quarta-feira, 29 de maio de 2013

José António Saraiva compara percursos de Jesus e Mourinho



A derrota de Mourinho na Taça do Rei fez-me duvidar da vitória de Jesus na Taça de Portugal. Porquê? Porque Jesus e Mourinho tiveram percursos parecidos no Real e no Benfica.

Mourinho ganhou um título contra o principal rival (o Barcelona), e Jesus também (contra o Porto). Mourinho perdeu 5-0 com o rival, e Jesus também. Mourinho fez bons resultados nas provas europeias mas não ganhou nenhuma, e Jesus também. Mourinho perdeu tudo este ano e tinha a Taça como prémio de consolação, e Jesus também. Mourinho era favorito mas perdeu a Taça do Rei por 2-1, e Jesus também.

Para finalizar, Mourinho e Jesus saem ao mesmo tempo. Percebo que seria difícil Jesus ficar. Este final de época foi demasiado doloroso. Se ficasse, mesmo que para o ano a equipa estivesse a fazer bons resultados, os adeptos diriam: “De que vale isso, se no fim perdemos tudo?”

Mas havia outro raciocínio possível: “Este ano só faltou um bocadinho para ganhar tudo. Vamos então corrigir o que esteve mal para conseguir esse bocadinho que faltou.”

O problema é que no futebol se age mais com o coração do que com a razão. E o Benfica arrisca-se a voltar ao passado recente em que os treinadores se queimavam, os jogadores se desvalorizavam e a equipa chegava ao Natal com o campeonato perdido.

Oxalá me engane, mas vai ser muito difícil encontrar nos próximos anos um treinador como Jesus. Depois de décadas de cinzentismo, ele entusiasmou as bancadas com um futebol vibrante, goleador e que só foi derrotado mesmo no fim. Mas também o Bayern o ano passado perdeu as provas todas e esta época foi campeão da Alemanha e da Europa. Mas os alemães sabem esperar e os portugueses não.


-José António Saraiva, jornal Record

Ribeiro Cristóvão: Reacção de Cardozo deveu-se à condição de suplente de Melgarejo


O Benfica vai deixar passar alguns dias sobre os condenáveis incidentes do Estádio Nacional para tomar decisões de ordem disciplinar que o bom senso recomenda. Mas não pode esperar muito tempo, sob pena de sair desprestigiado de um caso que, só por si, lançou sobre o Clube uma mancha impossível de disfarçar.

Óscar “Takuara” Cardozo jogou a sorte das varas, e o resultado não lhe foi favorável. Nas últimas horas não se ouviu uma só opinião que pudesse levar à desculpabilização do jogador paraguaio pelo acto que alguns apelidam de irreflectido mas que, ao contrário, pode ter sido maduramente sopesado.

À sua substituição juntou, no banco de suplentes, durante largos minutos, a revolta por ver a seu lado o compatriota Melgarejo, a quem o treinador poderá ter prometido a titularidade, mas que acabou por não passar de segunda escolha, e que não mereceu ser chamado a dar o seu contributo durante um minuto sequer.

Ser suplente numa equipa de futebol, é como na classificação de um campeonato, ser o detentor do segundo lugar, isto é, o primeiro dos últimos. E é imaginável, mesmo para aqueles que nunca militaram numa equipa, quão penoso deve ser passar por essa situação jogos e jogos a fio.

Se, por um lado, pode ser compreensível essa reacção emocional e patrioteira de Óscar Cardoso, já não é aceitável a forma como a materializou, sobretudo porque nem o facto de estar a fazer parte de um grupo derrotado e humilhado, pode justificar o acto condenável que o levou a interpelar da forma agressiva como o fez o seu treinador e superior hierárquico.

Logo aí ficou foi possível concluir que a estrada tinha chegado ao fim para um dos dois protagonistas da cena a que todo o país assistiu ou, levando o incidente até mais drásticas consequências, para ambos ao mesmo tempo.

O silêncio ruidoso da SAD encarnada, que já se prolonga por várias horas, está a abrir a porta a toda a especulação, e a fazer subir o tom das críticas que o acontecimento justifica.

Mesmo reconhecendo que os dirigentes estejam a passar por momentos difíceis, depois de terem visto desabar em poucos dias os sonhos de toda uma época, a sua actuação terá de ser rápida e eficaz para não beliscar o prestígio do clube, que levou décadas a cimentar.

-Ribeiro Cristóvão, Rádio Renascença

Fernando Guerra destrói Jorge Jesus


Depois do jogo com o Braga, na jornada de abertura da Liga, na Luz, escrevi que o prazo de validade de Jorge Jesus no Benfica há muito expirara. A administração benfiquista devia ter optado pela sua saída imediatamente a seguir ao Campeonato ganho em 2010, sugerindo-lhe uma daquelas propostas irrecusáveis no estrangeiro e aproveitando a embalagem para convidar outra pessoa com melhores argumentos para impulsionar e desenvolver o projeto desportivo entretanto gripado. Porquê?, questionará o leitor que fizer o favor de me ler:

1. Por ser um treinador que ao longo da sua carreira funcionou bem em terapias de choque, com primeiras épocas saudáveis e segundas dolorosas e por ser conhecido o relacionamento agitado com jogadores: se o toleram em cenários de crise, rejeitam-no em ambientes de estabilidade.

2. Por ser um treinador com um umbigo do tamanho do mundo, que fala do 'eu' para amplificar o som das vitórias e do 'eles' para disfarçar a culpa das derrotas. O final da Taça foi, apenas, o último exemplo ao servir-se da expressão «a nossa equipa pensou que o 1-0 chegava» como biombo para ocultar as trapalhadas de quem, afinal, é o responsável técnico por essa mesma equipa.

3. Por ser um treinador da velha escola do truque e da manha. Considera que o «ter olhinhos», como destacou em recente conferência, basta para o tornar 'bom treinador'. Ao nível do Estrela da Amadora, do Moreirense ou do Leiria, onde trabalhou, mas para ambicionar ser campeão precisa de saberes e conhecimentos que me parece dominar mal.

4. Por ser um treinador de navegação à vista da costa e lhe faltar dimensão para compreender a imponência do Benfica: entende que fez um época de sonho e que será maravilhoso repetir a proeza na próxima; ou seja, o Porto campeão e o Benfica... primeiro dos últimos.

5. Por ser um treinador que acaba de perder o seu último troféu e valoriza o facto de ter estado nas decisões, sem se dar conta que essa é a desculpa dos incapazes.

A propósito, em eloquente 'carta aberta a Rui Vitória' publicada em A BOLA a 6 de fevereiro, escreveu Manuel Sérgio que «no futebol, quem só sabe de táticas de futebol será sempre péssimo treinador de futebol» e acrescentou que «o trabalho de um treinador de futebol de alto rendimento transcende os aspetos técnicos e táticos». Sejamos claros, quem quiser ser treinador do Benfica e conquistar títulos não tem de saber tocar piano e falar francês, mas, no mínimo, deve ser polido nos princípios e coerente nas ideias e subordinar-se aos interesses da instituição.

Aqui chegados, como decidir? Depois de Filipe Vieira ter autorizado que nos últimos dois meses a continuidade ou não de Jesus merecesse honras de questão central em detrimento dos verdadeiros objetivos do clube, só por acaso se evitaria esta encruzilhada... Jesus criador de uma ciência e inventor do quinto andamento, coisa que ninguém sabe o que é... Enfim, uma festança tola que deu no que deu, um pouco à imagem do que se assistiu há três anos em que, depois do título de 2010, as mordomias se prolongaram pela temporada seguinte. Consequência? O Benfica acabou com 21 pontos de atraso do Porto e... nada aconteceu. Entrementes, Jesus periodicamente sussurra, ou alguém sussurra por ele, que se não lhe derem o que quer vai para o Porto. Verificou-se há três anos e com alguma cadência até hoje. Novela alimentada e animada, aliás, pelos regulares piropos de Pinto da Costa, os quais, embevecido, agradece.

Na final da Taça de Portugal, a humildade de Rui Vitória foi mais forte do que a fanfarrice de Jorge Jesus: o primeiro apresentou um bloco coeso, solidário e fortemente crente; o segundo, uma equipa saturada, insegura e fraturada. Que fazer, então? Vieira vai ter a última palavra, mas, ao fim de quatro anos de contrato, Jesus adquire a propriedade do pior registo da história do Benfica em termos de conquistas (campeonato e Taça de Portugal)...» 

- Fernando Guerra, jornal A Bola, 28 de Maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vítor Serpa: "Jorge Jesus acaba de passar de bestial a besta"


Jorge Jesus acaba de passar de bestial a besta. Inversamente, Vítor Pereira passou de besta a bestial. É um clássico do futebol português e não há como fugir dele.

Fixemo-nos no caso de Jesus. O homem era um deus à entrada da reta da meta e a um deus tudo se perdoa, menos a derrota, porque, por definição, um deus não perde para os humanos.

A verdade é que Jesus perdeu. Não um jogo, não um campeonato, mas tudo. E perder tudo é demasiado, sobretudo quando se está muito perto de tudo ganhar.

Qual foi, então, a verdadeira razão pela qual Jesus tudo perdeu? - aí está, senhores, a pergunta a que ninguém verdadeiramente parece interessar responder, porque a derrota, em si mesma, é causa e efeito. O que interessa é que perdeu. Por culpa própria, como sugerem os seus críticos? Por falta de apoio de uma estrutura negligente, como sugerem os críticos do presidente? 

É, porém, mais difícil responder com razoabilidade a essa pergunta do que tomar a decisão de dizer obrigado e adeus.

O que se tornou factual foi que o Benfica terminou a época com jogadores em manifesta dificuldade física e anímica. Houve, porém, uma exceção, que foi afinal da Liga Europa, com o Chelsea. E a verdade é que essa exceção nos inquieta pela ausência total de uma lógica ou de uma explicação racional. 

Desde o jogo com o Sporting, para a Liga, que o Benfica teve jogadores a arrastar o seu penoso final de época, mas no jogo de Amesterdão estavam todos lúcidos e viçosos. Porquê? Porque Jesus não repetiu, na Europa, uma imagem de perturbação e de ansiedade? Porque os jogadores guardaram o que tinham para mostrar, numa montra da Europa? 

Seja como for, não espero que surjam respostas.» 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 27 de Maio de 2013

Joe Berardo não quer Jesus no Benfica


Empresário, Comendador e accionista da SAD encarnada defende que o tempo de Jorge Jesus no Benfica esgotou-se. E exige "sangue novo".

Joe Berardo é mais uma das vozes a juntar-se ao coro dos que pedem a saída de Jorge Jesus do Benfica. O empresário confessa que até gosta do treinador, mas gosta ainda mais dos técnicos que vencem.

Em declarações a Bola Branca, esta terça-feira, o Comendador, patrono das artes, começa por responder ao facto de as águias terem ficado perto de alcançar três títulos. Situação que não o convence.

"É o primeiro dos últimos (risos). Este é um problema relacionado com o nosso treinador, pois há pessoas que chegam ao fim e não conseguem (fazer melhor). O presidente é que decidirá mas, para mim, um bom treinador é aquele que ganha", atira o Comendador.

Desta forma, Berard, que é igualmente accionista da SAD encarnada apela a uma mudança técnica na Luz, sustentando a sua opinião com o trajecto de Jesus ao serviço dos encarnados.

"Gosto dele, mas se virmos o seu passado, há algo que empata. Temos de dar novo sangue para o futuro do Benfica", conclui. 

-Noticia retirada do site da Rádio Renascença

Octávio Ribeiro: Manutenção de Jorge Jesus é insuportável


Aquele penoso fim de jogo, com um jogador-chave a quase agredir fisicamente Jorge Jesus, verbalmente terá agredido, com os benfiquistas a passarem do amor ao ódio sobre o seu técnico e jogadores, foi um doloroso momento de final de ciclo. Três derrotas depois, o Benfica passou das portas do sonho ao pesadelo real.

Só Luís Filipe Vieira parece ainda não ver que a manutenção de Jorge Jesus é insuportável e dificulta até o planeamento desportivo e financeiro da próxima campanha.

É por estes dias que Vieira vai saber quem, nos corpos dirigentes do Benfica, lhe é de facto leal. Na corte da Luz deve andar um mar de sussurros e conspirações. Vieira está seguro, por agora. Mas tem de largar a sua principal teimosia – manter um técnico que só venceu a Liga na primeira das quatro épocas que já leva no clube.

Se a estrutura montada pelo atual presidente é forte, então qualquer técnico competente pode vencer onde Jesus perdeu, e perdeu, e perdeu. A uma braçada da praia.

O Benfica dificilmente perderia tanto se o seu técnico tivesse mantido a coragem e a coerência. Este último jogo continuará por muitos anos a ressoar na mente dos benfiquistas como uma dor inexplicável. Frente a um pobre Guimarães – Aimar, o jogador que Jesus lançou a quatro minutos do final, já com a derrota espetada, custa quase tanto como toda a equipa contrária –, o Benfica começou a encolher-se logo no início da segunda parte, e Cardozo saiu de campo ainda antes do minuto 70. Porquê? Para poupar o goleador para as férias? Melgarejo? Como explicar o ocaso deste canhoto na parte decisiva da época?

Este ano, Jesus bateu Peseiro no doloroso top das quase vitórias. O atual técnico do Benfica conseguiu estar ainda mais quase, quase, do que Peseiro nos seus tempos do Sporting. E, quase, o futebol não tolera.


-Octávio Ribeiro, jornal Record

Nuno Farinha critica falta de estrutura no Benfica


Um clube com a grandeza do Benfica não pode depender apenas das decisões de dois homens. Desde 2010 – quando Luís Filipe Vieira confessou em direto na SIC que se entendia com Jesus por “sinais de fumo” – que nada mais existe. A estrutura do Benfica são eles os dois e os telemóveis de alguns empresários de futebol. Nos últimos anos, para o bem e para o mal, foi assim que tudo aconteceu. O treinador ouve o presidente. O presidente ouve o treinador. E decidem.

Defendi aqui ontem que Jesus não tem condições para continuar na Luz. Deu ao Benfica tudo o que podia e sabia. E o que podia e sabia está à vista. Mas acredito, mesmo assim, que Vieira pode anunciar esta semana a renovação de JJ. E justificá-la em direto, ao vivo e a cores no horário nobre de uma estação de TV. A história, às vezes, tem direito a repetição.

O presidente das águias cometeu um erro grave neste processo: o timing em que decidiu comunicar a continuidade do técnico nunca podia ter sido aquele. Das duas, uma – se JJ é, de facto, o homem do projeto, a renovação teria de estar tratada três ou quatro meses antes do final da época. Não estando, então guardava silêncio sobre o assunto até ao último jogo da temporada. E agora, sim, decidia e anunciava. Nunca podia era ter garantido que Jesus continua quando ainda estava sob a emoção da vitória frente ao Fenerbahçe, que valeu a final da Liga Europa.

É evidente que Vieira está refém da sua promessa, que, aliás, reiterou após o jogo com o Chelsea. Jesus quer ficar? Sim, é o que parece. Vieira quer que Jesus fique? Sim, é o que parece. Há alguém no Benfica que possa fazer Vieira mudar de ideias? Parece que não.

A falta de uma estrutura ao nível da dimensão do clube é a razão do problema. Decide-se e pronto. Ninguém faz perguntas. E elas deviam ser feitas. Para que serviu, afinal, um consultor motivacional pago a peso de ouro? O que fez no Benfica o professor Manuel Sérgio? Quem acreditou que seria possível viver mais um ano sem lateral-esquerdo? Qual o papel de Carraça? E de Rui Costa?


-Nuno Farinha, jornal Record

Bruno Carvalho: "A única resposta corajosa do Benfica seria ir buscar o Vítor Pereira!"



O ritmo com que as coisas me chegam aos ouvidos é alucinante.

É pena, porque esta situação poderia ser evitada se tivesse havido uma boa gestão e se tivessem renovado com Jorge Jesus no tempo devido.

Sinceramente, não acredito que Jorge Jesus vá parar ao Porto.

Mas se for, e em vez de falarem do Roberto Mancini e afins, a única resposta corajosa do Benfica seria ir buscar o Vítor Pereira!

Afinal, neste momento, está Vítor Pereira 2 - Jorge Jesus 0.

Está toda a gente com medo que Jesus vá parar ao Porto, mas porque é não falam ao contrário?

Porque é que nós não temos a audácia de ir buscar um treinador ao Porto, bi-campeão e que em 2 anos só perdeu 1 jogo no campeonato?

Porque é que somos tão fracos e vivemos sempre com medo do Porto?

Porque é que não somos nós a meter-lhes medo?

Eu sei que não há, seguramente, coragem para isso!

Eu sei que a maioria dos Benfiquistas nem se atreve a pensar assim.

E no fundo haveria ainda mais uma vantagem: ficaríamos todos a saber quem ganha, se são os treinadores ou se é a estrutura.

Mas a essa questão todos sabemos a resposta, não é verdade?


-Bruno Carvalho, Facebook

João Paulo Ribeiro: Desilusão do Benfica deveu-se a alguma desconcentração


Em jeito de balanço, o radialista João Paulo Ribeiro esteve à conversa com o Futebol 365 e aceitou comentar o final de época difícil dos encarnados. Na sua opinião, a desilusão deveu-se a alguma desconcentração. No entanto, o trabalho de Jorge Jesus nos últimos quatro anos não deverá ser desvalorizado com discursos de memória curta.

«Desconcentração e relaxamento são coisas que acontecem a qualquer um. Parece-me que o Benfica facilitou em demasia em alguns momentos cruciais. Mas não está em causa o valor do treinador ou dos jogadores. Agora, se há ambiente para Jorge Jesus continuar, já é outra história...», sugeriu, receando que a ditadura dos resultados possa ser demasiado pesada para Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus, caso pretendam continuar de mãos dadas.

«Agora reina a tristeza e frustração. Mas a memória dos adeptos é muito curta e tudo depende dos resultados seguintes, ou seja no início da época. A trabalhar no futebol português, não há melhor treinador que o Jorge Jesus. No entanto, o ambiente não será o melhor e se as coisas correrem mal de início, vai tornar-se insuportável», previu o radialista da Rádio Renascença e narrador da Sport TV, que não considera a saída de algumas unidades-chave uma desculpa viável.

«Os clubes portugueses dependem financeiramente da venda de jogadores e torna-se inevitável que tal aconteça. Para mais quando são bons negócios como aconteceu com Axel Witsel e Javi Garcia. Não penso que tenha feito grande diferença», sustentou.

Quando confrontado com a possibilidade de Pinto da Costa desviar a rota de Jorge Jesus para o Estádio do Dragão, João Paulo Ribeiro não se quis alongar muito sobre o assunto, mas deixou algumas adendas. «Sim, se fosse presidente de um clube tentaria contratar Jorge Jesus. Só que não poderia pagar o mesmo que o Benfica. Tem valor para treinar qualquer um dos grandes clubes portugueses», garantiu.

Vítor Pereira é para sair, Leonardo Jardim precisa de espaço e apoio para ter sucesso

Sobre FC Porto e Sporting, João Paulo Ribeiro manteve a clareza de discurso. Vítor Pereira, apesar de competente, não deverá continuar no banco dos dragões; Leonardo Jardim precisa de muito apoio da estrutura leonina, caso contrário também figurará no cemitérios de treinadores, que passaram por Alvalade no passado recente.

«Vítor Pereira é um bom treinador e tem muito mérito no título conquistado pelo FC Porto, mas tenho a certeza que vai sair. Até para ele será bom sair, talvez para o estrangeiro, durante um tempo», aconselhou, deixando também algumas sugestões para o reino leonino.

«Nesta fase, qualquer treinador contratado pelo Sporting será uma aposta de risco. Há que dar estabilidade e tempo a Leonardo Jardim, senão acontece-lhe o mesmo que a Paulo Sérgio, Domingos Paciência, Carlos Carvalhal e Vercauteren», concluiu.

-Noticia retirada do site Futebol 365

Video: Manuel Serrão provoca Benfiquistas ao vestir-se de D. Afonso Henriques na TVI24

segunda-feira, 27 de maio de 2013

José Manuel Delgado: 4 hipóteses sobre o futuro do Benfica


Como pode medir-se o sucesso de uma época? Pelo número de títulos? Pelo número de jogos ganhos? Pela fase atingida em cada competição? Todos estes critérios podem ser invocados, mas nenhum encerra, a meu ver, a resposta certa. 

A forma mais fiável de aferir se a época foi boa ou má não deve procurar -se numa base aritmética mas através de uma análise subjetiva. 

É fácil:
Se o çlube chegar mais forte à temporada seguinte;
se os adeptos tiverem vontade de comprar bilhetes de época;
se os sócios ansiarem pelo jogo de apresentação;
se a equipa olhar com ambição e sem complexos para o futuro;
se estiver formado um bloco multidisciplinar (jogadores, técnicos e dirigentes) sólido.
Se todos estes pressupostos estiverem reunidos, então a temporada foi um enorme sucesso.

Olhando concretamente, para a temporada do Benfica, a conclusão a que se chega é que aquilo que há pouco tempo parecia possível - uma evolução na continuidade - está agora mais longe. 

O Jamor não salvava a época do Benfica, é verdade, mas podia estragá-la. Como sucedeu. O orgulho encarnado pela forma como a turma de Jorge Jesus se bateu em Amesterdão, esse sentimento que levou solidariedade ao aeroporto e colocou mais de 50 mil nas bancadas da Luz no jogo com o Moreirense, foi rudemente abalado pela caricatura de equipa que perdeu ontem a Taça de Portugal. A ideia de coesão do balneário foi derrubada pela cena assassina entre Cardozo e Jesus.

Quer isto dizer que, se os benfiquistas mostravam poder suportar uma Liga Zon Sagres mal perdida (em nome de excelentes exibições e pouca sorte na partida do Dragão) e uma Liga Europa que devia ter vindo para Lisboa e foi· para Londres, já não se mostraram pelos ajustes com a indecente e má figura do Jamor.

E agora, o que deve fazer a SAD do Benfica, o que passará pela cabeça de Jorge Jesus?

Quatro hipóteses (acompanhadas de exemplos recentes com desfechos diversos) podem ser colocadas:

a) Jesus continua (segue-se a filosofia de há um ano do Bayern com Jupp Heynckes);
b) Jesus continua (segue-se a filosofia de há um ano do Sporting com Sá Pinto pós-Jamor);
c) Jesus continua (segue-se a filosofia do Sporting em 2005 com Peseiro na época leonina do quase);
d) Jesus sai (seguem-se os exemplos do Real Madrid com Mourinho e do City com Mancini na presente temporada).

Aquilo que os responsáveis do Benfica têm de definir é qual o patamar em que colocam a época 2012/13 da sua equipa principal de futebol. Foi um sucesso? Foi um fracasso? Deixou ou não sequelas inultrapassáveis? 

E, a partir daí, devem agir em conformidade. De forma célere. E sem hesitações...

- José Manuel Delgado, jornal A Bola, 27 de Maio de 2013

Luís Pedro Sousa: 4 razões para Jesus sair


-- As variadíssimas derrotas traumatizantes somadas ao longo dos últimos três anos.

-- Os problemas recorrentes com jogadores. Enzo Pérez e Cardozo foram os exemplos mais recentes, embora no caso com o paraguaio o treinador seja muito mais vítima do que culpado. De qualquer forma, não faltam exemplos de embirração. De Quim a Ruben Amorim. De Nuno Gomes a Nolito. De Urreta a Melgarejo.

-- A inabilidade para gerir fisicamente a equipa. Os jogadores invariavelmente “rebentam” no último terço da época.

-- O pouco conhecimento que tem do mercado. As melhores contratações não foram da sua responsabilidade.

Luís Pedro Sousa, Jornal Record, Linha direta de 27 de maio de 2013

José Veiga defende continuidade de Jesus e ataca Veira


O Benfica precisa de uma estrutura forte se quiser ver a sua equipa de futebol voltar a erguer troféus, analisou José Veiga, que não culpa Jorge Jesus pelo insucesso triplo, mas sim a estrutura do clube lisboeta.

"Apenas culpo o Jesus pela forma como comunicou, principalmente quando falou em época brilhante. Mas a culpa está na estrutura do clube. Enquanto o Benfica não tiver uma estrutura forte, o Benfica não vai conseguir vencer nada. Vai continuar como nos últimos anos, a culpar os árbitros", analisou, em entrevista à TSF.

Veiga espera uma mudança de postura por parte do presidente Luís Filipe Vieira, uma "capacidade" que já deveria ter após 12 anos no cargo, considerou, elogiando o "trabalho fantástico" do treinador Jorge Jesus.

"Se Luís Filipe Vieira se sentir capaz de emendar os erros sim, deve continuar. Mas ele tem de ter a capacidade de mudar. Ao fim de 12 anos, já devia ter essa capacidade. Vamos continuar com os mesmos problemas. O Jesus fez um trabalho fantástico no que toca ao futebol espetáculo, mas depois falta-lhe uma estrutura por trás", disse o antigo dirigente do Benfica.

José Veiga criticou ainda a comunicação do emblema da Luz, que "também tem de mudar, não se pode continuar com populismos, só a atirar areia para os olhos dos sócios", antes de voltar a criticar Luís Filipe Vieira, acusando o presidente de não se concentrar para os jogos decisivos frente a Estoril e Vitória de Guimarães.

"O presidente achou melhor ir passear para o Brasil do que estar concentrado no jogo com o Estoril. Quando se está a lutar por um título tem de se estar concentrado, desde o presidente aos jogadores. Este presidente achou que era melhor ir para o Brasil do que assistir ao jogo. Agora, na última semana, foi para a feira das vaidades, em Londres, em vez de preparar a final da Taça", acrescentou o empresário. 

-Noticia retirada do site Relvado

Nuno Farinha não tem dúvidas: Jesus não tem condições para continuar



Mesmo que o Benfica estivesse há muito tempo a jogar um futebol de encantar, e já nem é o caso, Jorge Jesus não tem condições para continuar na Luz. O profissional de futebol mais caro de sempre no futebol português – incluindo jogadores! – passou ontem também a ser o maior perdedor na história das águias.

Se Luís Filipe Vieira renovar o contrato do treinador, e essa hipótese parece continuar de pé, então é porque o nível de exigência no Benfica foi mesmo alterado. Jesus, para além dos 4 milhões/ano que custa à SAD, teve tudo: jogadores de nível mundial que lhe foram postos à disposição e até os caprichos que, ano após ano, ia exigindo. De Kardec a a Luisinho. Como se não bastasse, o Benfica tem ainda a mais alargada equipa técnica no futebol português. Um exército de adjuntos e preparadores de tudo e mais alguma coisa. Para resultar naquilo que está à vista: zero.

Jesus caíu de joelhos no Dragão e não voltou a levantar-se. Não é o único culpado, no entanto. A sensação do “já está ganho” foi tanto dele como de todos os outros que estão à sua volta. Na hora certa, da bebedeira coletiva após a vitória nos Barreiros, faltou massa crítica, humildade, experiência e respeito. Faltou um líder a sério, no fundo. Faltou um diretor desportivo de corpo inteiro.

O que Cardozo fez só se explica porque existe esse vazio de autoridade no futebol do Benfica. Cardozo, que um dia mandou calar as bancadas da Luz, empurrou ontem o treinador, pediu-lhe explicações e ainda apontou o dedo a um colega. É preciso dizer mais alguma coisa?

O V. Guimarães e o seu treinador não têm culpa nenhuma dos dramas alheios. A finalizar uma época que já era de grande qualidade, a equipa ainda justificou, plenamente, a conquista histórica. Grande exemplo, grande reviravolta, grande festa. Mereceram tudo o que aconteceu.

PS: A 4 de abril, neste mesmo espaço, escolhi o seguinte título: “Benfica tem tudo por fazer.” E logo abaixo podia ler-se isto: “Ter a visão de uma época perfeita sem ter conseguido, sequer, um único troféu: é esta a cruel realidade que o clube enfrenta.” Não imaginam algumas das ameaças que recebi nas redes sociais.


-Nuno Farinha, jornal Record

domingo, 26 de maio de 2013

Video: Reacção dos comentadores da Benfica TV ao golo da derrota frente ao Guimarães

Adepto tenta agredir Jesus e é detido


Quando se preparava para receber a medalha de finalista

Um adepto do Benfica foi identificado e detido por tentativa de agressão a Jorge Jesus após o apito final da Taça de Portugal.

Tudo aconteceu quando o técnico dos encarnados começou a subir a escadaria para receber a medalha de finalista. Um adepto muito exaltado tentou agredir Jesus, mas foi de imediato repelido à bastonada e algemado pela polícia que se encontrava no local. Foi identificado e detido.

Esta não foi a única detenção no Jamor. De acordo com a Polícia de Segurança Público, dois apoiantes do Vitória de Guimarães também foram alvo de detenção, por resistência à autoridade, tentativa de agressão de um agente e arremesso de objetos.

Outras quatro pessoas foram identificadas pelos agentes por furto, venda ilícita de bilhetes, comportamento inadequado e ainda taxa de alcoolemia elevada.

-Noticia retirada do site do Mais Futebol

Vítor Serpa: Excelente advogado de defesa do Jamor!



Amanhã, benfiquistas e vitorianos minhotos irão de romagem ao Jamor esse santuário imponente que o Estado Novo mandou erigir apesar das reticências de Salazar, que juntava no gosto humano e no dever da missão de estado o mesmíssimo desprezo a que votava o desporto e os desportistas de Portugal e do mundo. 


Terá sido Duarte Pacheco a convencê-lo do interesse patriótico da construção e a seduzi-lo até pela hipótese nunca alcançada de organizar, durante a guerra mundial, uns Jogos Olímpicos que marcassem com propriedade e empenho a posição supostamente neutral do país.

O Estádio é, hoje, um lugar mítico para desespero dos que o tentam menorizar alcunhando-o, sem sucesso, de estádio de Oeiras. É o lugar onde o povo português gosta de ver a festa da final da Taça e tudo o que se faça para destruir essa realidade será contribuir para fazer de um momento muito especial um jogo sem alma e sem a grandeza que só a história lhe pode conferir.

Existem, de facto, algumas razões plausíveis para colocar objeções ao lugar. Todas de caráter técnico e que a Federação Portuguesa de Futebol, com a compreensão do governo, procurou contornar para esta edição. 

Admite-se que uma final entre dois dos três maiores clubes portugueses possa criar situações embaraçosas ao nível da segurança, mas só a cegueira provocada por um sectarismo doentio pode desejar que a final da Taça saia do Estádio Nacional para ter uma vida cigana, acampando pelo país consoante a geografia dos finalistas.

Claro que há países onde isso acontece. Países onde a final da Taça não tem a mesma história, a mesma tradição, a mesma alma. Em Portugal, é sinónimo de uma festa que marca essenciais diferenças para qualquer outra competição e que por isso (salvo dolorosas exceções) se torna especial e verdadeiramente única.

Num mundo de globalização que tudo descaracteriza e que tudo molda no barro das elites centralizadas é importante defender o que é especial, o que faz parte de uma cultura e de um modo próprio de ser e de estar. 

A final da Taça é, porventura, a prova mais portuguesa de Portugal e isso deve-se, em muito, às características muito particulares da final jogada no Jamor, num estádio de pedra branca, rodeado de um cenário verdejante, sem camarotes VIP, sem lugares diferenciados entre a abastança e a pobreza, um estádio igualitário, onde toda a gente que ali entra é povo do futebol.» 

- Vítor Serpa, jornal A Bola, 25 de Maio de 2013

João Malheiro: No vale do (J)amor



Não há como contornar o tema, existe todo um universo benfiquista em depressão. As expetativas eram altas, altas mas legítimas, condições havia para uma temporada que ficasse com marca substantiva no historial centenário do Clube. O final foi penoso, penoso e cruel, o Benfica não merecia um fecho de época tão doloroso.


Fomos a melhor equipa nacional ao longo do ano competitivo. Para não variar, as razões de queixa são múltiplas. Ainda no último embate do nosso antagonista direto, um penálti anedótico, mais uma expulsão intrujona, abriram caminho para o triunfo do FCP. Mais tarde, um penálti tão verdadeiro como verdadeiro é a terra girar à volta do sol, foi sonegado ao Paços de Ferreira. 

Assim, convenhamos, é fácil. O "sujinho, sujinho, sujinho", da lavra de Vítor Pereira, técnico azul, deveria ter sido proferido depois de se ver ao espelho. Isso é que era "limpinho, limpinho, limpinho".

Agora, vamos ao Jamor, ainda há uma competição para vencer. De resto, um troféu que tem escapado ao Benfica nos últimos anos. 

Vamos para ganhar? Só podemos. Temos que ganhar? Só podemos. 

Ainda no pretérito domingo, mesmo em desvantagem no marcador, frente ao Moreirense, na Luz, os nossos aficionados não exibiram manifestações, mais ou menos ruidosas, de aspereza. Esta temporada, para que conste, marca um exemplo de empenho e militância benfiquista que chegou a ser comovente.

Na final da Taça de Portugal só pode ser assim. Com humildade, que o mesmo é dizer respeito pelo V. Guimarães, imposta encerrar o ciclo vitoriosamente. 

Teremos fervor na plateia, precisamos de superioridade no campo. E, em seguida, faremos a festa. Dá para salvar a época? Dá, pelo menos, para mitigar os danos recentes. Ademais, no vale do (J)amor...» 

- João Malheiro, jornal 'O Benfica', 24 de Maio de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

Afonso de Melo ataca gentes do Porto por causa das agressões aos jornalistas da Antena 1


1. Diz o povo, na sua proclamada infinita sabedoria, que as gentes do Porto são ordeiras e hospitaleiras. Sempre duvidei de infinitas sabedorias, sejam elas do povo ou do Presidente da República. Ano após ano após ano, hordas de ordeiros lançam-se como os hunos de Átila sobre aqueles que têm a desgraça de serem obrigados, pela regra dos calendários desportivos, a demandar a cidade das tripas enfarinhadas. Ao contrário do que acontece com as visitas portistas à capital, sempre sublinhadas com um passeiozinho vivificante no Parque Eduardo VII, ai do atrevido que caia no erro de meter o nariz de fora da janela do autocarro - voam pedras e garrafas, blocos de cimento, pedaços de viadutos. As autoridades, tal como o nome indica, autorizam. É para isso que existem. Deter, identificar, autuar, levantar processos não faz parte da sua competência. Limitam-se a olhar, entretidos, o voar dos calhaus. É mais do que certo que este adjectivo hospitaleiro vem de hospital...

2. Hordas de ordeiros atacaram barbaramente dois jornalistas da Antena 1 que saiam do Estádio das Antas. Tal como sempre acontece, as autoridades autorizaram. A barbaridade passará, mais dia menos dia, a fazer parte da lamentável lista de agressões a jornalistas perpetradas no Estádio das Antas de há 30 anos a esta parte. Lamentou o ordeiro clube a incidência? Apresentou desculpas às vítimas? Não. Não faz parte da sua cultura ordeira... Razão tinha o árbitro, Vítor Correia, quando dizia que desde que vira um porco andar de bicicleta acreditava em tudo. Imaginem se ele tivesse visto um a bailar...»

- Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 24 de Maio de 2013