Noticias, Fotos, Videos, Resumos de Jogos e Artigos de Opinião acerca do Benfica e de tudo aquilo que o rodeia
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Rui Dias: Gáitan inventa com a cabeça os milagres que executa com os pés
Ainda precisa de calibrar inteligência lógica e inteligência criativa; ser o funcionário que cumpre regras do senso comum e o génio que desestabiliza a rotina. Mas poucos como ele alimentam o futebol como jogo e espetáculo
1. Defende a bola como um tesouro precioso; o corpo utiliza-o para escapar à fúria de carrascos sem pudor mas também para contar mentiras aos adversários; inventa com a cabeça os milagres que executa com os pés, sinal de que há nele coragem física a enfrentar os choques e força moral para querer sempre a bola e tentá-los. Gaitán possui todas as matérias-primas necessárias para tirar gente do caminho: domínio, arranque, velocidade, travagem e saída para onde manda o instinto. É um jogador deslumbrante, que faz cada vez melhor o que deve nas zonas neutras e ilumina a manobra ofensiva, em terrenos e circunstâncias onde espaços e companheiros, existindo, se escondem e até desaparecem em milésimos de segundo.
2. Como passa normalmente a primeira barreira de pressão, conquista vasto horizonte pela frente, que lhe permite expressar a técnica sublime e a infindável capacidade para inventar. Costuma jogar na esquerda mas também pode fazê-lo no meio, assumindo papel de intermediário entre a equipa e o ponta-de-lança; entre o jogo e o golo. Na época passada, em grande parte dos jogos europeus fora da Luz, ocupou essa zona vazia quando a equipa atua com dois avançados e que, em 2013/14, já foi preenchida, em nome de equilíbrio e segurança, juntando Ruben Amorim a Matic e Enzo. Nico não tem o sentido estratégico dos grandes maestros mas por ser habilidoso, veloz e coordenado; por viver na permanente busca de espaços vazios e usufruir de quase todas as armas para fazer a diferença, no meio encontra mais panorama para tomar decisões mortíferas.
3. Aos 25 anos ainda peca por entregar-se a exercícios solitários condenados ao fracasso e pela menor generosidade no apoio defensivo. Mas quando põe tudo em pratos limpos, tira da cartola a iniciativa assombrosa com a bola colada ao pé esquerdo, o passe de morte ou o cruzamento perfeito, como se a glória estivesse, afinal, à distância de um estalar de dedos. Com confiança insolente nas suas capacidades, Gaitán é fabuloso a servir os especialistas do último toque, a alimentá-los expressando a qualidade que interfere no produto final da equipa e na melhoria de quem exerce na sua zona de ação. Na aproximação à baliza é impressionante o modo como vê analisa, decide e executa em centésimos de segundo, como se os quatro passos fossem apenas um.
4. No gráfico de produção no Benfica há demasiados altos e baixos que lhe têm atrasado a afirmação como estrela universal. Ao nível mais elevado, é difícil a vida de quem é regularmente recriminado na queda com os antónimos dos adjetivos que ouviu na escalada. Na quarta temporada com a águia ao peito, Gaitán é dos poucos elementos do plantel encarnado de quem Jorge Jesus ainda não extraiu, em continuidade, toda a excelência do futebol que tem para oferecer. Para se consolidar como um dos mais extraordinários futebolistas da Liga, dono de um pé esquerdo abençoado e senhor de ilimitada imaginação, precisa ainda de calibrar a inteligência lógica e a inteligência criativa; ser o funcionário que cumpre todas as regras do senso comum e o artista que agita e desestabiliza a rotina. Poucos como ele têm arte para alimentar o futebol como jogo e espetáculo.
- Rui Dias, jornal Record, 20 de Novembro de 2013
José António Saraiva: Varela tem lugar no trio da frente da Selecção
O treinador sueco tinha dito que o jogo de ontem não iria ser um Ronaldo-Zlatan (Ibrahimovic). Mal sabia ele que estava a resumir o encontro: no final, seria Ronaldo 3 - Zlatan 2.
A idolatria incomoda-me, e não gosto do endeusamento que os jornalistas portugueses fazem de Ronaldo. Até porque é desmotivador para os restantes jogadores da Seleção que tenderão a dizer: "Se Ronaldo é o Deus, então ele que resolva". Felizmente isso não aconteceu ontem, e todos os jogadores foram de uma abnegação extrema.
Entretanto, com todas estas reservas à idolatria, devo reconhecer que Ronaldo fez finalmente um jogo ao mais alto nível na Seleção portuguesa. Os três golos que marcou mostram até que ponto se transformou numa "máquina de fazer golos". Abdicou de algumas qualidades que tinha para concentrar toda a sua energia no ataque à baliza.
Perdeu em capacidade de finta, mas ganhou em capacidade de desmarcação, poder de remate com os dois pés, impulsão e jogo de cabeça. E talvez hoje o goleador mais temível do futebol mundial.
Este apuramento para o Mundial também consagrou outro homem que às vezes é apresentado como o "patinho feio" da Seleção, menosprezado por comentadores e odiado por muitos adeptos do FC Porto e Benfica. Mas é uma ingratidão fazê-lo. Paulo Bento pegou numa equipa que Oueiroz deixara de rastos e fê-la renascer. Ontem, a nossa Seleção realizou um dos mais belos jogos que lhe vi fazer.
Num rápido olhar sobre os 23 que irão ao Brasil, direi que Portugal tem poucas alternativas na defesa (para lá dos titulares de ontem não há grandes opções), tem imensas alternativas no miolo (Veloso, Meireles, Moutinho, Josué, William Carvalho, Ruben Amorim, Ruben Micael) e tem pouquíssimas alternativas no ataque. Nani está muito em baixo e Postiga e Hugo Almeida são fraquinhos. Ontem Ronaldo fez tudo, mas não pode ser sempre assim. Julgo que Varela tem lugar no trio da frente.
Agora, na fase final, devemos ter esperança. Muitos dos nossos jogadores vão ter no Brasil o momento da verdade. Patrício, Pepe, João Moutinho, Nani, Coentrão vão ter uma oportunidade irrepetível de provarem ao mundo a sua, qualidade. E isso pode ser decisivo.
- José António Saraiva, jornal Record, 20 de Novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
Bernardo Ribeiro: No FC Porto Cardozo não teria ficado
Cardozo é um jogador com um peso enorme no plantel do Benfica. Não só por estar a realizar a sétima temporada de águia ao peito, o que por si só já levaria a ser visto de forma diferente, mas pelos golos que marca e que muito têm contribuído para a felicidade dos adeptos encarnados.
É curioso verificar como um ponta-de-lança com os números que o paraguaio exibe não recolhe, ainda assim, a unanimidade da tribo encarnada. Nem nas bancadas na Luz nem sequer aqui na redação. Os motivos poderão ser muitos desde o feitio por vezes pouco simpático à forma de jogar, que dá a ideia de quem tem pouca vontade de se esforçar quando a bola não lhe vai parar ao pé. A verdade é que os que não gostam recolhem trunfos na seleção paraguaia, pois apesar do que faz no Benfica, aí Tacuara não tem presença garantida.
Cardozo é hoje um jogador vital para Jorge Jesus. Foi o regresso do goleador que deu nova vida a uma equipa que parecia caminhar para a sua desintegração. Foram os seus 9 golos em 12 jogos que ajudaram o Benfica a sair da crise e a manter-se vivo em todas as frentes. Valeu então a pena a manutenção do avançado, apesar das tristes cenas protagonizadas no Jamor a temporada passada?
Todos os que olharem para o fenómeno futebolístico apenas como um momento dirão logo que sim. E mesmo outros que percam mais algum tempo a pensar na coisa. Porque não há verdades imutáveis nisto das opiniões, por muito que nos tentem vender que sim. Neste momento todas as leituras são possíveis. Mas poderá dizer-se que um treinador com outra personalidade nunca teria aceite ficar com Cardozo. Mourinho, por exemplo, teria corrido com ele. Por muito menos Balotelli foi a andar, mas acabou perdoado mil e uma vezes por Mancini. Bento seria outro que nunca aturaria a permanência do paraguaio. Há quem lhe chame teimoso, mas onde andam hoje Vukcevic, Stojkovic ou mesmo Carlos Martins? Pois.
O problema não está na permanência de Cardozo. Nenhum jogador é obrigado a sair de um clube por ter problemas disciplinares. Grave é a forma como todo o processo se passou, desde a conduta presidencial às palavras do treinador. Jesus fez saber mais do que uma vez que esperava a resolução do problema.
Ela não apareceu, não porque Vieira ou o técnico não tenham tentado vendê-lo, mas porque à Luz não chegou nenhuma proposta que justificasse. E o técnico engoliu o que não terá sido fácil de engolir. Tudo está bem quando acaba bem: Resta saber se acaba bem. Por agora vai andando.
No FC Porto teria ficado? Penso que não.
- Bernardo Ribeiro, jornal Record, 17 de Novembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
Afonso de Melo e a profissionalização dos árbitros: Tudo feito em cima do joelho por gente incompetente
2. Recordar é o termo certo. Não merece a pena acreditar nas fotografias. O que revelam num dia pode ser apagado no outro. O que vale é que, como dizia Iva Delgado, «a memória nunca prescreve».
3. Profissionalizam-se os árbitros à vontade do dono, tal e qual como se albardam os asnos. A partir de agora, qual será o clube que deseja ser arbitrado por um amador se tem à mão um verdadeiro profissional? E os observadores, passarão a profissionais (esta do passarão vem mais a propósito do que pensei a princípio) ou limitar-se-ão a ser amadores que classificam profissionais? E os piores classificados dos profissionais passarão por sua vez a amadores? E os melhores dos amadores? E o presidente dos árbitros vai ser profissional ou já o é? Como tudo o que é feito em cima do joelho por gente incompetente ficam perguntas demais sem resposta.
Para já, ao que parece, profissionalizam-se meia-dúzia. E que meia-dúzia!!! Um oferece a camisola a um adepto do FC Porto; outro festeja títulos martelados com os jogadores e treinadores do FC Porto... E assim corre o futuro da arbitragem. Com o Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto à frente do galheteiro! Afinal é ele quem manda.
-Afonso de Melo, jornal 'O Benfica', 15 de Novembro de 2013
Luís Filipe Vieira insultado por adeptos sportinguistas à saída da casa de João Malheiro
Foi no último domingo. Na véspera, o Benfica havia batido o Sporting, na Luz, eliminando, num jogo carregado de emoção, o seu arquirrival da Taça. Nesse dia, minutos antes, em Loures, aonde resido, outro triunfo vermelho, frente ao Sporting, na modalidade de Futsal. Ao cabo de uma parte da tarde de convívio, em minha casa, com o Benfica como pano de fundo, quando Luís Filipe Vieira abandonou as minhas instalações, um grupo organizado de jovens adeptos leoninos, dirigiram-lhe, de forma altissonante, alguns impropérios, demonstrando uma deplorável falta de respeito desportivo, para já não falar do devido esguardo institucional.
Morador em Loures, cidade com inúmeros adeptos benfiquistas, registei o acontecimento com particular lamúria. Da mesma forma, sublinho a postura exemplar de Luís Filipe Vieira, incapaz de responder às provocações, assumindo uma postura dignificante para o líder de uma instituição com a grandeza e o caráter do Sport Lisboa e Benfica.
No dia seguinte, o acontecimento foi notícia. No mesmo dia e nos subsequentes, recebi inúmeras manifestações de solidariedade, repúdio pelos acontecimentos, inclusive de vários aficionados e até sócios de longa filiação na agremiação de Alvalade.
O sucedido vale o que vale. Mas vale, sobretudo, pela serenidade, mais classe de Luís Filipe Vieira. E vale pela selvajaria verbal de simpatizantes do Sporting, clube que tantas vezes apregoa superioridade moral, quando muitos dos seus apoiantes comentam arruaças de absoluta torpeza.
-João Malheiro, jornal 'O Benfica', 15 de Novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Pedro Santos Guerreiro: UEFA atribuiu à FPF o prémio de marketing do ano
A enchente garantida para esta sexta-feira no Estádio da Luz é muito mais do que um sinal de devoção coletiva pela Seleção Nacional. É o resultado de uma gestão profissional na Federação, que, quanto à lotação, neste jogo fez tudo bem.
Agora é ganhá-lo.
É um dos jogos do ano. Portugal contra Suécia. Ronaldo contra Ibrahimovic. Primeira mão de apuramento contra exclusão do Mundial de futebol. O frenesim à volta do jogo é tão grande que, já ontem, a Federação decidiu emitir mais 800 bilhetes para lugares com visibilidade reduzida: voaram num instante.
Só se pode vender o que é bom: a perspetiva de jogo e a qualidade das equipas asseguram-no. Mas depois há o resto. Há o marketing, a publicidade, os canais de distribuição, o preço, as promoções. Ora, a Federação investiu em publicidade e ativou duas parcerias de envergadura, uma com o Continente, para vender os bilhetes, outra com a Santa Casa da Misericórdia, com a qual fará o espetáculo da maior bandeira de Portugal num estádio. Haverá bandas e festança.
O resultado é um pouco mais de 60 mil pessoas no estádio, que pagaram bilhetes a partir de dez euros, sendo a maior parte deles a 20 euros. Faça as contas, é um balúrdio. Nem há uma semana, o superjogo no mesmo estádio entre o Benfica e o Sporting teve um pouco mais de 40 mil pessoas, com os bilhetes em média mais baratos.
Isto acontece em primeiro lugar porque o público de Seleção Nacional é diferente do público dos jogos de clubes. Há mais famílias. Haverá milhares. de crianças a ver no estádio este Portugal-Suécia. Mas também acontece porque, através das parceiras e promoções nos supermercados, a Federação conseguiu impulsionar a compra por impulso.
Isto não é só futebol, é economia. É gestão - a gestão profissional de Fernando Gomes, que tem cumprido as expectativas com que entrou na FPF. Não é por acaso que estas campanhas são um caso de estudo na UEFA, que atribuiu à Federação portuguesa o prémio de marketing do ano.
O estádio vai encher-se com grandes esperanças. Esperemos que se esvazie de gente radiante.
- Pedro Guerreiro, jornal Record, 14 de Novembro de 2013
Leonor Pinhão: Elejo Cardozo como o adepto do ano
Com a liberdade e a autoridade que me são conferidas nesta página, atribuo ao cidadão paraguaio Óscar Cardozo o título de adepto do ano do SLB.
Do ano civil, entenda-se. Aquele que começou a 1 de Janeiro último e que terminará no próximo dia 31 de Dezembro.
Podem-me contestar a decisão por ser extemporânea, precipitada. Ainda falta um mês e meio até que 2013 acabe e quem sabe se, até lá, não aparecerá outro adepto, ou mesmo sócio, capaz de uma proeza qualquer que a todos encante.
No entanto, duvido de que, quem quer que seja o candidato, se consiga bater com Óscar Cardozo pelo título de adepto do ano, distinção que, a meu ver, se vai ganhando durante 365 dias à porfia e não por uma noite de brilharete avulso seja em que mês for.
É evidente que a prestação do paraguaio na noite de sábado contribuiu para o peso desta nomeação. Mas só contribuiu em 50 por cento. E não foi por ter marcado três golos ao velho rival, coisa que já tinha feito, na época passada, em Alvalade. Isto, segundo os critérios da Liga com os quais não concordo porque um dos golos atribuídos a Óscar Cardozo foi, inequivocamente, um auto-golo de Rojo.
Neste último jogo com o Sporting, o que pôs fim à discussão sobre o nome do adepto do ano não foi a veia goleadora do paraguaio. Cardozo, por norma, marca muitos golos ao Sporting, daí não veio grossa novidade. No sábado só foi diferente porque não se tratou de Cardozo mas sim de meio-Cardozo, visto que se magoara seriamente no jogo anterior e a sua utilização esteve em dúvida até à hora de entrar em campo.
Provavelmente, se a Liga portuguesa fosse organizada pela ONU, Cardozo não tinha jogado. Já ouvi protestos assanhados pela sua utilização no sábado contrariando todas as disposições médicas e humanitárias em vigor.
No entanto, o meio-Cardozo magoado que se apresentou a jogo deu uma grande lição aos magoados adeptos do Benfica, aos que ainda não recuperaram a alma perdida naquelas duas semanas fatídicas do último Maio.
E sabe-se que adepto sem alma é meio-adepto. Ponham, portanto, os meios-adeptos os olhos no meio-Cardozo, também ele magoado, mas mais do que capaz de fazer o que se lhe pedia nesta última ocasião. E sem hesitações. Só por isto já merecia a distinção de adepto do ano. Mas houve mais.
Os outros 50 por cento que contribuíram para a atribuição do título de adepto do ano a Cardozo surgiram naqueles instantes depois do último descalabro da temporada, no Jamor, quando um inconformado Óscar Cardozo se dirigiu ao seu treinador em termos desabridos, pedindo-lhe explicações, apontando-lhe o dedo.
Foi feio? Foi pois. Mas quantos adeptos do Benfica não teriam feito exactamente a mesma coisa se para tal tivessem tudo oportunidade? Oh, falsos moralistas!
No melhor e no pior, em 2013, existiu uma simbiose perfeita entre o paraguaio e os adeptos do Benfica. Houve vezes em que um e os outros pareciam a mesma coisa.
Por isso, Óscar Cardozo inteiro e meio-Óscar Cardozo, elejo-te o adepto do ano.
Tenho dito.
-Leonor Pinhão, jornal A Bola, 14 de Novembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
José António Saraiva: Sporting deixou de ser grande ou Leonardo Jardim decidiu ser hipócrita?
Há meia dúzia de semanas, Leonardo Jardim considerava uma hipocrisia um dos três grandes queixar-se das arbitragens. No sábado passado, porém, lá apareceu a justificar a derrota com "dois erros do árbitro". Será o Sporting que deixou de ser grande ou Jardim que decidiu ser hipócrita?
Devo dizer que sempre me indignaram mais os penáltis mal assinalados do que aqueles que o árbitro não marca, sobretudo quando as jogadas não têm perigo nenhum.
Mas, com erros ou não, o dérbi lisboeta foi um importante jogo de futebol, sobretudo por duas razões:
1 - Confirmou a ressurreição do Sporting, depois do coma da época passada. É hoje uma equipa alegre, intensa, objetiva, rapidíssima, funcionando sempre em coletivo, capaz de trocar a bola em pequenos espaços, onde cada jogador está a superar-se. Leonardo Jardim, com o apoio do presidente, tem feito um trabalho tremendo;
2 - Confirmou o crescendo do Benfica, depois de um desgraçado início de época. A equipa apática de há semanas parece transfigurada: corre, luta, voltou a produzir um futebol vistoso e espetacular, com todos os jogadores a subirem de produção.
Sendo um jogo com grandes jogadas e grandes golos, o dérbi acabou por ser decidido por um lance cómico, que no entanto pôs justiça no resultado, considerando que:
A - Numa altura crucial do jogo, o Benfica perdeu uma pedra que estava a ser preciosa (Ruben Amorim), caindo a pique e permitindo a reação do Sporting;
B - O Benfica voltou a sofrer um golo depois do minuto 90, o que é sempre traumatizante, mas foi cruel depois do esforço enorme de Atenas e quando os jogadores já julgavam a eliminatória resolvida;
C - Mesmo assim, a equipa cerrou os dentes, fez das tripas coração, encostou o Sporting às cordas e teve ânimo para chegar à vitória.
Portanto: parabéns ao Benfica, parabéns ao Sporting e uma recomendação a Jardim: nunca volte a dizer "desta água não beberei". Nenhum latino (mesmo ilhéu) pode afirmar que nunca se queixará do árbitro.
Não temos a fleuma britânica, temos o sangue quente - e sobretudo, como aceitamos com dificuldade as derrotas, somos sempre tentados a justificá-las com erros alheios.
- José António Saraiva, jornal Record, 13 de Novembro de 2013
Carlos Daniel: Subida de rendimento da equipa deve-se ao novo sistema de 3 médios
Que me desculpem aqueles que não querem ver que houve jogo além dos erros do árbitro ou do frango de Rui Patrício. É que houve mesmo, e deixou que contar:
1. O Benfica joga muito melhor no sistema de três médios pelo qual Jesus optou nas duas últimas partidas, ainda que negue a si próprio ter-se rendido ao 4x3x3, que considerou um dia como o "sistema mais fácil de anular";
2. Foi com a inclusão do terceiro médio que se libertaram (de algumas tarefas defensivas) os dois jogadores mais determinantes do processo de criação encarnado - Enzo e Gaitán. À subida de rendimento de ambos, muito mais que à eficácia de Cardozo, se deve a subida de rendimento da equipa;
3. O grande teste vem a seguir, a propósito da lesão de Ruben Amorim. Vai Jesus manter-se no rumo que valeu subida de rendimento imediata (promovendo André Gomes ou deslocando Gaitán para zona central) ou não resiste à enésima tentativa de provar que é possível ganhar com o sistema de quatro avançados?
4. A opção errada por Ivan Cavaleiro durante o jogo da Taça indicia que o técnico encarnado pode seguir a segunda via, que é a errada. No sábado, foi nessa substituição que entregou o domínio ao Sporting e quase perdeu uma eliminatória que estava ganha. Já Lima entrou tarde mas bem;
5. O Sporting não tem qualidade individual para competir com os grandes rivais, e essa discrepância de talento faz muita diferença em jogos como o de sábado. Comparar qualquer dos setores (defesa, meio campo, ataque) das duas equipas prova-o à exaustão, mais ainda quando o próprio Rui Patrício falha (que teoricamente o Sporting só leva vantagem no guarda-redes);
6. Há por isso grande mérito de Leonardo Jardim na forma como tem feito crescer o misto de jovens e estrangeiros (mais ou menos) desconhecidos com que criou o novo Sporting. Pelo coletivo bem trabalhado disfarça as limitações de orçamento;
7. Também nas substituições Leonardo Jardim esteve bem, sobretudo quando lançou Slimani para criar novos problemas à defesa do Benfica. E o argelino podia ter feito um hat-trick;
8. O futuro do Sporting depende da serenidade de um grupo de trabalho que deve - e merece - cumprir tranquilamente o seu processo de crescimento. As declarações desbragadas do presidente Bruno de Carvalho arrastam os adeptos para a ideia de que o Sporting só não ganha já a tua a gente porque forças ocultas o impedem. Além de fazer mal à equipa, não é verdade.
-Carlos Daniel, Diário de Noticias
Bagão Félix: 8 notas sobre o derby
1. Diga-se o que se disser, os jogos entre o Benfica e o Sporting continuam a ser o mais genuíno dérbi/clássico nacional. Com a radical rivalidade de quem quer vencer saborosamente o opositor (no campo), com o eterno fascínio da imprevisibilidade do desfecho, independentemente de quem está melhor ou pior, mas sem a obsessão doentia e a guerrilha figadal (fora do campo e às vezes dentro dele) de outros clássicos.
2. O jogo foi um hino à emoção imanente ao futebol. Esplendoroso e empolgante. Como, aliás, nos anteriores confrontos para a Taça. Agora 4-3, antes 5-3 e 3-3. Ao todo 21 golos, uma média de 7 por jogo! À inglesa.
3. No sábado, outra boa notícia: dos 28 jogadores, 11 eram portugueses. No Benfica, cinco (hélas, há quanto tempo!) e no Sporting, seis.
4. Escrevi aqui em Setembro de 2010: Cardozo, além de Óscar, é alcunhado de Tacuara. Por isso, os benfiquistas lhe exigem que seja como o que esta palavra significa em tupi-guarani: cana de bambu que chega a doze metros e é usada para fazer eixos de lança. Como os que, sob a forma de golo, marcou ao Sporting!
5. Em Atenas 7 oportunidades e 0 golos para o SLB, com Roberto a brilhar. Na Luz 7 oportunidades, 4 golos e duas bolas nos ferros, com o excelente Rui Patrício a falhar. Da ineficácia para a eficácia (ou vice-versa) em alguns dias.
6. Voltou o fantasma do minuto 92. Não haverá relógios que passem directamente do minuto 91 para o 93?...
7. E o espectro dos cantos e livres defendidos à zona. Este ano já vão 6, sem esquecer Chelsea e Estoril no terrível fim de época. O vírus da zona?
8. Que regresse depressa Ruben Amorim.
- Bagão Félix, jornal A Bola, 13 de Novembro de 2013
Pedro Barbosa analisa o derby: Cardozo entrou para a história!
1. Que grande jogo! Eu já tive a felicidade de participar em jogos destes e por isso sei o que é viver aquele ambiente com a intensidade e entusiasmo de todos. Houve de tudo no derby. Espectáculo, emoção, paixão dos adeptos, erros e a incerteza no resultado. Mas infelizmente os erros de arbitragem continuam, algumas declarações no final e as situações com Jesus também. Já chega e o treinador do Benfica ainda não percebeu isso.
2. Jesus voltou a usar o desenho táctico de Atenas. Sentiu-se confortável? Foi para equilibrar a luta no meio campo? Não sei se o recuo inicial do Benfica foi estratégico ou se foi o Sporting que obrigou a isso, mas o Benfica sentiu-se cómodo. A verdade é que com Ruben Amorim este novo desenho ganha consistência, capacidade de pressão e intensidade e até ao momento um acréscimo de qualidade. Os golos deram-lhe tranquilidade e o controlo do jogo, mas a boa reacção do Sporting criou problemas.
3. O Sporting apresentou-se com identidade e foi fiel aos princípios que defende. A boa entrada em jogo, pressionante e a jogar no meio campo ofensivo prova isso mesmo. Mas o que retiro desta equipa foi a capacidade para reagir. Após o intervalo e uma desvantagem de dois golos, voltou ao jogo e sempre como equipa. Soube aproveitar as que são nesta altura as fragilidades do Benfica e durou até ao fim. Apesar da derrota, a equipa cresce e são este tipo de jogos que dão experiência e maturidade para outros confrontos.
4. Cardozo foi o homem do jogo. Hat-trick num derby coloca-o nesse patamar. Muito se fala de Cardozo, na relação que tem com os adeptos, mas ele faz golos. É um finalizador e voltou a decidir neste jogo. Não se movimenta muito, pouco entra no processo ofensivo da equipa, mas quando a bola aparece na área normalmente marca. Neste jogo tocou poucas as vezes na bola e foi tremendamente eficaz. De bola parada, de primeira numa boa jogada colectiva e na pequena área a cabecear com classe. Três momentos que lançam Cardozo para a história dos derbies.
5. Foram onze os portugueses que estiveram no derby. Muito bom olhando para o passado recente. Destaque para a vontade, alegria e dinâmica de Ivan Cavaleiro a mostrar a Jesus que tem de contar com ele. Os 30 minutos de André Gomes foram curtos. Tem qualidade para mais e é bom ver a personalidade e confiança que possui. Do lado do Sporting a juventude impera e tem sido normal. Adrien mais presente e activo e o Sporting melhorou. Gostei da irreverência de Carlos Mané. Sem medo, com velocidade e coragem a merecer outras oportunidades.
6. Rui Patrício errou. Com este lance já ninguém se lembra das boas defesas que fez. Nem da forma como fez a leitura certa do jogo que está a decorrer à sua frente. Seja através de uma saída fora da área ou a um cruzamento. Patrício fez tudo isso mas na sua posição não há ninguém para colmatar o erro. Para a história fica o golo que sofreu e não o bom comportamento geral. É a vida solitária do guarda-redes e o Rui sabe disso. É forte e tem capacidade para ultrapassar este momento.
7. William Carvalho continua a trajectória segura. Sereno, com personalidade marca o ritmo da equipa. Teremos surpresa no jogo com a Suécia?
8. Montero não marcou mas é um jogador de qualidade. Inteligente, sabe o que faz e os terrenos que pisa. A entrada de Slimani fê-lo baixar no terreno. Pode ser uma opção não só para o decorrer do jogo. O jogo da equipa passa a ser diferente mas ganha qualidade e mais presença na área.
9. O jogo também se fez nos bancos. E aí gostei dos treinadores. Diferentes, é certo, mas cada um com boa postura nas substituições. De certeza que Jardim mexeu com os jogadores no intervalo e foi colocando as fichas à medida do jogo. Foram acertadas e tiveram efeito prático. Foi ao limite e o erro deitou tudo a perder. Jesus, por outro lado, teve desde cedo o resultado do seu lado e foi gerindo o tempo e a equipa. Ter Lima para entrar no prolongamento fê-lo voltar ao figurino habitual de dois avançados e acabou por resultar.
10. As bolas paradas, por muito que Jesus não o admita, estão a ser um problema. A equipa tem revelado pouca concentração, posicionamento deficiente e passividade no momento de atacar a bola e os resultados estão à vista. É urgente reconhecer e atacar o problema porque a sensação que existe é que qualquer bola na área é um momento de aflição.
-Pedro Barbosa, Site Mais Futebol
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