segunda-feira, 6 de maio de 2013

António Magalhães: O foco de Jesus



Primeiro ato: após a vitória no Funchal, frente ao Marítimo, o Benfica quebrou o silêncio e reagiu aos ataques do FC Porto. 


Segundo ato: depois do triunfo sobre o Fenerbahçe e apuramento para a final da Liga Europa, Luís Filipe Vieira quebrou o tabu e garantiu: "Jesus fica de certeza". 

Era suposto que no terceiro ato Jesus respaldasse esta boa-nova. Não o fez. 

O treinador não quebrou nenhuma das suas regras e assumiu estar exclusivamente focado naquilo que considera ser o mais importante: os jogos que faltam e os títulos que estão à mão de semear.

Jesus sabe que ainda nada ganhou e que o futebol é muito volátil. É evidente; tal como disse Jesualdo Ferreira, que o país não acredita que o Benfica perca o campeonato, mas os homens da bola sabem que no futebol nada se pode dar por garantido. Por isso, o melhor mesmo é continuar concentrado naquilo que é essencial. O acessório fica para depois.

Nessa perspetiva, o Benfica tem hoje um jogo de elevado grau de dificuldade mesmo sabendo que o Estoril perdeu mais jogos fora do que aqueles em que pontuou. Jesus já disse que a gestão acabou e que agora jogam sempre os melhores e até ao limite das suas forças. Não poderia ser de outra forma. E se por acaso as forças faltarem, pelo menos hoje lá voltarão a estar 60 mil adeptos dispostos, se preciso for, a levar a equipa ao colo.

Se Vieira ficou sem "resposta", já Vítor Pereira voltou a ouvir a opinião de Jesus: "O campeonato continua a ser limpinho". Isto, um dia depois de o FC Porto ter marcado um golo em fora-de-jogo na Madeira... Ironias do destino. 

Já Diamantino (que terá passado pela sua cabeça?) também não mereceu qualquer comentário de Jesus. Decididamente, não é hora de ajustar contas pessoais. Se for esse o caso, claro.

O Sporting perdeu em P. Ferreira. Poderia ter ganho vantagem num penálti que Proença não marcou e falhou o assalto ao 5° lugar. Assim, quem lucrou foi o Paços. A Champions está apenas a 2 pontos. Brilhante!»

 - António Magalhães, jornal Record, 6 de Maio de 2013

Rui Oliveira e Costa insulta Benfiquistas em directo na RTP Informação




Video: Forte discussão na CM TV entre João Malheiro e Dias Ferreira

Rui Dias sobre Matic: "Faz parte das mais extraordinárias obras-primas de Jorge Jesus"



1. Quando o Inter Milão, a meio da época 1997/98, contratou Paulo Sousa ao Borussia Dortmund, estava implícita a carência de um determinado tipo de jogador, cujas características, de resto, eram sobejamente conhecidas em Itália. Ao fim de poucos dias a trabalhar sob o comando de Gigi Simoni, o internacional português ouviu o treinador dizer-lhe o que esperava da sua contribuição. Que fosse um recuperador e resolvesse os problemas seguintes a esse primeiro passo de duas formas: pontapé para a frente à procura de Ronaldo (Fenómeno) ou galgar terreno pela via de correrias com a bola dominada. O treinador, que tinha Simeone, Zé Elias, Winter e Nicola Berti para cumprir a tarefa, não queria um geómetra; queria mais um para ajudar à limpeza da casa. 

2. A mesma função pode ser desempenhada de formas distintas. Qualquer equipa pode jogar bem e ser eficaz, por exemplo, a partir de médios-centro tão diferentes como Javi García e Matic. Pode organizar-se taticamente pelo posicionamento de uma unidade mais estrita, que assimila e cumpre todos os princípios definidos pelo treinador; mas também pode fazê-lo recorrendo a quem, menos perfeito nessa tarefa, eleve o talento para patamares superiores de excelência, à custa da melhor relação com a bola e das soluções técnicas que levam a zonas mais adiantadas. Jorge Jesus mostrou-nos que um não é melhor do que o outro e que o segredo é definir o modelo de jogo tendo em conta as características do número 6. Disparate foi o de Simoni quando pediu a um dos melhores médios da história do futebol para varrer o chão.

3. O jogo de Matic tem as marcas da eficácia e é uma constante fonte geradora de emoções, porque preserva a inteligência, apela à superação e é um exemplo de orgulho no que faz. Atingiu tal ponto de maturação de argumentos táticos e de intervenção no jogo que já faz parte das mais extraordinárias obras-primas de Jorge Jesus - e isso traduzir-se-á em números quando chegar o momento de negociar a inevitável transferência. Mas mesmo reconhecendo que a evolução de um jogador está ligada à visão e aos conselhos do mestre, a parte maior de responsabilidade na consolidação de competências tem a ver com o talento e o desejo de aprender do aluno. Matic soube interpretar as causas de um ano como subalterno de Javi García, entendeu que o tempo jogava a favor e tornou-se num fenómeno.

4. Matic é um jogador abrangente que zela pelo equilíbrio da equipa. Mas essa é só parte de uma verdade mais ampla e complexa. À semelhança dos futebolistas mais extraordinários, não se limita a ser referência coletiva do exército que defende: dita as regras no campo de batalha, administra a guerra, é o dono do espetáculo. Não exerce tirando coelhos da cartola mas cumpre o senso comum com tanta perfeição e intensidade que chega a ser surpreendente e deslumbrante. Matic é o gregário que assume o trabalho sujo mas também veste o fato e a gravata para dialogar com os artistas. Mais do que referência do Benfica e expoente máximo da Liga portuguesa, tornou-se um médio como, de momento, não existe outro na Europa. Seria titular em qualquer dos semifinalistas da Champions. É um craque de dimensão mundial.» 


- Rui Dias, jornal Record, 5 de Maio de 2013

António Varela: Jesus e o Benfica: aliança incondicional



1. Passou mais uma semana e o Benfica venceu dois jogos em que fez prova de vida como candidato a ganhar a Liga e a Liga Europa. As águias consideraram-se praticamente campeãs com a vitória na Madeira e transformaram o Estádio na Luz na antevisão do que poderá ser o triunfo na competição europeia, com a eliminação do Fenerbahçe. Embora, na verdade, o Benfica nada tenha ganho ainda, estes dois resultados obrigaram Luís Filipe Vieira a desfazer o tabu do treinador. Que diz ele, continuará a ser Jorge Jesus. 

2. Mesmo que o Benfica falhe a sua época de sonho, os adeptos que vibraram com a afirmação de um futebol brilhante sobre os turcos, na meia-final de quinta-feira, dificilmente compreenderiam a dispensa do treinador que lhes devolveu as emoções do jogo. No final da sua quarta época na Luz, o balanço dos títulos conseguidos por Jesus está mais do que esgotado - não foram tantos como o brilho do futebol faria supor -, mas só agora se vai percebendo o que vale para os adeptos do clube e para os adversários (que o foram namoriscando) a impressão do trabalho do treinador sobre a qualidade da equipa.

3. Luís Filipe Vieira foi mantendo o futuro de Jorge Jesus em suspenso, sustentando essa posição nas vitórias que ainda teria de garantir e não garantiu, mas o triunfo sobre o Fenerbahçe e a demonstração de empatia do público face ao técnico foram um argumento irresistivel. Quem lhe perdoaria se deixasse escapar JJ para a concorrência?

4. O treinador das águias perdeu-se algumas vezes nas últimas épocas por estar convencido da sua infalibilidade, mas até aqui mostrou ter crescido. E Melgarejo ficou no banco frente ao Marítimo e ao Fenerbahçe. Oferecer golos na 1ª jornada da Liga é aceitável, nove meses depois, na meia-final da Liga Europa, já foi demasiado.

5. A frente alemã avançou para a final da Liga dos Campeões, a provar que os espanhóis não aprenderam nada com o que lhes aconteceu na época passada. Os alemães podem. E podem muito, mesmo contra Messi e Ronaldo.

6. Viu-se esta semana algo inimaginável, em Portugal: os dirigentes do futebol a ganharem juízo. E essa vantagem deve ser creditada à equipa que atualmente dirige a Federação e recusou a ratificação da infantilidade que seria um alargamento incompreensível. O futebol é um jogo, um espetáculo - a discussão está em aberto -, mas há muito deixou de ser uma brincadeira.

7. Em maio é assim, no desporto português: há um vírus que aparece e espalha insanidade por todo o lado. Ontem manifestou-se com intensidade no jogo que decidia o campeonato de voleibol. O Benfica diz-se campeão, o Sp. Espinho contesta. É um arraial.» 


- António Varela, jornal Record, 5 de Maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

João Querido Manha: Marca Jesus


Quando Jorge Jesus assumiu o cargo, os benfiquistas torceram o nariz, não pela capacidade ou provas dadas, mas por mero preconceito social. Preferiam o perfil elegante, cosmopolita e bem-falante de um Quique qualquer e sentiam-se ridicularizados pela figura glosada em todos os programas de humor. O futebol encarnado era então gerido de forma caótica, à mercê de todo o oportunismo e de gritante incompetência, intervalado episodicamente pelo génio de Trapattoni.

Quatro anos passados, Jesus é reconhecido como o mais consensual, o mais genuíno, transparente e intelectualmente honesto dos treinadores. Não procura ser mais importante do que é, não apouca o trabalho dos colegas, embora não fuja dos confrontos e polémicas, respeita os jogadores adversários e não se refugia atrás dos pés de microfone ou debaixo das batinas diretivas. Uma personalidade rara no meio.

E, por isso, hoje os benfiquistas orgulham-se do seu treinador popular e do jogo ambicioso e ofensivo que promove a cada semana. Até surpreende que nem as pastilhas elásticas, nem as cabeleiras fartas, nem a pronúncia saloia tenham despertado os gurus da publicidade associada à maior marca nacional, como há 30 anos a horrível Macieira se soube vender através do panamá de Eriksson.

Jesus construiu em quatro anos o mais valioso dos patrimónios pessoais, uma marca que perdurará, talvez só comparável a um Pedroto ou a um Artur Jorge.

Em tempo de assédio sem fronteiras, pode imaginar-se que vai chegar o momento em que seja tentado por algum convite de campeonatos mais fortes. Se nem treinadores comodamente sentados em cadeiras de sonho foram capazes de resistir, o que faria Jesus perante o desafio de uma carreira internacional? Maduro, inteligente e com perspetiva, devia preferir continuar a desenvolver a sua figura à dimensão do universo encarnado e acabar por tornar-se no maior treinador da história do clube. Místico agora, mítico na história.


-João Querido Manha, 5 de Maio 2013, jornal Record

Vítor Serpa: Benfica contra os ventos da história



Nona final europeia para o Benfica. A curiosidade maior é que acontece ao ano em que o poder político e económico da Alemanha se juntou, com alguma naturalidade, o poder desportivo, com o Bayern de Munique e o Borússia de Dortmund a dominarem ‘autoritariamente’ e a discutirem entre eles o título de campeão europeu. 

Ora o Benfica, ao contrário dos clubes germânicos, pertence a um país sobre assistência financeira, um país que os alemães recriminarem por ter um povo que, supostamente, vivia acima das suas possibilidades, embora muito abaixo das condições de vida dos alemães. O Benfica torna-se, pois, num caso de estudo. Aliás, não apenas o Benfica , mas todo o futebol português, onde, apesar das suas grandezas e misérias, há um enclave da vida pública que teima em resistir como setor de notável excelência internacional

É verdade que um dos maiores fatores de sedução popular do futebol é essa espantosa capacodade dos pequenos se poderem confrontar com os grandes, no fundo, um eufemismo desportivo para designar ricos. O futebol é uma exceção à regra da combinação direta entre a riqueza e o sucesso e por isso garantiu a paixão do povo. Porque permite o desafio do poder económico e do poder político, porque recusa a submissão sem luta, a derrota sem combate.

Não deixa de ser curioso pensar que o futebol é um reduto de capacidade, dee compet~encia, de valor e de poder da Europa do Sul. Coisa pouca ou, até mesmo, irrisória, dirão muitos. É notório que o futebol não resolve a dívida externa, nem nenhuma das grandes questões de uma sociedade onde a economia manda sobre tudo e todos. Mas se o futebol não tiver, mesmo, importância nenhuma, a verdade é que essa seria uma péssima notícia para países como Portugal, Espanha, Grécia ou Itália.

O futebol pode não ter a importância da economia, que não lhe verá reconhecida suficiente grandeza de indústria, mas não tem a importância da filosofia, que lhe reconhece uma surpreendente dimensão humana. Ora a questão da importância está no conceito. Sabr se é mais importante o dinheiro, ou o homem. Dirão os economistas que o mais importante é o dinheiro na mão do homem. Dirão os filósofos que o maior perigo social é precisamente o do homem nas mãos do dinheiro.

O que me parece irrebatível é que um sucesso, ao mais alto nível, de um clube ou de uma seleção nacional de um país que viva subjugado às políticas e aos interesses do poder económico internacional se transforma numa ilha de resistência e ajuda a preservar alguma dignidade nacional, alguma autonomia cultural, alguma consciência patriótica.

Por isso, a qualificação do Benfica para esta final europeia em Amesterdão, não é, apenas, um excelente serviço prestado ao país. Tal como aconteceu com o FC Porto nas suas brilhantes vitórias internacionais. Tal como acontece coma Seleção , quando se consagra entre as melhores seleções, num contexto de dimensão mundial.

Esta nona final do Benfica é, pois, conseguida num momento historicamente adverso. Principalmente, porque os poderes do futebol também se tornaram insaciáveis e, por isso, se deixam cada vez mas seduzir pelos poderes políticos e económicos, criando competições preparadas para o maior lucro possível. Mais uma razão para valorizarmos o sucesso do Benfica. Mais uma razão para o sentirmos como um admirável serviço público prestado a este pobre país emocionalmente arrasado e descrente.

Serão as minhas palavras manifestamente exageradas para a simples dimensão desportiva do feito? Não, não são, porque a dimensão do feito não é meramente desportivo, a não ser ao solhos míopes dos que não veem mais de um palmo à fente dos seus narizes.» 


- Vítor Serpa, jornal A Bola, 4 de Maio de 2013

Paulo Teixeira Pinto faz um vénia ao SLB



O SL Benfica acaba de se classificar para a final da Liga Europa. Antes já se tinha apurado para a final da Taça de Portugal. E neste momento segue como líder isolado e sem qualquer derrota no campeonato. Isto são factos. E contra factos não há desculpas. Um desempenho deste quilate pode assentar em múltiplas bases e diversos fundamentos. Mas uma coisa é certamente verdadeira; sem mérito próprio jamais seria possível. Nem a sorte íntima ou o azar alheio, nem postes ou traves, nem calendários ou sorteios, nem chuva ou sol, podem explicar um percurso quase imaculado, verdadeiramente sem qualquer falha grave. 

E isto numa época que se afigurava assaz difícil, depois de mais outra de insucessos, nomeadamente porque a equipa se viu de repente privada de dois jogadores até aí detentores de uma importância não apenas relevante mas de facto tão nuclear quanto evidente: Javi Garcia e Witsel. Ora, a verdade é que sucedeu que não só foram bem substituídos como se regressassem hoje de certeza que sentiriam muitas dificuldades em recuperar o posto que antes lhe pertencia. A isto acresce sobremaneira a circunstância de o clube não ter precisado de realizar novos investimentos adicionais para colmatar tais brechas, uma vez que as soluções foram encontradas em casa: Matic, com uma época notável, e Enzo Pérez, o símbolo maior das mais improváveis das adaptações. A cereja no topo do bolo foi a categórica revelação de dois atletas de elevado potencial: André Gomes e André Almeida., este último utilizado como médio mas também nas duas laterais – e sempre de modo convincente. Como se não bastasse, já a corrida tinha recomeçado quando desferiu contra o seu rival um tiro de surpresa e que se viria a revelar decisivo – a contratação de Lima.

Por tudo isto, vénia ao SLB.» 


- Paulo Teixeira Pinto, jornal A Bola, 4 de Maio de 2013

Video: Adeptos do Nacional cantam "Glorioso SLB" no jogo contra o FC Porto

Video: Festa na Luz após titulo de campeão nacional de voleibol

sábado, 4 de maio de 2013

Aleluia Rui Santos!!


Com efeito, há muitos agentes branqueadores à solta, e se houve óbvios exageros na contabilidade dos penáltis não assinalados ao FC Porto durante o campeonato, não há a mais pequena hipótese de credibilização das queixas portistas, uma vez que – bem pelo contrário – nunca os responsáveis azuis e brancos, a começar por Pinto da Costa, fizeram alguma coisa de nobre e positivo (para melhorar o sector da arbitragem) que merecesse o aplauso do país.

-Rui Santos, jornal Record, 4 de Maio de 2013

António Tadeia: Benfica e a renovação de Jesus



A exibição intensa que o Benfica fez ontem, frente ao Fenerbahce, prova mais do que as características inebriantes do sucesso. A equipa que jogou àquele ritmo não é uma equipa cansada, pelo menos animicamente. E já se sabe que pior do que a fadiga muscular é a fadiga mental: ora essa o Benfica não a tem.


Como se viu, não são conferencias de imprensa a zurzir nos árbitros ou nos rivais - um fenómeno tão português como são os programas de TV com os adeptos encartados - que podem levar este Benfica a uma tripla histórica. 

Se tal acontecer, deve-se mais a um longo trabalho de reorganização que o presidente tem levado a cabo para o interior do clube e da sad, tal como ao labor de um treinador que, por ter uma ideia de jogo, anda sempre um passo à frente da maioria dos colegas.

Aqui chegado, parece estranho que Vieira e Jesus não se tenham ainda posto de acordo acerca do contrato do treinador. Mas não é. Vieira sabe que o Benfica ainda não ganhou nada e que qualquer treinador que se espalhe nos últimos metros fica, aos olhos do povo adepto, tão ou mais fragilizado do que aquele que nunca lá chegou. 

Jesus sabe que o Benfica ainda pode ganhar muita coisa e que se o fizer fica numa posição muito forte para negociar a renovação de um contrato que já é elevado para as realidades portuguesas.

Há quem sustente que os dois já se puseram de acordo e só têm adiado o anuncio para um momento oportuno. Duvido. Porque num caso destes não há momentos mais oportunos a não ser que o que se queira anunciar seja a separação. 

E custa-me acreditar que Benfica e Jesus achem que vão encontrar melhores parceiros nestes tempos que correm.

-António Tadeia, TSF, 3 de Maio 2013

Video: Luís Filipe Vieira garante continuidade de Jorge Jesus

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Afonso de Melo sobre Vítor Pereira: "Não é estúpido, é mandado"


«Quando aparece no Mundo um verdadeiro génio é possível reconhecê-lo através deste sinal: todos os estúpidos se unem contra ele.» 

É assim que começa o livro de John Kennedy Toole «Uma Conspiração de Estúpidos ». 

A frase é tirada de Jonathan Swift, alguém que percebia bem o que era a estupidez. Por isso, quando ouvi a fandangueira figura dizer, alto e bom som, que só os estúpidos falam de árbitros, fiquei com a certeza de que estava a preparar-se para falar daquilo que só os verdadeiramente estúpidos falam: ou seja, de árbitros.

Uma vez vi uma cena digna de um filme do Buster Keaton: um grupo de rapazes com camisolas às riscas corria atrás de um árbitro a todo o comprimento de um campo de Futebol; o árbitro era rápido, esquivava-se como uma lebre por entre galgos, corria aos ziguezagues, e a rapaziada às risquinhas atrás dele. Foi grotesco. 

A fandangueira figura não falou de árbitros nesse dia. Mas, excepto ele, toda a gente falou. Estúpidos, é claro! Uma conspiração de estúpidos!

Um dos empregados da fandangueira figura fala de árbitros todos os dias. Mas esse não é estúpido, é só mandado. Nem todos os estúpidos falam de árbitros; outros falam, mas pouco. A regra mantém-se: são estúpidos que conspiram contra o génio que ilumina o Mundo.

A fandangueira figura fala de árbitros a torto e a direito, mas além disso fala com árbitros, o que o iliba de qualquer género de estupidez.

São assim os estúpidos: dividem-se em classes. Admito que seja um estúpido de primeira classe quando, volta e meia, falo de árbitros. Ou quando os vejo a fugir, ou então aos beijos e abraços aos rapazes de camisolas às riscas. 

E pergunto-me: o estúpido serei mesmo eu?» 

- Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 3 de Maio de 2013

João Malheiro: Benfica tem marcado muitos golos nas palavras



Quatro pontos de avanço, a escassas três rondas do termo da competição, ficam bem ao Benfica, na antecâmara do título nacional. 

A trajetória tem sido fulgurante, também na Taça de Portugal, projetando uma "dobradinha" que o nosso Clube não consegue há mais de duas décadas.

Nesta altura, vive-se uma atmosfera de euforia nas hostes "encarnadas". Sem qualquer derrota nas provas domésticas, o Benfica tem patenteado uma superioridade inequívoca, de resto aceite até por alguns dos seus habituais opositores ou mesmo detratores. 

O entusiasmo faz todo o sentido, é contagiante, é estimulante, é excitante. Ainda assim, tal como insistentemente têm referido os principais responsáveis, em particular o presidente, Luís Filipe Vieira, e o treinador, Jorge Jesus, importa não subestimar os antagonistas (Estoril, FC Porto, Moreirense e V.Guimarães) e cultivar humildade. Que também fica bem ao Benfica.

A luta, em particular com o rival do Norte, vem sendo titânica. Em desespero, do Dragão disparam-se atoardas com o fito de inquinar o previsível desfecho das competições. 

Com elevação, mas também com firmeza, a estratégia tem sido denunciada, tem sido desmontada. O Benfica não marca só (muitos) golos no campo, marca também (muitos) golos nas palavras.

Sem sobranceria, sem jactância, sem triunfalismo exacerbado, esta temporada pode ficar nos anais do Clube como uma das mais saborosas e produtivas. 

Pode e vai ficar, certamente. Da mesma forma que se prova à saciedade quão importante é manter a humildade, ao invés de outros que tudo prometeram, inclusive a Liga dos Campeões. 

Eles pagam a fatura da arrogância, nós ganhamos o registo da modéstia. 

Da modéstia vitoriosa e convincente.» 

- João Malheiro, jornal 'O Benfica', 3 de Maio de 2013

José Manuel Freitas: Passos Coelho agradecido pela vitória do Benfica


Numa altura em que o governo de Passos Coelho - o mais impopular, déspota, tirano e castrador da história da Democracia portuguesa - se prepara para deixar o que resta deste País (são cada vez mais as famílias lusas que vão para o estrangeiro, da Venezuela a Angola, de França a Moçambique, com meia dúzia de pertences, à procura de futuro por mais uns quantos patacos) na miséria total com essa fobia de ter de encurtar seis mil milhões de euros na despesa do Estado, leia-se nos benefícios sociais, e tudo aponta no sentido de que a reforma passe para os 67 anos o que vai obrigar muitos de nós, não os donos do Poder, a trabalhar de cadeira de rodas - e quanto a isso, mesmo sendo impossível, quero dirigir toda a minha bílis e mais aquilo que se adivinha na direção de Vítor Gaspar, o dono de Portugal, figura sinistra e seráfica que faz de nós estúpidos convencido de que vive em Marte e que este pedaço de terra não passa de uma estação orbital... -, a presença do Benfica na final da Liga Europa acaba por ser enorme bálsamo que entrou por todas as janelas do gabinete do primeiro ministro, pois sendo verdade que são seis milhões os adeptos encarnados e que há mais um grupo grande de gente que gosta de futebol que vê com bons olhos a presença benfiquista na decisão com o Chelsea, tem tudo para os distrair da realidade. Ou não, dependendo este 'sim' ou 'não' de se ter o estômago colado às costas ou de ainda haver direito para se conseguir uma vida normal: ir às compras, ajudar os filhos, pagar a prestação da casa, ser espoliado em múltiplos impostos, pagar o IMI.

Quanto à final de Amesterdão, onde o Benfica já foi feliz, parece-me, à distância de duas semanas, que o Chelsea está melhor apetrechado ou será que é desta que os encarnados matam o fantasma de Bella Guttman. 

Sem esquecer que Rafael Benítez é senhor para inventar e se o fizer...» 

- José Manuel Freitas, jornal A Bola, 3 de Maio de 2013

José Manuel Delgado: Presença na Final da Liga Europa é grande vitória de Vieira e Jesus


O crescimento sustentado do Benfica ao longo da última década é uma realidade apenas refutada pela pior qualidade de cegos (aqueles que não querem ver) e tem como efeitos práticos um 'boom' de sócios e adeptos, que anda de braço dado com uma qualidade competitiva sistematicamente a galgar patamares. 

Luís Filipe Vieira juntou ontem o seu nome, por feitos do clube dentro das quatro linhas, ao de outros grandes presidentes - Maurício Vieira de Brito, Adolfo Vieira de Brito, Borges Coutinho, Fernando Martins, João Santos - e vê solidificar-se a promessa eleitoral de fortalecimento do pilar desportivo do seu projeto para o Benfica.

Jorge Jesus, que em quatro épocas pode orgulhar-se de ostentar duas presenças nos quartos de final, uma na meia final e outra na final de uma competição europeia, ganhou direito a figurar na galeria de treinadores especiais do Benfica, onde Belà Guttmann é capitão de uma equipa formada por Fernando Riera, Elek Schwartz, Otto Glória, Sven-Goran Eriksson e Toni.

Quer isto dizer que a dupla formada por Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus que têm em comum a raiz popular e o triunfo na vida feito a pulso - deverá manter-se, num clube que nasceu do povo e para o povo, de olhos postos na conquista que falta ao Benfica: recuperar a hegemonia do futebol português, perdida durante a década de 90 do século passado para o FC Porto. 

Objetivo estratégico dos encarnados deverá ser o de não permitir a estagnação, criando formas de consolidação de um projeto desportivo que está, manifestamente, no rumo certo.

Que fique aqui postulado, para memória futura, que a noite de ontem representou, emblematicamente, o triunfo do trabalho complementar de dois homens: Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus.» 

- José Manuel Delgado, jornal A Bola, 3 de Maio de 2013

Bruno Carvalho dá os parabéns a Luís Filipe Vieira


Como todos sabem, nos últimos anos tenho tecido muitas críticas a Luís Filipe Vieira.

Recordo que na última campanha eleitoral, Vieira prometeu que o Benfica atingiria uma final neste mandato.

Eu tinha sérias (e fundamentadas) dúvidas que tal viesse a acontecer.

Neste momento feliz, registo que o Presidente do Benfica cumpriu a promessa e felicito-o por isso.

O sucesso de Vieira, é o sucesso do Benfica e é a nossa alegria.

Parabéns ao Presidente do Benfica por este sucesso.


-Bruno Carvalho, Facebook

Mário Fernando: Euroáguia


Foram 23 anos. O Benfica está de volta a uma final europeia e é fácil de entender o que significa, para um clube da dimensão social e desportiva do da Luz, pôr fim a tão longo interregno. Pode sempre argumentar-se que aquela dimensão vale por si só, mas o que conta mesmo são os registos históricos. O "estar no mapa". Era muito importante para o Benfica fazê-lo. Ganhe ou não em Amesterdão, há algo que já ninguém pode anular : as águias voltaram à ribalta.

Tinha aqui referido antes, que seria determinante abordar a segunda mão com o Fenerbahce com o "querer" chegar à final. Não chegava o "crer". Ora, o Benfica quis muito. A entrada da equipa encarnada foi brilhante, aos 10 minutos já tinha anulado a desvantagem (grande execução técnica de Gaitan) e até aos 20 não deu a menor hipótese ao adversário de sair da sua metade do terreno, embora não aproveitando mais duas ótimas hipóteses para aumentar a contabilidade.

A condição física do Benfica foi excelente. Mas parece difícil separar a superação dos jogadores do facto de sentirem que estavam no desafio que os poderia colocar numa final europeia, algo que qualquer futebolista pretende jogar, por muito que ganhar um campeonato seja marcante na respetiva carreira. Repare-se que os encarnados só "abanaram" emocionalmente a seguir ao golo de Kuyt, provavelmente mais pelas circunstâncias (arbitrais) em que sucedeu do que pelo golo em si.

No entanto, em apenas uma dezena de minutos, tudo voltou à normalidade. É aqui que dois homens assumem um papel fulcral para que se possa entender o que é hoje a estrutura do Benfica. Matic, com mais uma demonstração do que é aliar técnica a sentido posicional, e Enzo, com uma exibição absolutamente notável, trataram de repor os níveis de ansiedade da equipa no seu devido lugar, isto é, baixos. O 2-1 de Cardozo, que já tinha ameaçado antes, serviu para que o Benfica voltasse ao ponto anterior, ou seja, à necessidade de marcar apenas mais um para triunfar na eliminatória. Pouco depois Kuyt perde o empate à boca da baliza e, formalmente, o Fenerbahce acabou aqui.

A segunda metade do desafio resumiu-se à espera da confirmação do que se tornava já muito evidente. Coube a Cardozo, novamente, ditar a sentença. O paraguaio pode ser o ponta de lança mais irritante do mundo para muitos, mas mesmo estes não resistem a render-se a uma veia goleadora que, quando desperta, faz destas e doutras. E mais importante : resolve jogos. Acabou por ser a estrela maior numa equipa em que o sentido de solidariedade constituiu a palavra de ordem. Quando se vê Gaitan e Salvio a participarem ativamente no processo defensivo, não é preciso acrescentar mais nada.

Agora, uma palavra para Jorge Jesus. Ninguém sabe em rigor como será o futuro dele, nem se continuará a passar pelo Benfica. Mas o técnico acaba de inscrever o seu nome na lista de treinadores encarnados que levaram a equipa a finais europeias. Graças a uma gestão do plantel como ainda não conseguira desde que chegou ao clube (nem no ano em que foi campeão), Jesus colocou o Benfica perante a possibilidade de discutir duas finais (uma doméstica e outra europeia) e de caminhar, em simultâneo, para o título. No fim, logo se verá o que vai realmente conquistar. Só que há aqui muito trabalho de Jesus, numa temporada em que, por razões várias, também teve de inventar aquilo que não tinha. Os já citados Matic e Enzo são, provavelmente, o melhor exemplo disto mesmo.

Uma arbitragem tão débil numa meia final europeia dá que pensar sobre a verdadeira qualidade de certos nomes que, pelos vistos, não são aquilo que parecem ser. Do ponto de vista disciplinar foi uma salada e no capítulo técnico idem aspas, ou pior. Mas será que vale a pena continuar a "desancar" os árbitros portugueses perante isto?

A Liga Europa é, desta vez, a via para a (re)afirmação europeia de Benfica e Chelsea. Na Champions falharam, mas o facto é que estão ambos na final da Liga Europa. Um reencontro. Todos se lembram da forma como o Benfica foi eliminado, na época passada, na Liga dos Campeões. Só que várias coisas mudaram entretanto nos dois lados. Este Chelsea é menos "resultadista" e este Benfica é menos "ingénuo". Além de que a decisão é numa única partida, o que faz toda a diferença. E, como diz a velha máxima, as finais não se jogam, ganham-se.


-Mário Fernando, blog TSF Jogo Jogado