense-Trofense. João Capela era o árbitro e Pinto de Sousa diz para o seu interlocutor: "Ia ver uma grande arbitragem…" E conta-lhe que está naquele momento com o juiz de linha.

As escutas ontem reveladas pela CMTV mostram ainda um mundo de compadrio na arbitragem. Pinto de Sousa falava regularmente com os restantes membros do órgão para mudarem as classificações. Chegou mesmo a aceitar uma cunha de Isabel Damasceno, presidente da Câmara de Leiria, por causa da classificação de um árbitro daquela cidade. Pinto de Sousa conversa depois com o filho e conta-lhe o pedido. O familiar responde-lhe que "dá sempre jeito" ajudar a autarca.

Nas mesmas escutas há ainda referência ao informático da Federação que era responsável pelas listagens. Pinto de Sousa está irritado. Diz que não pode ficar nas mãos das mudanças efetuadas pelo técnico da Federação. Queria garantir que as classificações eram feitas conforme as suas instruções.


-Noticia retirada do site do Correio da Manhã

António Tadeia: Capela não gosta de marcar penaltis




Tal como há jogadores que driblam mais e outros que passam mais a bola, há árbitros que apitam mais faltas (e, por inerência, penaltis) e outros que o fazem com menor frequência. A atuação de João Capela no dérbi lisboeta, no qual deixou por marcar duas grandes penalidades a favor dos leões, foi coerente com aquilo que ele é como árbitro: trata-se do juiz que menos penaltis marca na Liga portuguesa e esta época ainda só tinha apontado um, a favor do FC Porto, depois falhado por Jackson Martínez nos Barreiros.

Capela apitou já dez jogos da Liga, nos quais assinalou 267 faltas, a uma média de 26,7 por jogo, apenas superior às de Marco Ferreira (26,3), Bruno Esteves (26,1) ou Luís Ferreira (22,8) e nos antípodas, por exemplo, de Bruno Paixão, que segue com uma média de 36,6 infrações assinaladas por desafio. É por isso normal que seja também dos que menos penaltis marca: apenas um em 900 minutos de futebol. Paulo Baptista, Pedro Proença, Rui Costa e Renato Gonçalves também só assinalaram uma grande penalidade, mas em menos desafios apitados, o que faz de Capela o juiz que menos penaltis marca na Liga portuguesa.

Aliás, Capela tem vindo a caminhar no sentido do tal “critério largo” que lhe apontaram anteontem. A sua média de faltas (26,7) é bem inferior às que vinha registando até aqui: 31,8 em 2011/12 e 36,3 em 2010/11. Pode concordar-se ou não, mas uma coisa não pode dizer-se: que Capela mudou para o dérbi. Ele já vinha apitando assim quando foi escolhido.


PS - Esta é a última vez que me refiro ao derbi de domingo. Há que seguir em frente. Mas como tenho sido frequentemente insultado - presumo que não pelas mesmas pessoas que me insultaram após o Benfica-FC Porto desta época ou o da época passada - por estar a branquear a realidade a favor não sei bem de que interesses, deixo a minha opinião sobre os lances polémicos do jogo. Acho que há dois penaltis de manual: o de Garay sobre Van Wolfswinkel aos 5' e o de Maxi Pereira sobre Viola aos 87'. Tenho dúvidas no lance de Maxi sobre Capel aos 7', porque não consigo ver bem o toque, embora admita que ele exista.


-António Tadeia, Diário de Noticias

Caso Casagrande: Telefonemas tentam calar ex-jogador do FC Porto


"Casagrande recebeu vários telefonemas de Portugal a pedirem para se calar e esquecer este assunto do doping", disse ontem ao Correio da Manhã uma fonte próxima do ex-jogador brasileiro, que afirmou no programa de Jô Soares que tinha utilizado substâncias dopantes quando estava ao serviço do FC Porto, em 1987.

A mesma fonte não sabe de quem eram os telefonemas, apenas que tinham como objetivo alertar o ex-futebolista para ficar em silêncio.

As acusações de Casagrande, que está no Brasil a promover o seu livro ‘Casagrande e seus demónios’, causaram grande polémica, quando em direto assumiu que o doping era prática comum no FC Porto: "Quando cheguei à Europa, no dia em que me estreei pelo FC Porto, um jogador chegou ao pé de mim e avisou-me que ia jogar. Fiquei contente. Mas depois ele disse-me: ‘tens de passar ali atrás, que tem ali um negócio para usar’. Fui lá e usei. Usei umas quatro vezes."

"É aquilo que mais me envergonha, que menos gosto de lembrar. Era algo injetável no músculo. Dava uma disposição acima do normal. Antidoping? Não tinha", acrescentou Casagrande.

Walter Casagrande, de 50 anos, jogou cerca de seis meses no FC Porto na época de 1986/87, vindo do Corinthians. Estreou-se com a camisola dos dragões num empate (2-2) nas Antas com o V. Guimarães, tendo apontado um dos golos (Juary fez o outro).

Depois da passagem fugaz por Portugal (um golo em seis jogos), Casagrande esteve seis anos em Itália (Ascoli e Torino), tendo regressado ao Brasil em 1993 –Flamengo, Corinthians, Lousano Paulista e São Francisco.


-Noticia retirada do site do Correio da Manhã

António Varela aborda caso Walter Casagrande



O Sp. Espinho empregou, entre 1987 e 1990, um futebolista marroquino chamado Aziz Doufikar. Que a seguir se transferiu para os holandeses do Fortuna Sittard. E que depois voltou a Portugal. E à Holanda. E de novo a Portugal, onde supostamente terminou a carreira em 1999, no Esmoriz. 


Durante essa verdadeira ponte aérea entre Portugal e o país onde o consumo de drogas leves é legalmente tolerado, Aziz resolveu dar uma entrevista à "Voetballnternational", revista especializada em futebol. E o conteúdo não podia ter sido mais inesperado: havia doping em Espinho! 

Os jogadores do plantel consumiam à vontade! Confrontado com as ondas de choque que as suas declarações provocaram em Portugal, Aziz veio a retractar-se, dizendo que o jornalista holandês o tinha percebido mal. 

Um clássico visto e revisto com outros artistas. Mais de 20 anos depois, a história repete-se. 

Walter Casagrande, um dos futebolistas mais polémicos do Brasil, agora na primeira linha da atualidade, depois de ter publicado a biografia na qual confessa a sua dependência em relação às drogas, afirmou no programa de Jô Soares que utilizou substâncias ilícitas quando foi jogador do FC Porto. Em quatro ocasiões (só fez 6 jogos, em 1986/87). De livre vontade. 

O depoimento do antigo internacional brasileiro, feito na televisão brasileira, quando está em fase de ajuste de contas com o passado, é de alguém frustrado com o destino a que voluntariamente se entregou. E estará condenado à incredulidade geral do sistema - bem nos lembramos todos de quando Harald Schumacher, guarda-redes alemão que denunciou o uso generalizado de doping na Bundesliga, foi obrigado a emigrar para a Turquia...

 Desta vez há uma diferença: Aziz falou a uma revista e desmentiu; Casagrande jamais o poderá fazer - passou na televisão, está gravado.» 

- António Varela, jornal Record, 23 de Abril de 2013

Prémio "frase mais imbecil do ano": Miguel Sousa Tavares


Uma coisa eu sei: não há uma só voz, com um mínimo de seriedade, que possa dizer que o FC Porto ganhou este ano um ponto que fosse graças à arbitragem, nós não tivemos arbitragens como a do Sr. Capela nem jogos decididos ao minuto 96, com penalties inventados em desespero de causa. 
Mal ou bem (e mais mal que bem) fomos a jogo sozinhos.

-Miguel Sousa Tavares, jornal A Bola, 23 de Abril 2013

Prémio "jornalista aziado do dia": Vítor Pinto


Os tempos mudaram e os roubos de igreja denunciados por José Maria Pedroto, antes de uma visita à Luz, ganharam nova face. Agora, mesmo quando ocorrem nas catedrais, os erros têm consequências do tamanho de pequenas capelas. 

Ninguém dá a cara pela lisura num futebol português onde só o interesse próprio prevalece. 

Pinto da Costa, ímpar estratega de meandros, leva 31 anos de presidência e sabe quando uma guerra está perdida, daí o seu pessimismo. 

Querem saber a razão? O Benfica visita os Barreiros na 2ª feira, com a máquina bem oleada. Já o FC Porto, no mesmo local, teve dois penáltis sonegados (Roberge sobre Atsu, aos 6', e Rossi sobre Jackson) e perdeu 2 pontos cruciais.» 

- Vítor Pinto, jornal Record, 23 de Abril de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Vítor Serpa: De Nico Gáitan a Lionel Messi


É uma bênção dos deuses do futebol que os grandes jogadores continuem a decidir jogos. O futebol evoluiu muito nos últimos cem anos, tornou-se mais físico, mais resistente, criou grandes atletas e chega-se muitas vezes a discutir, até, se, por este caminho, o futebol não precisará de rever, um dia, o número de jogadores em campo, tal a maneira como as equipas conseguem controlar o espaço no terreno de jogo. 

Penso, porém, que a melhor resposta a quem propõe alterações de regras para ter mais espetáculo é dada, da forma mais eloquente, sempre que um artista do futebol concebe com a maior criatividade lances que culminam em golos, como sucedeu no último derby com Nico Gaitán. 

Visto e revisto pelo mundo inteiro, os lances de Gaitán que estiveram na origem dos dois golos do Benfica foram, de facto, obras de arte que, por si só, se apresentam como verdadeiros hinos ao futebol espetáculo e por isso foram apreciados em todo o planeta. 

É, de facto, um bem essencial ao jogo a preservação da espécie muito rara dos grandes jogadores, como são os casos mais celebrados de Ronaldo e de Messi. Por isso, o mundo inteiro torce para que o génio argentino do Barcelona esteja em condições de defrontar hoje o Bayern, em Munique, naquele que se prevê ser um dos maiores e mais belos desafios do ano. 

Porque sendo o Barcelona uma equipa de notável qualidade, não é a mesma sem Lionel Messi e se é verdade que o Barça, mesmo sem Messi, é capaz de vencer quase todas as equipas da Terra, precisa do pequeno grande génio no seu melhor quando o adversário é o Bayern que, legitimamente, se candidata a provar ser a atual melhor equipa do mundo. 

O que só provará se conseguir destronar o Barcelona de Messi.» 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 23 de Abril de 2013

Luís Pedro Sousa: Gáitan e outras pérolas


O Benfica tem garantido um encaixe milionário no final da época, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos, especialmente desde a entrega do comando técnico a Jorge Jesus. Garay, Matic e Gaitán são os principais candidatos a encher os cofres da Luz, mercê da valorização que os encarnados lhes proporcionaram e, como é óbvio, do próprio talento que não desperdiçaram.Agora é o avançado argentino a estar na ordem do dia, fruto das últimas exibições de grande nível que produziu.

O dérbi de domingo voltou a oferecer ao público o melhor de Gaitán, muitas vezes desaparecido durante a temporada, principalmente nos jogos menos mediáticos. Afigurando-se como certa a saída do ex-Boca Juniors, e de mais uma ou outra pérola da Luz, importa aos dirigentes do Benfica encontrar soluções para prosseguir este ciclo de compra para valorização e posteriormente venda, mediante uma considerável mais-valia. A avaliar pelos dados existentes, mas que ainda podem ser alterados em caso de colapso no último mês de competição, os encarnados foram especialmente bem-sucedidos na época em curso.

As saídas de Javi García e Witsel não originaram o rombo na estrutura que se chegou a prever. E o facto de os encarnados terem colmatado lacunas, e até mesmo melhorado o seu rendimento competitivo, muito se deveu à competência de Jorge Jesus, que puxou por Matic, habitual suplente do internacional espanhol, e “inventou” Enzo Pérez como médio-centro, fazendo esquecer a venda de Witsel, as constantes lesões de Carlos Martins e a idade avançada de Aimar.

Para prosseguirem o supracitado ciclo de compra e venda, depois de tirado o devido rendimento desportivo de cada jogador, é necessário que os encarnados assegurem também a continuidade do treinador que os tem valorizado. Neste sentido, Jorge Jesus já deu todas as provas.Falta-lhe “só” ganhar títulos importantes com regularidade. Mas a balança poderá reequilibrar-se dentro de muito pouco tempo.

-Luís Pedro Sousa, jornal Record, 23 de Abril 2013

Video: Eduardo Barroso desesperado ataca João Capela: "Faltaram-lhe os tomates..."

António Tadeia destaca "assistências" de Nico Gáitan



Nico Gaitán foi decisivo na vitória do Benfica sobre o Sporting. Primeiro, a jogar à esquerda, fez o cruzamento para o golo de Salvio, numa altura em que os leões estavam por cima na partida. Depois, ao meio, fez o passe para o golo da tranquilidade, apontado por Lima. Com estas duas assistências, o argentino aumentou para onze o total de golos criados, cinco deles nos últimos seis jogos. Tornou-se assim o melhor “fornecedor” do Benfica em 2012/13, mas está ainda aquém do seu próprio melhor ou do recorde do Benfica de Jesus.

Gaitán fez esta época 11 assistências, mais duas que Salvio, o seu principal competidor nesta tabela. Começou tarde, ainda assim, pois a primeira vez que se destacou nesta particular foi a 16 de Novembro, oferecendo a Cardozo o segundo golo frente ao Moreirense, na Taça de Portugal. Desde então, deu mais dois golos a Cardozo, três a Lima, um a Rodrigo, Melgarejo, Matic, Garay e Salvio. Até final da época, o seu desafio será atingir pelo menos as 15 assistências que fez na época passada, que terminou pela primeira vez no top dos “passadores” encarnados – em 2010/11 tinha feito oito passes decisivos, abaixo dos 12 de Carlos Martins. 


Já inatingível deve ser a marca estabelecida em 2009/10 por Di María como recorde do Benfica de Jesus: 18 assistências, que lhe valeram a saída para o Real Madrid.

-António Tadeia, Diário de Noticias

Video: Rui Gomes da Silva imita Gáitan e dá "show de bola" no "Dia Seguinte"




segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ribeiro Cristóvão sobre o derby: "Benfica reuniu méritos suficientes para justificar a vitória"


Há ainda poucas horas amontoavam-se as interrogações sobre que capacidade teria o Sporting para se apresentar no Estádio de Luz revelando estofo frente àquele que parece cada vez mais fadado para ostentar, daqui por poucas semanas, o título de campeão.

O comportamento do passado recente da equipa de Alvalade parecia indiciar fragilidades que poderiam ser fatais para o embate com o Benfica, caso a equipa de Jorge Jesus reeditasse a bitola exibicional de que vem dando mostras numa larga percentagem dos desafios mais recentes.
Mas havia também, por outro lado, essa incerteza que não se apaga sempre que os dois velhos rivais se encontram, e que proibe decretar vencedores antecipados.

Foi, afinal, o que aconteceu. E, por isso tivemos um derby que, mesmo sem nunca ter atingido graus de superior qualidade, trouxe de volta um Sporting novo que pediu meças ao adversário e o sujeitou a dúvidas que permaneceram durante largos minutos do jogo.

Dúvidas que só foram desfeitas graças à qualidade das individualidades que têm carregado o Benfica às costas ao longo de todo o campeonato, e que nos momentos das grandes decisões desequlibraram o resultado a favor do seu emblema.

Aos louvores ao desempenho da sua equipa, os responsáveis leoninos juntam também lamentos pelo que consideram ter sido um desempenho parcial do árbitro que dirigiu o jogo.

É verdade que João Capela teve motivos para regressar a casa com a consciência pouca tranquila devido a uma actuação marcada por erros de monta.

Mas também é justo acrescentar que o Benfica reuniu méritos suficientes para justificar a vitória. Foi mais eficaz nos momentos em que as oportunidades se lhe depararam e, mesmo sem nota artística alta, nunca deu a ideia de se deixar subjugar pelo adversário.

O caminho para o título está agora mais desimpedido. Faltam apenas quatro finais, como gosta de sublinhar o seu treinador, e tudo aponta para a equipa venha a remover com sucesso os obstáculos com que irá deparar pelo caminho.

Já o Sporting, fica mais longe da Europa. Sem que se possa falar de uma batalha perdida, a verdade é que os leões estão também dependentes do comportamento de alguns dos seus adversários mais directos.

-Ribeiro Cristóvão, Rádio Renascença

Vítor Serpa destaca grande ambiente no estádio da Luz


A televisão tem trazido benefícios e malefícios ao futebol. Do lado do mal está alguma subversão do espetáculo, sobretudo quando é visto por dezenas de olhos das câmaras colocadas em lugares estratégicos e concorrem deslealmente com os dois olhos do árbitro, pobre humano falível. 

Na verdade, futebol de televisão é o futebol dos mil e um penalties e discussões absurdas porque o que se vê em casa nem sempre se pode ver no estádio. 

É bom para alimentar um jogo de hora e meia para dias e dias de conversas e discussões. É bom para alavancar (palavra tão em moda) um espetáculo que sofre de desmobilização natural em tempo de crise. 

Toda a gente que gosta de futebol saberá que jogo de bancada vazia é jogo frio e pouco entusiasmante... Eu atrever-me-ia mesmo a dizer: uma ausência de espetáculo. Daí que seja um privilégio assistir a jogos como o de ontem, na Luz. 

Fantástico ambiente de um estádio vibrante, cheio de casos, daqueles que noutros tempos se discutiam à luz do colorido clubístico dos olhos, tão diferente dos novos tempos em que a discussão maior é a da descoberta da intensidade da falta.» 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 22 de Abril de 2013

Bernardo Ribeiro sobre o golo de Lima: "fantástico trabalho de um grupo de craques excecional"

 


Não há volta a dar. O Benfica ganhou o dérbi porque marcou dois golos e isso faz com que tenha merecido a vitória. Aliás, o segundo da equipa de Jorge Jesus é de uma beleza rara, dos que merecem integrar os compêndios de futebol, uma jogada das que fazem as pessoas frequentar os estádios, assim Vítor Gaspar o permita. Lima transformou em golo o fantástico trabalho de um grupo de craques excecional.

Como esperava, e escrevi ontem, foi a qualidade à disposição de Jesus que fez a diferença no dérbi. 

Taticamente o Benfica nunca conseguiu superiorizar-se aos leões, na Luz mais equipa, mais organizados, mais coesos e consistentes. 

Incrível o trabalho de Jesualdo Ferreira com o que tem à disposição. O empate com o FC Porto e a boa exibição no dérbi deveriam merecer-lhe mais loas - e atos de gestão - do que os que lhe são feitos. 

Quando se comparam as duas equipas, a diferença de valores é abissal. Já o que se viu em campo não foi isso. Só que o Benfica tem mais gente para fazer a diferença. Gaitán, Salvio, Cardozo, Lima, Enzo Pérez ou Matic são apenas alguns dos que ajudaram a chegar à vitória através da capacidade de decisão em momentos-chave. 

Oportunidades não houve muitas e o Benfica aproveitou as que teve. Isso só se consegue com jogadores de qualidade. O clube da Luz tem-nos e isso faz toda a diferença.

Com esta vitória o título está mais perto. Uma vitória na Madeira dará quase direito a festejos. Falta pouco.

- Bernardo Ribeiro, jornal Record, 22 de Abril de 2013

José Manuel Delgado: A magia do derby em 90 minutos


Quem olhar hoje, nas páginas deste jornal, para a tabela classificativa da Liga Zon Sagres, depararse-á com uma diferença de 37 pontos entre Benfica e Sporting (70 a 33). E verá também que em 26 jornadas o Benfica marcou 90 golos (mais 61 que os leões) e sofreu menos 18. Ou seja, a distância, ditada pelos números, quase precisava de ser medida em anos-luz, ou não fosse a maior de sempre desde 1934/35. 

Dentro do campo, porém, o que é que se viu? 

Duas equipas que se defrontaram olhos nos olhos, o Sporting a apresentar argumentos para ter-se posto em vantagem e o Benfica a responder com uma eficácia que lhe valeu os três pontos (e com a nota artística máxima no golo de Gaitán, perdão de Lima, uma peça de Playstatíon em fuga do computador para o relvado). Em suma, um espetáculo que foi emocionante, com um Benfica surpreendido com a ousadia inicial dos rivais e estes a explicarem ao Mundo porque razão é o derby de Lisboa um dos mais cotados do planeta. 

Há quem não acredite na magia de alguns clássicos, na irrelevância do momento de forma ou da classificação dos intervenientes. Esses, se não ficaram convencidos com o que se passou ontem no estádio da Luz, são mesmo casos perdidos. 

O Sporting, sem os argumentos do Benfica, puxou dos galões da tradição e vendeu cara a derrota; os encarnados, ao invés, sentiram que tinham pela frente um adversário especial e demoraram a entrar em jogo e só a espaços estiveram ao nível que lhes é habitual. 

Concluidos os 90 minutos, o Benfica somou mais três pontos e manteve a distância de quatro pontos para o FC Porto, o que torna o jogo do próximo fim de semana no Funchal na partida-chave do título; mas o Sporting - que abandonou a Luz a queixar-se do árbitro (derby sem polémica não é derby) - não perdeu a face e tenho a certeza de que estará por certo a interrogar -se como é possível, com estes jogadores, não estar com mais 20 pontos. 

Se os leões precisavam de um certificador de opções para 2013/14, o derby serviu às mil maravilhas. O caminho de aposta na produção da Academia, com a inclusão de alguns jogadores-âncora com mais experiência, parece ser o único capaz de se encaixar nas possibilidades financeiras do clube de Alvalade e mostra ter pernas para andar... 

O Benfica, apesar de ter entrado novamente em jogo algo apático (nas receções a Bayer Leverkusen, Bordéus e Newcastle tinha acontecido o mesmo), sobreviveu, deu a volta por cima e está agora mais perto do título. 

Francamente, muito francamente, nunca me passou pela cabeça que o derby fosse um obstáculo de fácil transposição para o Benfica. Porque, embora cada jogo que separa os encarnados do 33º título nacional seja uma final, nenhum terá a carga emocional do de ontem. 

Um derby que honrou os derbies. 

- José Manuel Delgado, jornal A Bola, 22 de Abril de 2013

Jornal espanhol depois da jogada de Gáitan não tem dúvidas: "Los Benfica Globbetrotters"


El segundo gol del Benfica ante el Sporting fue toda una obra de arte al primer toque. No te lo pierdas

Gaitán empezó la jugada con un gran regate sobre dos centrocampistas rivales. Trenzó una pared y su centro milimétrico lo remató acrobáticamente Salvio, autor también el primer gol de los lisboetas.

Con el triunfo ante su máximo rival ciudadano, el Benfica se acerca cada vez más al título liguero en Portugal.

http://www.sport.es/es/noticias/resto-del-mundo/los-benfica-globbetrotters-2370604

Dragão em brasa: Kelvin ignora treinador e pontapeia mala do massagista









-Imagem retirada do blog Vitória Vem